Sabin Por: Sabin
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As mutações do coronavírus vêm tomando os noticiários e causando certa preocupação — e não poderia ser diferente, não é mesmo? Você também já deve ter sentido receio ao ouvir a última notícia sobre alguma nova mutação do SARS-CoV-2 descoberta.

Ainda mais em um momento que muitos já estão vacinados, nos perguntamos se temos anticorpos para esse vírus após mutações. E o que significam tantas mutações assim?

As dúvidas são muitas. Por isso, vamos esclarecer o que a mutação do coronavírus significa, quais os possíveis impactos para a sua vida e como interpretar essas novidades sem tanta ansiedade.

Neste post, você vai entender os principais conceitos sobre mutações de vírus, além de conhecer informações sobre variantes como a Delta e a Ômicron. No fim, também daremos algumas dicas valiosas para se proteger da pandemia. Acompanhe!

O que é a mutação de um vírus?

As mutações de vírus são um evento natural e até esperado dentro da evolução desses microorganismos. É por isso, por exemplo, que a cada ano devemos tomar uma nova dose de vacina contra a gripe: os vírus se transformam e podem ficar mais ou menos resistentes.

Na prática, a mutação de um vírus é comum principalmente naqueles que contêm ácido ribonucleico (cuja sigla é RNA) como material genético — inclusive, este é o caso do Sars-CoV-2. 

Vírus são parasitas intracelulares obrigatórios, ou seja, necessitam do “maquinário”de outras células para poderem se replicar. Para a mutação acontecer, o vírus precisa estar dentro de um hospedeiro, como o homem ou outros animais que, comprovadamente, já hospedaram o coronavírus – entre eles porcos, gatos e morcegos. A partir disso, o material genético desse vírus começa a ser replicado, mas nem sempre a sequência genética é copiada perfeitamente, e é natural que aconteçam erros nesse processo. 

Grande parte das mutações não causa nenhuma modificação expressiva nos vírus. Entretanto, o acúmulo de mutações faz com que ele se diferencie do original. Quanto mais mutações ocorrerem, maiores são as chances de isso acontecer. Uma questão de probabilidade, certo?

Dependendo de onde essa falha no genoma é processada, o vírus perde a capacidade de sobreviver, enfraquecendo bastante, ou ganha mais força para seguir se replicando e propagando doenças.

O maior perigo é quando essas mutações geram proteínas da superfície do vírus que neutralizam ou enganam nosso sistema imunológico, aí, sim, demandam maior atenção.

Agora, pensando especificamente no coronavírus, a maioria das variantes não tem, até o momento, alterado a interação do SARS-CoV-2 com os seres humanos. Por isso, não há razão para ansiedade toda vez que surge a notícia de uma nova mutação. 

Em outros termos, é absolutamente normal que um vírus sofra mutações e isso, por si só, não é motivo para pânico. Muitas das mutações que foram e serão identificadas não são motivo para preocupações extras. Vamos entender isso melhor, a seguir!

Como foi descoberta a mutação do coronavírus?

O SARS-CoV-2 apresenta uma estrutura muito simples. No interior do vírus se encontra o seu material genético. Logo nos primeiros meses da pandemia, os cientistas já tinham decifrado todo o genoma do novo coronavírus.

O material genético é envolto por um escudo de diversos tipos de proteínas. Uma delas, a proteína spike (S), liga-se aos receptores de algumas células humanas e consegue invadi-las. Por isso, ela também é o principal alvo das vacinas contra o vírus, que estimulam a produção de anticorpos antiproteína S.

Externamente, o vírus também é protegido por uma cápsula de lipídios, que melhora tanto a sua capacidade de sobreviver no meio quanto de invadir as nossas células. As variantes são vírus com uma ou mais mutações, quando comparados ao material genético dos primeiros coronavírus identificados.

Pela importância da proteína S, os pesquisadores e as agências de saúde de todo o mundo vigiam o surgimento de mutações que alteram a sua estrutura. Por exemplo, a mudança de alguns aminoácidos na proteína S pode fazer com que o coronavírus se ligue melhor aos receptores das nossas células. Assim, teremos motivos para ligar um alerta.

Apesar de a maioria das variantes não alterar as características dos vírus ou da doença causada por eles, sempre que se identifica uma nova variante do coronavírus se investiga os aspectos seguintes, que são importantes para a relação do vírus com o hospedeiro:

  • transmissibilidade — velocidade e capacidade de transmissão. O seu aumento pode ser provocado por mutações que melhoram a capacidade de o vírus sobreviver no ambiente externo, aumentam o poder de ligação com os receptores celulares, aumentam a quantidade de vírus nas secreções respiratórias ou o período no qual uma pessoa o transmite para outras;
  • antigenicidade — interação do nosso sistema imunológico com o vírus. Uma variante pode levar a uma produção mais fraca de anticorpos, pode resistir aos anticorpos naturais ou estimulados pelas vacinas;
  • patogenicidade — capacidade de causar danos ao organismo. As mutações podem aumentar o poder de o vírus provocar um quadro clínico mais grave; 
  • virulência — intensidade dos danos provocados. Uma mutação pode fazer com que o corpo reaja mais fortemente ou que o vírus se multiplique com muito mais eficácia — isso pode levar a uma maior destruição e a uma doença mais grave.

A vigilância epidemiológica das mutações do SARS-CoV-2

Para identificar as variantes, os cientistas coletam material respiratório de doentes, de pessoas saudáveis e de outros animais. Se o vírus for encontrado nessas amostras, ele tem seu genoma codificado em laboratório.

A partir da identificação de uma nova variante, inicia-se a investigação do impacto que ela tem sobre o adoecimento de uma população. Para isso, são analisados fatores que podem causar preocupação, como:

  • redução da antigenicidade — maiores taxas de reinfecção ou de Covid-19 em pessoas já vacinadas;
  • aumento da transmissibilidade — maiores taxas de transmissão ou de reprodução do vírus;
  • aumento da patogenicidade — maior frequência de pessoas com sintomas de COVID-19 ou surgimento de novos sintomas;
  • aumento da virulência — maiores taxas de óbitos por COVID-19, de internação ou de evolução para a Síndrome Respiratória Aguda Grave.

Se uma variante apresenta a capacidade de alterar alguma dessas características, ela recebe o nome de cepa viral. Portanto, nem toda variante será uma nova cepa do SARS-CoV-2.

Onde e quais mutações foram identificadas?

Como existem, continuamente, muitos estudos sobre as mutações do SARS-CoV-2, dezenas de variantes já foram identificadas. Vamos falar sobre as que são citadas com mais frequência.

Ômicron

No finalzinho de 2021, uma variante surgiu com força nos noticiários e entre os membros do mundo científico: a Ômicron. Ela foi identificada na África do Sul, mas a sua origem é incerta. 

Ela tem um sequenciamento genético um pouco diferente do que é observado em outras variantes. Por isso, é difícil determinar de onde ela surgiu e quais foram as suas variantes “maternas”. Alguns estudiosos afirmam que ela pode até mesmo ter se desenvolvido dentro de outras espécies e, depois, migrado para os seres humanos.

Ainda são necessários novos estudos e uma observação mais prolongada da variante para determinar o seu potencial de contaminação e de surgimento de casos graves. No entanto, ao que tudo indica, a Ômicron se propaga mais rapidamente que a Delta e as demais formas de COVID-19.

Sobre a severidade dos casos, há mortes confirmadas com a variante em várias partes do mundo. Apesar disso, estudos mostram que é provável que a Ômicron seja menos perigosa para os pulmões e é possível que ela cause menos casos graves do que outras subdivisões do vírus. 

Mesmo assim, as recomendações são as mesmas: continuar utilizando máscaras, higienizar as mãos e evitar aglomerações. As vacinas também são importantes aliadas contra o surgimento de sintomas graves nos pacientes afetados.

Variante Delta

Conhecida também por B.1.617.2 e descoberta na Índia, no fim de 2020, essa variante tem a alta transmissibilidade como uma de suas principais características. Tanto que documentos da CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA) apontam que a Delta seja cerca de 60% a 200% mais transmissível em relação às anteriores, podendo ser comparada à transmissibilidade da catapora.

A variante Delta provocou alerta na população, fazendo os governos reforçarem as medidas de segurança, diminuindo as flexibilizações que já aconteciam. Fato necessário, afinal, um estudo escocês mostrou que a Delta fez crescer casos que demandaram internação no país.

Linhagem P.1 — origem no Brasil, descoberta no Japão

Em 6 de janeiro de 2021, o Japão anunciou a descoberta de uma nova variante em um grupo que havia viajado para o Amazonas. Depois disso, as autoridades brasileiras a identificaram em doentes brasileiros. Ela apresenta dez mutações nos genes que codificam a proteína S e outras duas em outras regiões do material genético.

Alguns cientistas apontaram para a possibilidade de causar reinfecções mais graves e aumentar a transmissibilidade. Os estudos mais recentes dessa variante indicam que o principal ponto de atenção é que os pacientes apresentam uma carga viral até 10 vezes maior.

Variante 501Y.V2 — África do Sul

Em 18 de dezembro, a África do Sul divulgou o relato de uma expansão acelerada de uma nova variante em três províncias do país. Em pouco tempo, ela se tornou mais frequente, levando a um receio de aumento da transmissibilidade.

Outras variantes ao redor do mundo

Dezenas de outras variantes foram encontradas aqui e em outros países, mas ainda não sabemos a relevância delas para a pandemia:

As variantes podem interagir entre si e realizar trocas de parte do material genético, originando uma nova versão híbrida.

Como se proteger?

De forma geral, as variantes não mudaram a forma de proteção contra a COVID-19. Entretanto, devido ao risco de maior transmissibilidade de algumas cepas, a OMS recomendou que as máscaras de tecido contassem com uma camada tripla do material.

Essa orientação, até o momento, não foi oficializada pelas autoridades brasileiras. Elas também devem ficar sempre bem aderentes ao rosto.

Outras formas de proteção são:

  • higienizar as máscaras de pano antes de reutilizá-las;
  • seguir as recomendações de distanciamento social recomendadas pelo governo da sua cidade;
  • evitar saídas desnecessárias de casa, especialmente, se você estiver no grupo de risco ou morar com alguém que esteja;
  • higienizar frequentemente as regiões da sua casa que são tocadas com frequência;
  • não reutilizar as roupas que usou fora de casa antes de lavá-las com água e sabão;
  • passar sempre álcool nas mãos depois de tocar em superfícies fora de casa;
  • fazer quarentena se estiver com sintomas de COVID-19 ou tiver contato com alguém que os apresentou recentemente.

Cuidados como esses são imprescindíveis para que os números de casos de COVID-19 parem de subir em todo o mundo, uma tendência notável entre os últimos meses de 2021 e os primeiros de 2022.

Faça a sua parte! Para que possamos superar esse desafio e voltarmos à nossa rotina, é preciso que toda a comunidade se comprometa. Já vencemos algumas batalhas, mas ainda há outros passos até que a guerra contra a COVID-19 esteja definitivamente ganha.

E as vacinas?

Outra medida muito importante é a vacinação. Esse é o caminho para o controle efetivo da pandemia. Mais pessoas imunizadas fazem com que o vírus encontre dificuldades para se multiplicar e se espalhar para outros organismos.

Quanto menos gente se infectar com o novo coronavírus, menores são as chances de que ele sofra novas mutações. Portanto, adotar as medidas básicas de prevenção e se vacinar são formas de proteger não apenas você, mas todo mundo que você ama e sua vizinhança.

Todas as vacinas disponíveis no Brasil atualmente são completamente seguras e utilizadas em várias outras regiões do mundo. Elas incluem:

  • Janssen, da Johnson & Johnson;
  • CoronaVac, feita em parceria entre o Instituto Butantã e a farmacêutica Sinovac;
  • Pfizer, da Pfizer e BioNTech;
  • AstraZeneca, do laboratório homônimo em parceria com a Universidade de Oxford. 

Muitas dessas vacinas já são completamente eficazes contra a variante Delta. Para a Ômicron, por sua vez, não há um registro de efetividade muito grande. Isso quer dizer que mesmo vacinados, podemos desenvolver sintomas de Covid-19 caso sejamos contaminados com essa forma da doença.

Apesar disso, é necessário ressaltar que pessoas vacinadas e contaminadas com a Ômicron desenvolvem, em sua grande maioria, apenas sintomas leves da doença. Casos graves e hospitalizações estão normalmente associados àqueles que não foram devidamente imunizados. Ou seja: a vacina salva vidas nesse caso! 

E a terceira dose das vacinas?

Boa parte dos estados brasileiros está trabalhando com a aplicação de uma dose de reforço da vacina contra a COVID-19. 

Os brasileiros que foram imunizados com apenas uma dose da Janssen recebem uma segunda aplicação do imunizante. Os demais são revacinados com uma aplicação da Pfizer ou AstraZeneca.

Essa é uma atitude que vem sendo frequente em vários outros países, como nações europeias e os Estados Unidos. Em uma publicação recente do MMWR (Morbidity and Mortality Weekly Report), vacinados com dose de reforço estavam seis vezes mais protegidos que vacinados sem dose de reforço.

As crianças podem se vacinar?

Outros países estão vacinando crianças de 5 a 11 anos com imunizantes da Pfizer. Estudos recentes têm, também, demonstrado a segurança de outras vacinas para os pequenos, como a CoronaVac

A imunização das crianças é outro passo importante para o controle de variantes e, claro, para o bem-estar dessa faixa etária. Ainda que seja incomum, casos graves entre meninos e meninas podem acontecer, levando-os até mesmo ao óbito.

Há uma vacina específica para a Ômicron?

O laboratório Pfizer está trabalhando em uma atualização da vacina já existente. A estimativa é de que essa nova versão fique pronta em meados de março de 2022.

Por mais que, a cada dia, mais e mais gente seja vacinada, conhecer e aplicar no seu dia a dia as medidas de prevenção é essencial. Ainda mais ao considerar o surgimento de novas variantes, como a Delta e a Ômicron.

Agora você já sabe muito sobre as variantes da Covid-19! Para ajudá-lo a se informar ainda mais, separamos outro conteúdo imperdível. Clique aqui e leia mais sobre os principais exames utilizados para diagnosticar a doença!

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Entenda as mutações do coronavírus e saiba se proteger; As mutações do coronavírus vêm tomando os noticiários e causando certa preocupação — e não poderia ser diferente, não é mesmo? Você também já deve ter sentido receio ao ouvir a última notícia sobre alguma nova mutação do SARS-CoV-2 descoberta. Ainda mais em um momento que muitos já estão vacinados, nos perguntamos se temos anticorpos para esse vírus após mutações. E o que significam tantas mutações assim? As dúvidas são muitas. Por isso, vamos esclarecer o que a mutação do coronavírus significa, quais os possíveis impactos para a sua vida e como interpretar essas novidades sem tanta ansiedade. Neste post, você vai entender os principais conceitos sobre mutações de vírus, além de conhecer informações sobre variantes como a Delta e a Ômicron. No fim, também daremos algumas dicas valiosas para se proteger da pandemia. Acompanhe! O que é a mutação de um vírus? As mutações de vírus são um evento natural e até esperado dentro da evolução desses microorganismos. É por isso, por exemplo, que a cada ano devemos tomar uma nova dose de vacina contra a gripe: os vírus se transformam e podem ficar mais ou menos resistentes. Na prática, a mutação de um vírus é comum principalmente naqueles que contêm ácido ribonucleico (cuja sigla é RNA) como material genético — inclusive, este é o caso do Sars-CoV-2.  Vírus são parasitas intracelulares obrigatórios, ou seja, necessitam do “maquinário”de outras células para poderem se replicar. Para a mutação acontecer, o vírus precisa estar dentro de um hospedeiro, como o homem ou outros animais que, comprovadamente, já hospedaram o coronavírus - entre eles porcos, gatos e morcegos. A partir disso, o material genético desse vírus começa a ser replicado, mas nem sempre a sequência genética é copiada perfeitamente, e é natural que aconteçam erros nesse processo.  Grande parte das mutações não causa nenhuma modificação expressiva nos vírus. Entretanto, o acúmulo de mutações faz com que ele se diferencie do original. Quanto mais mutações ocorrerem, maiores são as chances de isso acontecer. Uma questão de probabilidade, certo? Dependendo de onde essa falha no genoma é processada, o vírus perde a capacidade de sobreviver, enfraquecendo bastante, ou ganha mais força para seguir se replicando e propagando doenças. O maior perigo é quando essas mutações geram proteínas da superfície do vírus que neutralizam ou enganam nosso sistema imunológico, aí, sim, demandam maior atenção. Agora, pensando especificamente no coronavírus, a maioria das variantes não tem, até o momento, alterado a interação do SARS-CoV-2 com os seres humanos. Por isso, não há razão para ansiedade toda vez que surge a notícia de uma nova mutação.  Em outros termos, é absolutamente normal que um vírus sofra mutações e isso, por si só, não é motivo para pânico. Muitas das mutações que foram e serão identificadas não são motivo para preocupações extras. Vamos entender isso melhor, a seguir! Como foi descoberta a mutação do coronavírus? O SARS-CoV-2 apresenta uma estrutura muito simples. No interior do vírus se encontra o seu material genético. Logo nos primeiros meses da pandemia, os cientistas já tinham decifrado todo o genoma do novo coronavírus. O material genético é envolto por um escudo de diversos tipos de proteínas. Uma delas, a proteína spike (S), liga-se aos receptores de algumas células humanas e consegue invadi-las. Por isso, ela também é o principal alvo das vacinas contra o vírus, que estimulam a produção de anticorpos antiproteína S. Externamente, o vírus também é protegido por uma cápsula de lipídios, que melhora tanto a sua capacidade de sobreviver no meio quanto de invadir as nossas células. As variantes são vírus com uma ou mais mutações, quando comparados ao material genético dos primeiros coronavírus identificados. Pela importância da proteína S, os pesquisadores e as agências de saúde de todo o mundo vigiam o surgimento de mutações que alteram a sua estrutura. Por exemplo, a mudança de alguns aminoácidos na proteína S pode fazer com que o coronavírus se ligue melhor aos receptores das nossas células. Assim, teremos motivos para ligar um alerta. Apesar de a maioria das variantes não alterar as características dos vírus ou da doença causada por eles, sempre que se identifica uma nova variante do coronavírus se investiga os aspectos seguintes, que são importantes para a relação do vírus com o hospedeiro: transmissibilidade — velocidade e capacidade de transmissão. O seu aumento pode ser provocado por mutações que melhoram a capacidade de o vírus sobreviver no ambiente externo, aumentam o poder de ligação com os receptores celulares, aumentam a quantidade de vírus nas secreções respiratórias ou o período no qual uma pessoa o transmite para outras;antigenicidade — interação do nosso sistema imunológico com o vírus. Uma variante pode levar a uma produção mais fraca de anticorpos, pode resistir aos anticorpos naturais ou estimulados pelas vacinas;patogenicidade — capacidade de causar danos ao organismo. As mutações podem aumentar o poder de o vírus provocar um quadro clínico mais grave; virulência — intensidade dos danos provocados. Uma mutação pode fazer com que o corpo reaja mais fortemente ou que o vírus se multiplique com muito mais eficácia — isso pode levar a uma maior destruição e a uma doença mais grave. A vigilância epidemiológica das mutações do SARS-CoV-2 Para identificar as variantes, os cientistas coletam material respiratório de doentes, de pessoas saudáveis e de outros animais. Se o vírus for encontrado nessas amostras, ele tem seu genoma codificado em laboratório. A partir da identificação de uma nova variante, inicia-se a investigação do impacto que ela tem sobre o adoecimento de uma população. Para isso, são analisados fatores que podem causar preocupação, como: redução da antigenicidade — maiores taxas de reinfecção ou de Covid-19 em pessoas já vacinadas;aumento da transmissibilidade — maiores taxas de transmissão ou de reprodução do vírus;aumento da patogenicidade — maior frequência de pessoas com sintomas de COVID-19 ou surgimento de novos sintomas;aumento da virulência — maiores taxas de óbitos por COVID-19, de internação ou de evolução para a Síndrome Respiratória Aguda Grave. Se uma variante apresenta a capacidade de alterar alguma dessas características, ela recebe o nome de cepa viral. Portanto, nem toda variante será uma nova cepa do SARS-CoV-2. Onde e quais mutações foram identificadas? Como existem, continuamente, muitos estudos sobre as mutações do SARS-CoV-2, dezenas de variantes já foram identificadas. Vamos falar sobre as que são citadas com mais frequência. Ômicron No finalzinho de 2021, uma variante surgiu com força nos noticiários e entre os membros do mundo científico: a Ômicron. Ela foi identificada na África do Sul, mas a sua origem é incerta.  Ela tem um sequenciamento genético um pouco diferente do que é observado em outras variantes. Por isso, é difícil determinar de onde ela surgiu e quais foram as suas variantes “maternas”. Alguns estudiosos afirmam que ela pode até mesmo ter se desenvolvido dentro de outras espécies e, depois, migrado para os seres humanos. Ainda são necessários novos estudos e uma observação mais prolongada da variante para determinar o seu potencial de contaminação e de surgimento de casos graves. No entanto, ao que tudo indica, a Ômicron se propaga mais rapidamente que a Delta e as demais formas de COVID-19. Sobre a severidade dos casos, há mortes confirmadas com a variante em várias partes do mundo. Apesar disso, estudos mostram que é provável que a Ômicron seja menos perigosa para os pulmões e é possível que ela cause menos casos graves do que outras subdivisões do vírus.  Mesmo assim, as recomendações são as mesmas: continuar utilizando máscaras, higienizar as mãos e evitar aglomerações. As vacinas também são importantes aliadas contra o surgimento de sintomas graves nos pacientes afetados. Variante Delta Conhecida também por B.1.617.2 e descoberta na Índia, no fim de 2020, essa variante tem a alta transmissibilidade como uma de suas principais características. Tanto que documentos da CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA) apontam que a Delta seja cerca de 60% a 200% mais transmissível em relação às anteriores, podendo ser comparada à transmissibilidade da catapora. A variante Delta provocou alerta na população, fazendo os governos reforçarem as medidas de segurança, diminuindo as flexibilizações que já aconteciam. Fato necessário, afinal, um estudo escocês mostrou que a Delta fez crescer casos que demandaram internação no país. Linhagem P.1 — origem no Brasil, descoberta no Japão Em 6 de janeiro de 2021, o Japão anunciou a descoberta de uma nova variante em um grupo que havia viajado para o Amazonas. Depois disso, as autoridades brasileiras a identificaram em doentes brasileiros. Ela apresenta dez mutações nos genes que codificam a proteína S e outras duas em outras regiões do material genético. Alguns cientistas apontaram para a possibilidade de causar reinfecções mais graves e aumentar a transmissibilidade. Os estudos mais recentes dessa variante indicam que o principal ponto de atenção é que os pacientes apresentam uma carga viral até 10 vezes maior. Variante 501Y.V2 — África do Sul Em 18 de dezembro, a África do Sul divulgou o relato de uma expansão acelerada de uma nova variante em três províncias do país. Em pouco tempo, ela se tornou mais frequente, levando a um receio de aumento da transmissibilidade. Outras variantes ao redor do mundo Dezenas de outras variantes foram encontradas aqui e em outros países, mas ainda não sabemos a relevância delas para a pandemia: variante B.1.427/B.1.429, da Califórnia. Uma pesquisa recente mostrou que ela pode ser mais transmissível;variante B.1.526, na Cidade de Nova Iorque, descoberta em meados de fevereiro de 2021;variante N440 K e a variante E484Q, na Índia. As variantes podem interagir entre si e realizar trocas de parte do material genético, originando uma nova versão híbrida. Como se proteger? De forma geral, as variantes não mudaram a forma de proteção contra a COVID-19. Entretanto, devido ao risco de maior transmissibilidade de algumas cepas, a OMS recomendou que as máscaras de tecido contassem com uma camada tripla do material. Essa orientação, até o momento, não foi oficializada pelas autoridades brasileiras. Elas também devem ficar sempre bem aderentes ao rosto. Outras formas de proteção são: higienizar as máscaras de pano antes de reutilizá-las;seguir as recomendações de distanciamento social recomendadas pelo governo da sua cidade;evitar saídas desnecessárias de casa, especialmente, se você estiver no grupo de risco ou morar com alguém que esteja;higienizar frequentemente as regiões da sua casa que são tocadas com frequência;não reutilizar as roupas que usou fora de casa antes de lavá-las com água e sabão;passar sempre álcool nas mãos depois de tocar em superfícies fora de casa;fazer quarentena se estiver com sintomas de COVID-19 ou tiver contato com alguém que os apresentou recentemente. Cuidados como esses são imprescindíveis para que os números de casos de COVID-19 parem de subir em todo o mundo, uma tendência notável entre os últimos meses de 2021 e os primeiros de 2022. Faça a sua parte! Para que possamos superar esse desafio e voltarmos à nossa rotina, é preciso que toda a comunidade se comprometa. Já vencemos algumas batalhas, mas ainda há outros passos até que a guerra contra a COVID-19 esteja definitivamente ganha. E as vacinas? Outra medida muito importante é a vacinação. Esse é o caminho para o controle efetivo da pandemia. Mais pessoas imunizadas fazem com que o vírus encontre dificuldades para se multiplicar e se espalhar para outros organismos. Quanto menos gente se infectar com o novo coronavírus, menores são as chances de que ele sofra novas mutações. Portanto, adotar as medidas básicas de prevenção e se vacinar são formas de proteger não apenas você, mas todo mundo que você ama e sua vizinhança. Todas as vacinas disponíveis no Brasil atualmente são completamente seguras e utilizadas em várias outras regiões do mundo. Elas incluem: Janssen, da Johnson & Johnson;CoronaVac, feita em parceria entre o Instituto Butantã e a farmacêutica Sinovac;Pfizer, da Pfizer e BioNTech;AstraZeneca, do laboratório homônimo em parceria com a Universidade de Oxford.  Muitas dessas vacinas já são completamente eficazes contra a variante Delta. Para a Ômicron, por sua vez, não há um registro de efetividade muito grande. Isso quer dizer que mesmo vacinados, podemos desenvolver sintomas de Covid-19 caso sejamos contaminados com essa forma da doença. Apesar disso, é necessário ressaltar que pessoas vacinadas e contaminadas com a Ômicron desenvolvem, em sua grande maioria, apenas sintomas leves da doença. Casos graves e hospitalizações estão normalmente associados àqueles que não foram devidamente imunizados. Ou seja: a vacina salva vidas nesse caso!  E a terceira dose das vacinas? Boa parte dos estados brasileiros está trabalhando com a aplicação de uma dose de reforço da vacina contra a COVID-19.  Os brasileiros que foram imunizados com apenas uma dose da Janssen recebem uma segunda aplicação do imunizante. Os demais são revacinados com uma aplicação da Pfizer ou AstraZeneca. Essa é uma atitude que vem sendo frequente em vários outros países, como nações europeias e os Estados Unidos. Em uma publicação recente do MMWR (Morbidity and Mortality Weekly Report), vacinados com dose de reforço estavam seis vezes mais protegidos que vacinados sem dose de reforço. As crianças podem se vacinar? Outros países estão vacinando crianças de 5 a 11 anos com imunizantes da Pfizer. Estudos recentes têm, também, demonstrado a segurança de outras vacinas para os pequenos, como a CoronaVac.  A imunização das crianças é outro passo importante para o controle de variantes e, claro, para o bem-estar dessa faixa etária. Ainda que seja incomum, casos graves entre meninos e meninas podem acontecer, levando-os até mesmo ao óbito. Há uma vacina específica para a Ômicron? O laboratório Pfizer está trabalhando em uma atualização da vacina já existente. A estimativa é de que essa nova versão fique pronta em meados de março de 2022. Por mais que, a cada dia, mais e mais gente seja vacinada, conhecer e aplicar no seu dia a dia as medidas de prevenção é essencial. Ainda mais ao considerar o surgimento de novas variantes, como a Delta e a Ômicron. Agora você já sabe muito sobre as variantes da Covid-19! Para ajudá-lo a se informar ainda mais, separamos outro conteúdo imperdível. Clique aqui e leia mais sobre os principais exames utilizados para diagnosticar a doença!