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BI-RADS®: o que significa essa classificação nos exames de mama?

O que é o BI-RADS®?

O BI-RADS® é um sistema de classificação criado para facilitar a compreensão e o acompanhamento dos resultados dos exames de imagem das mamas, como a mamografia, a ultrassonografia e a ressonância magnética. O principal objetivo é padronizar os laudos, facilitar a comunicação entre os profissionais de saúde e orientar a conduta médica, com base no risco de câncer de mama.

Embora seja um termo técnico, o BI-RADS® faz parte da rotina de exames de muitas mulheres, e entender o que ele significa pode ajudar a reduzir a ansiedade ao receber um laudo. Neste conteúdo, explicaremos o que representa cada categoria, o que muda com a atualização mais recente e como lidar com resultados, como BI-RADS® 3 ou 4, com mais tranquilidade. Siga a leitura para entender mais informações sobre essa classificação.

Como funciona o BI-RADS® e por que ele é importante?

O BI-RADS® (Breast Imaging Reporting and Data System) foi desenvolvido pelo American College of Radiology como uma ferramenta de padronização para descrever achados em exames de imagem das mamas. Desde a sua adoção, tornou-se referência internacional e é utilizado para garantir que os laudos radiológicos sejam claros, uniformes e úteis para o médico assistente.

A principal função é traduzir o que foi visto nos exames em categorias numéricas, que indicam o grau de risco e orientam qual deve ser o próximo passo: apenas acompanhar, repetir o exame ou realizar uma biópsia.

Além de melhorar a comunicação entre médicos e pacientes, o sistema ajuda a evitar erros de interpretação, otimiza a conduta clínica e contribui para a detecção precoce do câncer de mama, com impacto direto no sucesso do tratamento.

Quais exames utilizam o BI-RADS®?

O BI-RADS® é aplicado em três exames principais de imagem das mamas, a mamografia, a ultrassonografia e a ressonância magnética. Cada um desses métodos possui características próprias, mas todos utilizam a mesma escala numérica para classificar os achados.

Isso permite que os resultados sejam comparáveis entre si e interpretados em conjunto, proporcionando uma análise mais precisa. Mesmo quando há divergências entre os exames, como uma mamografia com BI-RADS® 3 e uma ultrassonografia com BI-RADS® 2, os profissionais conseguem avaliar o contexto completo para definir a melhor conduta.

A atualização mais recente do BI-RADS®, lançada em 2025, trouxe ajustes relevantes principalmente para os laudos de ultrassonografia e ressonância, refletindo avanços no conhecimento sobre as imagens benignas e suspeitas.

O que significam as categorias do BI-RADS®?

A escala do BI-RADS® vai de 0 a 6, sendo que cada número representa um nível de probabilidade de câncer e uma recomendação clínica correspondente:

Cada número é uma indicação clínica que orienta a conduta médica. O mais importante é lembrar que categorias intermediárias, como BI-RADS® 3 e 4, não significam diagnóstico de câncer, mas sim a necessidade de observação ou investigação, respectivamente.

Por que exames diferentes podem indicar BI-RADS® diferentes?

Nem sempre os diferentes exames de imagem vão apontar exatamente o mesmo resultado, e isso é perfeitamente normal. Cada método tem suas próprias limitações e pontos fortes. Enquanto a mamografia é excelente para visualizar calcificações, a ultrassonografia é mais útil para diferenciar cistos de nódulos sólidos, e a ressonância tem alta sensibilidade para alterações em que há avidez pelo meio de contraste.

Essas diferenças fazem com que, às vezes, um mesmo achado seja interpretado de forma distinta entre os exames. O essencial é que o médico assistente considere o conjunto das informações para indicar o melhor caminho.

As mudanças com a nova edição do BI-RADS®

O BI-RADS® v.2025 trouxe mudanças significativas para tornar os laudos mais claros, objetivos e alinhados com as evidências clínicas. Algumas alterações fundamentais incluem:

Essas mudanças ajudam a reduzir a ansiedade das pacientes e favorecem uma abordagem mais precisa e individualizada.

O que fazer quando o exame indica BI-RADS® 3 ou 4?

Quando o laudo indica BI-RADS® 3, o achado é provavelmente benigno. A recomendação é repetir o exame em seis meses, mantendo vigilância por até dois anos. A chance de câncer é muito baixa, inferior a 2%, e a maioria dos casos segue sem alterações ao longo do tempo.

Já o BI-RADS® 4 indica que o achado merece investigação mais aprofundada. Nesses casos, a biópsia é recomendada, mas isso não significa que seja câncer. A maioria dos BI-RADS® 4 também resulta em diagnósticos benignos após a biópsia. Em ambas as situações, é crucial seguir a orientação médica e manter a calma. A padronização do BI-RADS® existe justamente para proteger a paciente e permitir o diagnóstico precoce, quando for o caso.

Quem costuma receber cada tipo de BI-RADS®?

Pacientes assintomáticas submetidas a exames de rastreamento, como mamografias de rotina, costumam receber classificações BI-RADS® 1 ou 2, que indicam normalidade ou achados benignos. Mulheres mais jovens, com nódulos pequenos e características tipicamente benignas, recebem frequentemente BI-RADS® 3.

BI-RADS® 4 é mais comum em mulheres com achados com risco entre 2% a 90% de câncer de mama, como nódulos irregulares ou calcificações atípicas. BI-RADS® 5 é atribuído a lesões com aparência altamente sugestiva de malignidade, como lesões espiculadas. Enquanto o BI-RADS® 6 é reservado para pacientes já diagnosticadas com câncer de mama, ainda sem tratamento cirúrgico, cuja imagem serve para planejar tratamento ou monitorar resposta à terapia.

Quando será necessário buscar uma segunda opinião médica?

Dúvidas após um exame de imagem são compreensíveis. Em casos de BI-RADS® 3 ou 4, ou quando a explicação médica não for clara, buscar uma segunda opinião é uma medida válida e recomendada. Um novo olhar pode confirmar a conduta ou propor o caminho mais adequado, sempre com foco na segurança da paciente.

Ademais, exames realizados em centros especializados tendem a apresentar menor taxa de inconclusivos e maior precisão nos laudos, o que reduz a necessidade de repetições ou investigações excessivas.

Como lidar com a ansiedade após o resultado do exame?

Receber um laudo com uma classificação desconhecida pode causar preocupação, mas entender o significado do BI-RADS® ajuda a reduzir o medo. A maioria dos exames não indica câncer, e o sistema foi criado para assegurar que nenhum detalhe passe despercebido.

Conversar com o médico, esclarecer dúvidas e evitar buscar interpretações na internet são atitudes que fazem diferença para a saúde emocional nesse momento.

Qual a importância de confiar em serviços de imagem especializados?

A qualidade do exame está diretamente ligada à experiência da equipe e à tecnologia utilizada. Centros de imagem especializados, como o Sabin, seguem protocolos internacionais, realizam atualizações constantes e contam com radiologistas altamente capacitados para diagnósticos mamários. Esse cuidado garante maior precisão nos resultados e contribui para decisões médicas mais seguras e menos invasivas.

Compreender o que é o BI-RADS® é um passo importante para o autocuidado e para decisões mais conscientes sobre a própria saúde. Em vez de gerar medo, a classificação deve ser vista como uma ferramenta de proteção, criada para melhorar o diagnóstico e promover a segurança da paciente. Saiba mais sobre exames de imagem, acessando o nosso conteúdo: Como funcionam os exames de imagem.

Sabin avisa:

Este conteúdo é meramente informativo e não pretende substituir consultas médicas, avaliações por profissionais de saúde ou fornecer qualquer tipo de diagnóstico ou recomendação de exames.

Importante ressaltar que diagnósticos e tratamentos devem ser sempre indicados por uma avaliação médica individual. Em caso de dúvidas, converse com seu médico. Somente o profissional pode esclarecer todas as suas perguntas. 

Lembre-se: qualquer decisão relacionada à sua saúde sem orientação profissional pode ser prejudicial.

Referências:

Berg WA, Berg JM. Cancer Yield and Patterns of Follow-up for BI-RADS® Category 3 after Screening Mammography Recall in the National Mammography Database. Radiology. 2020 Jul;296(1):32-41. doi: 10.1148/radiol.2020192641. Epub 2020 May 19. PMID: 32427557.

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