O que é PrEP? Indicação, formas de uso e prevenção do HIV

O que é PrEP? Indicação, formas de uso e prevenção do HIV

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A saúde sexual passou por transformações profundas nas últimas décadas, impulsionada pelo desenvolvimento de estratégias inovadoras de proteção e cuidado integral. Entre os avanços mais significativos, está a expansão das formas de prevenção contra o vírus da imunodeficiência humana (HIV), que hoje vão muito além dos métodos tradicionais. Compreender as opções disponíveis é necessário para que cada indivíduo possa exercer sua autonomia e adotar as medidas mais adequadas à sua rotina e às suas necessidades pessoais.

A profilaxia pré-exposição, conhecida pela sigla PrEP, destaca-se como um pilar no cenário moderno de cuidados. Essa estratégia permite barrar a infecção antes mesmo que ocorra o contato com o vírus, oferecendo uma camada extra de proteção eficiente e segura. Conhecer o funcionamento desse recurso e saber como inseri-lo no dia a dia é o primeiro passo para uma vida sexual mais protegida, consciente e livre de estigmas. Continue a leitura para tirar todas as suas dúvidas sobre a PrEP.

O que é a PrEP e como ela age no organismo

A profilaxia pré-exposição (PrEP) consiste no uso preventivo de medicamentos antirretrovirais por pessoas que não têm o HIV. O principal objetivo da estratégia é criar uma barreira protetora no organismo, impedindo que o vírus consiga se estabelecer e se multiplicar no corpo caso haja uma exposição sexual não protegida. Quando tomada da forma correta, a medicação atinge níveis adequados na corrente sanguínea e nos tecidos, neutralizando o vírus antes que ele cause a infecção.

Existe uma diferença entre prevenir, diagnosticar e tratar o HIV. A PrEP atua exclusivamente na prevenção em indivíduos soronegativos (sem o vírus). O diagnóstico é a etapa de verificação por meio de exames, enquanto o tratamento é voltado para pessoas que já vivem com o HIV, envolvendo combinações terapêuticas mais complexas para manter a carga viral indetectável e preservar o sistema imunológico.

Vale ressaltar que a PrEP não serve para fazer o diagnóstico e nunca deve ser iniciada sem a realização prévia de testes. A testagem antes do início do uso é uma exigência médica obrigatória. Caso uma pessoa já infectada pelo HIV comece a tomar a PrEP por engano, o uso inadequado de doses de profilaxia pode induzir resistência viral aos medicamentos, o que compromete a eficácia dos tratamentos futuros.

Quem pode se beneficiar dessa estratégia de prevenção

A PrEP é indicada para qualquer pessoa que apresente risco aumentado de infecção pelo HIV. Entre os critérios que sinalizam esse benefício, estão o fato de ter parceiros sexuais que vivem com o vírus, manter relações com múltiplos parceiros cuja sorologia é desconhecida ou ter histórico recente de outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), como sífilis, gonorreia e clamídia.

Essa abordagem também se consolida como uma opção extremamente valiosa para quem enfrenta dificuldades no uso consistente do preservativo em todas as relações sexuais. Fatores como contextos relacionais, dinâmicas de poder e situações imprevistas podem interferir na adesão à camisinha, tornando a PrEP um recurso de proteção individual indispensável e altamente eficaz. 

A escolha por iniciar a PrEP deve ser construída em um ambiente de acolhimento e respeito. A decisão precisa surgir de uma conversa aberta e franca entre o paciente e o profissional de saúde, totalmente livre de julgamentos morais, preconceitos ou estigmas. A saúde sexual deve ser tratada como prioridade de bem-estar e autocuidado.

A necessidade indispensável do acompanhamento médico

A utilização da PrEP exige rigoroso acompanhamento profissional e não pode, sob nenhuma hipótese, ser iniciada ou mantida por conta própria. Antes da prescrição inicial, é fundamental realizar uma bateria de exames laboratoriais. A avaliação basal inclui testes para confirmar a ausência do HIV, verificação da imunidade contra a hepatite B, rastreamento de outras ISTs e avaliação da função dos rins, assegurando que o organismo está apto para receber os fármacos.

Após o início do método, o paciente deve manter uma rotina periódica de retornos médicos, estabelecida a cada quatro a seis meses. Nessas consultas de acompanhamento, realiza-se novamente o teste de HIV, monitora-se a saúde renal e avalia-se o cumprimento correto das orientações do tratamento. O monitoramento garante que a medicação continue agindo de forma segura e sem trazer complicações.

A eficácia da PrEP depende diretamente do compromisso do usuário. Quando o paciente mantém uma adesão rígida ao esquema recomendado pelo médico, a proteção contra a infecção pelo HIV ultrapassa a marca de 90%. O hábito diário ou o cumprimento correto das aplicações é fator determinante para o sucesso da profilaxia.

Opções disponíveis: a tradicional pílula diária e a nova versão injetável

Atualmente, a medicina dispõe de diferentes modalidades de PrEP, permitindo adaptar o cuidado ao estilo de vida e às preferências de cada indivíduo.

A conveniência do comprimido de uso diário

A versão mais tradicional e difundida da PrEP é a administração de um comprimido diário por via oral. Esse medicamento combina dois princípios ativos antirretrovirais: o tenofovir e a entricitabina. 

A pílula apresenta um perfil de segurança bastante elevado e bem estabelecido na literatura médica, com impacto mínimo sobre a densidade óssea e a função dos rins na imensa maioria dos usuários.

A inovação da PrEP injetável de longa duração

Uma das grandes inovações no campo da prevenção é a PrEP injetável de longa ação, formulada com o medicamento cabotegravir. Aplicada por via intramuscular profunda na região do glúteo, essa modalidade exige administrações a cada dois meses, dispensando a necessidade da ingestão diária de pílulas. 

Estudos científicos comprovaram que a versão injetável reduziu o risco de infecção pelo HIV em cerca de 66% a 89% quando comparada ao uso da pílula diária. Essa diferença é explicada principalmente pelo fato de a opção injetável eliminar as falhas de adesão associadas ao esquecimento da pílula diária.

A tecnologia é aprovada para adultos e adolescentes com peso corporal a partir de 35 kg que estejam expostos ao risco de infecção por via sexual. O tratamento requer cuidados específicos, como o acompanhamento rigoroso das datas de aplicação. Em casos de atraso, pode ser necessário o uso temporário de comprimidos como "ponte". Além disso, o remédio permanece em níveis residuais no organismo por um período prolongado após a interrupção das injeções, o que exige monitoramento contínuo.

A prevenção combinada e o cuidado integral com a saúde sexual

A PrEP é uma ferramenta poderosa, mas não deve ser vista como uma solução isolada. Ela alcança seu máximo potencial quando integrada ao conceito de prevenção combinada, que reúne diferentes estratégias para proteger a saúde de forma ampla. 

O uso do preservativo permanece importante. É necessário lembrar que a PrEP protege exclusivamente contra a infecção pelo vírus do HIV. Ela não evita a transmissão de outras ISTs, como sífilis, gonorreia, clamídia e herpes. Portanto, a camisinha continua sendo uma aliada essencial para a proteção integral.

O cuidado abrangente inclui também a testagem regular para diagnóstico precoce, a busca por tratamento imediato em caso de confirmação de ISTs e o conhecimento sobre o conceito "Indetectável = Intransmissível" (I=I). Cientificamente falando, já está comprovado que pessoas que vivem com HIV, quando realizam o tratamento correto e mantêm a carga viral indetectável no sangue por pelo menos seis meses, não transmitem o vírus por via sexual. 

Por fim, expandir o acesso e promover a equidade na distribuição dessas novas tecnologias de prevenção contribuem para fortalecer a resposta ao HIV. Ampliar a oferta de PrEP para populações historicamente mais vulneráveis e afetadas por disparidades sociais, de gênero e de raça permite reduzir barreiras à prevenção e avançar no enfrentamento da epidemia.

Para entender mais sobre o contexto atual do tratamento e da qualidade de vida, confira nosso artigo sobre  como é viver com HIV atualmente.

Sabin avisa:

Este conteúdo é meramente informativo e não pretende substituir consultas médicas, avaliações por profissionais de saúde ou fornecer qualquer tipo de diagnóstico ou recomendação de exames.

Importante ressaltar que diagnósticos e tratamentos devem ser sempre indicados por uma avaliação médica individual. Em caso de dúvidas, converse com seu médico. Somente o profissional pode esclarecer todas as suas perguntas.

Lembre-se: qualquer decisão relacionada à sua saúde sem orientação profissional pode ser prejudicial.

Referências

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