Sabin Por: Sabin
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Conviver com dores é um grande desafio. E essa é, sem dúvidas, uma das principais queixas de quem sofre de alguma das doenças agrupadas sob o conceito de reumatismo, um conjunto de problemas que afeta estruturas diversas do nosso corpo.

Se você já ouviu falar sobre essa condição e ainda não sabe exatamente o que significa, não se preocupe. Ao longo da nossa conversa, você poderá tirar dúvidas sobre esse assunto e descobrir o que está por trás do termo reumatismo.

Contamos com a ajuda do Dr. Wilton Ferreira Silva Santos, Doutor em reumatologia e consultor técnico do Sabin para saber mais sobre o tema, que pode afetar a nossa qualidade de vida e a de quem convive conosco de forma tão profunda. Vamos lá? 

O que é reumatismo e quais doenças agrupa?

Por mais que muitas pessoas acreditem que reumatismo é uma doença específica, essa não é bem a verdade. A realidade é que esse é um termo amplo, utilizado como referência para diversas doenças que têm como principal sintoma a presença de dor no sistema musculoesquelético. O comprometimento das articulações e das estruturas próximas a elas, tais como tendões e ligamentos, é um sinal bem conhecido e característico das doenças reumáticas, mas elas podem afetar qualquer órgão e sistema do nosso corpo. 

De acordo com o Dr. Wilton Ferreira Silva Santos, o termo surgiu há mais de 2 mil anos e, em parte, está associado a Hipócrates, médico grego, considerado o pai da medicina. Naquele tempo, acreditava-se que as doenças eram decorrentes de alterações nos fluidos corporais e que “rheuma” era um líquido de composição alterada que circularia pelas articulações, ocasionando os reumatismos.

“Evitamos usar o termo ‘reumatismo’ porque é pouco preciso, não auxilia em nada o paciente e, na maioria das vezes, cria mais confusão”, explica o entrevistado. “Hoje, essa expressão está mais relacionada à percepção de dor no corpo, no sistema locomotor, mais especificamente nas juntas. Mais de 200 doenças reumáticas conhecidas podem estar sob esse termo “guarda-chuva” e apenas parte delas afeta predominantemente as articulações. Muitas vezes as queixas dos pacientes não decorrem do envolvimento das articulações ou do aparelho locomotor e, mesmo assim, a possibilidade de doença reumática não está descartada”, complementa o reumatologista. 

“Pouco a pouco, as doenças que fazem parte desse grupo foram sendo divididas e classificadas, a partir de seus sintomas, de suas causas e suas manifestações clínicas, que são bastante amplas e não se restringem ao sistema musculoesquelético”, reforça o especialista.

Quais as consequências das doenças reumáticas?

Agora, veremos algumas implicações do reumatismo para a vida das pessoas, que não se restringem aos aspectos biológicos do adoecimento. Vamos lá?

Comprometimento da qualidade de vida

Uma das consequências mais diretamente associadas às doenças reumáticas é o comprometimento da qualidade de vida do paciente. Como estamos falando sobre condições crônicas que causam dor, é natural que essa seja umas das reclamações mais comuns.

“O sintoma que mais frequentemente leva o paciente a procurar auxílio médico é a dor. Pode ser articular ou estar nas estruturas próximas às articulações, como cartilagens, tendões e ligamentos, estruturas ditas periarticulares”, explica o especialista.

Além da dor, sintomas como rigidez, fraqueza e dificuldade para se movimentar também são comuns. Muitas vezes, o desconforto é tão grande que as pessoas são obrigadas a interromper as suas atividades do dia a dia.

Repercussões profissionais e emocionais

Não é incomum, portanto, que os pacientes acometidos por doenças reumáticas deixem de ir ao trabalho por não conseguirem realizar suas funções cotidianas. Quando conseguem, a produtividade é extremamente prejudicada, uma vez que as dores interferem também com o fluxo do pensamento e as funções cognitivas, fazendo com que a qualidade do serviço realizado também seja afetada. 

Tudo isso repercute negativamente na parte emocional dos pacientes. Não conseguir realizar tarefas que, até então, faziam parte do cotidiano de vida dessas pessoas gera ansiedade e preocupações adicionais, que aumentam o estresse e provocam alterações no humor.

“Tendemos a ficar mais atentos à questão biológica do adoecimento, mas todo contexto social, familiar, financeiro do paciente reumático é afetado Tudo muda! A relação com a família, o convívio com os amigos, os gastos no final do mês, porque as despesas aumentam e a capacidade de trabalho diminui. Os pacientes têm dificuldade de locomoção, maior gasto com transporte e com remédios, que nem sempre são oferecidos pelo SUS. Precisamos estar sensíveis a todas essas questões. Às vezes, o especialista se concentra na doença e não no doente. Mas o doente é muito maior que a doença em si”, pondera o consultor do Sabin.

Diminuição da autonomia

A diminuição da autonomia é outro fator importante. As doenças reumáticas dificultam a realização de atividades cotidianas, já que a dor, a fadiga e a fraqueza muscular comprometem a autonomia do paciente.

É fundamental que os profissionais da saúde compreendam o paciente como um todo. Não é possível observá-lo apenas como um sintoma ou problema a ser resolvido, mas como um ser humano que tem uma condição que pode afetar todos os fatores implicados na qualidade de vida.

Por isso, a atenção à saúde integral, humanizada e multiprofissional é essencial nesse processo. Assim, médicos, psicólogos, fisioterapeutas e outros profissionais de saúde atuarão em prol dos pacientes com o objetivo de mitigar as consequências da doença, além de trazer conforto e bem-estar para a vida desse indivíduo.

“Quadros de dor prolongados acabam por afetar o paciente emocionalmente. Isso em conjunto com a limitação funcional crônica imposta pela doença acaba por repercutir na autonomia do paciente e nos papéis que desempenha em sua família e na sociedade”, explica o Dr. Wilton. “No passado, a medicina tinha uma finalidade mais ‘curativa’. Hoje em dia, com a emergência das doenças crônicas, o ‘curar’ deu lugar ao ‘cuidar’. A mudança do verbo do curar para o cuidar teve implicações significativas na prática médica. Cuidar implica em proteger, acompanhar, participar, estar ao lado, de uma forma mais consistente, sustentada, persistente”, acrescenta. 

Quais as pessoas mais afetadas pelas doenças reumáticas?

Mais de dois terços da população brasileira tem histórico de dor crônica, recorrente ou duradoura, com duração de pelo menos 6 meses, segundo estudo de 2018. As mulheres e os idosos são os grupos mais afetados, e os pontos de dor mais frequentemente relatados são coluna lombar, quadril, joelhos e mãos. Pesquisa Nacional de Saúde realizada entre 2013 e 2014 mostrou uma prevalência de 21,6% de doença crônica musculoesquelética não relacionada ao trauma na população brasileira, revelando a necessidade de políticas públicas de saúde voltadas para essas condições. 

Entretanto, não há uma idade específica para que as pessoas sofram dos chamados “reumatismos”. Na verdade, as doenças reumáticas podem aparecer em crianças — até mesmo nas muito pequenas, com cerca de um ano de idade — passando por todos os ciclos de vida, até o comprometimento dos idosos. É frequente que a faixa etária mais afetada seja a de pessoas com mais de 40 anos, com destaque para os indivíduos com mais de 60 anos.

Embora acometa pacientes de ambos os sexos, seja por questões sociais, afetivas ou hormonais, as mulheres são as mais frequentemente afetadas pelas doenças reumáticas.

Quais as principais doenças reumáticas?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 15 milhões de brasileiros convivem com alguma doença de natureza reumática. “As doenças reumáticas podem ser divididas em síndromes dolorosas regionais – como, por exemplo, as tendinites e bursites – ou difusas, cujo maior exemplo é a fibromialgia. Além destas, temos as doenças degenerativas, tal como a osteoartrite, as artrites por deposição de cristais, como a gota; as doenças osteometabólicas, cujo grande exemplo é a osteoporose; as doenças inflamatórias do tecido conjuntivo, tais como o lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide, espondiloartrites, miopatias inflamatórias; doenças inflamatórias pediátricas, como a febre reumática e as artrites infecciosas causadas por vírus, bactérias e fungos”, explica o reumatologista.

Tendinite

A tendinite é, como o nome já sugere, a inflamação nos tendões, estruturas que conectam os ossos aos músculos. Pode ser localizada ou generalizada e afeta grande parte da população em todo o mundo. Está normalmente relacionada à prática de movimentos repetitivos, como a digitação, ou a uma postura inadequada no dia a dia durante as atividades corriqueiras.

No entanto, doenças autoimunes (em que o sistema imunológico ataca o próprio corpo) e infecciosas também podem acometer os tendões, ocasionando as tendinites. Os sítios onde mais frequentemente ocorrem as tendinites são os ombros, punhos, cotovelos, quadris e joelhos.

Bursite

Assim como a tendinite, a bursite é uma inflamação que afeta as bursas, estruturas que estão próximas às articulações e tendões e contém um líquido lubrificante que facilita o movimento e reduz o impacto mecânico sobre as juntas.

As causas da bursite são bem variadas, mas ela costuma surgir como consequência da sobrecarga mecânica sobre as estruturas ósseas e articulares e muitas vezes inflamam secundariamente à inflamação tendínea adjacente.

Osteoartrite

A osteoartrite é uma doença articular crônica que figura entre as doenças reumáticas mais comuns no mundo. É incomum antes dos 40 anos e muito frequente após os 60, se tornando mais frequente à medida em que a idade avança. “Acomete cerca de 16% da nossa população, mas com o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento, sua prevalência vem aumentando progressivamente no mundo todo. No Brasil não tem sido diferente”, informa o especialista. 

Estima-se que a osteoartrite seja responsável por 20% de todas as causas de dor crônica na população em geral e que represente a segunda causa de incapacidade para o trabalho entre os homens com idade maior que 50 anos, ficando atrás somente das doenças cardiovasculares. 

Vários fatores estão implicados na gênese da osteoartrite, sendo que, entre os mais importantes, o entrevistado destaca:

  • fatores mecânicos (movimentos repetitivos, sobrecarga estática);
  • doenças congênitas (de nascimento);
  • traumas (pancadas e acidentes);
  • idade;
  • sobrepeso;
  • genética;

“Até mesmo o estresse pode contribuir para o desencadeamento ou agravamento do quadro”, complementa.

Osteoporose

Enquanto a osteoartite é uma doença articular, a osteoporose é uma doença óssea. Na osteoporose ocorre uma diminuição da massa óssea, com diminuição da resistência dos ossos. Assim, os ossos ficam mais frágeis e, consequentemente, mais susceptíveis a fraturas.

Constitui um importante problema de saúde pública, porque é a doença óssea de maior incidência no mundo e uma das principais causas de morbidade em idosos em função das fraturas. Em geral, as fraturas ocorrem por queda, em pessoas acima de 50 anos e os pontos mais comumente comprometidos são coluna, antebraço (rádio) e fêmur.

Idade, hormônios, atividade física, ingestão alimentar e uso de bebidas alcoólicas são fatores implicados no desenvolvimento da osteoporose. E o diagnóstico se dá pela medida da densidade mineral óssea feita pelo exame de densitometria óssea. O exame é indicado entre os grupos de risco, que incluem as mulheres pós-menopausa, os homens com baixa testosterona, pessoas que usam cronicamente medicamentos contendo corticoides entre outros.

Gota

É uma doença decorrente da deposição de cristais de urato dentro das articulações ou nas estruturas próximas às juntas, como as bursas e os tendões. A gota é decorrente de um problema metabólico, traduzido pela elevação crônica do ácido úrico no sangue, sendo mais frequente em homens que em mulheres.

A deposição do ácido úrico na junta, na forma de urato, causa uma intensa reação inflamatória local que faz com que o paciente procure por assistência médica. Ou seja, o paciente evolui com crises de artrite aguda, que pode evoluir para cronicidade se não for adequadamente tratada. 

Fibromialgia

A fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica difusa. Ou seja, o paciente apresenta dor no corpo inteiro de forma duradoura, por um período superior a três meses. 

Além da dor, os pacientes relatam fadiga, insônia, sintomas psiquiátricos como ansiedade, depressão, irritabilidade e alterações disfuncionais de outros aparelhos caracterizados por formigamentos, dormências, dor de cabeça, zumbidos, constipação intestinal, diarreia, etc. Acredita-se que a dor no paciente de fibromialgia seja mais decorrente de alterações nos mecanismos neurológicos de percepção da dor do que propriamente nas estruturas onde a dor está sendo referida.

Muitos sintomas referidos na doença também são referidos por pacientes psiquiátricos que apresentam transtornos de ansiedade generalizada e depressão. Por isso se faz necessário que o tratamento da doença envolva uma abordagem multiprofissional, incluindo, além do reumatologista, a atuação conjunta do psiquiatra, psicólogo, fisioterapeuta, neurologista, entre outros especialistas. 

A fibromialgia afeta cerca de 2-5% da população brasileira e, atualmente, é uma das doenças mais frequentes no consultório reumatológico. A dor muitas vezes é referida pelo paciente como incapacitante, daí a importância de se ampliar o conhecimento da população sobre essa condição.

“Essa é uma doença para qual existe tratamento, não sendo justificável afastamento prolongado ou definitivo do trabalho. A abordagem multiprofissional feita em parceria com o paciente é o caminho para resgate da qualidade de vida e produtividade comprometidas pelo problema”, acrescenta o especialista.

Lúpus eritematoso sistêmico

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune. Isso significa que ela tem origem no sistema imunológico do paciente que, por razões diversas, começa a atacar as próprias células do organismo, gerando danos para a saúde. 

É caracterizado por apresentar alterações em vários aparelhos e sistemas, que pode afetar desde órgãos como a pele, rins, sistema nervoso central, o sangue, outras estruturas do organismo, além do sistema osteoarticular, sendo as “juntas” (articulações) uma das estruturas mais frequentemente acometidas.

Felizmente, o lúpus tem tratamento, que normalmente envolve o uso de medicamentos para o controle da dor e da inflamação sistêmica, além da redução do ataque do sistema imune ao corpo do paciente. 

Artrite reumatoide

Outra doença crônica e autoimune, a artrite reumatoide afeta predominantemente as articulações. Mais raramente, ela também pode afetar outros órgãos do corpo, gerando consequências ainda mais graves para a saúde.

É mais comum entre as mulheres e os seus principais sintomas são a dor e a rigidez nas articulações, especialmente durante a manhã. Além desses, podem ocorrer inchaço e vermelhidão local.

Assim como o lúpus, a artrite reumatoide não tem cura. No entanto, tem um tratamento eficiente para o controle do desconforto e manutenção da qualidade de vida dos pacientes.

Febre reumática

A febre reumática aparece como consequência tardia de infecção causada pelos estreptococos, que são bactérias muito comuns que estão implicadas como importantes causas de amigdalites e faringites em nosso meio. Afeta predominantemente crianças que têm uma predisposição genética para o problema.

A febre reumática é caracterizada por dores intensas nas articulações que, normalmente, migram de uma junta para outra com o passar dos dias. Problemas cardíacos e alterações no sistema nervoso central também podem fazer parte das manifestações clínicas da doença. 

O tratamento é feito com o uso de anti-inflamatórios e antibióticos (do tipo penicilina) a longo prazo. As doses podem ser aplicadas por muitos anos com o objetivo de conter surtos até a vida adulta e garantir que o coração não seja afetado pelo problema.

Quais são os principais sintomas?

Dor, inchaço, calor, vermelhidão, rigidez e incapacidade funcional figuram entre os principais sintomas das doenças reumáticas. Leia mais a seguir:

Dor

A dor musculoesquelética, tal como dito anteriormente, é um sintoma frequente entre os pacientes reumáticos, tendo um papel importante na abordagem do paciente, por ser o sintoma que leva o paciente a procurar pela assistência médica. Dor localizada nas articulações ou em estruturas próximas a elas são características das doenças reumáticas, sendo utilizada como critério de melhora ou piora no acompanhamento dos pacientes.

Aumento da temperatura em certas regiões

Por conta da inflamação, outro sintoma frequentemente percebido é o aumento da temperatura nas regiões acometidas. A febre também pode ser um sinal de alerta, mas nem sempre ela está presente. Quando falamos sobre aumento da temperatura, estamos nos referindo à área da articulação afetada.

Inchaço

O edema, popularmente conhecido como inchaço, também é um sintoma bem frequente nos casos de problemas reumáticos. Ele acontece como uma consequência da inflamação, devido ao acúmulo de líquidos ou de sangue na área, e pode ou não estar presente e acompanhado dos sinais anteriormente mencionados.

Perda de capacidade funcional

Muitas vezes, o paciente nota uma limitação ou, até mesmo, a perda total da capacidade funcional da estrutura afetada — por exemplo, não consegue abrir ou fechar as mãos ou tem dificuldade em segurar objetos, quando as articulações das mãos estão comprometidas.

Como as doenças reumáticas são diagnosticadas?

O diagnóstico das doenças reumáticas é um processo que envolve a coleta da história clínica, exame físico e exames laboratoriais complementares. Tudo começa com uma conversa com o paciente, feita em um clima de empatia, cooperação e confiança mútua.

Conheça a seguir as principais etapas desse processo:

Conversa com o paciente e exame físico

Segundo o Dr Wilton, a conversa com o paciente, com vistas ao detalhamento de seus sintomas e a obtenção de dados sociais, familiares e de estilo de vida que possam estar associados ao seu processo de adoecimento é de fundamental importância no processo diagnóstico.

Além disso, informações relativas à situação afetiva do paciente podem auxiliar não só no diagnóstico, como também na condução do processo terapêutico. Igualmente importante, o exame físico visa identificar a localização precisa da dor e avaliar a presença de outras possíveis manifestações clínicas de doença. Deve ser realizado em todos os pacientes.

Exames laboratoriais

Em seguida, são solicitados exames laboratoriais e de imagem que podem trazer subsídios importantes para o diagnóstico. Eles visam principalmente a identificar a presença de inflamação, alterações imunológicas e o estado funcional de alguns órgãos. Além disso, tornam possível a avaliação da presença ou não de infecções e outros diagnósticos diferenciais. 

Exames de imagem

Os exames de imagem fornecem informações relativas à integridade estrutural das regiões afetadas. Dentro das modalidades empregadas na investigação de pacientes reumáticos temos a ultrassonografia, os raios-x, a ressonância magnética e a tomografia. Cada uma delas com suas indicações específicas a depender das queixas do paciente e da hipótese diagnóstica.

Como é feito o tratamento?

Não há um tratamento específico para as doenças agrupadas sob o termo reumatismo. Como vimos, esse termo é bem genérico e engloba uma grande variedade de doenças.

Sendo assim, não é possível individualizar um tratamento que sirva para todas as pessoas. “Cada paciente é único e o tratamento proposto precisa reconhecer sua singularidade no processo de adoecimento em investigação”, pondera o especialista.

Como em muitas situações, temos a presença de dor inflamatória comprometendo o sistema muscular e esquelético, poderíamos pensar em alguns grupos de medicamentos que podem ser benéficos nesses casos: 

  • anti-inflamatórios, para reduzir o processo inflamatório nas estruturas afetadas pela doença;
  • analgésicos, para diminuir ou cessar completamente a sensação de dor do paciente;
  • relaxantes musculares, para diminuir a “tensão” dos músculos e diminuir o desconforto e dor;
  • reabilitação com fisioterapia visando analgesia, fortalecimento das estruturas afetadas e aumento da amplitude de movimentos, que podem ser limitados pela condição, entre outros.

É fundamental uma abordagem completa e multidisciplinar do paciente. Por vezes, o atendimento psicológico é necessário, já que fatores emocionais sabidamente interferem com a percepção da sensação dolorosa.

A maioria das doenças reumáticas crônicas de base inflamatória não têm cura. “O objetivo do tratamento é o controle dos sintomas e a manutenção da doença em remissão ou em baixa atividade. É importante que o paciente aprenda a conviver com seu problema e mantenha um estilo de vida que assegure seu bem-estar e saúde”, explica o Dr. Wilton.

Quais profissionais podem tratar esse problema?

O profissional mais indicado para tratar os problemas reumáticos é o médico reumatologista. No entanto, em se tratando de doença reumática crônica, outros profissionais de saúde podem e devem tomar parte do processo de cuidado do paciente, tais como:

médico clínico geral, que realiza o primeiro atendimento e o encaminhamento do paciente a um especialista, se necessário;

  • fisioterapeuta;
  • educador físico;
  • terapeuta ocupacional;
  • nutricionista;
  • psicólogo;
  • e médicos de outras especialidades conforme o caso.

Comumente, tal como dito anteriormente, essas condições devem ser abordadas por uma equipe multidisciplinar para que o paciente seja acolhido em todos os seus sintomas e todas dimensões de seu adoecimento.

Há alguma forma de prevenir reumatismo?

Os problemas reumáticos podem ser causados por alterações genéticas, degenerativas, mecânicas ou imunológicas. No entanto, certos hábitos ajudam a diminuir as chances dessas alterações serem desencadeadas ou, pelo menos, auxiliam para que sejam postergadas.

Entre eles, estão medidas como:

  • praticar atividade física regularmente;
  • realizar alongamentos;
  • ter uma alimentação saudável e se hidratar;
  • realizar meditação ou outra atividade que promova o autoconhecimento;
  • dormir bem;
  • manter um peso adequado;

Além de contribuírem para o tratamento das doenças reumáticas, essas medidas auxiliam na prevenção de vários outros problemas de saúde e não há contraindicações para praticá-las. É recomendável contar com orientação especializada para realizar quaisquer mudanças em sua rotina de exercícios e alimentação.

O acompanhamento médico regular também é imprescindível para a manutenção da saúde, já que o diagnóstico precoce facilita o tratamento das doenças reumáticas e evita que se agravem.

E já que movimentar o corpo ajuda no tratamento das doenças reumáticas, que tal aprender dicas de como trazer as atividades físicas para o seu dia a dia de maneira eficiente? Confira o nosso post sobre como montar um bom cronograma de exercícios físicos e tire as suas dúvidas!

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O que é reumatismo e como identificar os sintomas?; Conviver com dores é um grande desafio. E essa é, sem dúvidas, uma das principais queixas de quem sofre de alguma das doenças agrupadas sob o conceito de reumatismo, um conjunto de problemas que afeta estruturas diversas do nosso corpo. Se você já ouviu falar sobre essa condição e ainda não sabe exatamente o que significa, não se preocupe. Ao longo da nossa conversa, você poderá tirar dúvidas sobre esse assunto e descobrir o que está por trás do termo reumatismo. Contamos com a ajuda do Dr. Wilton Ferreira Silva Santos, Doutor em reumatologia e consultor técnico do Sabin para saber mais sobre o tema, que pode afetar a nossa qualidade de vida e a de quem convive conosco de forma tão profunda. Vamos lá?  O que é reumatismo e quais doenças agrupa? Por mais que muitas pessoas acreditem que reumatismo é uma doença específica, essa não é bem a verdade. A realidade é que esse é um termo amplo, utilizado como referência para diversas doenças que têm como principal sintoma a presença de dor no sistema musculoesquelético. O comprometimento das articulações e das estruturas próximas a elas, tais como tendões e ligamentos, é um sinal bem conhecido e característico das doenças reumáticas, mas elas podem afetar qualquer órgão e sistema do nosso corpo.  De acordo com o Dr. Wilton Ferreira Silva Santos, o termo surgiu há mais de 2 mil anos e, em parte, está associado a Hipócrates, médico grego, considerado o pai da medicina. Naquele tempo, acreditava-se que as doenças eram decorrentes de alterações nos fluidos corporais e que “rheuma” era um líquido de composição alterada que circularia pelas articulações, ocasionando os reumatismos. "Evitamos usar o termo ‘reumatismo’ porque é pouco preciso, não auxilia em nada o paciente e, na maioria das vezes, cria mais confusão", explica o entrevistado. "Hoje, essa expressão está mais relacionada à percepção de dor no corpo, no sistema locomotor, mais especificamente nas juntas. Mais de 200 doenças reumáticas conhecidas podem estar sob esse termo “guarda-chuva” e apenas parte delas afeta predominantemente as articulações. Muitas vezes as queixas dos pacientes não decorrem do envolvimento das articulações ou do aparelho locomotor e, mesmo assim, a possibilidade de doença reumática não está descartada”, complementa o reumatologista.  “Pouco a pouco, as doenças que fazem parte desse grupo foram sendo divididas e classificadas, a partir de seus sintomas, de suas causas e suas manifestações clínicas, que são bastante amplas e não se restringem ao sistema musculoesquelético”, reforça o especialista. Quais as consequências das doenças reumáticas? Agora, veremos algumas implicações do reumatismo para a vida das pessoas, que não se restringem aos aspectos biológicos do adoecimento. Vamos lá? Comprometimento da qualidade de vida Uma das consequências mais diretamente associadas às doenças reumáticas é o comprometimento da qualidade de vida do paciente. Como estamos falando sobre condições crônicas que causam dor, é natural que essa seja umas das reclamações mais comuns. "O sintoma que mais frequentemente leva o paciente a procurar auxílio médico é a dor. Pode ser articular ou estar nas estruturas próximas às articulações, como cartilagens, tendões e ligamentos, estruturas ditas periarticulares", explica o especialista. Além da dor, sintomas como rigidez, fraqueza e dificuldade para se movimentar também são comuns. Muitas vezes, o desconforto é tão grande que as pessoas são obrigadas a interromper as suas atividades do dia a dia. Repercussões profissionais e emocionais Não é incomum, portanto, que os pacientes acometidos por doenças reumáticas deixem de ir ao trabalho por não conseguirem realizar suas funções cotidianas. Quando conseguem, a produtividade é extremamente prejudicada, uma vez que as dores interferem também com o fluxo do pensamento e as funções cognitivas, fazendo com que a qualidade do serviço realizado também seja afetada.  Tudo isso repercute negativamente na parte emocional dos pacientes. Não conseguir realizar tarefas que, até então, faziam parte do cotidiano de vida dessas pessoas gera ansiedade e preocupações adicionais, que aumentam o estresse e provocam alterações no humor. "Tendemos a ficar mais atentos à questão biológica do adoecimento, mas todo contexto social, familiar, financeiro do paciente reumático é afetado Tudo muda! A relação com a família, o convívio com os amigos, os gastos no final do mês, porque as despesas aumentam e a capacidade de trabalho diminui. Os pacientes têm dificuldade de locomoção, maior gasto com transporte e com remédios, que nem sempre são oferecidos pelo SUS. Precisamos estar sensíveis a todas essas questões. Às vezes, o especialista se concentra na doença e não no doente. Mas o doente é muito maior que a doença em si", pondera o consultor do Sabin. Diminuição da autonomia A diminuição da autonomia é outro fator importante. As doenças reumáticas dificultam a realização de atividades cotidianas, já que a dor, a fadiga e a fraqueza muscular comprometem a autonomia do paciente. É fundamental que os profissionais da saúde compreendam o paciente como um todo. Não é possível observá-lo apenas como um sintoma ou problema a ser resolvido, mas como um ser humano que tem uma condição que pode afetar todos os fatores implicados na qualidade de vida. Por isso, a atenção à saúde integral, humanizada e multiprofissional é essencial nesse processo. Assim, médicos, psicólogos, fisioterapeutas e outros profissionais de saúde atuarão em prol dos pacientes com o objetivo de mitigar as consequências da doença, além de trazer conforto e bem-estar para a vida desse indivíduo. "Quadros de dor prolongados acabam por afetar o paciente emocionalmente. Isso em conjunto com a limitação funcional crônica imposta pela doença acaba por repercutir na autonomia do paciente e nos papéis que desempenha em sua família e na sociedade”, explica o Dr. Wilton. “No passado, a medicina tinha uma finalidade mais ‘curativa’. Hoje em dia, com a emergência das doenças crônicas, o ‘curar’ deu lugar ao ‘cuidar’. A mudança do verbo do curar para o cuidar teve implicações significativas na prática médica. Cuidar implica em proteger, acompanhar, participar, estar ao lado, de uma forma mais consistente, sustentada, persistente”, acrescenta.  Quais as pessoas mais afetadas pelas doenças reumáticas? Mais de dois terços da população brasileira tem histórico de dor crônica, recorrente ou duradoura, com duração de pelo menos 6 meses, segundo estudo de 2018. As mulheres e os idosos são os grupos mais afetados, e os pontos de dor mais frequentemente relatados são coluna lombar, quadril, joelhos e mãos. Pesquisa Nacional de Saúde realizada entre 2013 e 2014 mostrou uma prevalência de 21,6% de doença crônica musculoesquelética não relacionada ao trauma na população brasileira, revelando a necessidade de políticas públicas de saúde voltadas para essas condições.  Entretanto, não há uma idade específica para que as pessoas sofram dos chamados “reumatismos”. Na verdade, as doenças reumáticas podem aparecer em crianças — até mesmo nas muito pequenas, com cerca de um ano de idade — passando por todos os ciclos de vida, até o comprometimento dos idosos. É frequente que a faixa etária mais afetada seja a de pessoas com mais de 40 anos, com destaque para os indivíduos com mais de 60 anos. Embora acometa pacientes de ambos os sexos, seja por questões sociais, afetivas ou hormonais, as mulheres são as mais frequentemente afetadas pelas doenças reumáticas. Quais as principais doenças reumáticas? De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 15 milhões de brasileiros convivem com alguma doença de natureza reumática. “As doenças reumáticas podem ser divididas em síndromes dolorosas regionais - como, por exemplo, as tendinites e bursites - ou difusas, cujo maior exemplo é a fibromialgia. Além destas, temos as doenças degenerativas, tal como a osteoartrite, as artrites por deposição de cristais, como a gota; as doenças osteometabólicas, cujo grande exemplo é a osteoporose; as doenças inflamatórias do tecido conjuntivo, tais como o lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide, espondiloartrites, miopatias inflamatórias; doenças inflamatórias pediátricas, como a febre reumática e as artrites infecciosas causadas por vírus, bactérias e fungos”, explica o reumatologista. Tendinite A tendinite é, como o nome já sugere, a inflamação nos tendões, estruturas que conectam os ossos aos músculos. Pode ser localizada ou generalizada e afeta grande parte da população em todo o mundo. Está normalmente relacionada à prática de movimentos repetitivos, como a digitação, ou a uma postura inadequada no dia a dia durante as atividades corriqueiras. No entanto, doenças autoimunes (em que o sistema imunológico ataca o próprio corpo) e infecciosas também podem acometer os tendões, ocasionando as tendinites. Os sítios onde mais frequentemente ocorrem as tendinites são os ombros, punhos, cotovelos, quadris e joelhos. Bursite Assim como a tendinite, a bursite é uma inflamação que afeta as bursas, estruturas que estão próximas às articulações e tendões e contém um líquido lubrificante que facilita o movimento e reduz o impacto mecânico sobre as juntas. As causas da bursite são bem variadas, mas ela costuma surgir como consequência da sobrecarga mecânica sobre as estruturas ósseas e articulares e muitas vezes inflamam secundariamente à inflamação tendínea adjacente. Osteoartrite A osteoartrite é uma doença articular crônica que figura entre as doenças reumáticas mais comuns no mundo. É incomum antes dos 40 anos e muito frequente após os 60, se tornando mais frequente à medida em que a idade avança. "Acomete cerca de 16% da nossa população, mas com o aumento da expectativa de vida e o envelhecimento, sua prevalência vem aumentando progressivamente no mundo todo. No Brasil não tem sido diferente", informa o especialista.  Estima-se que a osteoartrite seja responsável por 20% de todas as causas de dor crônica na população em geral e que represente a segunda causa de incapacidade para o trabalho entre os homens com idade maior que 50 anos, ficando atrás somente das doenças cardiovasculares.  Vários fatores estão implicados na gênese da osteoartrite, sendo que, entre os mais importantes, o entrevistado destaca: fatores mecânicos (movimentos repetitivos, sobrecarga estática);doenças congênitas (de nascimento);traumas (pancadas e acidentes);idade;sobrepeso;genética; "Até mesmo o estresse pode contribuir para o desencadeamento ou agravamento do quadro", complementa. Osteoporose Enquanto a osteoartite é uma doença articular, a osteoporose é uma doença óssea. Na osteoporose ocorre uma diminuição da massa óssea, com diminuição da resistência dos ossos. Assim, os ossos ficam mais frágeis e, consequentemente, mais susceptíveis a fraturas. Constitui um importante problema de saúde pública, porque é a doença óssea de maior incidência no mundo e uma das principais causas de morbidade em idosos em função das fraturas. Em geral, as fraturas ocorrem por queda, em pessoas acima de 50 anos e os pontos mais comumente comprometidos são coluna, antebraço (rádio) e fêmur. Idade, hormônios, atividade física, ingestão alimentar e uso de bebidas alcoólicas são fatores implicados no desenvolvimento da osteoporose. E o diagnóstico se dá pela medida da densidade mineral óssea feita pelo exame de densitometria óssea. O exame é indicado entre os grupos de risco, que incluem as mulheres pós-menopausa, os homens com baixa testosterona, pessoas que usam cronicamente medicamentos contendo corticoides entre outros. Gota É uma doença decorrente da deposição de cristais de urato dentro das articulações ou nas estruturas próximas às juntas, como as bursas e os tendões. A gota é decorrente de um problema metabólico, traduzido pela elevação crônica do ácido úrico no sangue, sendo mais frequente em homens que em mulheres. A deposição do ácido úrico na junta, na forma de urato, causa uma intensa reação inflamatória local que faz com que o paciente procure por assistência médica. Ou seja, o paciente evolui com crises de artrite aguda, que pode evoluir para cronicidade se não for adequadamente tratada.  Fibromialgia A fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica difusa. Ou seja, o paciente apresenta dor no corpo inteiro de forma duradoura, por um período superior a três meses.  Além da dor, os pacientes relatam fadiga, insônia, sintomas psiquiátricos como ansiedade, depressão, irritabilidade e alterações disfuncionais de outros aparelhos caracterizados por formigamentos, dormências, dor de cabeça, zumbidos, constipação intestinal, diarreia, etc. Acredita-se que a dor no paciente de fibromialgia seja mais decorrente de alterações nos mecanismos neurológicos de percepção da dor do que propriamente nas estruturas onde a dor está sendo referida. Muitos sintomas referidos na doença também são referidos por pacientes psiquiátricos que apresentam transtornos de ansiedade generalizada e depressão. Por isso se faz necessário que o tratamento da doença envolva uma abordagem multiprofissional, incluindo, além do reumatologista, a atuação conjunta do psiquiatra, psicólogo, fisioterapeuta, neurologista, entre outros especialistas.  A fibromialgia afeta cerca de 2-5% da população brasileira e, atualmente, é uma das doenças mais frequentes no consultório reumatológico. A dor muitas vezes é referida pelo paciente como incapacitante, daí a importância de se ampliar o conhecimento da população sobre essa condição. “Essa é uma doença para qual existe tratamento, não sendo justificável afastamento prolongado ou definitivo do trabalho. A abordagem multiprofissional feita em parceria com o paciente é o caminho para resgate da qualidade de vida e produtividade comprometidas pelo problema”, acrescenta o especialista. Lúpus eritematoso sistêmico O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune. Isso significa que ela tem origem no sistema imunológico do paciente que, por razões diversas, começa a atacar as próprias células do organismo, gerando danos para a saúde.  É caracterizado por apresentar alterações em vários aparelhos e sistemas, que pode afetar desde órgãos como a pele, rins, sistema nervoso central, o sangue, outras estruturas do organismo, além do sistema osteoarticular, sendo as “juntas” (articulações) uma das estruturas mais frequentemente acometidas. Felizmente, o lúpus tem tratamento, que normalmente envolve o uso de medicamentos para o controle da dor e da inflamação sistêmica, além da redução do ataque do sistema imune ao corpo do paciente.  Artrite reumatoide Outra doença crônica e autoimune, a artrite reumatoide afeta predominantemente as articulações. Mais raramente, ela também pode afetar outros órgãos do corpo, gerando consequências ainda mais graves para a saúde. É mais comum entre as mulheres e os seus principais sintomas são a dor e a rigidez nas articulações, especialmente durante a manhã. Além desses, podem ocorrer inchaço e vermelhidão local. Assim como o lúpus, a artrite reumatoide não tem cura. No entanto, tem um tratamento eficiente para o controle do desconforto e manutenção da qualidade de vida dos pacientes. Febre reumática A febre reumática aparece como consequência tardia de infecção causada pelos estreptococos, que são bactérias muito comuns que estão implicadas como importantes causas de amigdalites e faringites em nosso meio. Afeta predominantemente crianças que têm uma predisposição genética para o problema. A febre reumática é caracterizada por dores intensas nas articulações que, normalmente, migram de uma junta para outra com o passar dos dias. Problemas cardíacos e alterações no sistema nervoso central também podem fazer parte das manifestações clínicas da doença.  O tratamento é feito com o uso de anti-inflamatórios e antibióticos (do tipo penicilina) a longo prazo. As doses podem ser aplicadas por muitos anos com o objetivo de conter surtos até a vida adulta e garantir que o coração não seja afetado pelo problema. Quais são os principais sintomas? Dor, inchaço, calor, vermelhidão, rigidez e incapacidade funcional figuram entre os principais sintomas das doenças reumáticas. Leia mais a seguir: Dor A dor musculoesquelética, tal como dito anteriormente, é um sintoma frequente entre os pacientes reumáticos, tendo um papel importante na abordagem do paciente, por ser o sintoma que leva o paciente a procurar pela assistência médica. Dor localizada nas articulações ou em estruturas próximas a elas são características das doenças reumáticas, sendo utilizada como critério de melhora ou piora no acompanhamento dos pacientes. Aumento da temperatura em certas regiões Por conta da inflamação, outro sintoma frequentemente percebido é o aumento da temperatura nas regiões acometidas. A febre também pode ser um sinal de alerta, mas nem sempre ela está presente. Quando falamos sobre aumento da temperatura, estamos nos referindo à área da articulação afetada. Inchaço O edema, popularmente conhecido como inchaço, também é um sintoma bem frequente nos casos de problemas reumáticos. Ele acontece como uma consequência da inflamação, devido ao acúmulo de líquidos ou de sangue na área, e pode ou não estar presente e acompanhado dos sinais anteriormente mencionados. Perda de capacidade funcional Muitas vezes, o paciente nota uma limitação ou, até mesmo, a perda total da capacidade funcional da estrutura afetada — por exemplo, não consegue abrir ou fechar as mãos ou tem dificuldade em segurar objetos, quando as articulações das mãos estão comprometidas. Como as doenças reumáticas são diagnosticadas? O diagnóstico das doenças reumáticas é um processo que envolve a coleta da história clínica, exame físico e exames laboratoriais complementares. Tudo começa com uma conversa com o paciente, feita em um clima de empatia, cooperação e confiança mútua. Conheça a seguir as principais etapas desse processo: Conversa com o paciente e exame físico Segundo o Dr Wilton, a conversa com o paciente, com vistas ao detalhamento de seus sintomas e a obtenção de dados sociais, familiares e de estilo de vida que possam estar associados ao seu processo de adoecimento é de fundamental importância no processo diagnóstico. Além disso, informações relativas à situação afetiva do paciente podem auxiliar não só no diagnóstico, como também na condução do processo terapêutico. Igualmente importante, o exame físico visa identificar a localização precisa da dor e avaliar a presença de outras possíveis manifestações clínicas de doença. Deve ser realizado em todos os pacientes. Exames laboratoriais Em seguida, são solicitados exames laboratoriais e de imagem que podem trazer subsídios importantes para o diagnóstico. Eles visam principalmente a identificar a presença de inflamação, alterações imunológicas e o estado funcional de alguns órgãos. Além disso, tornam possível a avaliação da presença ou não de infecções e outros diagnósticos diferenciais.  Exames de imagem Os exames de imagem fornecem informações relativas à integridade estrutural das regiões afetadas. Dentro das modalidades empregadas na investigação de pacientes reumáticos temos a ultrassonografia, os raios-x, a ressonância magnética e a tomografia. Cada uma delas com suas indicações específicas a depender das queixas do paciente e da hipótese diagnóstica. Como é feito o tratamento? Não há um tratamento específico para as doenças agrupadas sob o termo reumatismo. Como vimos, esse termo é bem genérico e engloba uma grande variedade de doenças. Sendo assim, não é possível individualizar um tratamento que sirva para todas as pessoas. “Cada paciente é único e o tratamento proposto precisa reconhecer sua singularidade no processo de adoecimento em investigação”, pondera o especialista. Como em muitas situações, temos a presença de dor inflamatória comprometendo o sistema muscular e esquelético, poderíamos pensar em alguns grupos de medicamentos que podem ser benéficos nesses casos:  anti-inflamatórios, para reduzir o processo inflamatório nas estruturas afetadas pela doença;analgésicos, para diminuir ou cessar completamente a sensação de dor do paciente;relaxantes musculares, para diminuir a “tensão” dos músculos e diminuir o desconforto e dor;reabilitação com fisioterapia visando analgesia, fortalecimento das estruturas afetadas e aumento da amplitude de movimentos, que podem ser limitados pela condição, entre outros. É fundamental uma abordagem completa e multidisciplinar do paciente. Por vezes, o atendimento psicológico é necessário, já que fatores emocionais sabidamente interferem com a percepção da sensação dolorosa. A maioria das doenças reumáticas crônicas de base inflamatória não têm cura. “O objetivo do tratamento é o controle dos sintomas e a manutenção da doença em remissão ou em baixa atividade. É importante que o paciente aprenda a conviver com seu problema e mantenha um estilo de vida que assegure seu bem-estar e saúde”, explica o Dr. Wilton. Quais profissionais podem tratar esse problema? O profissional mais indicado para tratar os problemas reumáticos é o médico reumatologista. No entanto, em se tratando de doença reumática crônica, outros profissionais de saúde podem e devem tomar parte do processo de cuidado do paciente, tais como: médico clínico geral, que realiza o primeiro atendimento e o encaminhamento do paciente a um especialista, se necessário; fisioterapeuta;educador físico;terapeuta ocupacional;nutricionista;psicólogo;e médicos de outras especialidades conforme o caso. Comumente, tal como dito anteriormente, essas condições devem ser abordadas por uma equipe multidisciplinar para que o paciente seja acolhido em todos os seus sintomas e todas dimensões de seu adoecimento. Há alguma forma de prevenir reumatismo? Os problemas reumáticos podem ser causados por alterações genéticas, degenerativas, mecânicas ou imunológicas. No entanto, certos hábitos ajudam a diminuir as chances dessas alterações serem desencadeadas ou, pelo menos, auxiliam para que sejam postergadas. Entre eles, estão medidas como: praticar atividade física regularmente;realizar alongamentos;ter uma alimentação saudável e se hidratar;realizar meditação ou outra atividade que promova o autoconhecimento;dormir bem;manter um peso adequado; Além de contribuírem para o tratamento das doenças reumáticas, essas medidas auxiliam na prevenção de vários outros problemas de saúde e não há contraindicações para praticá-las. É recomendável contar com orientação especializada para realizar quaisquer mudanças em sua rotina de exercícios e alimentação. O acompanhamento médico regular também é imprescindível para a manutenção da saúde, já que o diagnóstico precoce facilita o tratamento das doenças reumáticas e evita que se agravem. E já que movimentar o corpo ajuda no tratamento das doenças reumáticas, que tal aprender dicas de como trazer as atividades físicas para o seu dia a dia de maneira eficiente? Confira o nosso post sobre como montar um bom cronograma de exercícios físicos e tire as suas dúvidas!