Com o objetivo de identificar doenças tratáveis na primeira infância, a triagem neonatal exerce papel fundamental para o desenvolvimento do bebê e contribui diretamente para a qualidade de vida da criança.
Entre os exames de triagem neonatal, destaca-se o Teste Genético da Bochechinha, que detecta simultaneamente várias condições não identificáveis por outros procedimentos, e que podem ser tratadas ou atenuadas quando diagnosticadas de forma precoce. Afinal, quanto mais cedo for descoberta uma condição específica, melhores são as alternativas de tratamento para as crianças e menor a probabilidade de desenvolver complicações.
Mas como o Teste Genético da Bochechinha protege a criança? Para quem o exame é indicado? Como é feito? Quais os benefícios? Para ajudar a esclarecer todas essas dúvidas, convidamos a Dra. Rosenelle Benício, médica geneticista do Grupo Sabin.
Continue a leitura deste artigo e conheça como funciona essa avaliação tão importante para nossas crianças!
O que é o Teste Genético da Bochechinha?
O Teste Genético da Bochechinha é um exame realizado em recém-nascidos, que possibilita identificar alterações em mais de 520 genes associados a centenas de doenças tratáveis, minimizando possíveis sequelas futuras. A partir da análise do DNA do bebê, é possível detectar a presença de doenças genéticas — muitas delas, raras — e iniciar o tratamento precoce, o que pode garantir a qualidade de vida da criança em longo prazo. Como visto acima, um dos diferenciais do teste é a identificação de doenças raras, que não são detectáveis nos exames básicos de triagem neonatal. “A proposta do Teste Genético da Bochechinha é detectar doenças raras, mas que podem ser tratadas desde que haja intervenção precoce. Além disso, o exame permite a confirmação molecular de várias condições já testadas no Teste do Pezinho, ou seja, descobrir qual variação genética leva a condições como fenilcetonúria, fibrose cística, galactosemia, entre muitas outras”, explica Dra. Rosenelle. A lógica é muito simples: se existe a possibilidade de tratamento e o diagnóstico não é realizado, um tempo precioso está sendo desperdiçado. “Nem sempre o tratamento preconizado será um medicamento. Após a confirmação do diagnóstico, já que o Teste Genético da Bochechinha é um exame de triagem, a criança será acompanhada por um ou mais especialistas, que orientarão o tratamento mais adequado. Pode ser uma restrição dietética, a reposição de um hormônio, uma vitamina ou uma enzima; pode ser um rastreamento clínico para identificar precocemente alterações clínicas que poderão ocorrer; ou, até mesmo, um transplante de medula óssea, por exemplo”, destaca a médica. Em outras palavras, a identificação da doença possibilita que o melhor tratamento seja oferecido com a máxima celeridade.O que exatamente o Teste Genético da Bochechinha avalia?
Grande avanço da medicina, o Teste Genético da Bochechinha consegue abranger centenas de condições genéticas e também inclui a investigação de uma condição não genética: a infecção congênita por citomegalovírus. Confira os grupos de doenças analisadas:- síndromes associadas à surdez ou a quadros pulmonares;
- doenças neurológicas;
- doenças hematológicas;
- doenças imunológicas;
- doenças renais;
- doenças endócrinas;
- doenças hepáticas e gastrointestinais;
- erros inatos do metabolismo;
- infecção congênita por citomegalovírus.