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A importância da vigilância genômica para a saúde pública

Importância da vigilância genômica

A vigilância genômica tem se consolidado como uma das principais estratégias de proteção da saúde pública no cenário atual, marcado pela circulação constante de vírus e bactérias capazes de causar surtos, epidemias e pandemias. Ao longo das últimas décadas, o mundo passou a lidar com doenças emergentes e reemergentes, que exigem respostas cada vez mais rápidas e precisas dos sistemas de saúde.

Nesse contexto, a vigilância genômica atua de forma preventiva, permitindo identificar mudanças genéticas nos microrganismos antes que elas resultem em um aumento expressivo de casos graves ou hospitalizações. Essa abordagem científica fornece informações para orientar decisões em saúde pública, como campanhas de vacinação, estratégias de contenção e aprimoramento de exames diagnósticos, protegendo a população de forma mais eficaz.

O que é vigilância genômica?

A vigilância genômica é o monitoramento contínuo do material genético de vírus e bactérias que circulam na população. O acompanhamento é realizado por meio do sequenciamento genético, tecnologia que permite “ler” o código genético dos microrganismos e detectar pequenas alterações conhecidas como mutações.

Essas mutações podem dar origem a variantes que apresentam comportamentos diferentes das versões anteriores do vírus ou da bactéria. Algumas variantes podem se espalhar com mais facilidade, causar quadros mais graves ou até reduzir a eficácia de vacinas e tratamentos. Ao identificar essas mudanças precocemente, a vigilância genômica ajuda a compreender como os microrganismos evoluem e se disseminam, oferecendo informações valiosas para a proteção coletiva.

Como a vigilância genômica funciona?

Para que a vigilância genômica cumpra seu papel na proteção da saúde pública, é necessário um conjunto de etapas bem estruturadas, que conectam exames laboratoriais, tecnologia e análise de dados. Esse processo permite transformar amostras clínicas em informações estratégicas, capazes de indicar como vírus e bactérias estão se comportando, se espalhando e evoluindo ao longo do tempo.

Etapas do processo genômico

A vigilância genômica envolve várias etapas integradas. Inicialmente, são coletadas amostras clínicas de pacientes, geralmente a partir de exames já realizados para diagnóstico. Em seguida, o material genético presente nessas amostras é extraído e submetido ao sequenciamento, processo que consegue determinar a sequência completa do genoma do microrganismo.

Após o sequenciamento, os dados passam por análises bioinformáticas que comparam os genomas obtidos com outros já conhecidos. Esse cruzamento de informações possibilita identificar novas variantes, acompanhar sua disseminação e avaliar possíveis impactos na saúde pública. Os dados gerados são armazenados em bancos públicos internacionais, como o GISAID, o que favorece a colaboração científica global.

Quem realiza a vigilância genômica?

A vigilância genômica é realizada por uma rede de instituições públicas e privadas. No Brasil, laboratórios de referência, universidades, institutos de pesquisa e laboratórios particulares atuam de forma complementar no processo. A colaboração entre os setores amplia a capacidade de monitoramento e acelera a identificação de variantes relevantes.

Iniciativas como as conduzidas pelo Sabin Diagnóstico e Saúde e pelo Instituto Todos Pela Saúde mostram como a integração de dados laboratoriais privados fortalece a vigilância nacional, contribuindo para decisões mais rápidas e embasadas em evidências científicas.

Por que a vigilância genômica é essencial para a saúde pública?

A vigilância genômica é essencial porque permite detectar variantes perigosas antes que elas se espalhem amplamente. Durante a pandemia de covid-19, por exemplo, essa estratégia possibilitou a identificação rápida de variantes, como alpha, delta e ômicron, orientando medidas de contenção e ajustes nas políticas de saúde.

Além disso, o sequenciamento genômico ajuda a prever surtos, ao indicar quando determinado microrganismo começa a circular com maior intensidade ou apresenta alterações preocupantes. Essa antecipação permite ações mais eficazes, como reforço na testagem, campanhas de vacinação e orientação à população.

Outro aspecto importante é a manutenção da eficácia das vacinas. Como os vírus sofrem mutações ao longo do tempo, a vigilância genômica fornece dados essenciais para atualizar vacinas, especialmente no caso da influenza. Ela também contribui para o desenvolvimento e a validação de exames diagnósticos, evitando falhas causadas por mutações que poderiam comprometer os testes.

Em quais situações a vigilância genômica faz diferença?

A vigilância genômica se torna determinante em cenários nos quais doenças infecciosas representam maior risco para a população e exigem respostas rápidas dos sistemas de saúde. Ao monitorar a evolução genética de vírus e bactérias, essa estratégia permite identificar mudanças significativas no comportamento dos microrganismos e antecipar ações de prevenção e controle em diferentes contextos.

Pandemias e epidemias

Em situações de pandemias e epidemias, a vigilância genômica é uma ferramenta indispensável. Durante a pandemia de covid-19, ela permitiu acompanhar a evolução do vírus em tempo real, auxiliando governos e instituições de saúde na tomada de decisões estratégicas.

Essa abordagem também é fundamental para o monitoramento de outras doenças infecciosas, como dengue, chikungunya, zika, monkeypox e influenza. No caso da gripe, por exemplo, os dados genômicos orientam a escolha das linhagens que compõem as vacinas anuais, aumentando sua eficácia. No final de 2025, a vigilância genômica foi decisiva para identificar novas variantes de influenza — a chamada gripe K —, reforçando a importância do monitoramento contínuo.

Hospitais e ambientes de alta densidade

A vigilância genômica também faz diferença em ambientes hospitalares e locais de alta densidade populacional, como instituições de longa permanência, presídios e escolas. Nessas localidades, ela auxilia na identificação de surtos e na prevenção de infecções hospitalares, sobretudo aquelas causadas por bactérias resistentes a antibióticos.

Ao rastrear a origem e a disseminação desses microrganismos, é possível adotar medidas mais eficazes de controle, protegendo pacientes, profissionais de saúde e a comunidade.

Quais os grupos mais beneficiados pela vigilância genômica?

Grupos mais vulneráveis se beneficiam diretamente da vigilância genômica. Idosos, crianças, gestantes, pessoas com doenças crônicas ou com o sistema imunológico comprometido apresentam maior risco de desenvolver formas graves de infecções.

Populações com acesso limitado a serviços de saúde, como comunidades rurais e indígenas, também se beneficiam dessa estratégia. A vigilância genômica permite identificar surtos precocemente nessas regiões, possibilitando intervenções rápidas e direcionadas, o que contribui para reduzir desigualdades em saúde.

Qual a importância da atuação dos laboratórios privados?

Os laboratórios privados desempenham um papel crucial na vigilância genômica, pois concentram grande volume de exames diagnósticos. Sua capilaridade oportuniza a ampliação da representatividade das amostras analisadas e a aceleração da detecção de novas variantes.

Projetos desenvolvidos em parceria com instituições públicas, como o realizado pelo Sabin com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), demonstram esse impacto. No projeto, foram sequenciados mais de 450 genomas de SARS-CoV-2 e mais de 80 genomas de influenza, com compartilhamento dos dados com a comunidade científica e autoridades de saúde, contribuindo para decisões nacionais e internacionais.

Como o Brasil pode avançar nessa área?

Para avançar na vigilância genômica, o Brasil precisa investir continuamente em infraestrutura, equipamentos e formação de profissionais qualificados. A padronização de processos, a disponibilização de dados e o incentivo à pesquisa aplicada são imprescindíveis para aumentar o alcance dessa estratégia.

Iniciativas colaborativas entre setores público e privado, como as promovidas pelo Instituto Todos Pela Saúde e pelo Sabin, mostram que parcerias intersetoriais são caminhos efetivos para fortalecer a vigilância genômica no país.

O que cada pessoa pode fazer para apoiar essa estratégia?

Cada cidadão também pode contribuir para o fortalecimento da vigilância genômica. Manter a vacinação em dia é uma das formas mais importantes de reduzir a circulação de vírus e proteger a população. Buscar testagem ao apresentar sintomas e confiar em instituições científicas e de saúde também são atitudes elementares.

Adicionalmente, valorizar informações confiáveis e a ciência como aliada ajuda a potencializar as políticas públicas baseadas em evidências e a proteger a saúde coletiva.

Por que falar de vigilância genômica agora?

Os aprendizados deixados pela pandemia de covid-19 evidenciaram a urgência de preparar o país para futuras emergências sanitárias. A vigilância genômica se destaca como uma ferramenta estratégica que conecta ciência, tecnologia e saúde pública, permitindo respostas mais rápidas e eficientes.

Investir nessa abordagem é investir na proteção da população, na prevenção de crises sanitárias e no fortalecimento do sistema de saúde. Para saber mais sobre a importância da vacinação nesse contexto, acesse nosso conteúdo sobre a vacina anual da gripe.

Sabin avisa:

Este conteúdo é meramente informativo e não pretende substituir consultas médicas, avaliações por profissionais de saúde ou fornecer qualquer tipo de diagnóstico ou recomendação de exames.

Importante ressaltar que diagnósticos e tratamentos devem ser sempre indicados por uma avaliação médica individual. Em caso de dúvidas, converse com seu médico. Somente o profissional pode esclarecer todas as suas perguntas. 

Lembre-se: qualquer decisão relacionada à sua saúde sem orientação profissional pode ser prejudicial.

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