Sabin Por: Sabin
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Nas últimas décadas, o avanço das redes sociais transformou profundamente a forma como nos relacionamos com o mundo. No meio desse cenário, um termo ganhou destaque por traduzir um sentimento cada vez mais comum: FOMO, sigla para Fear of Missing Out, ou, em português, “medo de estar perdendo algo”. A sensação está ligada à percepção constante de que outras pessoas estão vivendo experiências melhores ou mais interessantes do que nós.

Essa comparação contínua pode gerar desconforto, frustração e até angústia. O FOMO passou a ser visto como um fenômeno psicológico relevante, especialmente entre adolescentes e jovens adultos. Reconhecer esse comportamento é essencial para evitar que ele afete negativamente a autoestima, a qualidade do sono, o humor e os vínculos sociais.

Siga a leitura para entender o que é FOMO, como ele se manifesta, quais são seus impactos na saúde mental e o que pode ser feito para lidar com o fenômeno de forma equilibrada.

O que é FOMO?

FOMO é uma expressão que descreve o medo frequente de estar perdendo eventos, oportunidades ou interações sociais importantes. Esse sentimento costuma surgir quando alguém vê, por exemplo, amigos se divertindo em uma festa nas redes sociais enquanto está em casa sozinho. Mesmo que a pessoa tenha feito uma escolha consciente de não participar, ela pode sentir arrependimento, tristeza ou ansiedade ao se deparar com as imagens.

O uso incessante das redes sociais amplifica a sensação, pois expõe os usuários a uma vitrine de vidas aparentemente perfeitas e momentos felizes. O FOMO pode ser temporário, em situações pontuais, ou persistente, quando se torna uma característica do comportamento da pessoa.

A necessidade persistente de estar conectado e informado sobre tudo o que acontece ao redor pode acabar criando um ciclo vicioso de comparação e insatisfação.

Como o FOMO se manifesta na vida cotidiana?

O FOMO pode se manifestar de formas sutis no dia a dia, mas seus efeitos acumulados podem ser significativos. Muitas pessoas sentem a necessidade de verificar o celular o tempo todo, de atualizar seus feeds de notícias ou de responder a mensagens imediatamente, por medo de ficarem por fora de algo considerado relevante.

Comportamentos como sentir-se mal por não ser incluído em um evento social, desconfiar de que os outros estão se divertindo mais ou ter dificuldade de relaxar sem o celular por perto são indicativos do FOMO. Esses sinais podem impactar diretamente o bem-estar físico e emocional, prejudicando o sono, a produtividade e até mesmo a convivência familiar e afetiva.

Além disso, os algoritmos das redes sociais contribuem para acentuar o sentimento ao priorizarem conteúdos mais engajadores e idealizados, que reforçam a ideia de que “a vida dos outros é melhor”.

Por que o FOMO afeta tanto adolescentes e jovens adultos?

Adolescentes e jovens adultos estão entre os mais afetados pelo FOMO, em grande parte por estarem em fases da vida em que a aceitação social e a formação da identidade são particularmente importantes. A busca por pertencimento, o medo da rejeição e a valorização de validações externas, como curtidas e comentários, tornam esse público mais vulnerável.

Segundo pesquisa publicada na revista Frontiers in Psychology, a condição é mais comum em jovens, sobretudo os que passam várias horas por dia conectados às redes sociais, mais propensos a desenvolver sintomas relacionados ao FOMO. A solidão, o perfeccionismo e a necessidade de aprovação também são fatores que aumentam o risco.

Durante a adolescência, o cérebro ainda está em desenvolvimento, o que contribui para reações emocionais mais intensas diante da exclusão ou da comparação com os outros.

Quais são os principais impactos do FOMO na saúde mental?

O FOMO está associado a uma série de consequências negativas para a saúde mental. A mais comum é o aumento dos níveis de ansiedade. A constante sensação de estar perdendo algo importante pode gerar inquietação, insatisfação e irritabilidade.

Em paralelo, o FOMO pode afetar o sono, já que muitas pessoas continuam conectadas até tarde da noite ou acordam durante a madrugada para checar notificações. Isso compromete o descanso e aumenta a fadiga no dia seguinte.

Entre os impactos cognitivos, estão a dificuldade de concentração e a sensação de sobrecarga mental. O cérebro, se estimulado ininterruptamente por atualizações e notificações, tem menos tempo para descansar e processar informações de maneira adequada.

Em casos mais graves, o FOMO pode piorar quadros de depressão e contribuir para comportamentos compulsivos relacionados ao uso de redes sociais.

Como identificar se tenho FOMO?

Reconhecer que se está vivenciando o FOMO é o primeiro passo para lidar com o fenômeno. Algumas perguntas podem ajudar nesse processo: “Sinto angústia quando estou longe das redes sociais?”, “Eu me comparo frequentemente com a vida das pessoas que sigo?”, “Tenho dificuldade em me concentrar por causa do celular?”.

Se a resposta for sim para uma ou mais das questões acima, é recomendável avaliar como esses sentimentos estão influenciando sua qualidade de vida. O incômodo permanente, a comparação excessiva e a necessidade de estar sempre por dentro de tudo podem ser sinais de alerta.

Observar o próprio comportamento digital e entender os efeitos sobre suas emoções permite fazer ajustes saudáveis e recuperar o equilíbrio mental.

Como lidar com o FOMO e reduzir os impactos no dia a dia?

Lidar com o FOMO exige uma combinação de consciência sobre os próprios hábitos digitais e o desenvolvimento de estratégias práticas para promover o bem-estar emocional. 

Embora o medo de ficar de fora esteja ligado ao funcionamento das redes sociais e à comparação constante com os outros, é possível adotar medidas que ajudam a recuperar o equilíbrio. 

Neste tópico, abordaremos ações que podem ser incorporadas no cotidiano, tanto no nível individual quanto com apoio profissional para reduzir os impactos do FOMO e fortalecer a relação com a tecnologia de forma mais saudável e consciente.

Práticas de autocuidado e consciência digital

Adotar práticas de autocuidado digital é primordial para mitigar as consequências do FOMO. Estabelecer horários específicos para o uso do celular, desligar notificações ou até fazer pausas nas redes sociais são atitudes que ajudam a reconectar com o momento presente.

Atividades prazerosas fora do ambiente digital, como caminhar ao ar livre, cozinhar, ler um livro ou passar tempo com familiares e amigos, também são fundamentais para a redução da ansiedade. Resgatar esses hábitos contribui para reforçar vínculos reais e diminuir a dependência do mundo virtual.

Estratégias psicológicas

Algumas abordagens terapêuticas têm se mostrado eficazes no manejo do FOMO. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), por exemplo, ajuda a reorganizar pensamentos disfuncionais, como a crença de que estar fora de um evento torna alguém menos interessante.

Outras práticas incluem o mindfulness, técnica que treina a atenção plena no momento atual, e o desenvolvimento da autorregulação emocional. Aprender a identificar gatilhos que geram desconforto e substituí-los por atitudes mais saudáveis pode transformar substancialmente a forma como se lida com a tecnologia.

Existe tratamento para quem tem FOMO?

Embora o FOMO não seja classificado como uma doença, seus efeitos podem justificar a busca por tratamento psicológico, principalmente quando comprometem a funcionalidade no cotidiano.

A psicoterapia, tanto individual quanto em grupo, é indicada para pessoas que sentem dificuldade em se desconectar ou que vivenciam sofrimento relacionado ao uso digital. Pode envolver técnicas como a “inoculação psicológica”, que consiste na exposição controlada a situações de exclusão digital e no ensino de estratégias de enfrentamento. 

Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando fatores emocionais, sociais e familiares.

Convivendo melhor com a tecnologia: é possível?

Sim, é possível manter uma relação saudável com a tecnologia e as redes sociais. A chave está na consciência. Usar o digital com intenção e limites claros permite aproveitar seus benefícios sem abrir mão do bem-estar.

A educação digital, que inclui entender como funcionam os algoritmos e saber filtrar conteúdos nocivos, é um recurso importante para aumentar a resiliência emocional. Práticas como curadoria de perfis positivos, seleção de conteúdos inspiradores e valorização de experiências reais fazem parte desse processo.

Estabelecer um uso consciente é, acima de tudo, uma forma de cuidado com a própria saúde mental. Se você deseja entender melhor como as redes sociais influenciam a saúde emocional de adolescentes e jovens, leia também nosso artigo sobre redes sociais e os adolescentes.

Sabin avisa:

Este conteúdo é meramente informativo e não pretende substituir consultas médicas, avaliações por profissionais de saúde ou fornecer qualquer tipo de diagnóstico ou recomendação de exames.

Importante ressaltar que diagnósticos e tratamentos devem ser sempre indicados por uma avaliação médica individual. Em caso de dúvidas, converse com seu médico. Somente o profissional pode esclarecer todas as suas perguntas. 

Lembre-se: qualquer decisão relacionada à sua saúde sem orientação profissional pode ser prejudicial.

Referências:

Groenestein E, Willemsen L, van Koningsbruggen GM, Ket H, Kerkhof P. The relationship between fear of missing out, digital technology use, and psychological well-being: A scoping review of conceptual and empirical issues. PLoS One. 2024 Oct 4;19(10):e0308643. doi: 10.1371/journal.pone.0308643. PMID: 39365762; PMCID: PMC11452005.

Rozgonjuk D, Sindermann C, Elhai JD, Montag C. Fear of Missing Out (FoMO) and social media’s impact on daily-life and productivity at work: Do WhatsApp, Facebook, Instagram, and Snapchat Use Disorders mediate that association? Addict Behav. 2020 Nov;110:106487. doi: 10.1016/j.addbeh.2020.106487. Epub 2020 May 27. PMID: 32674020.

Montag C, Markett S. Social media use and everyday cognitive failure: investigating the fear of missing out and social networks use disorder relationship. BMC Psychiatry. 2023 Nov 24;23(1):872. doi: 10.1186/s12888-023-05371-x. PMID: 38001436; PMCID: PMC10668512.

Wang L, Zhou X, Song X, et al. Fear of missing out (FOMO) associates with reduced cortical thickness in core regions of the posterior default mode network and higher levels of problematic smartphone and social media use. Addict Behav. 2023 Aug;143:107709. doi:10.1016/j.addbeh.2023.107709. PMID: 37004381.

Alutaybi A, Al-Thani D, McAlaney J, Ali R. Combating Fear of Missing Out (FoMO) on Social Media: The FoMO-R Method. Int J Environ Res Public Health. 2020 Aug 23;17(17):6128. doi: 10.3390/ijerph17176128. PMID: 32842553; PMCID: PMC7504117.

Giancola M, Mari E, Palmiero M, et al. Adolescence and online vulnerability: The role of fear of missing out (FoMO): A cross-sectional study during the third wave of the COVID-19 pandemic. PLoS One. 2025 Sep 15;18(9):e0332147. doi:10.1371/journal.pone.0332147.

Guan J, Ma W, Liu C. Fear of missing out and problematic smartphone use among Chinese college students: The roles of positive and negative metacognitions about smartphone use and optimism. PLoS One. 2023 Nov 28;18(11):e0294505. doi: 10.1371/journal.pone.0294505. PMID: 38015949; PMCID: PMC10684080.

Gupta M, Sharma A. Fear of missing out: A brief overview of origin, theoretical underpinnings and relationship with mental health. World J Clin Cases. 2021 Jul 6;9(19):4881-4889. doi: 10.12998/wjcc.v9.i19.4881. PMID: 34307542; PMCID: PMC8283615.

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Medo de ficar de fora: o que é FOMO e como isso afeta a saúde mental; Nas últimas décadas, o avanço das redes sociais transformou profundamente a forma como nos relacionamos com o mundo. No meio desse cenário, um termo ganhou destaque por traduzir um sentimento cada vez mais comum: FOMO, sigla para Fear of Missing Out, ou, em português, “medo de estar perdendo algo”. A sensação está ligada à percepção constante de que outras pessoas estão vivendo experiências melhores ou mais interessantes do que nós. Essa comparação contínua pode gerar desconforto, frustração e até angústia. O FOMO passou a ser visto como um fenômeno psicológico relevante, especialmente entre adolescentes e jovens adultos. Reconhecer esse comportamento é essencial para evitar que ele afete negativamente a autoestima, a qualidade do sono, o humor e os vínculos sociais. Siga a leitura para entender o que é FOMO, como ele se manifesta, quais são seus impactos na saúde mental e o que pode ser feito para lidar com o fenômeno de forma equilibrada. O que é FOMO? FOMO é uma expressão que descreve o medo frequente de estar perdendo eventos, oportunidades ou interações sociais importantes. Esse sentimento costuma surgir quando alguém vê, por exemplo, amigos se divertindo em uma festa nas redes sociais enquanto está em casa sozinho. Mesmo que a pessoa tenha feito uma escolha consciente de não participar, ela pode sentir arrependimento, tristeza ou ansiedade ao se deparar com as imagens. O uso incessante das redes sociais amplifica a sensação, pois expõe os usuários a uma vitrine de vidas aparentemente perfeitas e momentos felizes. O FOMO pode ser temporário, em situações pontuais, ou persistente, quando se torna uma característica do comportamento da pessoa. A necessidade persistente de estar conectado e informado sobre tudo o que acontece ao redor pode acabar criando um ciclo vicioso de comparação e insatisfação. Como o FOMO se manifesta na vida cotidiana? O FOMO pode se manifestar de formas sutis no dia a dia, mas seus efeitos acumulados podem ser significativos. Muitas pessoas sentem a necessidade de verificar o celular o tempo todo, de atualizar seus feeds de notícias ou de responder a mensagens imediatamente, por medo de ficarem por fora de algo considerado relevante. Comportamentos como sentir-se mal por não ser incluído em um evento social, desconfiar de que os outros estão se divertindo mais ou ter dificuldade de relaxar sem o celular por perto são indicativos do FOMO. Esses sinais podem impactar diretamente o bem-estar físico e emocional, prejudicando o sono, a produtividade e até mesmo a convivência familiar e afetiva. Além disso, os algoritmos das redes sociais contribuem para acentuar o sentimento ao priorizarem conteúdos mais engajadores e idealizados, que reforçam a ideia de que “a vida dos outros é melhor”. Por que o FOMO afeta tanto adolescentes e jovens adultos? Adolescentes e jovens adultos estão entre os mais afetados pelo FOMO, em grande parte por estarem em fases da vida em que a aceitação social e a formação da identidade são particularmente importantes. A busca por pertencimento, o medo da rejeição e a valorização de validações externas, como curtidas e comentários, tornam esse público mais vulnerável. Segundo pesquisa publicada na revista Frontiers in Psychology, a condição é mais comum em jovens, sobretudo os que passam várias horas por dia conectados às redes sociais, mais propensos a desenvolver sintomas relacionados ao FOMO. A solidão, o perfeccionismo e a necessidade de aprovação também são fatores que aumentam o risco. Durante a adolescência, o cérebro ainda está em desenvolvimento, o que contribui para reações emocionais mais intensas diante da exclusão ou da comparação com os outros. Quais são os principais impactos do FOMO na saúde mental? O FOMO está associado a uma série de consequências negativas para a saúde mental. A mais comum é o aumento dos níveis de ansiedade. A constante sensação de estar perdendo algo importante pode gerar inquietação, insatisfação e irritabilidade. Em paralelo, o FOMO pode afetar o sono, já que muitas pessoas continuam conectadas até tarde da noite ou acordam durante a madrugada para checar notificações. Isso compromete o descanso e aumenta a fadiga no dia seguinte. Entre os impactos cognitivos, estão a dificuldade de concentração e a sensação de sobrecarga mental. O cérebro, se estimulado ininterruptamente por atualizações e notificações, tem menos tempo para descansar e processar informações de maneira adequada. Em casos mais graves, o FOMO pode piorar quadros de depressão e contribuir para comportamentos compulsivos relacionados ao uso de redes sociais. Como identificar se tenho FOMO? Reconhecer que se está vivenciando o FOMO é o primeiro passo para lidar com o fenômeno. Algumas perguntas podem ajudar nesse processo: “Sinto angústia quando estou longe das redes sociais?”, “Eu me comparo frequentemente com a vida das pessoas que sigo?”, “Tenho dificuldade em me concentrar por causa do celular?”. Se a resposta for sim para uma ou mais das questões acima, é recomendável avaliar como esses sentimentos estão influenciando sua qualidade de vida. O incômodo permanente, a comparação excessiva e a necessidade de estar sempre por dentro de tudo podem ser sinais de alerta. Observar o próprio comportamento digital e entender os efeitos sobre suas emoções permite fazer ajustes saudáveis e recuperar o equilíbrio mental. Como lidar com o FOMO e reduzir os impactos no dia a dia? Lidar com o FOMO exige uma combinação de consciência sobre os próprios hábitos digitais e o desenvolvimento de estratégias práticas para promover o bem-estar emocional.  Embora o medo de ficar de fora esteja ligado ao funcionamento das redes sociais e à comparação constante com os outros, é possível adotar medidas que ajudam a recuperar o equilíbrio.  Neste tópico, abordaremos ações que podem ser incorporadas no cotidiano, tanto no nível individual quanto com apoio profissional para reduzir os impactos do FOMO e fortalecer a relação com a tecnologia de forma mais saudável e consciente. Práticas de autocuidado e consciência digital Adotar práticas de autocuidado digital é primordial para mitigar as consequências do FOMO. Estabelecer horários específicos para o uso do celular, desligar notificações ou até fazer pausas nas redes sociais são atitudes que ajudam a reconectar com o momento presente. Atividades prazerosas fora do ambiente digital, como caminhar ao ar livre, cozinhar, ler um livro ou passar tempo com familiares e amigos, também são fundamentais para a redução da ansiedade. Resgatar esses hábitos contribui para reforçar vínculos reais e diminuir a dependência do mundo virtual. Estratégias psicológicas Algumas abordagens terapêuticas têm se mostrado eficazes no manejo do FOMO. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), por exemplo, ajuda a reorganizar pensamentos disfuncionais, como a crença de que estar fora de um evento torna alguém menos interessante. Outras práticas incluem o mindfulness, técnica que treina a atenção plena no momento atual, e o desenvolvimento da autorregulação emocional. Aprender a identificar gatilhos que geram desconforto e substituí-los por atitudes mais saudáveis pode transformar substancialmente a forma como se lida com a tecnologia. Existe tratamento para quem tem FOMO? Embora o FOMO não seja classificado como uma doença, seus efeitos podem justificar a busca por tratamento psicológico, principalmente quando comprometem a funcionalidade no cotidiano. A psicoterapia, tanto individual quanto em grupo, é indicada para pessoas que sentem dificuldade em se desconectar ou que vivenciam sofrimento relacionado ao uso digital. Pode envolver técnicas como a “inoculação psicológica”, que consiste na exposição controlada a situações de exclusão digital e no ensino de estratégias de enfrentamento.  Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando fatores emocionais, sociais e familiares. Convivendo melhor com a tecnologia: é possível? Sim, é possível manter uma relação saudável com a tecnologia e as redes sociais. A chave está na consciência. Usar o digital com intenção e limites claros permite aproveitar seus benefícios sem abrir mão do bem-estar. A educação digital, que inclui entender como funcionam os algoritmos e saber filtrar conteúdos nocivos, é um recurso importante para aumentar a resiliência emocional. Práticas como curadoria de perfis positivos, seleção de conteúdos inspiradores e valorização de experiências reais fazem parte desse processo. Estabelecer um uso consciente é, acima de tudo, uma forma de cuidado com a própria saúde mental. Se você deseja entender melhor como as redes sociais influenciam a saúde emocional de adolescentes e jovens, leia também nosso artigo sobre redes sociais e os adolescentes. Sabin avisa: Este conteúdo é meramente informativo e não pretende substituir consultas médicas, avaliações por profissionais de saúde ou fornecer qualquer tipo de diagnóstico ou recomendação de exames. Importante ressaltar que diagnósticos e tratamentos devem ser sempre indicados por uma avaliação médica individual. Em caso de dúvidas, converse com seu médico. Somente o profissional pode esclarecer todas as suas perguntas.  Lembre-se: qualquer decisão relacionada à sua saúde sem orientação profissional pode ser prejudicial. Referências: Groenestein E, Willemsen L, van Koningsbruggen GM, Ket H, Kerkhof P. The relationship between fear of missing out, digital technology use, and psychological well-being: A scoping review of conceptual and empirical issues. PLoS One. 2024 Oct 4;19(10):e0308643. doi: 10.1371/journal.pone.0308643. PMID: 39365762; PMCID: PMC11452005.Rozgonjuk D, Sindermann C, Elhai JD, Montag C. Fear of Missing Out (FoMO) and social media's impact on daily-life and productivity at work: Do WhatsApp, Facebook, Instagram, and Snapchat Use Disorders mediate that association? Addict Behav. 2020 Nov;110:106487. doi: 10.1016/j.addbeh.2020.106487. Epub 2020 May 27. PMID: 32674020.Montag C, Markett S. Social media use and everyday cognitive failure: investigating the fear of missing out and social networks use disorder relationship. BMC Psychiatry. 2023 Nov 24;23(1):872. doi: 10.1186/s12888-023-05371-x. PMID: 38001436; PMCID: PMC10668512.Wang L, Zhou X, Song X, et al. Fear of missing out (FOMO) associates with reduced cortical thickness in core regions of the posterior default mode network and higher levels of problematic smartphone and social media use. Addict Behav. 2023 Aug;143:107709. doi:10.1016/j.addbeh.2023.107709. PMID: 37004381.Alutaybi A, Al-Thani D, McAlaney J, Ali R. Combating Fear of Missing Out (FoMO) on Social Media: The FoMO-R Method. Int J Environ Res Public Health. 2020 Aug 23;17(17):6128. doi: 10.3390/ijerph17176128. PMID: 32842553; PMCID: PMC7504117.Giancola M, Mari E, Palmiero M, et al. Adolescence and online vulnerability: The role of fear of missing out (FoMO): A cross-sectional study during the third wave of the COVID-19 pandemic. PLoS One. 2025 Sep 15;18(9):e0332147. doi:10.1371/journal.pone.0332147.Guan J, Ma W, Liu C. Fear of missing out and problematic smartphone use among Chinese college students: The roles of positive and negative metacognitions about smartphone use and optimism. PLoS One. 2023 Nov 28;18(11):e0294505. doi: 10.1371/journal.pone.0294505. PMID: 38015949; PMCID: PMC10684080.Gupta M, Sharma A. Fear of missing out: A brief overview of origin, theoretical underpinnings and relationship with mental health. World J Clin Cases. 2021 Jul 6;9(19):4881-4889. doi: 10.12998/wjcc.v9.i19.4881. PMID: 34307542; PMCID: PMC8283615.