Sabin Por: Sabin
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A leucemia mieloide aguda (LMA) é uma neoplasia hematológica grave, marcada por uma rápida proliferação de células imaturas da linhagem mieloide, que comprometem a função hematopoiética da medula óssea. Na prática clínica, o diagnóstico precoce e preciso garante início imediato do tratamento, impactando diretamente o prognóstico do paciente.

Com a evolução dos recursos diagnósticos e o avanço da medicina de precisão, a caracterização genética da LMA tornou-se parte da abordagem clínica. Nesse cenário, a detecção de fusões cromossômicas destaca-se como uma ferramenta de alta qualidade, capaz de fornecer informações para a tomada de decisão terapêutica. 

Continue a leitura para entender melhor sobre como as fusões cromossômicas interferem no diagnóstico, no prognóstico e na definição da conduta clínica na LMA, e de que forma o exame pode contribuir para decisões mais rápidas, assertivas e individualizadas.

Entendendo a LMA: panorama clínico e molecular

Sabemos que a leucemia mieloide aguda apresenta grande heterogeneidade genética e clínica, o que justifica uma abordagem diagnóstica ampla. Este bloco contextualiza os principais aspectos clínicos da doença e a importância crescente da genética na sua caracterização.

Características clínicas e evolução da LMA

A LMA origina-se na medula óssea, a partir de mutações que bloqueiam a diferenciação celular da linhagem mieloide. Com isso, há acúmulo de blastos que substituem os precursores normais, resultando em sintomas relacionados à insuficiência medular: anemia, infecções recorrentes e sangramentos. A neoplasia mieloide é mais comum em adultos acima de 60 anos e tende a evoluir rapidamente, exigindo diagnóstico e intervenção imediata.

Importância da genética no diagnóstico

Nos últimos anos, a classificação da LMA evoluiu para incorporar marcadores genéticos específicos como critérios diagnósticos centrais. As diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Classificação Internacional de Consenso (ICC) agora consideram certas fusões gênicas como definidoras de entidades clínicas, mesmo com blastos abaixo de 20%. 

Essas alterações não só auxiliam no diagnóstico, como também na estratificação de risco e definição terapêutica.

O papel da detecção de fusões cromossômicas no diagnóstico da LMA

A fusão cromossômica resulta da troca de segmentos entre cromossomos, originando genes híbridos com funções oncogênicas. Essas alterações são altamente específicas em certos subtipos de LMA, e sua detecção é importante para classificação, prognóstico e escolha terapêutica.

No novo exame disponibilizado pelo Sabin, a metodologia de RT-PCR qualitativa possibilita identificar transcritos de fusão com alta sensibilidade e especificidade, sendo uma ferramenta relevante na prática clínica onco-hematológica.

Quais fusões o exame detecta?

O exame realiza a detecção dos seguintes rearranjos.

  • BCR::ABL (isoformas p210 e p190): mais comuns na LMC e LLA, também podem ocorrer em LMA com fenótipo misto. Estão associados ao uso de inibidores de tirosina quinase, como imatinibe ou dasatinibe.
  • PML::RARA: fusão típica da LMA promielocítica aguda (M3), forma clínica emergencial associada à coagulopatia grave. 
  • CBFB::MYH11: ocorre na inversão (16) ou t(16;16). Subtipo frequentemente associado a um bom prognóstico e uma boa resposta à quimioterapia convencional.
  • RUNX1::RUNX1T1: oriundo da t(8;21), define LMA com maturação, comum em pacientes mais jovens, geralmente com desfechos favoráveis.
  • KMT2A::MLLT1, MLLT3 e MLLT10: rearranjos do gene KMT2A (MLL), de impacto prognóstico variável. São observados com mais frequência em pacientes pediátricos, jovens adultos e em LMA secundária.

Quando solicitar o exame?

A detecção de fusões cromossômicas é indicada em diferentes etapas da investigação da leucemia mieloide aguda, especialmente quando é necessário identificar rapidamente subtipos moleculares com implicações terapêuticas bem definidas.

O exame, identificado pelo mnemônico “LMA”, utiliza amostras de sangue periférico ou medula óssea em EDTA, e é realizado por RT-PCR qualitativa, com resultado em até três dias úteis, uma vantagem considerável em situações clínicas urgentes.

Sua aplicação é ampla: pode ser solicitado já no diagnóstico inicial da leucemia mieloide aguda, sendo essencial na suspeita de leucemia promielocítica aguda, forma que requer tratamento imediato. Também é útil quando o cariótipo está inconclusivo ou não disponível, oferecendo informações genéticas complementares que apoiam o diagnóstico definitivo.

Além disso, o exame contribui para a seleção de terapias-alvo e pode ser utilizado em contextos específicos para avaliação de doença residual mensurável.  A possibilidade de realizar a análise com base no sangue periférico torna-o uma alternativa viável em casos de punção seca (“dry tap”), ampliando sua utilidade na prática clínica da leucemia mieloide aguda.

Vantagens clínicas da utilização do exame

Uma das principais vantagens é a possibilidade de refinar a estratificação prognóstica a partir de achados moleculares específicos. Fusões como CBFB::MYH11 e RUNX1::RUNX1T1 estão associadas a desfechos mais favoráveis e boa resposta terapêutica, enquanto rearranjos envolvendo o gene KMT2A indicam formas de LMA com comportamento biológico mais agressivo e maior risco de recaída.

O exame, ainda, auxilia na escolha terapêutica, permitindo a seleção de regimes direcionados, como ocorre no caso de pacientes com PML::RARA e aqueles com BCR::ABL.

Outro ponto de destaque é a agilidade no diagnóstico, a qual impacta diretamente a sobrevida e o controle de complicações agudas, sobretudo nos subtipos com alto risco de coagulopatia ou deterioração clínica acelerada.

Por fim, a identificação de fusões raras também pode viabilizar a inclusão do paciente em protocolos clínicos ou o acesso a terapias-alvo em fase experimental, promovendo uma terapêutica mais ampla e alinhada às tendências da medicina translacional.

Integração com outros exames para diagnóstico completo

Como mencionamos, o diagnóstico da leucemia mieloide aguda necessita de uma abordagem integrada, que combine recursos morfológicos, imunofenotípicos e, particularmente, genético-moleculares. Diante disso, a detecção de fusões cromossômicas posiciona-se como uma das ferramentas mais importantes para subtipagem e estratificação de risco. No entanto, sua eficácia clínica é ainda mais potencializada quando combinada a outros exames complementares.

A citometria de fluxo, por exemplo, segue sendo apoio para definição do imunofenótipo e diferenciação entre LMA e outras leucemias agudas. Já o cariótipo convencional e a hibridização in situpor fluorescência (FISH) oportunizam a identificação de alterações estruturais e numéricas no genoma, que nem sempre são detectáveis por métodos moleculares. Essas técnicas seguem como padrão-ouro em muitos protocolos de investigação inicial.

Os painéis baseados em Sequenciamento de Nova Geração (NGS), por sua vez, proporcionam uma visão mais ampla e detalhada do perfil somático da doença, favorecendo a detecção de mutações pontuais com valor prognóstico ou terapêutico. Embora com maior tempo de processamento, esses testes são indicados principalmente na estratificação inicial e em casos de doença refratária ou recidivante.

Diferencial da integração

O Grupo Sabin também oferece o exame FUSION, uma análise extensa por RNA que avalia 529 fusões gênicas por RT-PCR seguida de NGS. É indicado para investigação de diversas neoplasias hematológicas, como LLA, LMA, SMD, LMC, LMMC, LMMJ e síndromes mieloproliferativas. Pode ser realizado tanto a partir de medula óssea quanto de sangue total, ambos coletados em EDTA.

Cabe ressaltar que o FUSION tem indicação exclusivamente somática, não devendo ser utilizado para investigação de variantes germinativas ou monitoramento de doença residual mínima (DRM).

Em suma, os testes específicos de biologia molecular disponíveis para fusões, como PML::RARA ou BCR::ABL — realizados por RT-PCR qualitativa —, destacam-se por seu curto prazo de liberação, o que é um diferencial crítico para situações clínicas que exigem definição terapêutica urgente. 

De modo geral, a integração de metodologias propicia não apenas uma definição mais exata da doença, mas também um planejamento terapêutico mais seguro e personalizado. 

Continue aprofundando seu conhecimento em oncologia e entenda como os testes moleculares têm auxiliado a prática clínica em diferentes tipos de câncer: Utilidade dos testes genéticos para o câncer.

Referências:

Shimony, Shai et al. “Acute Myeloid Leukemia: 2025 Update on Diagnosis, Risk-Stratification, and Management.” American journal of hematology vol. 100,5 (2025): 860-891. doi:10.1002/ajh.27625

Arber, Daniel A et al. “International Consensus Classification of Myeloid Neoplasms and Acute Leukemias: integrating morphologic, clinical, and genomic data.” Blood vol. 140,11 (2022): 1200-1228. doi:10.1182/blood.2022015850

Neuendorff, Nina Rosa et al. “BCR-ABL-positive acute myeloid leukemia: a new entity? Analysis of clinical and molecular features.” Annals of hematology vol. 95,8 (2016): 1211-21. doi:10.1007/s00277-016-2721-z

Döhner, Hartmut et al. “Diagnosis and management of AML in adults: 2022 recommendations from an international expert panel on behalf of the ELN.” Blood vol. 140,12 (2022): 1345-1377. doi:10.1182/blood.2022016867

DiNardo, Courtney D et al. “Acute myeloid leukaemia.” Lancet (London, England) vol. 401,10393 (2023): 2073-2086. doi:10.1016/S0140-6736(23)00108-3

Meyer, C., Burmeister, T., Gröger, D. et al. The MLL recombinome of acute leukemias in 2017. Leukemia 32, 273–284 (2018). https://doi.org/10.1038/leu.2017.213

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Detecção de fusões cromossômicas na leucemia mieloide aguda; A leucemia mieloide aguda (LMA) é uma neoplasia hematológica grave, marcada por uma rápida proliferação de células imaturas da linhagem mieloide, que comprometem a função hematopoiética da medula óssea. Na prática clínica, o diagnóstico precoce e preciso garante início imediato do tratamento, impactando diretamente o prognóstico do paciente. Com a evolução dos recursos diagnósticos e o avanço da medicina de precisão, a caracterização genética da LMA tornou-se parte da abordagem clínica. Nesse cenário, a detecção de fusões cromossômicas destaca-se como uma ferramenta de alta qualidade, capaz de fornecer informações para a tomada de decisão terapêutica.  Continue a leitura para entender melhor sobre como as fusões cromossômicas interferem no diagnóstico, no prognóstico e na definição da conduta clínica na LMA, e de que forma o exame pode contribuir para decisões mais rápidas, assertivas e individualizadas. Entendendo a LMA: panorama clínico e molecular Sabemos que a leucemia mieloide aguda apresenta grande heterogeneidade genética e clínica, o que justifica uma abordagem diagnóstica ampla. Este bloco contextualiza os principais aspectos clínicos da doença e a importância crescente da genética na sua caracterização. Características clínicas e evolução da LMA A LMA origina-se na medula óssea, a partir de mutações que bloqueiam a diferenciação celular da linhagem mieloide. Com isso, há acúmulo de blastos que substituem os precursores normais, resultando em sintomas relacionados à insuficiência medular: anemia, infecções recorrentes e sangramentos. A neoplasia mieloide é mais comum em adultos acima de 60 anos e tende a evoluir rapidamente, exigindo diagnóstico e intervenção imediata. Importância da genética no diagnóstico Nos últimos anos, a classificação da LMA evoluiu para incorporar marcadores genéticos específicos como critérios diagnósticos centrais. As diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Classificação Internacional de Consenso (ICC) agora consideram certas fusões gênicas como definidoras de entidades clínicas, mesmo com blastos abaixo de 20%.  Essas alterações não só auxiliam no diagnóstico, como também na estratificação de risco e definição terapêutica. O papel da detecção de fusões cromossômicas no diagnóstico da LMA A fusão cromossômica resulta da troca de segmentos entre cromossomos, originando genes híbridos com funções oncogênicas. Essas alterações são altamente específicas em certos subtipos de LMA, e sua detecção é importante para classificação, prognóstico e escolha terapêutica. No novo exame disponibilizado pelo Sabin, a metodologia de RT-PCR qualitativa possibilita identificar transcritos de fusão com alta sensibilidade e especificidade, sendo uma ferramenta relevante na prática clínica onco-hematológica. Quais fusões o exame detecta? O exame realiza a detecção dos seguintes rearranjos. BCR::ABL (isoformas p210 e p190): mais comuns na LMC e LLA, também podem ocorrer em LMA com fenótipo misto. Estão associados ao uso de inibidores de tirosina quinase, como imatinibe ou dasatinibe. PML::RARA: fusão típica da LMA promielocítica aguda (M3), forma clínica emergencial associada à coagulopatia grave.  CBFB::MYH11: ocorre na inversão (16) ou t(16;16). Subtipo frequentemente associado a um bom prognóstico e uma boa resposta à quimioterapia convencional. RUNX1::RUNX1T1: oriundo da t(8;21), define LMA com maturação, comum em pacientes mais jovens, geralmente com desfechos favoráveis. KMT2A::MLLT1, MLLT3 e MLLT10: rearranjos do gene KMT2A (MLL), de impacto prognóstico variável. São observados com mais frequência em pacientes pediátricos, jovens adultos e em LMA secundária. Quando solicitar o exame? A detecção de fusões cromossômicas é indicada em diferentes etapas da investigação da leucemia mieloide aguda, especialmente quando é necessário identificar rapidamente subtipos moleculares com implicações terapêuticas bem definidas. O exame, identificado pelo mnemônico “LMA”, utiliza amostras de sangue periférico ou medula óssea em EDTA, e é realizado por RT-PCR qualitativa, com resultado em até três dias úteis, uma vantagem considerável em situações clínicas urgentes. Sua aplicação é ampla: pode ser solicitado já no diagnóstico inicial da leucemia mieloide aguda, sendo essencial na suspeita de leucemia promielocítica aguda, forma que requer tratamento imediato. Também é útil quando o cariótipo está inconclusivo ou não disponível, oferecendo informações genéticas complementares que apoiam o diagnóstico definitivo. Além disso, o exame contribui para a seleção de terapias-alvo e pode ser utilizado em contextos específicos para avaliação de doença residual mensurável.  A possibilidade de realizar a análise com base no sangue periférico torna-o uma alternativa viável em casos de punção seca (“dry tap”), ampliando sua utilidade na prática clínica da leucemia mieloide aguda. Vantagens clínicas da utilização do exame Uma das principais vantagens é a possibilidade de refinar a estratificação prognóstica a partir de achados moleculares específicos. Fusões como CBFB::MYH11 e RUNX1::RUNX1T1 estão associadas a desfechos mais favoráveis e boa resposta terapêutica, enquanto rearranjos envolvendo o gene KMT2A indicam formas de LMA com comportamento biológico mais agressivo e maior risco de recaída. O exame, ainda, auxilia na escolha terapêutica, permitindo a seleção de regimes direcionados, como ocorre no caso de pacientes com PML::RARA e aqueles com BCR::ABL. Outro ponto de destaque é a agilidade no diagnóstico, a qual impacta diretamente a sobrevida e o controle de complicações agudas, sobretudo nos subtipos com alto risco de coagulopatia ou deterioração clínica acelerada. Por fim, a identificação de fusões raras também pode viabilizar a inclusão do paciente em protocolos clínicos ou o acesso a terapias-alvo em fase experimental, promovendo uma terapêutica mais ampla e alinhada às tendências da medicina translacional. Integração com outros exames para diagnóstico completo Como mencionamos, o diagnóstico da leucemia mieloide aguda necessita de uma abordagem integrada, que combine recursos morfológicos, imunofenotípicos e, particularmente, genético-moleculares. Diante disso, a detecção de fusões cromossômicas posiciona-se como uma das ferramentas mais importantes para subtipagem e estratificação de risco. No entanto, sua eficácia clínica é ainda mais potencializada quando combinada a outros exames complementares. A citometria de fluxo, por exemplo, segue sendo apoio para definição do imunofenótipo e diferenciação entre LMA e outras leucemias agudas. Já o cariótipo convencional e a hibridização in situpor fluorescência (FISH) oportunizam a identificação de alterações estruturais e numéricas no genoma, que nem sempre são detectáveis por métodos moleculares. Essas técnicas seguem como padrão-ouro em muitos protocolos de investigação inicial. Os painéis baseados em Sequenciamento de Nova Geração (NGS), por sua vez, proporcionam uma visão mais ampla e detalhada do perfil somático da doença, favorecendo a detecção de mutações pontuais com valor prognóstico ou terapêutico. Embora com maior tempo de processamento, esses testes são indicados principalmente na estratificação inicial e em casos de doença refratária ou recidivante. Diferencial da integração O Grupo Sabin também oferece o exame FUSION, uma análise extensa por RNA que avalia 529 fusões gênicas por RT-PCR seguida de NGS. É indicado para investigação de diversas neoplasias hematológicas, como LLA, LMA, SMD, LMC, LMMC, LMMJ e síndromes mieloproliferativas. Pode ser realizado tanto a partir de medula óssea quanto de sangue total, ambos coletados em EDTA. Cabe ressaltar que o FUSION tem indicação exclusivamente somática, não devendo ser utilizado para investigação de variantes germinativas ou monitoramento de doença residual mínima (DRM). Em suma, os testes específicos de biologia molecular disponíveis para fusões, como PML::RARA ou BCR::ABL — realizados por RT-PCR qualitativa —, destacam-se por seu curto prazo de liberação, o que é um diferencial crítico para situações clínicas que exigem definição terapêutica urgente.  De modo geral, a integração de metodologias propicia não apenas uma definição mais exata da doença, mas também um planejamento terapêutico mais seguro e personalizado.  Continue aprofundando seu conhecimento em oncologia e entenda como os testes moleculares têm auxiliado a prática clínica em diferentes tipos de câncer: Utilidade dos testes genéticos para o câncer. Referências: Shimony, Shai et al. “Acute Myeloid Leukemia: 2025 Update on Diagnosis, Risk-Stratification, and Management.” American journal of hematology vol. 100,5 (2025): 860-891. doi:10.1002/ajh.27625 Arber, Daniel A et al. “International Consensus Classification of Myeloid Neoplasms and Acute Leukemias: integrating morphologic, clinical, and genomic data.” Blood vol. 140,11 (2022): 1200-1228. doi:10.1182/blood.2022015850 Neuendorff, Nina Rosa et al. “BCR-ABL-positive acute myeloid leukemia: a new entity? Analysis of clinical and molecular features.” Annals of hematology vol. 95,8 (2016): 1211-21. doi:10.1007/s00277-016-2721-z Döhner, Hartmut et al. “Diagnosis and management of AML in adults: 2022 recommendations from an international expert panel on behalf of the ELN.” Blood vol. 140,12 (2022): 1345-1377. doi:10.1182/blood.2022016867 DiNardo, Courtney D et al. “Acute myeloid leukaemia.” Lancet (London, England) vol. 401,10393 (2023): 2073-2086. doi:10.1016/S0140-6736(23)00108-3 Meyer, C., Burmeister, T., Gröger, D. et al. The MLL recombinome of acute leukemias in 2017. Leukemia 32, 273–284 (2018). https://doi.org/10.1038/leu.2017.213