Sabin Por: Sabin
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Doença crônica e benigna que afeta o endométrio, tecido que reveste internamente o útero. Mensalmente, o revestimento interno da cavidade uterina se prepara para receber o embrião. Caso não ocorra a gravidez, esse tecido descama e é eliminado em forma de menstruação. Mas quando ele cresce fora do útero, em locais das cavidades abdominal ou pélvica, ocorre a endometriose.

Considerada a “doença da mulher moderna”, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a endometriose afeta cerca de 176 milhões de mulheres ao redor do mundo. Dessas, mais de 7 milhões estão no Brasil.

Dra. Letícia Boaventura, médica do Grupo Sabin, nos ajudou a construir este artigo para trazer a você informações úteis sobre uma das principais doenças ginecológicas da atualidade. Acompanhe e tire suas dúvidas!

Reconheça os sinais e sintomas

Todo mês a mesma coisa: você sente cólicas terríveis ao menstruar? “Ah, mas é normal, toda mulher sente isso”. Não! Dor nenhuma pode ser considerada normal. A dor é um sinal de alerta que seu corpo dá quando algo está errado.

Em alguns casos, a endometriose pode ser uma doença silenciosa, deixando de apresentar os sintomas característicos. Entretanto, os sintomas mais comuns para a maioria das mulheres portadoras são:

  • fluxo menstrual muito intenso e irregular;
  • cólicas severas, a ponto de impossibilitar a execução de atividades habituais;
  • alterações intestinais e urinárias próximas ou durante a menstruação;
  • dores pélvicas;
  • dor durante o sexo;
  • cansaço excessivo.

O Ministério da Saúde estima que, a cada dez mulheres no Brasil, uma sofre com os sintomas da endometriose. “O grupo mais propenso a desenvolvê-la são mulheres em idade reprodutiva, com pico da doença entre os 25 e 45 anos”, explica a Dra. Letícia.

Endometriose X Fertilidade

Uma preocupação recorrente é se a mulher diagnosticada com endometriose pode engravidar. Nesse caso, há recursos específicos, mas é possível, sim. Existem formas que possibilitam a gestação da paciente. Inicialmente, recomenda-se o tratamento clínico, cujo foco é a redução da dor e melhoria da qualidade de vida. Caso esse tratamento não seja eficaz, a alternativa é o tratamento cirúrgico, que fará a remoção dos focos de endometriose, restaurando a anatomia e preservando a função reprodutiva. Uma terceira opção é através de técnicas de reprodução assistida.

Quais os tipos da doença

As causas da endometriose ainda são indefinidas pela medicina. O que se sabe é que é uma doença multifatorial, isto é, está relacionada a fatores hormonais, genéticos, imunológicos e ambientais. Ela se divide em três principais tipos:

Endometriose superficial ou peritoneal

Forma mais comum da doença que afeta o peritônio, membrana que reveste a pelve e os órgãos pélvicos e abdominais. Pode evoluir para as outras formas de endometriose.

Endometriose ovariana

Provoca a formação de cistos (endometriomas) com conteúdo hemorrágico na região externa do ovário, que podem atingir grandes proporções e afetar o sistema reprodutivo feminino. 

Endometriose profunda

É a forma mais grave da doença. Ocorre quando o endométrio se infiltra de maneira profunda em órgãos como trompas, ovários, bexiga, intestinos e até pulmões, comprometendo o funcionamento e causando danos extremos. 

“Os principais fatores de risco são: menarca (primeira menstruação) precoce, ciclos menstruais (período entre uma menstruação e outra) curtos, número reduzido de gestações, familiar de primeiro grau com diagnóstico de endometriose, consumo diário de álcool e tabagismo”, informa a médica.

Como obter um diagnóstico

Desde muito jovens, as mulheres estão equivocadamente acostumadas a ouvir que é comum sentir dor “naqueles dias”. Em razão dessa normalização, na maioria das vezes, elas demoram para buscar ajuda médica e o diagnóstico leva muito tempo. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), estudos indicam que, no Brasil, o tempo médio entre o começo dos sintomas e o diagnóstico é de sete anos, podendo levar mais tempo.

Além disso, outro fator limitante é que a investigação clínica é baseada em sintomas e, em muitos casos, eles são inespecíficos. O ultrassom transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética com protocolos especializados são os principais métodos por imagem para detecção e estadiamento da endometriose, e deverão ser realizados por profissionais com experiência nesse tipo de diagnóstico. Mas, nem sempre, eles são capazes de detectar a doença. Nesses casos, a mulher poderá se beneficiar da videolaparoscopia, método minimamente invasivo que permite identificar diretamente os focos, além de removê-los para a realização de biópsia.

Principais impactos na vida da mulher

A endometriose não causa somente prejuízos fisiológicos na mulher. As limitações impostas pela doença podem causar, até mesmo, problemas emocionais. Daí a importância do acompanhamento multidisciplinar.

Muitas vezes, as consequências causadas pela endometriose envolvem irritações intestinais ou de bexiga, comprometimento de ligamentos, dores pélvicas, entre outros problemas associados. Assim, além do próprio ginecologista, faz-se necessária a assistência de outros profissionais de saúde, como gastroenterologistas, urologistas, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos. A possibilidade de infertilidade feminina causa transtornos psicológicos relevantes. Embora, na maioria dos casos, seja possível a gravidez, essa é uma questão que ainda gera grandes consequências emocionais. Isso sem contar o prejuízo na qualidade de vida, devido às dores crônicas que impedem a mulher de exercer atividades simples do dia a dia, como ir ao trabalho e à escola, ter relações sexuais, etc.

O tratamento médico consegue minimizar e controlar os sintomas, mas a abordagem multidisciplinar consegue promover uma melhoria da saúde mental. A humanização do tratamento faz toda a diferença no processo terapêutico da portadora de endometriose.

Endometriose tem tratamento?

Como já foi dito anteriormente, precisamos combater a normalização da dor. Então, mulheres: ao persistirem os sintomas de dor menstrual excessiva, procurem imediatamente assistência médica. Quanto mais cedo o diagnóstico, menor o risco de complicações.

A endometriose, embora não tenha uma cura específica, é uma doença administrável. Há duas alternativas de tratamento: a clínica, que visa inibir a menstruação por meio de medicamentos; e a cirúrgica, com o objetivo de remover os focos da endometriose. Há uma regressão espontânea com a menopausa, devido à queda na produção hormonal e ausência de menstruação.

O investimento em atividades físicas também pode ser um forte aliado contra a endometriose. A prática regular, principalmente de exercícios aeróbicos, que produzem endorfina, contribuem para fortalecer o sistema imunológico e, consequentemente, equilibrar a produção hormonal. Isso acaba melhorando a qualidade de vida da paciente e também ajuda a controlar a dor provocada pela doença.

Evitar alimentos que contenham elementos inflamatórios, como açúcares, glúten e produtos industrializados (compostos por corantes e conservantes) é uma das medidas consideradas eficazes para amenizar os efeitos da endometriose. Dê preferência a alimentos saudáveis, frescos e não processados.


Por fim, é importante alertar que as mulheres devem fazer os exames preventivos anuais e que dores fortes não podem e não devem ser desprezadas. Além do acompanhamento da endometriose, confira outros cuidados essenciais com a saúde da mulher.

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Dor nenhuma pode ser considerada normal. A dor é um sinal de alerta que seu corpo dá quando algo está errado. Em alguns casos, a endometriose pode ser uma doença silenciosa, deixando de apresentar os sintomas característicos. Entretanto, os sintomas mais comuns para a maioria das mulheres portadoras são: fluxo menstrual muito intenso e irregular;cólicas severas, a ponto de impossibilitar a execução de atividades habituais;alterações intestinais e urinárias próximas ou durante a menstruação;dores pélvicas;dor durante o sexo;cansaço excessivo. O Ministério da Saúde estima que, a cada dez mulheres no Brasil, uma sofre com os sintomas da endometriose. "O grupo mais propenso a desenvolvê-la são mulheres em idade reprodutiva, com pico da doença entre os 25 e 45 anos", explica a Dra. Letícia. Endometriose X Fertilidade Uma preocupação recorrente é se a mulher diagnosticada com endometriose pode engravidar. Nesse caso, há recursos específicos, mas é possível, sim. Existem formas que possibilitam a gestação da paciente. Inicialmente, recomenda-se o tratamento clínico, cujo foco é a redução da dor e melhoria da qualidade de vida. Caso esse tratamento não seja eficaz, a alternativa é o tratamento cirúrgico, que fará a remoção dos focos de endometriose, restaurando a anatomia e preservando a função reprodutiva. Uma terceira opção é através de técnicas de reprodução assistida. Quais os tipos da doença As causas da endometriose ainda são indefinidas pela medicina. O que se sabe é que é uma doença multifatorial, isto é, está relacionada a fatores hormonais, genéticos, imunológicos e ambientais. Ela se divide em três principais tipos: Endometriose superficial ou peritoneal Forma mais comum da doença que afeta o peritônio, membrana que reveste a pelve e os órgãos pélvicos e abdominais. Pode evoluir para as outras formas de endometriose. Endometriose ovariana Provoca a formação de cistos (endometriomas) com conteúdo hemorrágico na região externa do ovário, que podem atingir grandes proporções e afetar o sistema reprodutivo feminino.  Endometriose profunda É a forma mais grave da doença. Ocorre quando o endométrio se infiltra de maneira profunda em órgãos como trompas, ovários, bexiga, intestinos e até pulmões, comprometendo o funcionamento e causando danos extremos.  “Os principais fatores de risco são: menarca (primeira menstruação) precoce, ciclos menstruais (período entre uma menstruação e outra) curtos, número reduzido de gestações, familiar de primeiro grau com diagnóstico de endometriose, consumo diário de álcool e tabagismo”, informa a médica. Como obter um diagnóstico Desde muito jovens, as mulheres estão equivocadamente acostumadas a ouvir que é comum sentir dor “naqueles dias”. Em razão dessa normalização, na maioria das vezes, elas demoram para buscar ajuda médica e o diagnóstico leva muito tempo. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), estudos indicam que, no Brasil, o tempo médio entre o começo dos sintomas e o diagnóstico é de sete anos, podendo levar mais tempo. Além disso, outro fator limitante é que a investigação clínica é baseada em sintomas e, em muitos casos, eles são inespecíficos. O ultrassom transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética com protocolos especializados são os principais métodos por imagem para detecção e estadiamento da endometriose, e deverão ser realizados por profissionais com experiência nesse tipo de diagnóstico. Mas, nem sempre, eles são capazes de detectar a doença. Nesses casos, a mulher poderá se beneficiar da videolaparoscopia, método minimamente invasivo que permite identificar diretamente os focos, além de removê-los para a realização de biópsia. Principais impactos na vida da mulher A endometriose não causa somente prejuízos fisiológicos na mulher. As limitações impostas pela doença podem causar, até mesmo, problemas emocionais. Daí a importância do acompanhamento multidisciplinar. Muitas vezes, as consequências causadas pela endometriose envolvem irritações intestinais ou de bexiga, comprometimento de ligamentos, dores pélvicas, entre outros problemas associados. Assim, além do próprio ginecologista, faz-se necessária a assistência de outros profissionais de saúde, como gastroenterologistas, urologistas, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos. A possibilidade de infertilidade feminina causa transtornos psicológicos relevantes. Embora, na maioria dos casos, seja possível a gravidez, essa é uma questão que ainda gera grandes consequências emocionais. Isso sem contar o prejuízo na qualidade de vida, devido às dores crônicas que impedem a mulher de exercer atividades simples do dia a dia, como ir ao trabalho e à escola, ter relações sexuais, etc. O tratamento médico consegue minimizar e controlar os sintomas, mas a abordagem multidisciplinar consegue promover uma melhoria da saúde mental. A humanização do tratamento faz toda a diferença no processo terapêutico da portadora de endometriose. Endometriose tem tratamento? Como já foi dito anteriormente, precisamos combater a normalização da dor. Então, mulheres: ao persistirem os sintomas de dor menstrual excessiva, procurem imediatamente assistência médica. Quanto mais cedo o diagnóstico, menor o risco de complicações. A endometriose, embora não tenha uma cura específica, é uma doença administrável. Há duas alternativas de tratamento: a clínica, que visa inibir a menstruação por meio de medicamentos; e a cirúrgica, com o objetivo de remover os focos da endometriose. Há uma regressão espontânea com a menopausa, devido à queda na produção hormonal e ausência de menstruação. O investimento em atividades físicas também pode ser um forte aliado contra a endometriose. A prática regular, principalmente de exercícios aeróbicos, que produzem endorfina, contribuem para fortalecer o sistema imunológico e, consequentemente, equilibrar a produção hormonal. Isso acaba melhorando a qualidade de vida da paciente e também ajuda a controlar a dor provocada pela doença. Evitar alimentos que contenham elementos inflamatórios, como açúcares, glúten e produtos industrializados (compostos por corantes e conservantes) é uma das medidas consideradas eficazes para amenizar os efeitos da endometriose. Dê preferência a alimentos saudáveis, frescos e não processados. Por fim, é importante alertar que as mulheres devem fazer os exames preventivos anuais e que dores fortes não podem e não devem ser desprezadas. Além do acompanhamento da endometriose, confira outros cuidados essenciais com a saúde da mulher.