No Brasil, a cada 600 a 800 crianças nascidas, uma tem síndrome de Down, fato que independe da etnia, gênero ou classe social. Nesse cenário, o que muita gente não sabe é que, com o devido acompanhamento multidisciplinar, indivíduos com a condição têm potencial para manter uma vida plena, saudável e totalmente integrada à sociedade.
Pensando nisso, desenvolvemos este conteúdo com informações e dados relevantes sobre o assunto. Além de compreender os conceitos, você vai descobrir como é feito o diagnóstico, além das causas, sintomas, tratamentos e cuidados que se deve ter com o paciente com Down. Veja todos os detalhes!
Qual é a história da síndrome de Down?
Após a análise minuciosa da ossada de um bebê, pesquisadores encontraram o caso de síndrome de Down mais antigo já registrado, com quatro mil anos. Também há alguns estudiosos que acreditam que os traços faciais de estátuas esculpidas há quase 3.000 anos pelos olmecas possam representar pessoas com síndrome de Down.
Mesmo assim, a primeira descrição médica da síndrome de que se tem notícias aconteceu só em 1866, na Inglaterra. O médico inglês John Langdon Down percebeu que havia semelhanças físicas entre crianças com atraso mental. Na época, utilizou-se a expressão "mongolismo" para descrever essas características.
Entretanto, muito embora o médico tenha notado essa diferença, foi só em 1959, quase cem anos depois, que Jerôme Lejeune, pediatra e geneticista francês, descobriu haver uma relação entre a síndrome de Down e alterações genéticas. Como homenagem ao Dr. John Langdon Down, o Dr. Lejeune batizou a anomalia com o nome de síndrome de Down.
O que é a síndrome de Down?
A síndrome de Down é uma condição genética causada por uma diferença na distribuição dos cromossomos durante a formação do embrião: cada célula recebe 47, em vez de 46 — uma únidade extra do cromossomo 21. Daí que surgiu o termo "Trissomia do 21". Até hoje, não se sabe por que essa divisão anômala acontece.
A síndrome tem como consequência algumas peculiaridades no aspecto físico e de desenvolvimento intelectual da criança.
O que é o mosaicismo?
A síndrome de Down em mosaico, também chamada de mosaicismo, é uma forma rara da síndrome, que acomete uma faixa de 2% a 3% dos indivíduos portadores. Nesse caso, parte das células apresenta trissomia do 21, enquanto outra parte tem uma quantidade de cromossomos normal.
Na prática, o mosaicismo não gera variações nas características da pessoa com esse tipo de Down, que costuma ter o mesmo nível de desenvolvimento cognitivo, físico e psicomotor que o portador comum.
Assim, não há "graus" variados da síndrome. O que se sabe é que, para além das questões genéticas individuais, questões como nutrição, estimulação, educação e contexto social e familiar podem impactar o desenvolvimento de cada indivíduo.
Existe uma causa para a síndrome de Down?
Inúmeros estudos envolvendo a síndrome foram desenvolvidos ao longo dos últimos anos. Apesar de ter sido identificada a relação entre a alteração genética e o surgimento da condição, não se pode dizer que haja um motivo específico para que isso aconteça.
Inclusive, uma das dúvidas comuns envolvendo o assunto é se os hábitos maternos durante a gestação podem aumentar a possibilidade de que o bebê desenvolva a condição. A ciência, porém, aponta para a inexistência de uma relação direta nesse caso.
Por meio de análise de pacientes com a síndrome, o que se sabe é que a idade reprodutiva materna pode estar relacionada ao surgimento de trissomias cromossômicas. O risco aumenta quando a mulher passa dos 35 anos.
Segundo dados do Estudo Colaborativo Latino-Americano de Malformações (ECLAMC), 40% dos nascidos com síndrome de Down têm mães com idades entre 40 e 44 anos, embora mulheres nessa faixa etária sejam responsáveis por apenas 2% do total de nascimentos (Castilla et al., 1995).
É possível prevenir a ocorrência da síndrome?
Se você quer ter certeza sobre isso, a resposta é “não”. Ainda assim, há algumas questões que devem ser consideradas nesse sentido. A primeira delas, como vimos acima, é a idade da gestante.
Outra possibilidade, mas de alto custo, é realizar um tratamento para a reprodução assistida que inclua o Teste Genético Pré-Implantacional. Dessa forma, a equipe de médicos consegue identificar quais embriões não têm alterações cromossômicas e transferir apenas esses para o útero da mãe. A taxa de sucesso desse procedimento é bastante elevada.
Além disso, uma porcentagem baixa de casos da síndrome de Down se deve a uma condição genética hereditária chamada translocação robertsoniana, em que um cromossomo 21 se liga a outro cromossomo — geralmente o 14 ou o próprio 21. Apesar de, em geral, essa condição não causar sintomas em seu portador, ela amplia o risco de desenvolvimento do quadro em seus descendentes.
Para descobrir se você tem esse problema, é preciso realizar um exame de cariótipo. Em caso positivo, o próximo passo é buscar aconselhamento genético para entender suas opções e as probabilidades.
Quais são as principais características da síndrome de Down?
O indivíduo com síndrome de Down tem características físicas típicas, que vão desde o formato do rosto e dos olhos até aspectos menos visíveis. Veja quais são eles:
Como é o esquema de vacinas para pessoas com síndrome de Down?
Converse com o pediatra sobre as necessidades específicas da criança. Via de regra, elas devem seguir o calendário de vacinação, além da imunização contra hepatite A e gripe.
Também pode ser necessário realizar imunizações adicionais, considerando as particularidades clínicas de cada paciente. Converse com o pediatra a respeito das possibilidades e indicações.
A pessoa com Down tem direitos específicos ou proteção legal extra?
A legislação brasileira traz uma série de direitos específicos para pessoas portadoras de deficiência. No caso da síndrome de Down, a lista de benefícios, direitos e isenções é grande.
Por exemplo, há previsões de recebimento do Benefício de Prestação Continuada, um benefício individual que assegura transferência mensal de um salário mínimo, bem como de aposentadoria por invalidez, isenção do Imposto de Renda, credencial para estacionamento em vaga especial e acesso diferenciado ao transporte aéreo, entre outros.
É importante que os pais e familiares conheçam esses direitos e avaliem quais deles se aplicam à realidade da criança, fazendo valer a lei e desfrutando do que fizer mais sentido em seu contexto.
Como lidar com a sexualidade da pessoa com síndrome de Down?
Esse é um tema bem sensível e que gera muitas dúvidas nos pais e familiares, especialmente de adolescentes com a condição. A curiosidade e o interesse sexual surgem naturalmente nas crianças e adolescentes em uma determinada idade, o que não é diferente com quem tem a síndrome.
Nesse caso, os pais devem orientar de forma constante acerca da importância da privacidade de práticas sexuais, como a masturbação. O pediatra ou um psicólogo podem ajudar nesse momento.
Outra conversa que precisa ser recorrente diz respeito ao abuso sexual. Isso, porque as pessoas com deficiência fazem parte de um grupo especialmente vulnerável a esse tipo de violência. Dessa forma, elas devem ser constantemente orientadas para que conversem sobre o assunto e estejam atentas a eventuais riscos.
Pessoas com Down podem casar e ter filhos?
Sim. Não existem impedimentos relacionados à união de pessoas com Down. Se o indivíduo estiver apto para exercer sua capacidade civil, ele pode se casar, desde que devidamente assistido por uma pessoa de confiança, para lidar com os trâmites legais.
Quanto aos filhos, também não há impedimentos, mas isso deve ser avaliado de forma individualizada. Homens com a síndrome são, na sua maioria, inférteis. Já as mulheres, ainda que tenham um risco maior de enfrentarem uma gravidez de risco e terem bebês com a síndrome, têm, na maioria dos casos, bebês sem a síndrome .
Por isso, cada caso deve ser avaliado pessoalmente, considerando as particularidades do paciente, o suporte familiar e social, sua saúde e o seu nível de interação e integração em sociedade.
Se a pessoa com síndrome de Down tiver filhos, eles podem nascer com a mesma característica?
Apesar de não ser a regra, a chance de isso acontecer é de 35% a 50% mais alta para o surgimento tanto de Down como de outras anomalias cromossômicas. Por isso, o ideal é que o casal receba orientação e acompanhamento de um especialista em genética antes e durante a gestação.
Como ajudar no desenvolvimento de uma criança com Down?
A estimulação é a palavra-chave quando o assunto é desenvolvimento das habilidades e capacidades de uma criança com Down. Para que ela tenha qualidade de vida, é preciso que receba estímulos constantes, especialmente nos primeiros anos de vida. Afinal, isso vai ser determinante para a comunicação, a interação social, o desenvolvimento motor e vários outros aspectos importantes para o seu dia a dia.
Além disso, os familiares devem aprender a escolher a melhor rotina com base nas particularidades do indivíduo em desenvolvimento. Afinal, assim como com qualquer outra criança, ele precisará de ter seu ritmo, as limitações e a própria personalidade respeitados.
Com o suporte multidisciplinar do pediatra, fisioterapeuta, psicólogos, terapeutas de fala, enfermeiros e demais profissionais de saúde indicados para acompanhar a criança, os resultados positivos serão visíveis dia após dia.
Nunca é excessivo destacar que o acesso a atividades de diversão, a interação com outras crianças, a prática de esportes — natação, por exemplo —, uma boa alimentação e muito amor são elementos-chave na criação de uma criança com síndrome de Down.
Inclusive, os pais que estão esperando um bebê com a condição podem começar a se preparar já durante a gestação, realizando acompanhamento psicológico, pesquisando sobre o assunto, aprendendo as características e os desafios que enfrentarão e programando suas rotinas para a chegada do bebê.
A dica é que usem sua sensibilidade para perceber as necessidades da criança, invistam no cuidado e atenção e se dediquem ao máximo ao desenvolvimento dela nos primeiros anos de vida.
Além disso, uma boa opção é associar-se a organizações que fazem trabalhos educativos sobre a Síndrome de Down. Esse cuidado pode trazer informações de qualidade e permitir que se forme um grupo de apoio sobre a condição, trazendo mais conforto aos pais e responsáveis.
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- rosto arredondado;
- orelhas pequenas e olhos oblíquos para cima, semelhantes aos de pessoas de origem oriental;
- em alguns casos, a língua é grande, com tamanho que excede a média comum;
- em outros, ainda que de tamanho regular, a língua é protrusa, para fora da boca, devido a uma diminuição do tônus muscular;
- a diminuição do tônus muscular (hipotonia), também, faz com que a pessoa tenha dificuldades motoras, de deglutição, mastigação e articulação da fala;
- excesso de pele na parte de trás do pescoço;
- estatura mais baixa;
- tendência à obesidade;
- maior frequência de doenças crônicas e endócrinas, como hipotireoidismo e diabetes;
- mãos menores e dedos mais curtos
- instabilidade na articulação do pescoço;
- deficiência de visão;
- deficiência auditiva;
- comprometimento intelectual.