A dengue é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti e representa um grande desafio à saúde pública no Brasil, devido à sua alta incidência e à carga que impõe aos sistemas de saúde. Recentes dados epidemiológicos confirmam que a dengue é endêmica em diversas regiões brasileiras, com surtos recorrentes e elevada pressão sobre a rede assistencial.
Em 2024, o Brasil viveu um cenário sem precedentes, com mais de seis mil mortes registradas, o pior surto de dengue já documentado no país. Ao longo de 25 anos, a dengue afetou quase 18 milhões de pessoas e causou aproximadamente 17 mil mortes.
Segundo o Ministério da Saúde (MS), de janeiro a 11 de abril de 2026, foram registrados 227,5 mil casos prováveis de dengue no país, indicando a permanência da circulação do vírus e a necessidade de vigilância contínua, embora a redução do número de casos em relação aos anos anteriores possa representar algum progresso no controle da doença.
O enfrentamento da dengue segue como um desafio no contexto da saúde pública, pois, quando aumenta o número de casos, cresce também a sobrecarga em hospitais. A necessidade de leitos hospitalares, cuidados intensivos e recursos médicos especializados se intensifica durante os surtos, comprometendo a capacidade de resposta dos serviços de saúde.
Nos últimos anos, os avanços no combate à doença têm se consolidado, como a vacina Qdenga®, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). De acordo com estudos clínicos, o imunizante demonstra eficácia protetora contra diferentes sorotipos do vírus causador da dengue.
A seguir, estão disponíveis informações sobre eficácia, segurança, diferenciais, contraindicações e possíveis efeitos adversos do imunizante.
Estrutura da Qdenga®
A Qdenga® (TAK-003), vacina aprovada pela Anvisa em 2023 para a prevenção da dengue, oferece proteção para os quatro sorotipos do vírus: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4.
O imunizante é uma vacina de vírus vivo atenuado, desenvolvida a partir de uma cepa do sorotipo DENV-2, que serve como arcabouço para a introdução de proteínas de superfície específicas dos demais sorotipos. Trata-se, portanto, de uma vacina quimérica tetravalente, capaz de induzir resposta imunológica contra os quatro sorotipos do vírus da dengue.
A Qdenga® é indicada para pessoas entre quatro e 60 anos. A administração ocorre por via subcutânea, em esquema vacinal de duas doses (0,5 ml/dose), com a segunda dose aplicada após três meses da primeira.
Eficácia e segurança da Qdenga®
Os dados que fundamentaram a aprovação da Qdenga® incluem 19 estudos clínicos de fases 1, 2 e 3, envolvendo mais de 28 mil participantes, entre crianças e adultos. Nesse contexto, estão incluídos estudos de seguimento prolongado, com dados de eficácia e segurança acompanhados por um período de quatro a cinco anos.
O estudo pivotal TIDES incluiu cerca de 20 mil crianças e adolescentes de quatro a 16 anos, randomizados 2:1 para receber duas doses da vacina ou placebo com intervalo de três meses
A eficácia global contra a dengue virologicamente confirmada foi de 80,2% na análise primária, aproximadamente 12 meses após a segunda dose. A proteção variou conforme o sorotipo, o status sorológico basal e o tempo de seguimento, sendo mais elevada para DENV-2, com eficácia estimada em torno de 95% nas análises iniciais. Entre participantes soropositivos no início do estudo, a eficácia contra a dengue virologicamente confirmada foi de 76,1% até 18 meses após a segunda dose.
Em relação aos desfechos de maior gravidade, a vacina demonstrou eficácia de 90,4% contra hospitalização por dengue até 18 meses após a vacinação.
Um estudo publicado em janeiro de 2026, conduzido durante o surto de 2024 no estado de São Paulo, avaliou a efetividade da Qdenga® em adolescentes de 10 a 14 anos. Os resultados mostraram efetividade de 50,2% após a primeira dose e 61,7% após a segunda dose contra dengue sintomática, com 67,5% de proteção contra hospitalização após a primeira dose. A proteção iniciou 14 dias após a primeira dose, mas declinou após 90 dias, reforçando a importância de completar o esquema vacinal.
Segurança a longo prazo
Após seguimento de quatro a cinco anos, a vacina tetravalente TAK-003 demonstrou uma eficácia cumulativa de 61,2% contra a dengue confirmada virologicamente. Desempenho ainda mais expressivo foi observado na prevenção de formas graves com uma eficácia cumulativa de 84,1% contra a dengue confirmada virologicamente que resultou em hospitalização.
No subgrupo de indivíduos soronegativos no início do estudo, a proteção se manteve elevada contra a dengue virologicamente confirmada que resultou em internação, alcançando 79,3% de eficácia.
No que concerne ao perfil de segurança, a análise de longo prazo demonstrou resultados globalmente comparáveis entre os grupos vacinados e placebo. Durante a terceira parte do ensaio clínico, eventos adversos graves foram registrados em 5,0% dos participantes que receberam a Qdenga® e em 5,9% daqueles que receberam placebo, sem identificação de novos sinais relevantes de segurança relacionados à vacinação
A análise por sorotipo revelou proteção eficaz contra DENV-1 e DENV-2 em todos os grupos, enquanto a eficácia contra DENV-3 e DENV-4 apresentou variações condicionadas ao status sorológico basal e à incidência epidemiológica. Esses achados ratificam a viabilidade do uso programático da TAK-003, oferecendo um balanço favorável entre imunogenicidade e segurança para o controle da dengue em populações pediátricas.
Quais os principais diferenciais da Qdenga®?
A Qdenga® apresenta características que a diferenciam no contexto da prevenção da dengue. O imunizante possui indicação para uma ampla faixa etária, abrangendo indivíduos de quatro a 60 anos, o que possibilita sua utilização em diferentes grupos populacionais.
Além disso, a vacina pode ser administrada independentemente do status sorológico prévio para dengue, não sendo necessária a realização de sorologia antes da vacinação. Esse aspecto facilita a operacionalização da estratégia vacinal e amplia o acesso à imunização. Estudos clínicos demonstraram proteção consistente contra hospitalizações associadas à dengue, tanto em indivíduos soropositivos quanto soronegativos previamente expostos ao vírus.
Reações adversas e contraindicações
A Qdenga® apresenta perfil de segurança considerado compatível com o observado para vacinas de vírus vivo atenuado. As reações adversas mais frequentemente relatadas nos estudos clínicos foram predominantemente leves a moderadas, autolimitadas e de curta duração, ocorrendo principalmente nos primeiros dias após a aplicação.
As reações adversas mais comumente relatadas foram: dor e vermelhidão no local da injeção, cefaleia, mialgia, mal-estar, astenia e febre.
Assim como a maioria dos imunizantes compostos por vírus atenuado, a Qdenga® é contraindicada para pessoas imunodeprimidas ou com alergia grave a qualquer um dos componentes da vacina. A vacinação é contraindicada também para gestantes ou mulheres em fase de amamentação.
Qual a importância da vacinação?
A dengue tem se mostrado um problema grave de saúde pública no Brasil e no mundo, e a disponibilização de imunizantes é, sem dúvidas, um reforço de peso na luta contra a doença.
Disponibilizada inicialmente em laboratórios particulares, como o Sabin, a Qdenga® foi incorporada no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2024. A vacina começou a ser distribuída gratuitamente para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, representando uma importante estratégia de saúde pública para a redução dos casos graves e hospitalizações na faixa etária contemplada.
Vale ressaltar que é necessário que as campanhas para a prevenção da proliferação do mosquito transmissor continuem intensas. Ferramentas para controle do vetor são essenciais para a prevenção da doença.
Agora que você já conhece a Qdenga®, compartilhe as informações com outros colegas e continue acompanhando nosso blog para se manter atualizado.
Referências:
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