Sabin Por: Sabin
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A medicina preventiva atua na manutenção da qualidade de vida do paciente, procurando evitar o surgimento de doenças e minimizar, ao máximo, os danos causados quando elas se desenvolvem. O objetivo é ir além do tratamento das doenças e abordar uma visão integral do indivíduo, com foco em seu histórico familiar, condições de vida e interações com o meio

A partir de um atendimento personalizado, os profissionais de saúde conseguem identificar os principais riscos que envolvem cada paciente. Assim, podem conscientizá-lo sobre a importância dos melhores hábitos e de manter rotinas de prevenção e tratamento em dia. Neste artigo, abordaremos mais sobre os impactos da medicina preventiva e como ela é aplicada, com a colaboração do médico de família e comunidade Dr. Lucas Gurgel Tiso, do Grupo Sabin. Acompanhe!

O que é medicina preventiva?

“É o saber médico que estuda a relação entre os determinantes sociais da saúde, o estilo de vida, o histórico familiar e o desenvolvimento de doenças”, define Dr. Lucas. Esse tipo de especialidade trabalha com um conceito abrangente da saúde, assim como busca ir além da dinâmica de consultórios e do relacionamento entre médicos e pacientes.

A medicina preventiva aborda diversos aspectos que impactam na condição de saúde das pessoas, como os fatores familiares e sociais. É dividida em três níveis, que são responsáveis por estruturar sua atuação: o acompanhamento do indivíduo saudável; o diagnóstico precoce e a possibilidade de reduzir os danos causados; e as intervenções por uma doença que venha a se desenvolver.

“Todas as etapas de vida possuem doenças, as quais estamos mais suscetíveis. Dessa forma, o médico de família faz o acompanhamento desde a puericultura até os adolescentes, adultos e idosos”, pontua o médico. “O ideal é o acompanhamento de núcleos familiares, uma vez que cada família se organiza de uma forma sistêmica, que pode ser utilizada pelo médico como tratamento de todo o núcleo familiar”, complementa.

Quais os principais benefícios da medicina preventiva?

Um dos principais benefícios está diretamente relacionado à melhora da qualidade de vida dos pacientes. “Na prática, a medicina preventiva identifica quais são os fatores que aumentam o risco de adoecimento e intervém antes que as probabilidades se concretizem”, detalha o entrevistado.

As ações preventivas proporcionam uma série de reflexos nas condições de tratamento e na forma como as pessoas encaram o compromisso com sua saúde. Até mesmo os afetados por doenças crônicas conseguem lidar melhor com o quadro diante da possibilidade de ter uma vida mais ativa com o tratamento adequado.

Uma analogia muito interessante feita pelo Dr. Lucas ajuda a esclarecer o assunto:

“Podemos deixar a maçã madura fora da geladeira ou na geladeira. Entretanto, o risco da maçã de fora da geladeira apodrecer rápido é muito maior quando comparado à maçã da geladeira. E no caso da maçã podre, caso a área afetada seja pequena e ela ainda sirva para alimentação, teremos que tirar o pedaço podre para o consumo. Dessa forma, a intervenção de colocar a maçã na geladeira foi uma ação preventiva ao envelhecimento precoce. Já o tratamento, nesse caso, foi a ‘amputação’ de parte da maçã”.

Quais doenças são rastreadas?

Doenças crônicas, infectocontagiosas e todas que são cobertas pelo Calendário Nacional de Vacinação, bem como hipertensão, diabetes, obesidade, sedentarismo, ansiedade, depressão e dependência de nicotina estão entre as principais complicações rastreadas pela medicina preventiva.

“De maneira geral, uma consulta médica com uma rica anamnese e aplicação de escores que determinam uma escala de risco para desenvolvimento de uma determinada doença costuma ser suficiente”, pondera o especialista. No entanto, a prevenção pode contar, ainda, com alguns exames de rastreio. “São exames desenvolvidos especificamente com o intuito de rastrear, na população, casos de adoecimento em fase inicial, para que o tratamento seja feito de forma menos invasiva possível e gere o menor dano ao portador. Dessa forma, os exames de rastreio andam de mãos dadas com a medicina preventiva”, conclui.

Um dos principais exemplos é a realização do exame de glicemia em jejum, solicitado a pacientes que apresentam sobrepeso e sedentarismo. “É um exame confiável para rastrear o surgimento do diabetes. Mas note: o olhar da medicina preventiva já diz que a intervenção deve acontecer antes mesmo do resultado do exame — o paciente precisa ter uma alimentação balanceada e praticar atividade física, porque ele já está com sobrepeso e é sedentário”, alerta Dr. Lucas.

Quais especialidades médicas são envolvidas?

A prática da prevenção é uma rotina de atendimento do médico especializado em medicina da família e comunidade. “A especialidade é feita fora do ambiente hospitalar, acompanhando o paciente durante a vida, estudando e aperfeiçoando as técnicas de intervenção para prevenção do aparecimento de doenças”, explica.

A principal diferença para as demais especializações é que, na maioria dos casos, as residências médicas são realizadas em ambiente hospitalar. “Neste cenário, os profissionais conseguem ter um conhecimento profundo sobre a doença e estágio avançado. Ademais, sabem a melhor maneira de conduzir casos mais complexos, que envolvem pacientes com doenças graves concomitantes e risco de morte, e, por isso, são tratados em ambiente hospitalar. Com isso, podem ser chamados de especialistas focais, por conhecerem bem um determinado grupo de doenças relacionadas a um órgão”, detalha Dr. Lucas.

E quais exames auxiliam nos rastreios?

A solicitação de exames dentro da atuação da medicina preventiva varia de acordo com diversos fatores. Entre os principais, estão: idade, sexo, estilo de vida, histórico familiar e determinantes sociais de saúde, que exercem influência em relação ao paciente. Tudo deve ser observado de maneira personalizada.

Entretanto, alguns exames precisam fazer parte da rotina de atendimento, devido à alta incidência da doença e dos riscos de morbidade pela falta de tratamento. Os exames são: glicemia de jejum e controle da pressão arterial, com o especialista em pacientes obesos; Papanicolau, para mulheres entre 24 e 64 anos; e mamografia, dos 50 aos 69 anos, ou 40 anos, conforme as especificações do caso.

Quais os impactos sobre o sistema de saúde?

Prevenir costuma ser melhor e menos oneroso do que remediar. Dessa forma, a medicina preventiva é um diferencial na redução de custos para o sistema de saúde. Em suma, por causa do menor número de internações hospitalares, menos uso de medicamentos e o menor número de procedimentos invasivos.

É importante destacar que, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde, que envolve os setores formal e informal da economia, o número de acidentes de trabalho graves notificados cresceu cerca de 40%, em 2020, saltando de 94.353, em 2019, para 132.623, em 2020. Auxílios-doença por depressão, ansiedade, estresse e outros transtornos mentais e comportamentais cresceram 30%.

Dados da Organização Internacional do Trabalho dão conta de que doenças e acidentes de trabalho provocam a perda de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) global, a cada ano. No caso do Brasil, esse percentual corresponde a aproximadamente R$ 300 bilhões, considerando o PIB de 2020. Os números demonstram a importância de implementar a cultura de prevenção em várias frentes de saúde. “E mostram a irrefutável tese de que o tratamento é muito mais caro do que a prevenção”, aponta o entrevistado.

Qual o panorama da medicina preventiva no Brasil?

Quando paramos para entender o significado da medicina preventiva, fica claro que ainda existe um longo caminho a ser percorrido no Brasil, especialmente em relação às pesquisas e aos métodos, mas, acima de tudo, na divulgação dessa especialidade.

Dr. Lucas avalia o cenário atual: “O termo ‘medicina preventiva’ tem se vulgarizado pelo uso indiscriminado e associado a práticas iatrogênicas, que geram malefícios ao paciente, a médio e longo prazo. Quando pensamos no que é o conhecimento da medicina preventiva, vemos que há muito para ser pesquisado e divulgado em nosso território”.

Entendeu como a medicina preventiva funciona e os seus benefícios? O mais importante é usar todos os recursos disponíveis a favor da saúde e contar com a ajuda da tecnologia na prevenção. Um exemplo está no uso de equipamentos e softwares que processam exames de imagens e fazem integração de dados, incluindo testes genéticos para avaliar a situação de cada paciente individualmente.

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Dicas do Sabin: conheça o que é a medicina preventiva!; A medicina preventiva atua na manutenção da qualidade de vida do paciente, procurando evitar o surgimento de doenças e minimizar, ao máximo, os danos causados quando elas se desenvolvem. O objetivo é ir além do tratamento das doenças e abordar uma visão integral do indivíduo, com foco em seu histórico familiar, condições de vida e interações com o meio.  A partir de um atendimento personalizado, os profissionais de saúde conseguem identificar os principais riscos que envolvem cada paciente. Assim, podem conscientizá-lo sobre a importância dos melhores hábitos e de manter rotinas de prevenção e tratamento em dia. Neste artigo, abordaremos mais sobre os impactos da medicina preventiva e como ela é aplicada, com a colaboração do médico de família e comunidade Dr. Lucas Gurgel Tiso, do Grupo Sabin. Acompanhe! O que é medicina preventiva? "É o saber médico que estuda a relação entre os determinantes sociais da saúde, o estilo de vida, o histórico familiar e o desenvolvimento de doenças", define Dr. Lucas. Esse tipo de especialidade trabalha com um conceito abrangente da saúde, assim como busca ir além da dinâmica de consultórios e do relacionamento entre médicos e pacientes. A medicina preventiva aborda diversos aspectos que impactam na condição de saúde das pessoas, como os fatores familiares e sociais. É dividida em três níveis, que são responsáveis por estruturar sua atuação: o acompanhamento do indivíduo saudável; o diagnóstico precoce e a possibilidade de reduzir os danos causados; e as intervenções por uma doença que venha a se desenvolver. "Todas as etapas de vida possuem doenças, as quais estamos mais suscetíveis. Dessa forma, o médico de família faz o acompanhamento desde a puericultura até os adolescentes, adultos e idosos", pontua o médico. "O ideal é o acompanhamento de núcleos familiares, uma vez que cada família se organiza de uma forma sistêmica, que pode ser utilizada pelo médico como tratamento de todo o núcleo familiar", complementa. Quais os principais benefícios da medicina preventiva? Um dos principais benefícios está diretamente relacionado à melhora da qualidade de vida dos pacientes. "Na prática, a medicina preventiva identifica quais são os fatores que aumentam o risco de adoecimento e intervém antes que as probabilidades se concretizem", detalha o entrevistado. As ações preventivas proporcionam uma série de reflexos nas condições de tratamento e na forma como as pessoas encaram o compromisso com sua saúde. Até mesmo os afetados por doenças crônicas conseguem lidar melhor com o quadro diante da possibilidade de ter uma vida mais ativa com o tratamento adequado. Uma analogia muito interessante feita pelo Dr. Lucas ajuda a esclarecer o assunto: "Podemos deixar a maçã madura fora da geladeira ou na geladeira. Entretanto, o risco da maçã de fora da geladeira apodrecer rápido é muito maior quando comparado à maçã da geladeira. E no caso da maçã podre, caso a área afetada seja pequena e ela ainda sirva para alimentação, teremos que tirar o pedaço podre para o consumo. Dessa forma, a intervenção de colocar a maçã na geladeira foi uma ação preventiva ao envelhecimento precoce. Já o tratamento, nesse caso, foi a 'amputação' de parte da maçã". Quais doenças são rastreadas? Doenças crônicas, infectocontagiosas e todas que são cobertas pelo Calendário Nacional de Vacinação, bem como hipertensão, diabetes, obesidade, sedentarismo, ansiedade, depressão e dependência de nicotina estão entre as principais complicações rastreadas pela medicina preventiva. "De maneira geral, uma consulta médica com uma rica anamnese e aplicação de escores que determinam uma escala de risco para desenvolvimento de uma determinada doença costuma ser suficiente", pondera o especialista. No entanto, a prevenção pode contar, ainda, com alguns exames de rastreio. "São exames desenvolvidos especificamente com o intuito de rastrear, na população, casos de adoecimento em fase inicial, para que o tratamento seja feito de forma menos invasiva possível e gere o menor dano ao portador. Dessa forma, os exames de rastreio andam de mãos dadas com a medicina preventiva", conclui. Um dos principais exemplos é a realização do exame de glicemia em jejum, solicitado a pacientes que apresentam sobrepeso e sedentarismo. "É um exame confiável para rastrear o surgimento do diabetes. Mas note: o olhar da medicina preventiva já diz que a intervenção deve acontecer antes mesmo do resultado do exame — o paciente precisa ter uma alimentação balanceada e praticar atividade física, porque ele já está com sobrepeso e é sedentário", alerta Dr. Lucas. Quais especialidades médicas são envolvidas? A prática da prevenção é uma rotina de atendimento do médico especializado em medicina da família e comunidade. "A especialidade é feita fora do ambiente hospitalar, acompanhando o paciente durante a vida, estudando e aperfeiçoando as técnicas de intervenção para prevenção do aparecimento de doenças", explica. A principal diferença para as demais especializações é que, na maioria dos casos, as residências médicas são realizadas em ambiente hospitalar. "Neste cenário, os profissionais conseguem ter um conhecimento profundo sobre a doença e estágio avançado. Ademais, sabem a melhor maneira de conduzir casos mais complexos, que envolvem pacientes com doenças graves concomitantes e risco de morte, e, por isso, são tratados em ambiente hospitalar. Com isso, podem ser chamados de especialistas focais, por conhecerem bem um determinado grupo de doenças relacionadas a um órgão", detalha Dr. Lucas. E quais exames auxiliam nos rastreios? A solicitação de exames dentro da atuação da medicina preventiva varia de acordo com diversos fatores. Entre os principais, estão: idade, sexo, estilo de vida, histórico familiar e determinantes sociais de saúde, que exercem influência em relação ao paciente. Tudo deve ser observado de maneira personalizada. Entretanto, alguns exames precisam fazer parte da rotina de atendimento, devido à alta incidência da doença e dos riscos de morbidade pela falta de tratamento. Os exames são: glicemia de jejum e controle da pressão arterial, com o especialista em pacientes obesos; Papanicolau, para mulheres entre 24 e 64 anos; e mamografia, dos 50 aos 69 anos, ou 40 anos, conforme as especificações do caso. Quais os impactos sobre o sistema de saúde? Prevenir costuma ser melhor e menos oneroso do que remediar. Dessa forma, a medicina preventiva é um diferencial na redução de custos para o sistema de saúde. Em suma, por causa do menor número de internações hospitalares, menos uso de medicamentos e o menor número de procedimentos invasivos. É importante destacar que, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde, que envolve os setores formal e informal da economia, o número de acidentes de trabalho graves notificados cresceu cerca de 40%, em 2020, saltando de 94.353, em 2019, para 132.623, em 2020. Auxílios-doença por depressão, ansiedade, estresse e outros transtornos mentais e comportamentais cresceram 30%. Dados da Organização Internacional do Trabalho dão conta de que doenças e acidentes de trabalho provocam a perda de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) global, a cada ano. No caso do Brasil, esse percentual corresponde a aproximadamente R$ 300 bilhões, considerando o PIB de 2020. Os números demonstram a importância de implementar a cultura de prevenção em várias frentes de saúde. "E mostram a irrefutável tese de que o tratamento é muito mais caro do que a prevenção", aponta o entrevistado. Qual o panorama da medicina preventiva no Brasil? Quando paramos para entender o significado da medicina preventiva, fica claro que ainda existe um longo caminho a ser percorrido no Brasil, especialmente em relação às pesquisas e aos métodos, mas, acima de tudo, na divulgação dessa especialidade. Dr. Lucas avalia o cenário atual: "O termo ‘medicina preventiva’ tem se vulgarizado pelo uso indiscriminado e associado a práticas iatrogênicas, que geram malefícios ao paciente, a médio e longo prazo. Quando pensamos no que é o conhecimento da medicina preventiva, vemos que há muito para ser pesquisado e divulgado em nosso território". Entendeu como a medicina preventiva funciona e os seus benefícios? O mais importante é usar todos os recursos disponíveis a favor da saúde e contar com a ajuda da tecnologia na prevenção. Um exemplo está no uso de equipamentos e softwares que processam exames de imagens e fazem integração de dados, incluindo testes genéticos para avaliar a situação de cada paciente individualmente.