Sabin Por: Sabin
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Quais referências atravessam a sua mente quando alguém menciona a palavra AIDS atualmente? Será que os seus pensamentos condizem com a realidade dos portadores do vírus HIV atualmente ou será que nos acomodamos numa opinião baseada nos efeitos da doença observados há algumas décadas?

A verdade é que, embora a AIDS seja um problema ainda sem cura e com possíveis consequências devastadoras para o organismo, a qualidade de vida dos acometidos pela doença foi radicalmente transformada até os dias atuais. Com o tratamento adequado, o paciente que convive com essa enfermidade pode levar uma rotina impressionantemente ativa e saudável.

Quer saber mais sobre esse assunto e conhecer as novidades nos tratamentos para essa doença que, outrora, foi tão fatal e assustadora? Continue a leitura e confira informações passadas pelo Dr. Alexandre Cunha, Consultor Médico do Sabin Medicina Diagnóstica, sobre o panorama da AIDS na atualidade.

Qual é a diferença entre HIV e AIDS?

Antes de seguirmos com as explicações sobre o cenário da AIDS atualmente, é preciso explicarmos o que é, afinal, a tal doença. Uma dúvida muito comum de quem ainda não entende muito sobre o assunto é: afinal, HIV é a mesma coisa que AIDS? Na verdade, não. Os dois conceitos são interligados, mas se referem a coisas diferentes.

HIV é o nome dado ao vírus causador da doença. Essa sigla vem do nome em inglês: “human immunodeficiency virus”, ou “vírus da imunodeficiência humana”. É um microrganismo que atua diretamente nas células de defesa do nosso corpo, afetando a imunidade do paciente.

A AIDS, por sua vez, é o quadro — a doença em si — gerado por esse vírus. Conforme ele ataca as nossas células de defesa (os glóbulos brancos), o organismo passa a ficar debilitado e apresenta uma série de sintomas. A sigla, agora, se refere a “acquired immune deficiency syndrome” ou “síndrome da deficiência imunológica adquirida”.

Ou seja: HIV é o causador, e AIDS, a doença. É como se pensássemos na gripe, que é causada pelo vírus influenza, ou na Covid-19, causada pelo coronavírus. Ou seja, o vírus e a doença não têm o mesmo nome. Agora ficou mais claro, certo?

Como surgiu a AIDS? 

De acordo com o Dr. Alexandre Cunha, o vírus HIV foi identificado pela primeira vez em humanos na década de 1980. 

Não há uma certeza sobre a sua origem, mas a comunidade científica acredita que ele tenha se originado de um patógeno que circulava entre primatas (macacos) na África. Teria, então, sido passado para os humanos e sofrido contínuas mutações até se transformar no HIV.

Essa é, inclusive, uma forte característica do vírus HIV: ele sofre mutações muito rapidamente e fica armazenado em “santuários”, locais do organismo onde se “esconde” do sistema imune e dos medicamentos, ficando em estado de dormência, algo que dificulta bastante o desenvolvimento de uma vacina ou uma cura definitiva.

Como era conviver com a HIV antigamente?

Na década de 1980, quando o vírus foi descoberto em humanos, a AIDS era considerada praticamente uma sentença de morte. Não havia remédio para a doença e qualquer tentativa de tratar os pacientes se mostrava comumente inútil. Sendo assim, quase todos os acometidos definhavam ao longo de, no máximo, 6 meses.

Uma esperança surgiu alguns anos mais tarde, com o desenvolvimento de algumas medicações e uso de outras já existentes na época. No entanto, a expectativa de vida ainda era muito baixa e o paciente precisava tomar muitos remédios todos os dias, a maioria deles com efeitos colaterais muito graves, que comprometiam absurdamente sua qualidade de vida.

Como está o tratamento do paciente com AIDS atualmente?

Felizmente, o cenário foi mudando pouco a pouco. O Dr. Alexandre Cunha nos conta que, no final dos anos 1990, o número de medicamentos foi reduzido e os efeitos colaterais foram sendo amenizados.

Nos anos 2000, a ciência conseguiu avanços ainda maiores e, hoje, os remédios são bem mais toleráveis, com efeitos adversos mínimos. Assim, a infecção pelo HIV se tornou uma doença crônica que exige cuidados, atenção e responsabilidade, mas, sem dúvidas, não é mais uma sentença de morte para seus portadores. A maior parte dos pacientes nunca vai desenvolver AIDS.

Lembrando que a não adesão aos tratamentos e a falta de cuidados médicos gerais pode, sim, fazer com que todos aqueles sintomas graves voltem à tona. Por isso, os pacientes devem tomar os remédios da forma correta. Com os medicamentos, essas pessoas estão seguras e podem viver de maneira plena e dinâmica.

Hoje, os focos da ciência para a AIDS são a busca de uma cura definitiva, a conscientização da população para evitar novos contágios e, claro, o trabalho social para reduzir o preconceito que envolve esse assunto.

Como funcionam os tratamentos para o HIV?

O tratamento de eleição para o HIV é o uso dos chamados “coquetéis de antirretrovirais”, ou seja, uma combinação de vários medicamentos que, juntos, atuam no controle do vírus, mantendo-o “quietinho” no organismo e impedindo a sua multiplicação. No Brasil, tais medicamentos são fornecidos gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

O paciente precisará fazer um acompanhamento frequente da sua saúde, a fim de identificar qualquer alteração no quadro e agir rapidamente para evitar problemas. 

Lembrando que o tratamento ainda pode exigir outros tipos de intervenção, como um acompanhamento psicológico. A saúde mental é super importante para a imunidade e para o sucesso da luta contra a AIDS, assim como manter uma rotina saudável.

Como é feito o diagnóstico da infecção pelo HIV?

O diagnóstico da infecção pelo HIV é realizado com um teste de sorologia, um exame simples. Depois disso, se detectada a doença, é preciso fazer um acompanhamento semestral para aferir a dosagem de carga viral. 

Lembrando que o diagnóstico precoce é um benefício para o paciente — que evita problemas tardios como meningite, pneumonia, câncer, entre outros — e para os seus eventuais parceiros. Quando sabemos que temos um determinado vírus, nos protegemos melhor e impedimos sua transmissão.

Isso é ainda mais importante quando levamos em consideração que o HIV pode começar a desencadear sintomas de três a cinco anos depois da contaminação. Ou seja, até ser diagnosticado, o hospedeiro segue transmitindo o vírus para outras pessoas.

Quais são os principais meios de prevenção?

Os meios de prevenção da AIDS são bem parecidos com os de outras ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis). Eles, portanto, são essenciais para a saúde da mulher e do homem de qualquer faixa etária. Algumas medidas incluem:

  • o uso de preservativos em qualquer tipo de relação sexual, algo que evita 100% das transmissões;
  • a redução do número de parceiros sexuais;
  • o não compartilhamento de agulhas ou utensílios que entrem em contato com o sangue ou fluidos;
  • a realização de tatuagens e colocação de piercings em lugares seguros e conceituados, que tenham o devido cuidado com a esterilização das peças;
  • o uso de profilaxia pré-exposição, caso tenha algum tipo de comportamento de risco (como a prática de sexo não seguro).

Vale destacar que a profilaxia mencionada acima é dedicada aos pacientes que vão ter relações sexuais sem preservativo e, portanto, terão relação de risco. O seu uso reduz cerca de 96% a chance de transmissão. 

Para ressaltar a importância dessas informações, foi lançado o Dezembro Vermelho, um mês temático, cujo principal objetivo é a conscientização da população acerca dos riscos da AIDS e de outras ISTs, além de mencionar as medidas de prevenção e os possíveis tratamentos para cada caso.

Como podemos ver, a ocorrência da AIDS atualmente é um cenário muito melhor do que era observado há algumas décadas. No entanto, essa ainda é uma doença bem grave, que exige monitoramento frequente e uma adesão completa ao tratamento para evitar o agravamento do quadro. Por isso, prevenir é sempre o melhor remédio!

Já que falamos sobre o Dezembro Vermelho, agora é hora de você conhecer mais sobre outro mês temático muito importante: o Outubro Rosa. Veja informações sobre a prevenção e o diagnóstico do câncer de mama e do colo do útero!

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Qual é a diferença entre HIV e AIDS? Antes de seguirmos com as explicações sobre o cenário da AIDS atualmente, é preciso explicarmos o que é, afinal, a tal doença. Uma dúvida muito comum de quem ainda não entende muito sobre o assunto é: afinal, HIV é a mesma coisa que AIDS? Na verdade, não. Os dois conceitos são interligados, mas se referem a coisas diferentes. HIV é o nome dado ao vírus causador da doença. Essa sigla vem do nome em inglês: “human immunodeficiency virus”, ou “vírus da imunodeficiência humana”. É um microrganismo que atua diretamente nas células de defesa do nosso corpo, afetando a imunidade do paciente. A AIDS, por sua vez, é o quadro — a doença em si — gerado por esse vírus. Conforme ele ataca as nossas células de defesa (os glóbulos brancos), o organismo passa a ficar debilitado e apresenta uma série de sintomas. A sigla, agora, se refere a “acquired immune deficiency syndrome” ou “síndrome da deficiência imunológica adquirida”. Ou seja: HIV é o causador, e AIDS, a doença. É como se pensássemos na gripe, que é causada pelo vírus influenza, ou na Covid-19, causada pelo coronavírus. Ou seja, o vírus e a doença não têm o mesmo nome. Agora ficou mais claro, certo? Como surgiu a AIDS?  De acordo com o Dr. Alexandre Cunha, o vírus HIV foi identificado pela primeira vez em humanos na década de 1980.  Não há uma certeza sobre a sua origem, mas a comunidade científica acredita que ele tenha se originado de um patógeno que circulava entre primatas (macacos) na África. Teria, então, sido passado para os humanos e sofrido contínuas mutações até se transformar no HIV. Essa é, inclusive, uma forte característica do vírus HIV: ele sofre mutações muito rapidamente e fica armazenado em “santuários”, locais do organismo onde se “esconde” do sistema imune e dos medicamentos, ficando em estado de dormência, algo que dificulta bastante o desenvolvimento de uma vacina ou uma cura definitiva. Como era conviver com a HIV antigamente? Na década de 1980, quando o vírus foi descoberto em humanos, a AIDS era considerada praticamente uma sentença de morte. Não havia remédio para a doença e qualquer tentativa de tratar os pacientes se mostrava comumente inútil. Sendo assim, quase todos os acometidos definhavam ao longo de, no máximo, 6 meses. Uma esperança surgiu alguns anos mais tarde, com o desenvolvimento de algumas medicações e uso de outras já existentes na época. No entanto, a expectativa de vida ainda era muito baixa e o paciente precisava tomar muitos remédios todos os dias, a maioria deles com efeitos colaterais muito graves, que comprometiam absurdamente sua qualidade de vida. Como está o tratamento do paciente com AIDS atualmente? Felizmente, o cenário foi mudando pouco a pouco. O Dr. Alexandre Cunha nos conta que, no final dos anos 1990, o número de medicamentos foi reduzido e os efeitos colaterais foram sendo amenizados. Nos anos 2000, a ciência conseguiu avanços ainda maiores e, hoje, os remédios são bem mais toleráveis, com efeitos adversos mínimos. Assim, a infecção pelo HIV se tornou uma doença crônica que exige cuidados, atenção e responsabilidade, mas, sem dúvidas, não é mais uma sentença de morte para seus portadores. A maior parte dos pacientes nunca vai desenvolver AIDS. Lembrando que a não adesão aos tratamentos e a falta de cuidados médicos gerais pode, sim, fazer com que todos aqueles sintomas graves voltem à tona. Por isso, os pacientes devem tomar os remédios da forma correta. Com os medicamentos, essas pessoas estão seguras e podem viver de maneira plena e dinâmica. Hoje, os focos da ciência para a AIDS são a busca de uma cura definitiva, a conscientização da população para evitar novos contágios e, claro, o trabalho social para reduzir o preconceito que envolve esse assunto. Como funcionam os tratamentos para o HIV? O tratamento de eleição para o HIV é o uso dos chamados “coquetéis de antirretrovirais”, ou seja, uma combinação de vários medicamentos que, juntos, atuam no controle do vírus, mantendo-o “quietinho” no organismo e impedindo a sua multiplicação. No Brasil, tais medicamentos são fornecidos gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O paciente precisará fazer um acompanhamento frequente da sua saúde, a fim de identificar qualquer alteração no quadro e agir rapidamente para evitar problemas.  Lembrando que o tratamento ainda pode exigir outros tipos de intervenção, como um acompanhamento psicológico. A saúde mental é super importante para a imunidade e para o sucesso da luta contra a AIDS, assim como manter uma rotina saudável. Como é feito o diagnóstico da infecção pelo HIV? O diagnóstico da infecção pelo HIV é realizado com um teste de sorologia, um exame simples. 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Algumas medidas incluem: o uso de preservativos em qualquer tipo de relação sexual, algo que evita 100% das transmissões;a redução do número de parceiros sexuais;o não compartilhamento de agulhas ou utensílios que entrem em contato com o sangue ou fluidos;a realização de tatuagens e colocação de piercings em lugares seguros e conceituados, que tenham o devido cuidado com a esterilização das peças;o uso de profilaxia pré-exposição, caso tenha algum tipo de comportamento de risco (como a prática de sexo não seguro). Vale destacar que a profilaxia mencionada acima é dedicada aos pacientes que vão ter relações sexuais sem preservativo e, portanto, terão relação de risco. O seu uso reduz cerca de 96% a chance de transmissão.  Para ressaltar a importância dessas informações, foi lançado o Dezembro Vermelho, um mês temático, cujo principal objetivo é a conscientização da população acerca dos riscos da AIDS e de outras ISTs, além de mencionar as medidas de prevenção e os possíveis tratamentos para cada caso. Como podemos ver, a ocorrência da AIDS atualmente é um cenário muito melhor do que era observado há algumas décadas. No entanto, essa ainda é uma doença bem grave, que exige monitoramento frequente e uma adesão completa ao tratamento para evitar o agravamento do quadro. Por isso, prevenir é sempre o melhor remédio! Já que falamos sobre o Dezembro Vermelho, agora é hora de você conhecer mais sobre outro mês temático muito importante: o Outubro Rosa. Veja informações sobre a prevenção e o diagnóstico do câncer de mama e do colo do útero!