Sabin Por: Sabin
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Quando o assunto é câncer, todo mundo fica um pouco assustado. Não é para menos, já que essa é uma doença séria, podendo ser fatal. No entanto, uma das principais medidas para evitar esse desfecho é o diagnóstico precoce, um dos principais temas abordados durante o Novembro Azul.

Dra. Rhaniellen Silva Ferreira

Para ajudar a aprofundar melhor esse assunto, com segurança e conhecimento de causa, conversamos com a médica Dra. Rhaniellen Silva Ferreira, médica urologista.

Vamos lá? Aproveite a leitura!

O que é a próstata e qual é a sua função?

A próstata é um órgão que faz parte do aparelho reprodutor masculino e é responsável por produzir parte do sêmen, o líquido prostático. Está localizada na região pélvica e, em condições saudáveis, ela tem um pequeno volume que fica suavemente aparente abaixo da bexiga.

Seu papel na reprodução é, principalmente, liberar uma secreção que é eliminada no momento exato da ejaculação. Essa substância garante a viabilidade dos espermatozoides e é composta por enzimas anticoagulantes e nutrientes para os gametas masculinos.

Como e quando o câncer de próstata se manifesta?

O câncer de próstata é silencioso, podendo não ser evidenciado facilmente. Mas está entre as doenças mais comuns pelo mundo e costuma se manifestar a partir dos 50 anos. Entre os homens, é o tipo de câncer mais comum e o segundo mais letal.

A forma mais comum de identificar a manifestação do câncer de próstata é por meio do rastreamento do exame de sangue e exame físico. E, claro, também é importante ficar atento a fatores de risco para a doença. Com diagnóstico e tratamento precoces, é possível evitar complicações da doença, dependendo do seu estágio e das particularidades de cada paciente. Continue a leitura para entender melhor como e quando o câncer de próstata se manifesta!

Em qual faixa etária o câncer de próstata é mais comum?

Homens mais velhos apresentam chances maiores de desenvolver doenças na próstata. Portanto, a idade se apresenta como um fator de risco para o câncer de próstata.

A maioria dos casos começa a se manifestar a partir dos 50 anos e, justamente por isso, é recomendado que o rastreio comece a ser realizado a partir dessa idade para homens em geral e aos 45 para os que possuem fatores de risco, como ascendência africana e histórico familiar de neoplasia de próstata, mama, ovário ou pâncreas.

Quais são os principais fatores de risco?

Hoje em dia, ainda não sabemos com exatidão o que causa o câncer de próstata. O que se sabe é que existem fatores que podem contribuir com o surgimento da doença, facilitando a neoplasia direta ou indiretamente.

Apesar disso, para além de fatores como a idade, os maus hábitos alimentares, a obesidade e o tabagismo, existem outras premissas que indicam risco de incidência de câncer de próstata. Um dos principais indícios conhecidos é de que a neoplasia da próstata pode estar relacionada ao estímulo do hormônio masculino, andrógenos como a testosterona.

Desse modo, a ação prolongada do hormônio da glândula prostática pode superestimular as células. Isso faz com que a glândula cresça e, então, facilite o desenvolvimento do tumor na próstata.

Outras condições que estão relacionadas com o surgimento da doença são:

  • histórico familiar de primeiro grau de câncer de próstata, mama, ovário, pâncreas;
  • ascendência africana ou caribenha;
  • mutação genética.

É claro que os fatores de risco podem influenciar tanto no desenvolvimento quanto na progressão do câncer de próstata. No entanto, apesar disso, não quer dizer que são essas condições que causam diretamente a doença. Em muitos casos, os homens apresentam diversos desses fatores de risco, mas nunca chegam a desenvolver a doença. Do mesmo modo, existem aqueles que não apresentam nenhum fator, mas têm a doença agressiva. Portanto, fatores de risco estão relacionados mas não signifca que ter tais condições fará com que a pessoa com certeza tenha a doença.

Existem sintomas para o câncer de próstata?

O câncer de próstata é considerado uma doença silenciosa e, ao contrário de grande parte das neoplasias, acontece sem manifestar nenhum vestígio. Normalmente quando os sintomas aparecem, é porque a doença já se espalhou e está em um nível mais avançado.

Enquanto a doença estiver localizada apenas na próstata, é bastante incomum que os pacientes observem qualquer sintoma. Os “sintomas prostáticos”, tais como vontade frequente de urinar e sensação de bexiga cheia após urinar, são sinais comumente apresentados por outra patologia: a hipertrofia benigna da próstata.

Já quando se trata do câncer de próstata, propriamente dito, os sintomas geralmente surgem quando a doença já se implantou em outros órgãos, como nos ossos. Na fase de metástase óssea, existe a manifestação de dor forte, o que leva o paciente a procurar o atendimento médico por isso.

Só que quando há dor óssea, a doença já está fora da próstata. Nesse caso, trata-se de uma condição já avançada, o que dificulta bastante o tratamento para controle da patologia. Assim, as chances de cura são expressivamente menores quando comparadas às dos diagnósticos precoces.

Por isso, o paciente que tem o diagnóstico precoce é aquele que tem mais chances de ter um tratamento de sucesso.

Como prevenir o câncer de próstata?

Embora alguns fatores de risco para desenvolvimento do câncer de próstata sejam modificáveis, como maus hábitos alimentares e tabagismo, não existe garantia de prevenção. Portanto, a melhor forma de lutar contra a doença está diretamente ligada ao diagnóstico precoce, uma maneira efetiva de evitar seus casos mais graves. Nesse caso, a melhor opção é um acompanhamento preventivo para eventual diagnóstico o quanto antes.

Quais são os principais exames preventivos?

Os exames realizados pelos profissionais de medicina incluem o toque retal e dosagem do PSA. O toque faz parte do exame físico e é muito importante para identificar o surgimento de algum nódulo na região. É por meio dele que o médico faz um acompanhamento do tamanho de eventuais nódulos em relação à próstata, além de verificar sua consistência. Já o PSA é um exame de sangue que busca fazer o rastreamento da dosagem de antígeno prostático específico. Quando em alta concentração, esse antígeno pode indicar alterações na próstata, tais como prostatite, hipertrofia benigna da próstata ou, ainda, câncer de próstata.

Esses exames devem ser feitos anualmente por um profissional especialista (urologista) na população que apresenta maior risco de desenvolvimento da doença:

  • homens com mais de 50 anos;
  • pacientes com alteração nos exames;
  • descendentes de africanos ou caribenhos (nesse caso, a partir de 45 anos).

Hoje em dia, a precisão e a relevância do exame de toque já vêm sendo questionadas, especialmente pela Sociedade Americana de Urologia, que afirma que, apesar de ser um método de exame tradicional, não existem evidências do seu benefício.

Diferentemente dos casos de câncer de colo uterino, em que a investigação é feita entre mulheres que são ou já foram sexualmente ativas, o rastreamento populacional da próstata não é considerado eficiente para a prevenção do câncer do órgão. No entanto, é importante ter em mente que ele ajuda a diagnosticar precocemente e aumenta as chances de eficácia no tratamento.

Então, a decisão quanto à realização do toque deve ocorrer entre o médico e o paciente no momento da consulta. Assim, ambos poderão chegar a um acordo quanto ao método de investigação do problema. A partir de qualquer alteração demonstrada nos exames de toque e PSA, os próximos exames solicitados incluem ressonância magnétida da próstata, a biópsia por agulha e a avaliação microscópica deste material coletado.

Como o câncer de próstata é diagnosticado?

Caso as alterações sejam comprovadas, a próxima etapa é a execução de uma biópsia prostática. Essa fase permite que as células sejam observadas pelo microscópio. Assim, os profissionais podem identificar se elas são ou não malignas. Se houver alguma dúvida, existe ainda o recurso da imunohistoquímica, que é um método utilizado para refinar essa pesquisa.

A biópsia é feita mediante sedação. Durante o processo, pequenos fragmentos do tecido prostático são removidos com o auxílio de uma agulha, via transretal ou transperineal. O paciente permanece dormindo durante todo o procedimento e, normalmente, recebe alta hospitalar no mesmo dia.

Qual é a importância da avaliação médica regular?

A avaliação médica regular serve justamente para intervir o quanto antes e dar início ao tratamento em casos de alterações malignas. Em função de todo o preconceito (e medo) que existe em relação ao exame de toque, muitos homens negligenciam os cuidados com a sua saúde. Portanto, essa é hoje uma das principais barreiras da identificação precoce do câncer de próstata.

Participar do rastreamento e da avaliação médica regular é uma iniciativa individual, cabendo a cada um procurar por o serviço de saúde especializado em Urologia ou Oncologia. Lá você será informado sobre os riscos e sobre os benefícios de um diagnóstico logo no início da doença, para só então decidir se quer ou não fazer os testes e participar desse rastreio.

O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) são bastante favoráveis à avaliação médica regular e também ao Novembro Azul. No entanto, ambas organizações possuem ressalvas quanto a qual exame ser realizado na investigação do câncer de próstata. O que a Sociedade Brasileira de Urologia recomenda é investigação laboratorial e exame físico.

O grande receio das entidades nacionais e internacionais é que essa busca pela doença maligna possa detectar uma neoplasia sem impacto a vida do paciente. Ou seja, mesmo que seja encontrado um câncer de próstata, a doença pode não requerer tratamento definitivo. Isso se dá porque há vários cenários possíveis, que quando favoráveis, o potencial de complicações pode ser tão baixo, que não tratar pode ser a melhor opção.

Desse modo, mesmo com diagnóstico de câncer, o paciente pode ter uma vida normal, com baixas chances de progressão da doença e, sendo possível que o tratamento seja mais agressivo e prejudicial ao paciente que a própria doença. Isso reforça, mais uma vez, a importância do acompanhamento médico regular para que a avaliação seja individualizada.

Qual é o tratamento para o câncer de próstata?

O tratamento do câncer de próstata pode ser bastante diferente para a doença localizada e para a metastática — que é quando ele sai do órgão de origem e se alastra para outros locais. No primeiro caso, a doença está apenas dentro da próstata, logo, o tratamento cirúrgico e a radioterapia acabam sendo ótimas opções. Além disso, dependendo da agressividade da doença, essa abordagem pode ser associada ao bloqueio da testosterona, por uso de medicação ou até tratamento cirúrgico mais simples.

A cirurgia da próstata pode ser por via abdominal ou transperineal e hoje é frequentemente realizada com a ajuda da técnica robô assistida. Desse modo, a próstata é retirada, assim como as vesículas seminais e, caso também seja indicado, os linfonodos afetados pela doença.

A recuperação pós-operatória costuma ser rápida e bem menos dolorosa do que em outras abordagens. Assim, o paciente pode concluir sua recuperação em casa depois da alta médica, sendo necessário apenas retornos periódicos para acompanhamento.

Já no caso da radioterapia, o paciente sequer precisa ser internado. Basta que ele se apresente na sessão de radioterapia, realize o procedimento e volte para a sua casa. O número de sessões é determinado pelo profissional radioterapeuta.

Isso por ser feito por meio duas técnicas:

  • a radioterapia de intensidade modulada (IMRT);
  • e a radioterapia guiada por imagem (IGRT).

Essas duas abordagens oferecem riscos e benefícios. Embora a cirurgia possa curar mais rápido que a radioterapia, o paciente corre o risco de desenvolver incontinência urinária e disfunção erétil depois do tratamento. Por outro lado, a radioterapia pode provocar sangramento na urina ou nas fezes, além do aumento da frequência urinária e chance, menor que a cirurgia, de incontinência urinária e disfunção erétil.

Olhando para a doença metastática, a cirurgia não é uma opção. Nesse caso, o tratamento consiste em uma abordagem sistêmica, que inclui principalmente o bloqueio hormonal. Isso diminui as doses sanguíneas de testosterona.

Se, mesmo assim, a doença continuar progredindo, não respondendo à supressão hormonal, é preciso iniciar a quimioterapia para controlar a doença. Hoje, diversas pesquisas vêm sendo realizadas no mundo todo para melhorar tanto a assistência quanto o tratamento para o câncer de próstata.

É claro que outros cuidados também são recomendados em ambos os casos, como abandonar o sedentarismo e manter uma alimentação saudável. Bons hábitos são a chave para uma boa saúde: assim, é possível ter mais qualidade de vida, mesmo durante o tratamento.

É por isso que campanhas como as do Novembro Azul são cada vez mais importantes, para evitar que a doença tenha um diagnóstico tardio, se apresentando já de forma grave, em estado metastático, por exemplo. Assim, os profissionais podem falar sobre esse problema, alertar a população e conscientizar tanto os homens quanto as mulheres que se preocupam com a saúde de seus parceiros.

O que é o Novembro Azul?

Você já deve ter reparado que, de um tempo para cá, os meses vêm ganhando cores como uma espécie de “sobrenome”. Setembro Amarelo, Outubro Rosa e Novembro Azul são apenas alguns dos exemplos mais conhecidos da prática. Mas você sabe o que isso significa?

A atribuição das cores aos meses é feita para chamar a atenção para causas importantes e que merecem cuidado durante o ano todo. Essas campanhas estão associadas aos perigos de doenças que mais vitimam pessoas no mundo. Sua principal finalidade é a divulgação por meio da mídia, dos hospitais e clínicas, das empresas, das instituições públicas e de todas as organizações que queiram aderir.

Os meses de outubro e novembro são os mais conhecidos por envolverem duas doenças que matam uma enorme quantidade de pessoas por ano: o câncer de mama (em outubro) e o de próstata (em novembro).

Qual é a importância desse tipo de campanha?

O Novembro Azul é um mês emblemático, não apenas pela causa do câncer em si, mas pela resistência que os homens apresentam ao cuidado com a saúde. Quando se trata da saúde da próstata, em particular, essa dificuldade se torna ainda maior, especialmente em função de tabus difundidos na sociedade, como o exame de toque, por exemplo, que ainda é motivo de chacota em muitas conversas.

No entanto, é preciso transpor essa barreira e ressaltar a grande relevância existente no acompanhamento regular com um urologista, tanto nas consultas quanto nos exames necessários. É justamente por isso que o mês dedicado a essa conscientização é tão indispensável.

Ao falar sobre o problema, homens e mulheres passam a entender melhor a relevância que existe no acompanhamento preventivo e no quanto isso pode contribuir para salvar vidas. Então, com mais informações, o medo dos pacientes diminui e a sua presença nas consultas médicas se torna mais frequente.

Vale lembrar que a próstata deveria ser um detalhe anatômico, caso não fosse frequentemente acometida por um tumor maligno. Como você viu, essa lesão costuma se desenvolver em homens com mais de 50 anos, sendo que a maior quantidade de casos é diagnosticada após os 65. Os tumores costumam progredir lentamente, podendo levar décadas até que os pacientes manifestem qualquer sintoma.

Apesar disso, parte dos pacientes acaba apresentando uma versão mais agressiva da doença, que progride com rapidez e tem um surgimento precoce. Infelizmente, não existe ainda nenhum método capaz de determinar quais pacientes vão apresentar a doença nessa condição mais agressiva.

Muito se fala que o paciente é o protagonista no cuidado da sua saúde, o médico só está ali com um papel secundário que presta assistência. No entanto, para que isso funcione como deve, é preciso que todos estejam cientes da importância da auto-observação, do autocuidado e da regularidade nas visitas ao profissional de saúde.

Falar sobre o problema também é uma maneira de desmistificar o assunto e quebrar tabus que hoje são tidos como empecilhos para a identificação e tratamento precoce do problema. Portanto, é importante que os homens saibam o quanto os exames regulares podem garantir mais segurança, mesmo em caso de câncer.

Além disso, também é preciso saber que o exame de toque é rápido e pouco incômodo, não precisando temer sua execução. Quanto mais experiente for o urologista, maiores são as chances de ele identificar com precisão quaisquer alterações físicas na área e, por isso, essa abordagem ainda se faz necessária.

Agora que você já sabe o que é o Novembro Azul, por que esse mês é tão importante e o quanto é necessário informar a população sobre esse assunto, que tal compartilhar este post nas suas redes sociais?

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O que é Novembro Azul? Entenda o mês de prevenção ao câncer de próstata; Quando o assunto é câncer, todo mundo fica um pouco assustado. Não é para menos, já que essa é uma doença séria, podendo ser fatal. No entanto, uma das principais medidas para evitar esse desfecho é o diagnóstico precoce, um dos principais temas abordados durante o Novembro Azul. Para ajudar a aprofundar melhor esse assunto, com segurança e conhecimento de causa, conversamos com a médica Dra. Rhaniellen Silva Ferreira, médica urologista. Vamos lá? Aproveite a leitura! O que é a próstata e qual é a sua função? A próstata é um órgão que faz parte do aparelho reprodutor masculino e é responsável por produzir parte do sêmen, o líquido prostático. Está localizada na região pélvica e, em condições saudáveis, ela tem um pequeno volume que fica suavemente aparente abaixo da bexiga. Seu papel na reprodução é, principalmente, liberar uma secreção que é eliminada no momento exato da ejaculação. Essa substância garante a viabilidade dos espermatozoides e é composta por enzimas anticoagulantes e nutrientes para os gametas masculinos. Como e quando o câncer de próstata se manifesta? O câncer de próstata é silencioso, podendo não ser evidenciado facilmente. Mas está entre as doenças mais comuns pelo mundo e costuma se manifestar a partir dos 50 anos. Entre os homens, é o tipo de câncer mais comum e o segundo mais letal. A forma mais comum de identificar a manifestação do câncer de próstata é por meio do rastreamento do exame de sangue e exame físico. E, claro, também é importante ficar atento a fatores de risco para a doença. Com diagnóstico e tratamento precoces, é possível evitar complicações da doença, dependendo do seu estágio e das particularidades de cada paciente. Continue a leitura para entender melhor como e quando o câncer de próstata se manifesta! Em qual faixa etária o câncer de próstata é mais comum? Homens mais velhos apresentam chances maiores de desenvolver doenças na próstata. Portanto, a idade se apresenta como um fator de risco para o câncer de próstata. A maioria dos casos começa a se manifestar a partir dos 50 anos e, justamente por isso, é recomendado que o rastreio comece a ser realizado a partir dessa idade para homens em geral e aos 45 para os que possuem fatores de risco, como ascendência africana e histórico familiar de neoplasia de próstata, mama, ovário ou pâncreas. Quais são os principais fatores de risco? Hoje em dia, ainda não sabemos com exatidão o que causa o câncer de próstata. O que se sabe é que existem fatores que podem contribuir com o surgimento da doença, facilitando a neoplasia direta ou indiretamente. Apesar disso, para além de fatores como a idade, os maus hábitos alimentares, a obesidade e o tabagismo, existem outras premissas que indicam risco de incidência de câncer de próstata. Um dos principais indícios conhecidos é de que a neoplasia da próstata pode estar relacionada ao estímulo do hormônio masculino, andrógenos como a testosterona. Desse modo, a ação prolongada do hormônio da glândula prostática pode superestimular as células. Isso faz com que a glândula cresça e, então, facilite o desenvolvimento do tumor na próstata. Outras condições que estão relacionadas com o surgimento da doença são: histórico familiar de primeiro grau de câncer de próstata, mama, ovário, pâncreas;ascendência africana ou caribenha;mutação genética. É claro que os fatores de risco podem influenciar tanto no desenvolvimento quanto na progressão do câncer de próstata. No entanto, apesar disso, não quer dizer que são essas condições que causam diretamente a doença. Em muitos casos, os homens apresentam diversos desses fatores de risco, mas nunca chegam a desenvolver a doença. Do mesmo modo, existem aqueles que não apresentam nenhum fator, mas têm a doença agressiva. Portanto, fatores de risco estão relacionados mas não signifca que ter tais condições fará com que a pessoa com certeza tenha a doença. Existem sintomas para o câncer de próstata? O câncer de próstata é considerado uma doença silenciosa e, ao contrário de grande parte das neoplasias, acontece sem manifestar nenhum vestígio. Normalmente quando os sintomas aparecem, é porque a doença já se espalhou e está em um nível mais avançado. Enquanto a doença estiver localizada apenas na próstata, é bastante incomum que os pacientes observem qualquer sintoma. Os "sintomas prostáticos", tais como vontade frequente de urinar e sensação de bexiga cheia após urinar, são sinais comumente apresentados por outra patologia: a hipertrofia benigna da próstata. Já quando se trata do câncer de próstata, propriamente dito, os sintomas geralmente surgem quando a doença já se implantou em outros órgãos, como nos ossos. Na fase de metástase óssea, existe a manifestação de dor forte, o que leva o paciente a procurar o atendimento médico por isso. Só que quando há dor óssea, a doença já está fora da próstata. Nesse caso, trata-se de uma condição já avançada, o que dificulta bastante o tratamento para controle da patologia. Assim, as chances de cura são expressivamente menores quando comparadas às dos diagnósticos precoces. Por isso, o paciente que tem o diagnóstico precoce é aquele que tem mais chances de ter um tratamento de sucesso. Como prevenir o câncer de próstata? Embora alguns fatores de risco para desenvolvimento do câncer de próstata sejam modificáveis, como maus hábitos alimentares e tabagismo, não existe garantia de prevenção. Portanto, a melhor forma de lutar contra a doença está diretamente ligada ao diagnóstico precoce, uma maneira efetiva de evitar seus casos mais graves. Nesse caso, a melhor opção é um acompanhamento preventivo para eventual diagnóstico o quanto antes. Quais são os principais exames preventivos? Os exames realizados pelos profissionais de medicina incluem o toque retal e dosagem do PSA. O toque faz parte do exame físico e é muito importante para identificar o surgimento de algum nódulo na região. É por meio dele que o médico faz um acompanhamento do tamanho de eventuais nódulos em relação à próstata, além de verificar sua consistência. Já o PSA é um exame de sangue que busca fazer o rastreamento da dosagem de antígeno prostático específico. Quando em alta concentração, esse antígeno pode indicar alterações na próstata, tais como prostatite, hipertrofia benigna da próstata ou, ainda, câncer de próstata. Esses exames devem ser feitos anualmente por um profissional especialista (urologista) na população que apresenta maior risco de desenvolvimento da doença: homens com mais de 50 anos;pacientes com alteração nos exames;descendentes de africanos ou caribenhos (nesse caso, a partir de 45 anos). Hoje em dia, a precisão e a relevância do exame de toque já vêm sendo questionadas, especialmente pela Sociedade Americana de Urologia, que afirma que, apesar de ser um método de exame tradicional, não existem evidências do seu benefício. Diferentemente dos casos de câncer de colo uterino, em que a investigação é feita entre mulheres que são ou já foram sexualmente ativas, o rastreamento populacional da próstata não é considerado eficiente para a prevenção do câncer do órgão. No entanto, é importante ter em mente que ele ajuda a diagnosticar precocemente e aumenta as chances de eficácia no tratamento. Então, a decisão quanto à realização do toque deve ocorrer entre o médico e o paciente no momento da consulta. Assim, ambos poderão chegar a um acordo quanto ao método de investigação do problema. A partir de qualquer alteração demonstrada nos exames de toque e PSA, os próximos exames solicitados incluem ressonância magnétida da próstata, a biópsia por agulha e a avaliação microscópica deste material coletado. Como o câncer de próstata é diagnosticado? Caso as alterações sejam comprovadas, a próxima etapa é a execução de uma biópsia prostática. Essa fase permite que as células sejam observadas pelo microscópio. Assim, os profissionais podem identificar se elas são ou não malignas. Se houver alguma dúvida, existe ainda o recurso da imunohistoquímica, que é um método utilizado para refinar essa pesquisa. A biópsia é feita mediante sedação. Durante o processo, pequenos fragmentos do tecido prostático são removidos com o auxílio de uma agulha, via transretal ou transperineal. O paciente permanece dormindo durante todo o procedimento e, normalmente, recebe alta hospitalar no mesmo dia. Qual é a importância da avaliação médica regular? A avaliação médica regular serve justamente para intervir o quanto antes e dar início ao tratamento em casos de alterações malignas. Em função de todo o preconceito (e medo) que existe em relação ao exame de toque, muitos homens negligenciam os cuidados com a sua saúde. Portanto, essa é hoje uma das principais barreiras da identificação precoce do câncer de próstata. Participar do rastreamento e da avaliação médica regular é uma iniciativa individual, cabendo a cada um procurar por o serviço de saúde especializado em Urologia ou Oncologia. Lá você será informado sobre os riscos e sobre os benefícios de um diagnóstico logo no início da doença, para só então decidir se quer ou não fazer os testes e participar desse rastreio. O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) são bastante favoráveis à avaliação médica regular e também ao Novembro Azul. No entanto, ambas organizações possuem ressalvas quanto a qual exame ser realizado na investigação do câncer de próstata. O que a Sociedade Brasileira de Urologia recomenda é investigação laboratorial e exame físico. O grande receio das entidades nacionais e internacionais é que essa busca pela doença maligna possa detectar uma neoplasia sem impacto a vida do paciente. Ou seja, mesmo que seja encontrado um câncer de próstata, a doença pode não requerer tratamento definitivo. Isso se dá porque há vários cenários possíveis, que quando favoráveis, o potencial de complicações pode ser tão baixo, que não tratar pode ser a melhor opção. Desse modo, mesmo com diagnóstico de câncer, o paciente pode ter uma vida normal, com baixas chances de progressão da doença e, sendo possível que o tratamento seja mais agressivo e prejudicial ao paciente que a própria doença. Isso reforça, mais uma vez, a importância do acompanhamento médico regular para que a avaliação seja individualizada. Qual é o tratamento para o câncer de próstata? O tratamento do câncer de próstata pode ser bastante diferente para a doença localizada e para a metastática — que é quando ele sai do órgão de origem e se alastra para outros locais. No primeiro caso, a doença está apenas dentro da próstata, logo, o tratamento cirúrgico e a radioterapia acabam sendo ótimas opções. Além disso, dependendo da agressividade da doença, essa abordagem pode ser associada ao bloqueio da testosterona, por uso de medicação ou até tratamento cirúrgico mais simples. A cirurgia da próstata pode ser por via abdominal ou transperineal e hoje é frequentemente realizada com a ajuda da técnica robô assistida. Desse modo, a próstata é retirada, assim como as vesículas seminais e, caso também seja indicado, os linfonodos afetados pela doença. A recuperação pós-operatória costuma ser rápida e bem menos dolorosa do que em outras abordagens. Assim, o paciente pode concluir sua recuperação em casa depois da alta médica, sendo necessário apenas retornos periódicos para acompanhamento. Já no caso da radioterapia, o paciente sequer precisa ser internado. Basta que ele se apresente na sessão de radioterapia, realize o procedimento e volte para a sua casa. O número de sessões é determinado pelo profissional radioterapeuta. Isso por ser feito por meio duas técnicas: a radioterapia de intensidade modulada (IMRT);e a radioterapia guiada por imagem (IGRT). Essas duas abordagens oferecem riscos e benefícios. Embora a cirurgia possa curar mais rápido que a radioterapia, o paciente corre o risco de desenvolver incontinência urinária e disfunção erétil depois do tratamento. Por outro lado, a radioterapia pode provocar sangramento na urina ou nas fezes, além do aumento da frequência urinária e chance, menor que a cirurgia, de incontinência urinária e disfunção erétil. Olhando para a doença metastática, a cirurgia não é uma opção. Nesse caso, o tratamento consiste em uma abordagem sistêmica, que inclui principalmente o bloqueio hormonal. Isso diminui as doses sanguíneas de testosterona. Se, mesmo assim, a doença continuar progredindo, não respondendo à supressão hormonal, é preciso iniciar a quimioterapia para controlar a doença. Hoje, diversas pesquisas vêm sendo realizadas no mundo todo para melhorar tanto a assistência quanto o tratamento para o câncer de próstata. É claro que outros cuidados também são recomendados em ambos os casos, como abandonar o sedentarismo e manter uma alimentação saudável. Bons hábitos são a chave para uma boa saúde: assim, é possível ter mais qualidade de vida, mesmo durante o tratamento. É por isso que campanhas como as do Novembro Azul são cada vez mais importantes, para evitar que a doença tenha um diagnóstico tardio, se apresentando já de forma grave, em estado metastático, por exemplo. Assim, os profissionais podem falar sobre esse problema, alertar a população e conscientizar tanto os homens quanto as mulheres que se preocupam com a saúde de seus parceiros. O que é o Novembro Azul? Você já deve ter reparado que, de um tempo para cá, os meses vêm ganhando cores como uma espécie de "sobrenome". Setembro Amarelo, Outubro Rosa e Novembro Azul são apenas alguns dos exemplos mais conhecidos da prática. Mas você sabe o que isso significa? A atribuição das cores aos meses é feita para chamar a atenção para causas importantes e que merecem cuidado durante o ano todo. Essas campanhas estão associadas aos perigos de doenças que mais vitimam pessoas no mundo. Sua principal finalidade é a divulgação por meio da mídia, dos hospitais e clínicas, das empresas, das instituições públicas e de todas as organizações que queiram aderir. Os meses de outubro e novembro são os mais conhecidos por envolverem duas doenças que matam uma enorme quantidade de pessoas por ano: o câncer de mama (em outubro) e o de próstata (em novembro). Qual é a importância desse tipo de campanha? O Novembro Azul é um mês emblemático, não apenas pela causa do câncer em si, mas pela resistência que os homens apresentam ao cuidado com a saúde. Quando se trata da saúde da próstata, em particular, essa dificuldade se torna ainda maior, especialmente em função de tabus difundidos na sociedade, como o exame de toque, por exemplo, que ainda é motivo de chacota em muitas conversas. No entanto, é preciso transpor essa barreira e ressaltar a grande relevância existente no acompanhamento regular com um urologista, tanto nas consultas quanto nos exames necessários. É justamente por isso que o mês dedicado a essa conscientização é tão indispensável. Ao falar sobre o problema, homens e mulheres passam a entender melhor a relevância que existe no acompanhamento preventivo e no quanto isso pode contribuir para salvar vidas. Então, com mais informações, o medo dos pacientes diminui e a sua presença nas consultas médicas se torna mais frequente. Vale lembrar que a próstata deveria ser um detalhe anatômico, caso não fosse frequentemente acometida por um tumor maligno. Como você viu, essa lesão costuma se desenvolver em homens com mais de 50 anos, sendo que a maior quantidade de casos é diagnosticada após os 65. Os tumores costumam progredir lentamente, podendo levar décadas até que os pacientes manifestem qualquer sintoma. Apesar disso, parte dos pacientes acaba apresentando uma versão mais agressiva da doença, que progride com rapidez e tem um surgimento precoce. Infelizmente, não existe ainda nenhum método capaz de determinar quais pacientes vão apresentar a doença nessa condição mais agressiva. Muito se fala que o paciente é o protagonista no cuidado da sua saúde, o médico só está ali com um papel secundário que presta assistência. No entanto, para que isso funcione como deve, é preciso que todos estejam cientes da importância da auto-observação, do autocuidado e da regularidade nas visitas ao profissional de saúde. Falar sobre o problema também é uma maneira de desmistificar o assunto e quebrar tabus que hoje são tidos como empecilhos para a identificação e tratamento precoce do problema. Portanto, é importante que os homens saibam o quanto os exames regulares podem garantir mais segurança, mesmo em caso de câncer. Além disso, também é preciso saber que o exame de toque é rápido e pouco incômodo, não precisando temer sua execução. Quanto mais experiente for o urologista, maiores são as chances de ele identificar com precisão quaisquer alterações físicas na área e, por isso, essa abordagem ainda se faz necessária. 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