O Transtorno do Espectro Autista — TEA —, também conhecido como autismo, é um distúrbio complexo do desenvolvimento neurológico que acomete pessoas de todo o mundo. De acordo com dados da Rede de Monitoramento de Autismo e Déficits de Desenvolvimento (ADDM Network) nos Estados Unidos em 2018, a prevalência entre crianças é de 2,27%, ou seja, 1 a cada 44 crianças tem o diagnóstico. A prevalência global do TEA é estimada em 1 a 2%, sendo variável em diferentes grupos populacionais.
O distúrbio impacta de forma significativa a vida dessas crianças e das suas famílias. Por isso, é fundamental que se compreenda que o autismo não se restringe apenas o diagnóstico, já que a criança vai demandar dedicação e cuidados especiais.
Neste artigo, além de entender melhor o que é o TEA, vamos explicar sobre os seus níveis de intensidade, como podem ser identificados, como é feito o diagnóstico, se o autismo é genético, tratamentos e terapias clínicas. Acompanhe e descubra!
O que é o autismo?
De acordo com o DSM-5 (Manual de Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais) o autismo:é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades de interação social, comunicação e comportamentos repetitivos e restritos.Dessa forma, ele representa uma série de quadros que podem variar em intensidade e sintomas, gerando dificuldades de diferentes níveis na rotina do indivíduo. Somado a isso, algumas pessoas com autismo podem ter outros problemas de saúde que acompanham o transtorno. Entre eles, podemos citar convulsões, distúrbios do sono, distúrbios gastrointestinais, déficit de atenção e hiperatividade, ansiedade e fobias. É importante lembrar que o autismo se apresenta com variações significativas de uma pessoa para outra. Enquanto algumas têm dificuldades no aprendizado e na interação social, outras podem levar uma vida considerada normal, o que, por sua vez, pode levar a um diagnóstico tardio, na vida adulta (e, em algumas situações, apenas após o diagnóstico de outro familiar com a mesma condição).
Quais condições o TEA engloba?
Atualmente, o TEA engloba todos os pacientes que previamente eram classificados como tendo subtipos do transtorno, como era o caso da síndrome de Asperger e do transtorno desintegrativo na infância.
Portanto, hoje em dia, pacientes que apresentam desde a infância déficits persistentes da comunicação social e da interação social e padrão de comportamento, interesses e atividades repetitivos, levando a comprometimento no funcionamento geral, podem receber o diagnóstico de TEA, contanto que sejam atendidos os critérios específicos estabelecidos no DSM-5.
Como o autismo pode ser diagnosticado?
O diagnóstico de autismo deve ser feito por um médico. De forma geral, os pais observam sintomas, como:- choro frequente e ininterrupto;
- bebês que evitam o contato visual com a mãe, principalmente, durante a amamentação;
- inquietação;
- apatia;
- indiferença seletiva à voz humana — a criança não atende aos chamados;
- pouca vontade de se comunicar verbalmente;
- déficits na reciprocidade social-emocional
- dificuldade em uso de comportamentos comunicativos não verbais (por exemplo, apontar objetos)
- dificuldade em desenvolver e manter relacionamentos apropriados à idade;
- transtorno de linguagem;
- agressividade;
- ansiedade;
- resistência a mudanças na rotina;
- movimentos repetitivos das mãos, cabeça e tronco
- padrões restritos e repetitivos de comportamentos e interesses
Quais são os níveis de dificuldades no TEA?
Ainda dentro das diferenças apresentadas no espectro autista, vale a pena se aprofundar a respeito de seus níveis de gravidade, que são avaliados para dois principais parâmetros: interação/comunicação social e comportamento restritivo/repetitivo.- Nível 1 — Necessidade de suporte: sem o sistema de apoio, o indivíduo pode apresentar dificuldade em interação social e apresentar inflexibilidade de comportamento, com interferência no funcionamento em um ou mais contextos
- Nível 2 — Necessidade de suporte substancial: déficits importantes na conversação, interações sociais anômalas e comportamentos repetitivos ou inflexibilidade levando a importante interferência em muitos contextos; prejuízos são aparentes mesmo com o suporte.
- Nível 3 — Necessidade de suporte muito substancial: Importante limitação da comunicação verbal e não verbal, comportamentos repetitivos/inflexíveis levando a alteração em funcionamento em todas esferas As pessoas apresentam grande sofrimento para mudar o foco das suas ações e inflexibilidade comportamental.