Sabin Por: Sabin
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Doenças respiratórias são mais comuns do que você imagina e fazem parte da vida de muitas famílias brasileiras.

Todos os dias, suas vias aéreas são expostas a diversas partículas e microrganismos imperceptíveis aos olhos e que são capazes de desencadear doenças respiratórias. Esses tipos de agentes contaminantes podem afetar qualquer pessoa.

No entanto, existem algumas pessoas que possuem maior predisposição a desenvolver desordens respiratórias. Fatores genéticos, histórico clínico de outras doenças, tabagismo e até mesmo a idade da pessoa podem ser fatores influenciadores no desenvolvimento dessas doenças.

O que são doenças respiratórias?

Por definição, doenças respiratórias são doenças que podem afetar estruturas das vias aéreas, como nariz, laringe, faringe, traqueia e pulmão. Normalmente, elas provocam irritação ou inflamação nessas estruturas, podendo também levar à obstrução das vias aéreas e dificultar a respiração.

Algumas doenças respiratórias começam pelo nariz, por exemplo, e espalham-se para outras regiões, enquanto outras começam a partir dos pulmões, podendo ou não ficar restritas a esse órgão.

Quais são os tipos de doenças respiratórias

As doenças respiratórias podem ser classificadas em dois grandes grupos: agudas e crônicas. O que as diferencia é justamente o período de duração de cada uma e quanto tempo é necessário para realizar o tratamento.

Em geral, as doenças respiratórias agudas possuem características de início rápido, duração de, no máximo, três meses, tratamento curto e algumas podem ser contagiosas. Por outro lado, as doenças crônicas têm início e evolução gradativa, duram mais de três meses e o tratamento pode envolver a utilização de medicamentos por longos períodos. Uma doença aguda pode evoluir para uma complicação crônica, a depender do estado clínico do paciente, mas isso não é uma regra.

Existem doenças respiratórias crônicas hereditárias, causadas por mutações em genes específicos herdados pelo histórico familiar. Nesse caso, as mutações podem aumentar as chances de desenvolvimento de determinada doença ou, ainda, serem as causas principais da patologia. É o caso da fibrose cística, doença genética rara, hereditária e congênita (doença que se manifesta antes ou durante o nascimento).

Além das condições genéticas preestabelecidas, as doenças respiratórias podem ser desencadeadas por diversos patógenos e microrganismos. É importante saber que existem diferenciações quanto ao agente causador e que isso influencia diretamente no tratamento da doença.

Infecções respiratórias podem ser causadas por vírus, como na gripe e na Covid-19. Bactérias também representam potencial nocivo para as vias respiratórias, como no caso da tuberculose, doença causada pela infecção através da bactéria Mycobacterium tuberculosis (bacilo de Koch). Outras doenças, como faringite e sinusite, também podem ser causadas por bactérias, mas também podem possuir origem viral ou fúngica.

Por fim, fungos e outros microrganismos, como ácaros, também são agentes causadores de doenças respiratórias, especialmente as de origem alérgica, como as rinites.

Principais doenças respiratórias no Brasil

O Brasil é um país de clima tropical e com grande extensão territorial, o que pode levar a diferenças no clima em diversas regiões do país. Baixa umidade relativa do ar e variações de temperatura podem levar ao agravamento e maior incidência de doenças respiratórias. 

Principais doenças respiratórias agudas

Em algum momento da sua vida, você já deve ter passado por uma gripe, um resfriado ou, então, por uma crise alérgica (rinite) depois de ter usado um casaco de inverno que estava guardado há muito tempo no armário. Mas você sabia que eles são considerados doenças respiratórias agudas? Conheça, a seguir, um pouco mais sobre essas e outras doenças respiratórias agudas de grande prevalência em nosso país.

Gripe 

Causada pelo vírus do tipo Influenza, a gripe apresenta sintomas mais intensos que um resfriado comum e que podem surgir repentinamente, tais como febre, dor de cabeça, calafrios, tosse seca, dor de garganta, dores no corpo ou nos músculos e cansaço. Também pode causar nariz entupido, corrimento nasal, espirros e olhos lacrimejantes. A duração dos sintomas varia de três a seis dias, podendo evoluir para complicações como otites, sinusites e, menos frequentemente, broncopneumonias.

Resfriado

Ao contrário do senso comum, resfriado é diferente de gripe. O resfriado é desencadeado pelo vírus do tipo Rhinovírus e pelo vírus sincicial respiratório (VSR). Geralmente, os sintomas mais comuns são nariz congestionado, corrimento nasal e espirros, e são mais leves quando comparados aos sintomas da gripe. Além disso, a sintomatologia apresenta uma duração de poucos dias e com uma boa evolução clínica.

Faringite

A faringite pode ocorrer devido a uma infecção viral ou bacteriana. É a famosa dor de garganta, que pode causar também febre, sensação de garganta arranhada e dor ao engolir.

Bronquite aguda

A bronquite aguda se caracteriza pela inflamação dos brônquios, estruturas presentes nos pulmões. Normalmente, é causada por vírus, que podem ser os mesmos responsáveis pela gripe e resfriado. Os sintomas são parecidos com os da gripe, como tosse, coriza e febre, mas também podem manifestar-se com chiado no peito e falta de ar. 

Pneumonia

A pneumonia é uma doença que afeta o funcionamento do pulmão, especialmente de estruturas chamadas alvéolos pulmonares, responsáveis pelas trocas gasosas. Pode ser provocada por fungos, vírus e bactérias, que geram uma infecção pulmonar. Os sintomas podem variar, mas os mais comuns são falta de ar, febre alta, calafrios, tosse com catarro e dor para respirar. Doenças como a gripe, quando não tratadas corretamente, podem evoluir para quadros de pneumonia. Além disso, outras condições envolvendo comprometimento do sistema imune, tabagismo e mudanças bruscas na temperatura podem contribuir para o seu desenvolvimento. Geralmente, é uma doença que possui maior incidência em bebês, crianças e idosos.

Rinite

A rinite é uma doença de origem quase sempre alérgica, em que há uma inflamação da mucosa nasal que provoca coriza, entupimento do nariz, espirros constantes e coceira no nariz e nos olhos. A grande maioria dos casos é provocada por reação alérgica por ácaros e fungos presentes no ambiente, mas outros alérgenos, como pelos de animais, também podem provocar a reação. Em geral, tem duração de poucos dias.

Principais doenças respiratórias crônicas

Além das doenças respiratórias agudas, existem doenças crônicas que também apresentam grande prevalência no Brasil, como a asma e a rinite crônicas. Separamos para você algumas doenças, suas principais causas e sintomas mais frequentes.

Asma

A asma é, com certeza, uma das principais patologias respiratórias crônicas. É uma doença que possui origem inflamatória nas vias aéreas, em especial, nos brônquios, causando inchaço e estreitamento dessas estruturas, e produção exacerbada de muco, o que dificulta a respiração. Suas causas envolvem fatores genéticos de origem familiar e ambientais (fumo, alergia, entre outros) e o seu tratamento é realizado com medicamentos broncodilatadores e fármacos para diminuir a inflamação.

Rinite crônica

A rinite crônica é uma forma grave da doença, desencadeando sintomatologia semelhante à aguda, mas que persiste por mais de três meses. O tratamento consiste no controle dos sintomas por meio da utilização de medicamentos antialérgicos.

Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC)

A DPOC, na verdade, é um grupo de doenças que possuem características que dificultam o fluxo de ar nos pulmões. É o caso da bronquite crônica, que leva ao estreitamento das vias aéreas, e do enfisema pulmonar, que gera uma diminuição da elasticidade do tecido pulmonar. Uma das principais causas está relacionada à exposição a substâncias nocivas ao organismo, como a fumaça do cigarro. Os sintomas incluem falta de ar e tosse persistente com catarro.

Tuberculose

Como já mencionado, a tuberculose é causada pela infecção através da bactéria Mycobacterium tuberculosis, que afeta, principalmente, o pulmão. Dentre os principais sintomas, destacam-se a tosse (em alguns casos com sangue), febre, falta de ar, dor para respirar e perda de peso. É uma doença contagiosa, mas que pode ser curada por meio de tratamento medicamentoso que dura em torno de seis meses. É importante destacar que os sintomas tendem a diminuir logo após a primeira semana de terapia, mas deve-se dar continuidade ao tratamento para alcançar a cura.

Além dessas doenças, existem outras de caráter crônico e hereditário, mas que são mais raras. É o caso da já citada fibrose cística, doença que afeta as células que produzem muco no interior das vias aéreas. Nessa doença, o muco é mais viscoso e pegajoso, aderindo no interior das vias e dificultando a respiração. Além disso, esse muco pode levar ao acúmulo de bactérias e outros microrganismos, gerando infecções e desenvolvimento de outras doenças, como a bronquite e a pneumonia. O tratamento é realizado para aliviar os sintomas e reduzir as complicações. 

Como elas podem ser detectadas e diagnosticadas?

Antes de tudo, é essencial deixar claro que o apoio médico é fundamental. Na presença de sintomas respiratórios persistentes, o ideal é procurar ajuda médica para avaliação clínica e, se necessário, realizar exames complementares.

Inicialmente, é feita uma avaliação clínica, onde o médico pesquisa os históricos familiares do paciente, os hábitos de vida, antecedentes médicos, históricos vacinais e epidemiológicos (viagens, contato, etc.), além da sintomatologia e da realização do exame físico.

Quais os principais exames?

Existe uma gama de exames específicos que podem ser realizados, a depender da suspeita diagnóstica do médico, como raio X do tórax, exame microbiológico de secreções, testes de alergia, teste de função pulmonar e tomografia de tórax. Outros exames inespecíficos também podem ser solicitados, como o hemograma e os níveis de proteína C reativa.

Existem também exames moleculares específicos, como a reação em cadeia da polimerase (PCR), para diagnóstico de infecções respiratórias (Covid-19, gripe, tuberculose, por exemplo), nos quais o objetivo é identificar, nas amostras, por meio da pesquisa do material genético, a presença do agente causador da doença. Saiba mais sobre os testes diagnósticos para Covid-19.

Com relação a doenças genéticas raras, como a fibrose cística, é possível realizar a triagem neonatal (teste do pezinho) para sua detecção nos primeiros dias de vida. Esse tipo de exame é fundamental para a detecção precoce, evitando seu agravamento e complicações que possam surgir. Mas lembre-se: a realização de exames deve sempre seguir orientação médica e de profissionais da saúde.

A Covid-19 também é uma doença respiratória?

A Covid-19 talvez seja a doença respiratória mais comentada atualmente. Apesar de ter origem recente, essa doença impactou profundamente nossa sociedade com o surgimento da pandemia de Covid-19.

A doença é causada pelo vírus do tipo coronavírus, especificamente o vírus SARS-CoV-2. Os sinais da Covid-19 são bastante similares aos encontrados na gripe, principalmente em relação à febre alta, dor de cabeça, mal-estar e tosse seca.

Apesar da Covid-19 não possuir um padrão bem definido de sinais e sintomas, a maioria dos casos tem evolução mais gradual, se agravando em torno do oitavo dia após o início dos sintomas, ao contrário da gripe. Outra característica marcante dessa doença é a perda de olfato e paladar em alguns casos, o que pode facilitar sua diferenciação de outras infecções respiratórias.

Em alguns casos, a Covid-19 pode evoluir para um alto quadro inflamatório pulmonar, gerando o surgimento da síndrome respiratória aguda grave (SARS). Nesses casos, é necessária a internação do paciente e monitoramento das suas funções pulmonares e do organismo como um todo. É um quadro semelhante a uma pneumonia grave, em que há comprometimento dos pulmões e dificuldade para respirar. Por isso, se surgirem sintomas como falta de ar e dor ou pressão no peito, a recomendação é procurar com urgência assistência médica. 

O que acontece se as doenças respiratórias não receberem a devida atenção?

Apesar de serem bastante comuns, é muito importante conhecer estas doenças e identificar seus sinais e sintomas. Lembre-se que uma doença aguda e de fácil tratamento pode gerar complicações mais graves, caso não tratada. Além disso, elas podem evoluir com o passar do tempo para doenças crônicas.

Algumas ações podem ajudar a prevenir o surgimento dessas doenças. Cultivar hábitos de vida saudáveis, como ter uma boa alimentação e praticar exercícios físicos, ajudam a contribuir para o fortalecimento do sistema imunológico. Assim, o seu corpo estará mais preparado para combater eventuais microrganismos invasores.

Evite ambientes muito secos e não fume. O cigarro é um dos principais causadores de doenças respiratórias, inclusive no fumo passivo (ficar próximo de pessoas fumantes). Dê preferência para ambientes abertos, ventilados e, caso seja necessário, utilize aparelhos umidificadores do ar.

Tenha atenção especial com crianças e idosos. Esses grupos etários são considerados mais suscetíveis a doenças respiratórias graves, como a pneumonia.

Para prevenir a pneumonia em crianças e idosos, esteja atento(a) ao programa de imunização, que inclui vacinas contra a gripe e contra o pneumococo. Para saber mais sobre o assunto, aproveite sua visita em nosso blog para conferir o conteúdo sobre como identificar pneumonia em crianças e o que fazer nesses casos. 

A vacinação é uma ferramenta muito importante não somente para garantir a proteção contra doenças circulantes, mas também para prevenir que doenças antigas retornem à circulação na população. Por isso, mantenha seu esquema vacinal sempre em dia, de acordo com o calendário de vacinação.

Outros fatores que contribuem para que as pessoas não se vacinem são o desconhecimento e as dúvidas a respeito do assunto. Pensando nisso, nossa dica é a leitura do conteúdo sobre 15 mitos e verdades sobre vacinas e vacinação. Dessa forma, você não permite que a falta de informação prejudique sua saúde e a saúde de toda sua família!

Referências: 

Endres TM, Konstan MW. (2022). What Is Cystic Fibrosis? JAMA. ;327(2):191.

Hu, B., Guo, H., Zhou, P., & Shi, Z. L. (2021). Characteristics of SARS-CoV-2 and COVID-19. Nature Reviews Microbiology, 19(3), 141-154.

Hyrkäs-Palmu, H., Ikäheimo, T. M., Laatikainen, T., Jousilahti, P., Jaakkola, M. S., & Jaakkola, J. J. (2018). Cold weather increases respiratory symptoms and functional disability especially among patients with asthma and allergic rhinitis. Scientific reports, 8(1), 1-8.

Labaki, W. W., & Han, M. K. (2020). Chronic respiratory diseases: a global view. The Lancet Respiratory Medicine, 8(6), 531-533.

Lee W. J. (2019). Common Cold and Flu. Vitamin C in Human Health and Disease: Effects, Mechanisms of Action, and New Guidance on Intake, 89–100.

Pai, M., Behr, M., Dowdy, D. et al. Tuberculosis. Nat Rev Dis Primers 216076 (2016).

Shukla, S. D., Swaroop Vanka, K., Chavelier, A., Shastri, M. D., Tambuwala, M. M., Bakshi, H. A., Pabreja, K., Mahmood, M. Q., & O’Toole, R. F. (2020). Chronic respiratory diseases: An introduction and need for novel drug delivery approaches. Targeting Chronic Inflammatory Lung Diseases Using Advanced Drug Delivery Systems, 1–31.

de Souza, W. M., Buss, L. F., Candido, D. D. S., Carrera, J. P., Li, S., Zarebski, A. E., & Faria, N. R. (2020). Epidemiological and clinical characteristics of the COVID-19 epidemic in Brazil. Nature human behaviour, 4(8), 856-865.

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Normalmente, elas provocam irritação ou inflamação nessas estruturas, podendo também levar à obstrução das vias aéreas e dificultar a respiração. Algumas doenças respiratórias começam pelo nariz, por exemplo, e espalham-se para outras regiões, enquanto outras começam a partir dos pulmões, podendo ou não ficar restritas a esse órgão. Quais são os tipos de doenças respiratórias As doenças respiratórias podem ser classificadas em dois grandes grupos: agudas e crônicas. O que as diferencia é justamente o período de duração de cada uma e quanto tempo é necessário para realizar o tratamento. Em geral, as doenças respiratórias agudas possuem características de início rápido, duração de, no máximo, três meses, tratamento curto e algumas podem ser contagiosas. Por outro lado, as doenças crônicas têm início e evolução gradativa, duram mais de três meses e o tratamento pode envolver a utilização de medicamentos por longos períodos. Uma doença aguda pode evoluir para uma complicação crônica, a depender do estado clínico do paciente, mas isso não é uma regra. Existem doenças respiratórias crônicas hereditárias, causadas por mutações em genes específicos herdados pelo histórico familiar. Nesse caso, as mutações podem aumentar as chances de desenvolvimento de determinada doença ou, ainda, serem as causas principais da patologia. É o caso da fibrose cística, doença genética rara, hereditária e congênita (doença que se manifesta antes ou durante o nascimento). Além das condições genéticas preestabelecidas, as doenças respiratórias podem ser desencadeadas por diversos patógenos e microrganismos. É importante saber que existem diferenciações quanto ao agente causador e que isso influencia diretamente no tratamento da doença. Infecções respiratórias podem ser causadas por vírus, como na gripe e na Covid-19. 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Baixa umidade relativa do ar e variações de temperatura podem levar ao agravamento e maior incidência de doenças respiratórias.  Principais doenças respiratórias agudas Em algum momento da sua vida, você já deve ter passado por uma gripe, um resfriado ou, então, por uma crise alérgica (rinite) depois de ter usado um casaco de inverno que estava guardado há muito tempo no armário. Mas você sabia que eles são considerados doenças respiratórias agudas? Conheça, a seguir, um pouco mais sobre essas e outras doenças respiratórias agudas de grande prevalência em nosso país. Gripe  Causada pelo vírus do tipo Influenza, a gripe apresenta sintomas mais intensos que um resfriado comum e que podem surgir repentinamente, tais como febre, dor de cabeça, calafrios, tosse seca, dor de garganta, dores no corpo ou nos músculos e cansaço. Também pode causar nariz entupido, corrimento nasal, espirros e olhos lacrimejantes. A duração dos sintomas varia de três a seis dias, podendo evoluir para complicações como otites, sinusites e, menos frequentemente, broncopneumonias. Resfriado Ao contrário do senso comum, resfriado é diferente de gripe. O resfriado é desencadeado pelo vírus do tipo Rhinovírus e pelo vírus sincicial respiratório (VSR). Geralmente, os sintomas mais comuns são nariz congestionado, corrimento nasal e espirros, e são mais leves quando comparados aos sintomas da gripe. Além disso, a sintomatologia apresenta uma duração de poucos dias e com uma boa evolução clínica. Faringite A faringite pode ocorrer devido a uma infecção viral ou bacteriana. É a famosa dor de garganta, que pode causar também febre, sensação de garganta arranhada e dor ao engolir. Bronquite aguda A bronquite aguda se caracteriza pela inflamação dos brônquios, estruturas presentes nos pulmões. Normalmente, é causada por vírus, que podem ser os mesmos responsáveis pela gripe e resfriado. Os sintomas são parecidos com os da gripe, como tosse, coriza e febre, mas também podem manifestar-se com chiado no peito e falta de ar.  Pneumonia A pneumonia é uma doença que afeta o funcionamento do pulmão, especialmente de estruturas chamadas alvéolos pulmonares, responsáveis pelas trocas gasosas. Pode ser provocada por fungos, vírus e bactérias, que geram uma infecção pulmonar. Os sintomas podem variar, mas os mais comuns são falta de ar, febre alta, calafrios, tosse com catarro e dor para respirar. Doenças como a gripe, quando não tratadas corretamente, podem evoluir para quadros de pneumonia. Além disso, outras condições envolvendo comprometimento do sistema imune, tabagismo e mudanças bruscas na temperatura podem contribuir para o seu desenvolvimento. Geralmente, é uma doença que possui maior incidência em bebês, crianças e idosos. Rinite A rinite é uma doença de origem quase sempre alérgica, em que há uma inflamação da mucosa nasal que provoca coriza, entupimento do nariz, espirros constantes e coceira no nariz e nos olhos. A grande maioria dos casos é provocada por reação alérgica por ácaros e fungos presentes no ambiente, mas outros alérgenos, como pelos de animais, também podem provocar a reação. Em geral, tem duração de poucos dias. Principais doenças respiratórias crônicas Além das doenças respiratórias agudas, existem doenças crônicas que também apresentam grande prevalência no Brasil, como a asma e a rinite crônicas. Separamos para você algumas doenças, suas principais causas e sintomas mais frequentes. Asma A asma é, com certeza, uma das principais patologias respiratórias crônicas. É uma doença que possui origem inflamatória nas vias aéreas, em especial, nos brônquios, causando inchaço e estreitamento dessas estruturas, e produção exacerbada de muco, o que dificulta a respiração. Suas causas envolvem fatores genéticos de origem familiar e ambientais (fumo, alergia, entre outros) e o seu tratamento é realizado com medicamentos broncodilatadores e fármacos para diminuir a inflamação. Rinite crônica A rinite crônica é uma forma grave da doença, desencadeando sintomatologia semelhante à aguda, mas que persiste por mais de três meses. O tratamento consiste no controle dos sintomas por meio da utilização de medicamentos antialérgicos. Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) A DPOC, na verdade, é um grupo de doenças que possuem características que dificultam o fluxo de ar nos pulmões. É o caso da bronquite crônica, que leva ao estreitamento das vias aéreas, e do enfisema pulmonar, que gera uma diminuição da elasticidade do tecido pulmonar. Uma das principais causas está relacionada à exposição a substâncias nocivas ao organismo, como a fumaça do cigarro. Os sintomas incluem falta de ar e tosse persistente com catarro. Tuberculose Como já mencionado, a tuberculose é causada pela infecção através da bactéria Mycobacterium tuberculosis, que afeta, principalmente, o pulmão. Dentre os principais sintomas, destacam-se a tosse (em alguns casos com sangue), febre, falta de ar, dor para respirar e perda de peso. É uma doença contagiosa, mas que pode ser curada por meio de tratamento medicamentoso que dura em torno de seis meses. É importante destacar que os sintomas tendem a diminuir logo após a primeira semana de terapia, mas deve-se dar continuidade ao tratamento para alcançar a cura. Além dessas doenças, existem outras de caráter crônico e hereditário, mas que são mais raras. É o caso da já citada fibrose cística, doença que afeta as células que produzem muco no interior das vias aéreas. Nessa doença, o muco é mais viscoso e pegajoso, aderindo no interior das vias e dificultando a respiração. Além disso, esse muco pode levar ao acúmulo de bactérias e outros microrganismos, gerando infecções e desenvolvimento de outras doenças, como a bronquite e a pneumonia. O tratamento é realizado para aliviar os sintomas e reduzir as complicações.  Como elas podem ser detectadas e diagnosticadas? Antes de tudo, é essencial deixar claro que o apoio médico é fundamental. Na presença de sintomas respiratórios persistentes, o ideal é procurar ajuda médica para avaliação clínica e, se necessário, realizar exames complementares. Inicialmente, é feita uma avaliação clínica, onde o médico pesquisa os históricos familiares do paciente, os hábitos de vida, antecedentes médicos, históricos vacinais e epidemiológicos (viagens, contato, etc.), além da sintomatologia e da realização do exame físico. Quais os principais exames? Existe uma gama de exames específicos que podem ser realizados, a depender da suspeita diagnóstica do médico, como raio X do tórax, exame microbiológico de secreções, testes de alergia, teste de função pulmonar e tomografia de tórax. Outros exames inespecíficos também podem ser solicitados, como o hemograma e os níveis de proteína C reativa. Existem também exames moleculares específicos, como a reação em cadeia da polimerase (PCR), para diagnóstico de infecções respiratórias (Covid-19, gripe, tuberculose, por exemplo), nos quais o objetivo é identificar, nas amostras, por meio da pesquisa do material genético, a presença do agente causador da doença. Saiba mais sobre os testes diagnósticos para Covid-19. Com relação a doenças genéticas raras, como a fibrose cística, é possível realizar a triagem neonatal (teste do pezinho) para sua detecção nos primeiros dias de vida. Esse tipo de exame é fundamental para a detecção precoce, evitando seu agravamento e complicações que possam surgir. Mas lembre-se: a realização de exames deve sempre seguir orientação médica e de profissionais da saúde. A Covid-19 também é uma doença respiratória? A Covid-19 talvez seja a doença respiratória mais comentada atualmente. Apesar de ter origem recente, essa doença impactou profundamente nossa sociedade com o surgimento da pandemia de Covid-19. A doença é causada pelo vírus do tipo coronavírus, especificamente o vírus SARS-CoV-2. Os sinais da Covid-19 são bastante similares aos encontrados na gripe, principalmente em relação à febre alta, dor de cabeça, mal-estar e tosse seca. Apesar da Covid-19 não possuir um padrão bem definido de sinais e sintomas, a maioria dos casos tem evolução mais gradual, se agravando em torno do oitavo dia após o início dos sintomas, ao contrário da gripe. Outra característica marcante dessa doença é a perda de olfato e paladar em alguns casos, o que pode facilitar sua diferenciação de outras infecções respiratórias. Em alguns casos, a Covid-19 pode evoluir para um alto quadro inflamatório pulmonar, gerando o surgimento da síndrome respiratória aguda grave (SARS). Nesses casos, é necessária a internação do paciente e monitoramento das suas funções pulmonares e do organismo como um todo. É um quadro semelhante a uma pneumonia grave, em que há comprometimento dos pulmões e dificuldade para respirar. Por isso, se surgirem sintomas como falta de ar e dor ou pressão no peito, a recomendação é procurar com urgência assistência médica.  O que acontece se as doenças respiratórias não receberem a devida atenção? Apesar de serem bastante comuns, é muito importante conhecer estas doenças e identificar seus sinais e sintomas. Lembre-se que uma doença aguda e de fácil tratamento pode gerar complicações mais graves, caso não tratada. Além disso, elas podem evoluir com o passar do tempo para doenças crônicas. Algumas ações podem ajudar a prevenir o surgimento dessas doenças. Cultivar hábitos de vida saudáveis, como ter uma boa alimentação e praticar exercícios físicos, ajudam a contribuir para o fortalecimento do sistema imunológico. Assim, o seu corpo estará mais preparado para combater eventuais microrganismos invasores. Evite ambientes muito secos e não fume. O cigarro é um dos principais causadores de doenças respiratórias, inclusive no fumo passivo (ficar próximo de pessoas fumantes). Dê preferência para ambientes abertos, ventilados e, caso seja necessário, utilize aparelhos umidificadores do ar. Tenha atenção especial com crianças e idosos. Esses grupos etários são considerados mais suscetíveis a doenças respiratórias graves, como a pneumonia. Para prevenir a pneumonia em crianças e idosos, esteja atento(a) ao programa de imunização, que inclui vacinas contra a gripe e contra o pneumococo. Para saber mais sobre o assunto, aproveite sua visita em nosso blog para conferir o conteúdo sobre como identificar pneumonia em crianças e o que fazer nesses casos.  A vacinação é uma ferramenta muito importante não somente para garantir a proteção contra doenças circulantes, mas também para prevenir que doenças antigas retornem à circulação na população. Por isso, mantenha seu esquema vacinal sempre em dia, de acordo com o calendário de vacinação. Outros fatores que contribuem para que as pessoas não se vacinem são o desconhecimento e as dúvidas a respeito do assunto. Pensando nisso, nossa dica é a leitura do conteúdo sobre 15 mitos e verdades sobre vacinas e vacinação. Dessa forma, você não permite que a falta de informação prejudique sua saúde e a saúde de toda sua família! Referências:  Endres TM, Konstan MW. (2022). What Is Cystic Fibrosis? JAMA. ;327(2):191. Hu, B., Guo, H., Zhou, P., & Shi, Z. L. (2021). Characteristics of SARS-CoV-2 and COVID-19. Nature Reviews Microbiology, 19(3), 141-154. Hyrkäs-Palmu, H., Ikäheimo, T. M., Laatikainen, T., Jousilahti, P., Jaakkola, M. S., & Jaakkola, J. J. (2018). Cold weather increases respiratory symptoms and functional disability especially among patients with asthma and allergic rhinitis. Scientific reports, 8(1), 1-8. Labaki, W. W., & Han, M. K. (2020). Chronic respiratory diseases: a global view. The Lancet Respiratory Medicine, 8(6), 531-533. Lee W. J. (2019). Common Cold and Flu. Vitamin C in Human Health and Disease: Effects, Mechanisms of Action, and New Guidance on Intake, 89–100. Pai, M., Behr, M., Dowdy, D. et al. Tuberculosis. Nat Rev Dis Primers 2, 16076 (2016). Shukla, S. D., Swaroop Vanka, K., Chavelier, A., Shastri, M. D., Tambuwala, M. M., Bakshi, H. A., Pabreja, K., Mahmood, M. Q., & O’Toole, R. F. (2020). Chronic respiratory diseases: An introduction and need for novel drug delivery approaches. Targeting Chronic Inflammatory Lung Diseases Using Advanced Drug Delivery Systems, 1–31. de Souza, W. M., Buss, L. F., Candido, D. D. S., Carrera, J. P., Li, S., Zarebski, A. E., & Faria, N. R. (2020). Epidemiological and clinical characteristics of the COVID-19 epidemic in Brazil. Nature human behaviour, 4(8), 856-865.