Blog Sabin https://blog.sabin.com.br/ Conhecimento aliado ao bem-estar Fri, 27 Mar 2026 16:09:49 +0000 pt-BR hourly 1 https://blog.sabin.com.br/wp-content/uploads/2025/10/cropped-03_simbolo-vermelho-1-32x32.png Blog Sabin https://blog.sabin.com.br/ 32 32 Atualizações clínicas sobre o manejo da dislipidemia na gestação https://blog.sabin.com.br/medicos/dislipidemia-na-gestacao-novas-evidencias-para-o-manejo/ https://blog.sabin.com.br/medicos/dislipidemia-na-gestacao-novas-evidencias-para-o-manejo/#respond Fri, 27 Mar 2026 14:10:59 +0000 https://blog.sabin.com.br/?p=5097 A dislipidemia na gestação representa um desafio crescente na prática clínica, especialmente diante do aumento da prevalência de distúrbios metabólicos em mulheres em idade fértil. Em 2024, o European Heart Journal publicou uma atualização relevante sobre o tema, enfatizando a necessidade de um novo olhar sobre o manejo da dislipidemia durante a gravidez. Apesar dos […]

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A dislipidemia na gestação representa um desafio crescente na prática clínica, especialmente diante do aumento da prevalência de distúrbios metabólicos em mulheres em idade fértil. Em 2024, o European Heart Journal publicou uma atualização relevante sobre o tema, enfatizando a necessidade de um novo olhar sobre o manejo da dislipidemia durante a gravidez. Apesar dos avanços no tratamento em populações não grávidas, o cenário gestacional permanece limitado, em grande parte por conta da exclusão rotineira de gestantes em ensaios clínicos. 

Nesse contexto, a individualização do cuidado, aliada à avaliação rigorosa de risco-benefício e à abordagem multidisciplinar, torna-se imprescindível para garantir a segurança materno-fetal. Prossiga na leitura para se atualizar sobre condutas terapêuticas seguras e recomendações mais recentes no manejo da dislipidemia na gestação.

Panorama epidemiológico e fisiopatológico

Ao longo da gravidez, é esperado um aumento fisiológico nos níveis de colesterol total, LDL-C e triglicerídeos, sobretudo no terceiro trimestre. A adaptação metabólica visa atender às demandas do feto em crescimento e é mediada por alterações hormonais, principalmente devido ao aumento de estrogênio e progesterona. Contudo, em mulheres com dislipidemia prévia, como hipercolesterolemia familiar (HF) ou hipertrigliceridemia primária, essa elevação pode ultrapassar os limites fisiológicos, aumentando o risco de eventos adversos.

Os perfis lipídicos anormais na gestação estão associados a complicações obstétricas relevantes, incluindo pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, parto prematuro e pancreatite aguda. Além disso, o risco de eventos cardiovasculares maternos também se eleva. Por isso, o rastreamento em gestantes com antecedentes familiares de dislipidemia grave ou histórico pessoal de eventos cardiovasculares deve ser considerado desde o início do pré-natal.

Perfis lipídicos e desfechos específicos: o contexto brasileiro

Alguns estudos brasileiros revelam que o IMC pré-gestacional exerce influência significativa sobre o perfil lipídico da gestante. Mulheres com sobrepeso ou obesidade tendem a apresentar maiores concentrações de triglicerídeos e LDL-C, e níveis reduzidos de HDL-C. Além disso, padrões alimentares ricos em fast food e açúcares simples estão associados a piores desfechos metabólicos durante a gestação.

Essas alterações impactam diretamente o feto: níveis elevados de LDL-C e triglicerídeos e aumento mais lento do HDL-C foram relacionados ao nascimento de recém-nascidos grandes para a idade gestacional (LGA), o que pode predispor a distúrbios metabólicos na vida adulta. Curiosamente, há também correlação entre baixos níveis de HDL-C e aumento de sintomas depressivos em gestantes, sugerindo implicações psicossociais ainda pouco exploradas.

Atualizações no manejo terapêutico

O estudo reforça que o manejo da dislipidemia na gestação não sofreu mudanças expressivas nas últimas décadas. Em virtude da contraindicação formal da maioria dos hipolipemiantes, as estratégias não farmacológicas permanecem como o eixo central do tratamento. Isso inclui orientação nutricional individualizada, prática de atividade física segura, controle do ganho de peso e suporte psicológico.

O manejo pré-concepcional ganha destaque como momento oportuno para intervenção. Em mulheres com dislipidemia conhecida, esse período permite o uso de terapias atualmente contraindicadas na gestação, além de possibilitar ajustes metabólicos prévios à concepção. Ainda assim, há urgência na produção de evidências de alta qualidade para subsidiar diretrizes mais seguras e eficazes para esse grupo populacional.

Terapias farmacológicas: o que será permitido e o que será restrito na gestação

O uso de terapias farmacológicas para o manejo da dislipidemia na gestação continua limitado, em particular pela ausência de evidências robustas de segurança para a maioria dos agentes hipolipemiantes. 

Dessa forma, a indicação de medicamentos deve ser cuidadosamente avaliada, considerando o perfil de risco materno, os potenciais efeitos sobre o desenvolvimento fetal e a gravidade da dislipidemia. 

Em geral, o tratamento farmacológico é reservado a situações específicas, nas quais o risco cardiovascular materno ou as complicações metabólicas superam os riscos potenciais associados à exposição medicamentosa.

Alternativas de uso excepcional (sob estrito risco-benefício)

Dentre as poucas opções farmacológicas consideradas durante a gestação, os sequestrantes de ácidos biliares permanecem como a única classe com segurança estabelecida para uso materno, sendo amplamente aceitos na prática clínica.

Em situações clínicas específicas e de alto risco, ezetimiba e fenofibrato podem ser avaliados como alternativas de uso excepcional, desde que sob análise criteriosa de risco-benefício individualizado e com acompanhamento multiprofissional rigoroso. Mesmo assim, a escassez de evidências robustas sobre sua segurança em gestantes exige extrema cautela.

Os ácidos graxos ômega-3 também podem ser utilizados com moderação em determinados casos, embora faltem dados conclusivos sobre sua segurança durante a lactação, o que reforça a necessidade de vigilância clínica contínua.

Fármacos contraindicados ou de uso controverso

As estatinas seguem formalmente contraindicadas no decorrer da gestação, com base em dados de estudos pré-clínicos e observacionais que indicam risco potencial de malformações fetais. No entanto, revisões sistemáticas recentes e relatos de casos clínicos vêm discutindo novas perspectivas para pacientes com hipercolesterolemia familiar homozigótica grave (HFHo) ou com risco cardiovascular materno muito elevado.

Nesses casos excepcionais, a manutenção da terapia com estatinas pode ser considerada, sempre sob avaliação individual criteriosa, com apoio de comitês multidisciplinares e vigilância clínica intensiva. A decisão deve ponderar o risco de descontinuação da medicação, principalmente mulheres com história de eventos cardiovasculares prévios ou LDL-C persistentemente elevados, frente aos potenciais riscos teóricos ao feto.

Agentes mais recentes, como os inibidores de PCSK9, bempedoico, inclisiran, evinacumab e olezarsen, ainda não possuem dados de segurança em gestantes e, portanto, devem ser restritos ao uso pré-concepcional ou retomados apenas no pós-parto. A niacina continua não recomendada, dado seu baixo benefício cardiovascular e possíveis riscos materno-fetais.

Critérios de intervenção farmacológica e de emergência: indo além do estilo de vida

Embora as mudanças no estilo de vida sejam o pilar fundamental do tratamento das dislipidemias, existem cenários clínicos de alta complexidade, nos quais dieta e atividade física isoladas tornam-se insuficientes. 

Em situações de risco metabólico extremo ou predisposição genética severa, a intervenção médica deve ser imediata e agressiva para prevenir desfechos fatais. O manejo dessas condições exige um equilíbrio criterioso entre a segurança do paciente e a necessidade de terapias avançadas, muitas vezes exigindo suporte tecnológico hospitalar e uma abordagem interdisciplinar coordenada.

Hipertrigliceridemia grave

Quando os níveis de triglicerídeos ultrapassam 1.000 mg/dL, há risco elevado de pancreatite aguda e outras complicações graves. Nesses casos, pode ser necessário adotar estratégias mais intensivas, como jejum temporário, nutrição parenteral e, em situações críticas, aférese lipídica, sempre com suporte multiprofissional e em ambiente hospitalar com expertise.

Hipercolesterolemia familiar homozigótica

Essa condição representa alto risco cardiovascular para a mãe. Em casos selecionados, a continuação da terapia hipolipemiante pode ser indicada durante a gestação. 

A aférese lipídica surge como alternativa terapêutica segura, embora de acesso limitado. A avaliação deve envolver equipe multidisciplinar, incluindo cardiologia, obstetrícia, genética, endocrinologia e nutrição, sempre com foco no manejo pré-concepcional como forma de reduzir riscos na gestação.

Repercussões do perfil lipídico materno na saúde fetal

A dislipidemia materna influencia diretamente o crescimento e o desenvolvimento fetal. Além do risco de LGA, chamam atenção possíveis implicações na programação metabólica do feto, o que pode predispor à obesidade, dislipidemia e resistência insulínica na vida adulta. Do ponto de vista obstétrico, há maior incidência de síndrome hipertensiva gestacional, diabetes gestacional e parto prematuro.

Mesmo gestantes assintomáticas com alterações no perfil lipídico devem ser monitoradas rigorosamente. A vigilância clínica estruturada, com acompanhamento longitudinal, é essencial para prevenir complicações e garantir desfechos positivos.

Riscos da descontinuação abrupta de terapias hipolipemiantes

Interromper terapias hipolipemiantes sem avaliação adequada pode expor gestantes de alto risco a eventos cardiovasculares graves. Um exemplo clássico são pacientes com histórico de infarto agudo do miocárdio em uso crônico de estatinas. Nesses casos, a decisão deve ser compartilhada entre equipe médica e paciente, com definição de protocolos claros de continuidade terapêutica e monitoramento clínico constante. O planejamento terapêutico deve ser feito ainda no período pré-concepcional, evitando ajustes emergenciais durante a gestação.

Conclusão e perspectivas: a importância do manejo pré-concepcional

O manejo da dislipidemia na gestação exige uma abordagem baseada em individualização rigorosa do risco, estratégias não farmacológicas como pilar terapêutico e atuação multidisciplinar integrada. O período pré-concepcional se destaca como janela crítica de oportunidade para intervenção segura, especialmente em mulheres com HF ou hipertrigliceridemia grave.

Apesar dos avanços recentes, a literatura ainda carece de ensaios clínicos envolvendo gestantes, o que limita a robustez das recomendações atuais. A inclusão de mulheres grávidas em estudos prospectivos deve ser prioridade nas próximas décadas, bem como o desenvolvimento de fármacos especificamente desenhados para uso seguro nesse período tão sensível.

Para aprofundar seu conhecimento, sugerimos a leitura do conteúdo sobre o painel genético para a dislipidemia.

Referências:

Joanna Lewek, Agata Bielecka-Dąbrowa, Peter P Toth, Maciej Banach, Dyslipidaemia management in pregnant patients: a 2024 update, European Heart Journal Open, Volume 4, Issue 3, May 2024, oeae032, https://doi.org/10.1093/ehjopen/oeae032

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Rodrigues IC, Grandi C, Simões VMF, Batista RFL, Rodrigues LS, Cardoso VC. Metabolic profile during pregnancy in BRISA birth cohorts of Ribeirão Preto and São Luís, Brazil. Braz J Med Biol Res. 2020 Dec 7;54(1):e10253. doi: 10.1590/1414-431X202010253. PMID: 33295536; PMCID: PMC7727101.

Carreira NP, de Lima MC, Sartorelli DS, Crivellenti LC. Relationship between diet quality and biochemical profile in Brazilian overweight pregnant women. Nutrition. 2023 Sep;113:112056. doi: 10.1016/j.nut.2023.112056. Epub 2023 Apr 29. PMID: 37354652.

Svendsen K, Christensen JJ, Igland J, Krogh HW, Mundal LJ, Jacobs DR Jr, Bogsrud MP, Holven KB, Retterstøl K. Risk of adverse pregnancy outcomes and impact of statin use in pregnant women with familial hypercholesterolemia. Atherosclerosis. 2025 Sep;408:120442. doi: 10.1016/j.atherosclerosis.2025.120442. Epub 2025 Jul 10. PMID: 40669098.

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Anemia: entenda o que é e como cuidar da forma correta https://blog.sabin.com.br/saude/o-que-e-anemia-e-como-cuidar/ https://blog.sabin.com.br/saude/o-que-e-anemia-e-como-cuidar/#respond Tue, 24 Mar 2026 13:55:02 +0000 https://blog.sabin.com.br/?p=5093 A anemia é uma condição frequente que pode afetar pessoas em qualquer fase da vida. Caracteriza-se pela redução da concentração de hemoglobina no sangue, o que compromete a capacidade de transporte de oxigênio pelo organismo. Embora não seja uma doença em si, a anemia é um sinal de alerta que exige atenção médica, pois pode […]

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A anemia é uma condição frequente que pode afetar pessoas em qualquer fase da vida. Caracteriza-se pela redução da concentração de hemoglobina no sangue, o que compromete a capacidade de transporte de oxigênio pelo organismo. Embora não seja uma doença em si, a anemia é um sinal de alerta que exige atenção médica, pois pode indicar a presença de deficiências nutricionais, doenças crônicas, distúrbios hereditários ou outras alterações hematológicas.

Os impactos da anemia vão além do cansaço constante. A condição pode influenciar o rendimento escolar e o crescimento e desenvolvimento neurológico das crianças, até mesmo aumentar o risco de complicações em gestantes e idosos. Identificar os sinais precocemente e buscar a causa correta são etapas importantes para um tratamento eficaz e prevenção de desfechos mais graves. 

Continue a leitura e conheça os principais tipos de anemia, suas causas e como cada tipo é acompanhado e tratado.

O que é anemia?

A anemia é definida pela redução nos níveis de hemoglobina no sangue, que pode variar de acordo com a idade, o sexo e o estado fisiológico da pessoa. A hemoglobina é a proteína dos glóbulos vermelhos responsável por transportar oxigênio dos pulmões para os tecidos. Quando a quantidade está abaixo do ideal, o corpo entra em estado de alerta, devido à menor oxigenação dos órgãos.

A condição costuma ser silenciosa nas fases iniciais, mas pode evoluir com sinais de fadiga, fraqueza e queda do desempenho físico e cognitivo. Identificar a causa da anemia é essencial para a condução do tratamento, já que pode estar relacionada desde a má alimentação até doenças genéticas ou inflamatórias.

Quais são os tipos mais comuns de anemia?

A anemia pode se manifestar de diferentes formas, dependendo da causa e dos mecanismos envolvidos na redução da hemoglobina ou dos glóbulos vermelhos. 

Reforçando o que já foi dito, é preciso compreender que cada tipo de anemia tem uma causa e um tratamento específico.

Anemia ferropriva

Tipo mais frequente, a anemia ferropriva é causada pela deficiência de ferro no organismo. Pode surgir por baixa ingestão na dieta, dificuldade na absorção intestinal ou perdas sanguíneas crônicas, como menstruações intensas ou sangramentos gastrointestinais.

Os sintomas incluem palidez, fadiga, tontura, unhas frágeis e queda de cabelo. Os grupos de risco incluem crianças pequenas, adolescentes, idosos, gestantes, mulheres em idade fértil e pessoas em situação de vulnerabilidade nutricional.

Anemia por deficiência de vitamina B12 ou folato

A vitamina B12 e o folato são fundamentais para a formação dos glóbulos vermelhos. A deficiência pode causar anemia macrocítica, com células maiores e menos funcionais. 

Os principais afetados são idosos, alcoólatras, pessoas com doenças intestinais ou que seguem dietas muito restritivas, como veganos. Também é, às vezes, associada a alterações autoimunes. Além dos sintomas gerais de anemia, pode haver alterações neurológicas, como formigamento, dificuldades de concentração e equilíbrio e alterações de memória.

Anemia de doença crônica

Presente em doenças inflamatórias, infecciosas ou neoplásicas, essa forma de anemia ocorre em virtude da redução da produção de glóbulos vermelhos pela medula óssea e ao aproveitamento inadequado do ferro. É comum em pacientes com doenças renais crônicas, lúpus, artrite reumatoide ou câncer.

Anemias hereditárias

Causadas por alterações genéticas, como anemia falciforme e talassemias, essas condições acometem a estrutura ou produção da hemoglobina. São diagnosticadas geralmente na infância e requerem acompanhamento contínuo, com exceção da talassemia minor. Em alguns casos, o tratamento pode envolver transfusões regulares ou terapias mais avançadas.

Quais são os principais sintomas da anemia?

Os sintomas mais comuns incluem cansaço progressivo, palidez da pele e mucosas, fraqueza muscular, dor de cabeça, tonturas e sensação de falta de ar ao realizar esforços. Em idosos, podem surgir confusão mental, desmaios e agravamento de doenças cardiovasculares.

Nas crianças, a anemia pode afetar o aprendizado, o crescimento e o comportamento. Nas gestantes, aumenta o risco de parto prematuro, baixo peso do bebê e complicações no parto.

Como é feito o diagnóstico da anemia?

A investigação começa com o hemograma completo, que revela alterações nos níveis de hemoglobina, hematócrito e no tamanho e coloração dos glóbulos vermelhos (VCM, CHCM). A contagem de reticulócitos é imprescindível para rastrear possíveis causas.

Exames laboratoriais básicos

O hemograma é o exame inicial. Ele fornece uma visão geral da condição dos glóbulos vermelhos e orienta os próximos passos. A análise de reticulócitos informa sobre a atividade da medula.

Exames específicos

Conforme a suspeita clínica, o médico pode solicitar exames como:

  • Ferritina, ferro sérico, transferrina e saturação de transferrina, úteis na identificação da deficiência de ferro.
  • Vitamina B12 e folato: dosagens importantes em anemias macrocíticas (VCM maior que o valor de referência).
  • Curva de fragilidade osmótica, indicada em casos suspeitos de esferocitose hereditária.
  • Dosagem de enzimas eritrocitárias (G6PD, piruvato quinase), avaliam causas enzimáticas de hemólise.
  • Exames da medula óssea, recomendados quando há suspeita de falência medular, infiltração por doenças ou anemias refratárias.
  • Investigação de sangramentos ocultos, especialmente em adultos com anemia ferropriva sem causa evidente.

Quem tem mais risco de ter anemia?

Alguns grupos populacionais são mais suscetíveis:

  • Crianças pequenas, gestantes e mulheres em idade fértil, principalmente por conta da alta demanda de ferro.
  • Idosos e alcoólatras, com maior risco de deficiência de vitamina B12 e folato.
  • Pessoas com doenças intestinais crônicas, que interferem na absorção de nutrientes.
  • Pacientes com doenças crônicas ou inflamatórias, como lúpus, insuficiência renal e câncer.
  • Indivíduos com doenças genéticas, como talassemia e anemia falciforme.
  • Pessoas com dietas restritivas ou insegurança alimentar, sobretudo em regiões de baixa renda.

Em muitos casos, os fatores de risco se sobrepõem, o que exige uma avaliação médica completa e personalizada.

Como prevenir a anemia?

A prevenção depende da causa. Embora algumas anemias não sejam evitáveis (como as hereditárias), outras podem ser prevenidas com medidas simples.

Alimentação rica em ferro e vitaminas

A dieta tem papel central na prevenção das anemias nutricionais. Alimentos como carnes vermelhas, fígado, feijão, vegetais verde-escuros e cereais fortificados são excelentes fontes de ferro. A vitamina C (presente em frutas cítricas) melhora a absorção do ferro vegetal. Vitamina B12 é encontrada em alimentos de origem animal, como carnes, ovos e leite. O folato está presente em vegetais folhosos, feijão, lentilha e abacate.

Importante: pacientes com anemia falciforme ou talassemia não devem receber suplementos de ferro sem confirmação laboratorial, em razão do risco de sobrecarga de ferro.

Acompanhamento médico e exames regulares

Consultas regulares e realização periódica de exames, como o hemograma, são determinantes para detectar precocemente qualquer alteração. Gestantes devem realizar o acompanhamento pré-natal, e crianças precisam passar por avaliações de rotina com o pediatra.

Essas medidas são cruciais nos casos de anemia por deficiência de ferro, em que a detecção precoce garante tratamento eficaz e evita complicações.

Quais são os riscos da anemia não tratada?

Quando a anemia não é identificada e tratada adequadamente, o transporte de oxigênio para os tecidos do corpo fica comprometido, o que pode gerar uma série de complicações. Entre os principais riscos, estão a insuficiência cardíaca, as arritmias e a maior propensão a infecções de repetição, devido à fragilidade do sistema imunológico. 

Além disso, a pessoa pode apresentar uma baixa significativa no desempenho físico e mental, com impactos diretos na qualidade de vida, no trabalho e nas atividades cotidianas. Em idosos, a anemia não tratada está associada a um risco aumentado de hospitalizações, quedas e perda de funcionalidade.

Nas crianças, a condição pode prejudicar o desenvolvimento neurológico, a atenção, a memória e o rendimento escolar, com efeitos a longo prazo sobre o aprendizado. 

Já nas gestantes, os riscos envolvem parto prematuro, nascimento de bebês com baixo peso e aumento da mortalidade perinatal. Diante de tantas possíveis consequências, o diagnóstico precoce, a investigação da causa e o tratamento adequado da anemia são indispensáveis para evitar complicações graves e preservar a saúde em todas as fases da vida.

Quando procurar ajuda médica?

Sinais como fadiga constante, fraqueza, palidez e falta de ar ao se esforçar devem servir de alerta. Tonturas, desmaios, palpitações ou agravamento de doenças preexistentes também justificam avaliação médica.

Populações de risco precisam manter exames em dia, pois mesmo sem sintomas aparentes, a anemia pode estar presente. Quanto antes for diagnosticada, mais eficaz será o tratamento e menores serão as chances de complicações. Cuide da saúde e entenda por que é importante fazer exames de check-up médico.

Sabin avisa:

Este conteúdo é meramente informativo e não pretende substituir consultas médicas, avaliações por profissionais de saúde ou fornecer qualquer tipo de diagnóstico ou recomendação de exames.

Importante ressaltar que diagnósticos e tratamentos devem ser sempre indicados por uma avaliação médica individual. Em caso de dúvidas, converse com seu médico. Somente o profissional pode esclarecer todas as suas perguntas. 

Lembre-se: qualquer decisão relacionada à sua saúde sem orientação profissional pode ser prejudicial.

Referências:

Ludwig H, Strasser K. Symptomatology of anemia. Semin Oncol. 2001 Apr;28(2 Suppl 8):7-14. doi: 10.1016/s0093-7754(01)90206-4. PMID: 11395846.

Moreno Chulilla JA, Romero Colás MS, Gutiérrez Martín M. Classification of anemia for gastroenterologists. World J Gastroenterol. 2009 Oct 7;15(37):4627-37. doi: 10.3748/wjg.15.4627. PMID: 19787825; PMCID: PMC2754510.

Milovanovic T, Dragasevic S, Nikolic AN, Markovic AP, Lalosevic MS, Popovic DD, Krstic MN. Anemia as a Problem: GP Approach. Dig Dis. 2022;40(3):370-375. doi: 10.1159/000517579. Epub 2021 Jun 9. PMID: 34098557.

Fabian C, Olinto MT, Dias-da-Costa JS, Bairros F, Nácul LC. Prevalência de anemia e fatores associados em mulheres adultas residentes em São Leopoldo, Rio Grande do Sul, Brasil [Anemia prevalence and associated factors among adult women in São Leopoldo, Rio Grande do Sul, Brazil]. Cad Saude Publica. 2007 May;23(5):1199-205. Portuguese. doi: 10.1590/s0102-311×2007000500021. PMID: 17486241.

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Aumento expressivo da obesidade pediátrica grave e suas complicações metabólicas https://blog.sabin.com.br/medicos/aumento-da-obesidade-pediatrica-grave/ https://blog.sabin.com.br/medicos/aumento-da-obesidade-pediatrica-grave/#respond Thu, 19 Mar 2026 19:32:58 +0000 https://blog.sabin.com.br/?p=4940 Nas últimas décadas, a obesidade pediátrica evoluiu de um problema emergente para uma emergência clínica global, agravada pelo aumento de casos classificados como obesidade extremamente grave. Dados recentes do estudo de Münte et al. (2025), publicado no JAMA Network Open, apontam para um crescimento relativo de 253,1% na prevalência de obesidade em classes extremas (4 […]

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Nas últimas décadas, a obesidade pediátrica evoluiu de um problema emergente para uma emergência clínica global, agravada pelo aumento de casos classificados como obesidade extremamente grave. Dados recentes do estudo de Münte et al. (2025), publicado no JAMA Network Open, apontam para um crescimento relativo de 253,1% na prevalência de obesidade em classes extremas (4 e 5 – NHANES), com taxa de 1,13% em 2023. Adolescentes entre 16 e 18 anos, especialmente negros não hispânicos, apresentaram os maiores índices, evidenciando marcadores sociais de risco e profundas disparidades em saúde. Isso reforça a necessidade de ação clínica imediata e revisão de estratégias de prevenção e manejo da obesidade pediátrica grave.

Na sequência, atualize-se sobre as principais repercussões metabólicas da obesidade grave em pediatria e como a prática clínica pode ser ajustada nesse novo cenário.

Evidências recentes: crescimento da obesidade extrema e implicações clínicas

A nova estratificação de obesidade pediátrica baseada em cinco classes, conforme utilizada no NHANES (2008–2023), introduziu categorias mais precisas para obesidade extrema: Classe 4 (IMC ≥160% e <180% do percentil 95) e Classe 5 (IMC ≥180% do percentil 95). Essa abordagem permitiu avaliar a progressão de casos graves com maior sensibilidade clínica. 

O crescimento acelerado nessas categorias acende um alerta importante: adolescentes com obesidade extrema já apresentam complicações metabólicas precoces, sobrecarregando os sistemas de saúde e ampliando as desigualdades no acesso a cuidados especializados. O estudo destaca o papel da obesidade grave como marcador de risco metabólico e clínico, reforçando o caráter emergencial da triagem e da intervenção precoce.

Repercussões metabólicas da obesidade severa em idade pediátrica

A obesidade pediátrica grave está intimamente ligada a um conjunto de alterações metabólicas com potencial de manifestação ainda na infância e na adolescência. O acúmulo de tecido adiposo visceral, a resistência insulínica precoce e a inflamação crônica de baixo grau compõem o pano de fundo fisiopatológico para a emergência de disfunções orgânicas progressivas. 

Neste tópico, abordamos as principais complicações metabólicas documentadas em adolescentes com obesidade severa, bem como os impactos cardiovasculares e endócrinos que corroboram a necessidade de rastreamento e intervenção precoce.

Complicações metabólicas documentadas

A obesidade extrema associa-se a um amplo espectro de disfunções metabólicas, com destaque para:

  • Doença hepática associada à disfunção metabólica (MASLD): considerada uma das comorbidades prioritárias, com odds ratio (OR) de 6,74, a MASLD representa manifestação precoce e progressiva da disfunção hepática em crianças e adolescentes com obesidade grave, exigindo triagem laboratorial e, quando indicada, avaliação por imagem e escores de fibrose hepática.
  • Alterações da homeostase glicêmica: incluem resistência insulínica grave (OR 8,05) e presença de pré-diabetes ou diabetes tipo 2 (OR 4,94), com prevalência até cinco vezes maior nos casos extremos, reforçando a importância de rastreamento precoce com glicemia de jejum, HbA1c, insulina basal e HOMA-IR.

Risco cardiovascular precoce e disfunção endotelial

Mesmo na ausência de sintomas clínicos evidentes, adolescentes com obesidade grave apresentam marcadores vasculares subclínicos, como o aumento da espessura íntima-média da artéria carótida e rigidez arterial. Esses achados indicam risco cardiovascular precoce, impulsionado pela combinação de inflamação crônica, resistência insulínica e acúmulo de gordura ectópica.

A hipertensão secundária e a disfunção endotelial tornam-se, portanto, eventos não apenas possíveis, mas frequentes em pacientes dessa faixa etária, exigindo triagem ativa e acompanhamento longitudinal.

Distribuição etária e por sexo

A obesidade pediátrica grave apresenta distribuição heterogênea entre faixas etárias e sexos. Crianças entre dois e cinco anos demonstram prevalência mais baixa, com crescimento progressivo em idades escolares e picos entre adolescentes de 12 a 19 anos. 

Entre os meninos, observa-se aumento em torno dos 10 anos, enquanto as meninas apresentam padrão bimodal, com picos entre 12 e 18 anos, possivelmente relacionados a fatores hormonais. O grupo de 16 a 18 anos representa o segmento com maior prevalência de obesidade extrema, aproximando-se de 2% nessa faixa etária.

Contexto brasileiro: panorama da obesidade pediátrica nacional

No Brasil, o avanço da obesidade pediátrica segue tendência semelhante. Dados nacionais apontam que o excesso de peso afeta mais de 25% dos adolescentes entre cinco e 19 anos, e cerca de 9,5% das crianças menores de cinco anos têm obesidade. Entre 2013 e 2023, o número de internações por complicações da obesidade aumentou em 430%, enquanto os diagnósticos de diabetes tipo 2 cresceram 225% no mesmo período. 

O fenômeno reflete a transição nutricional acelerada, com aumento do consumo de ultraprocessados, sedentarismo e desigualdade no acesso a alimentos saudáveis. Regiões Sul e Sudeste, por exemplo, concentram os maiores índices, porém o crescimento ocorre em todas as áreas do país, indicando a urgência de ações nacionais integradas.

Estratégias clínicas de rastreamento e estratificação de risco

Diante da complexidade clínica da obesidade pediátrica grave, o rastreamento metabólico sistemático e a correta estratificação de risco são etapas fundamentais para nortear decisões terapêuticas e prognósticas. A identificação precoce de alterações laboratoriais e fenotípicas permite intervenções mais precisas, reduz a progressão de comorbidades e auxilia na definição de encaminhamentos especializados. 

A seguir, são apresentadas as recomendações atuais para investigação metabólica e ferramentas clínicas para avaliação de gravidade e priorização de cuidados.

Avaliação metabólica de rotina recomendada

A triagem clínica deve ser iniciada em todos os pacientes com IMC ≥ percentil 95, com atenção redobrada nos casos classificados como obesidade extrema. Para garantir maior clareza diagnóstica e alinhamento com as diretrizes de avaliação metabólica na obesidade pediátrica, recomenda-se organizar os exames laboratoriais em eixos funcionais.

  • Rastreamento de diabetes tipo 2 e resistência insulínica: glicemia de jejum, insulina basal, cálculo do HOMA-IR e hemoglobina glicada (HbA1c) devem ser solicitados rotineiramente para avaliação da homeostase glicêmica. A presença de valores alterados em múltiplos parâmetros sugere disfunção significativa e justifica intervenções intensificadas.
  • Rastreamento de dislipidemias: o perfil lipídico completo, incluindo colesterol total, HDL-C, LDL-C e triglicerídeos, é crucial para a detecção precoce de alterações lipídicas, altamente prevalentes em adolescentes com obesidade grave.
  • Rastreamento de MASLD (doença hepática associada à disfunção metabólica): a dosagem de ALT e AST constitui o primeiro passo na triagem hepática, com ferritina como marcador adicional para inflamação e risco de fibrose, embora não seja um marcador primário. Em casos com suspeita clínica ou laboratorial de envolvimento hepático, recomenda-se complementação com ultrassonografia abdominal, elastografia hepática e aplicação de escores de fibrose, como o FIB-4 e o NAFLD Fibrosis Score, ajustados para a faixa etária pediátrica.

Além dos exames laboratoriais, a avaliação clínica deve incluir a pesquisa de sinais físicos, como acantose nigricans, aferição da pressão arterial, medida da circunferência abdominal e investigação de história familiar de doenças metabólicas. Casos com FIB-4 elevado, FibroScan ≥ F2 ou relação AST/ALT >1 devem ser encaminhados para avaliação especializada em hepatologia pediátrica

Cabe ressaltar que o seguimento ambulatorial pode variar de três a seis meses para pacientes em uso de farmacoterapia, ou de seis a 12 meses para aqueles sob abordagem conservadora, conforme gravidade e evolução clínica.

Ferramentas de classificação fenotípica

Distinção fenotípica

Diferenciar a obesidade com disfunção metabólica (MDO) da obesidade metabólica saudável (MHO) é relevante para a priorização de recursos terapêuticos intensivos. O fenótipo MDO, predominante na população pediátrica com obesidade grave, é definido pela presença de comorbidades metabólicas, como resistência insulínica grave, dislipidemias, MASLD e hipertensão. 

Já o MHO, embora sem manifestações metabólicas evidentes no momento da triagem, não deve ser considerado isento de risco, exigindo seguimento longitudinal. Essa distinção permite estratificar os pacientes segundo o grau de urgência clínica, favorecendo intervenções escalonadas e evitando abordagens generalistas.

Algoritmos de risco

Ferramentas clínicas, como o FIB-4 e o NAFLD Fibrosis Score, ajustadas para a idade pediátrica, têm se consolidado como instrumentos úteis na estratificação de risco hepático não invasiva. Esses escores, quando elevados, ajudam a identificar precocemente pacientes com suspeita de fibrose hepática significativa, indicando a necessidade de intervenções farmacológicas mais precoces ou encaminhamento especializado para hepatologia, gastroenterologia pediátrica ou cirurgia bariátrica, conforme a gravidade e a resposta terapêutica anterior. A incorporação desses algoritmos à rotina clínica amplia a precisão diagnóstica e contribui para um cuidado mais direcionado e eficiente.

Abordagem terapêutica multidisciplinar e individualizada

O manejo da obesidade pediátrica grave deve ser conduzido por equipe multiprofissional, incluindo endocrinologista pediátrico, nutricionista, educador físico e psicólogo. 

A base do tratamento continua sendo a modificação intensiva do estilo de vida, com foco em alimentação equilibrada, atividade física supervisionada e reeducação familiar. Intervenções comportamentais com 26 horas de contato demonstram redução substancial de IMC e melhora de comorbidades, por exemplo.

Ainda, a farmacoterapia com agonistas de GLP-1, como a semaglutida, pode ser considerada em adolescentes ≥12 anos, com IMC ≥ percentil 95 e pelo menos duas comorbidades, após seis meses de falha terapêutica não farmacológica. A seleção deve seguir critérios rigorosos de segurança, com triagem para histórico de MEN2 e avaliação da função renal. A cirurgia bariátrica, por sua vez, é reservada a casos refratários de obesidade grau III, com avaliação multidisciplinar completa.

Prevenção e políticas públicas: foco em infância e ambiente familiar

A prevenção deve começar o mais cedo possível, com ações direcionadas à gestação e aos primeiros mil dias de vida. As políticas públicas devem reforçar o aleitamento materno, limitar a exposição a alimentos ultraprocessados e assegurar o acesso a refeições saudáveis nas escolas. 

Os programas de educação alimentar e nutricional, somados à capacitação familiar sobre sono, atividade física e uso de telas, também compõem a base da pirâmide preventiva.

Implicações para a prática clínica

De modo geral, a obesidade pediátrica extrema representa um marcador precoce de gravidade metabólica e risco cardiovascular futuro. 

Diante da tendência ascendente e da complexidade clínica envolvida, médicos devem atuar com vigilância ampliada, realizando triagem precoce e encaminhamento oportuno. 

A integração entre unidades de saúde, escolas e políticas públicas será imprescindível para conter o avanço da obesidade em crianças e adolescentes no Brasil, melhorando os números atuais e a saúde populacional. 

Continue aprofundando a sua prática clínica nas mais recentes diretrizes! Confira também nosso conteúdo sobre Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica (MASLD).

Referências:

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Spanholi MW, Matsuo LH, Roberto DMT, et al. Trends in the prevalence of obesity, overweight, and thinness among schoolchildren aged 7-14 years from southern Brazil (2002-2019). Am J Hum Biol. 2024 Apr;36(4):e24013. doi: 10.1002/ajhb.24013.

Farias DR, Anjos LA, Berti TL, Alves-Santos NH, Andrade PG, de Freitas MB, Lepsch J, Oliveira N, Lacerda EMA, Carneiro LBV, Schincaglia RM, Normando P, de Castro IRR, Kac G. Prevalence and determinants of wasting and overweight in Brazilian children between 6 and 59 months: Brazilian National Survey on Child Nutrition (ENANI-2019). Br J Nutr. 2025 Mar 14;133(5):674-683. doi: 10.1017/S0007114525000297. Epub 2025 Feb 13. PMID: 39940100.

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Gordura no fígado: como prevenir a esteatose hepática https://blog.sabin.com.br/saude/gordura-no-figado-como-prevenir-a-esteatose-hepatica/ https://blog.sabin.com.br/saude/gordura-no-figado-como-prevenir-a-esteatose-hepatica/#respond Tue, 17 Mar 2026 21:07:02 +0000 https://blog.sabin.com.br/?p=5062 A esteatose hepática ou doença hepática gordurosa é uma condição caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura no interior dos hepatócitos, que são as principais células do fígado. Embora o órgão possua naturalmente uma pequena quantidade de gordura, o excesso pode desencadear um processo inflamatório. O grande perigo da condição é que ela pode evoluir silenciosamente […]

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A esteatose hepática ou doença hepática gordurosa é uma condição caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura no interior dos hepatócitos, que são as principais células do fígado. Embora o órgão possua naturalmente uma pequena quantidade de gordura, o excesso pode desencadear um processo inflamatório. O grande perigo da condição é que ela pode evoluir silenciosamente para doenças hepáticas graves, como a esteatohepatite (inflamação com lesão celular), fibrose (cicatrização) e, finalmente, cirrose ou câncer de fígado.

A comunidade médica internacional alterou a nomenclatura oficial para “doença hepática esteatótica”. A atualização é necessária para contextualizar que o problema não é apenas a gordura isolada, mas sim as causas metabólicas que levam a esse estoque excessivo, como a resistência à insulina e a obesidade.

A boa notícia é que a prevenção se baseia principalmente em mudanças sustentáveis no estilo de vida e em um acompanhamento médico rigoroso, especialmente para quem já possui fatores de risco. Continue a leitura para saber como se prevenir. 

O que é a esteatose hepática?

A esteatose hepática nada mais é do que o acúmulo de lipídeos, sobretudo triglicerídeos, em mais de 5% das células do fígado. Imagine o fígado como uma usina de processamento: quando recebe mais combustível (gorduras e açúcares) do que consegue processar ou exportar, ele começa a estocar esse excedente em suas próprias células.

Essa condição é multifatorial, o que significa que várias causas podem agir ao mesmo tempo. Ela está fortemente associada à obesidade, à resistência à insulina, ao diabetes tipo 2 e ao consumo de álcool, além de haver uma forte predisposição genética envolvida. 

Um ponto importante que precisamos ressaltar é que, mesmo sendo assintomática (sem sintomas aparentes), a esteatose representa um risco real de progressão para quadros mais graves e, por isso, merece atenção precoce para evitar que o fígado sofra lesões permanentes. 

A doença hepática gordurosa não associada ao consumo de álcool é considerada a principal doença crônica do fígado no mundo inteiro e será objeto dos tópicos discutidos a seguir.

Quem tem mais risco de desenvolver esteatose?

A doença hepática gordurosa não alcoólica é um problema de saúde pública, que acomete cerca de 20% a 40% da população, tendo sua prevalência consideravelmente aumentada entre os indivíduos obesos e diabéticos. 

Dados do maior estudo epidemiológico latino-americano sobre saúde do adulto (ELSA-Brasil) mostraram uma prevalência de 35% de esteatose hepática entre os participantes, com predomínio entre homens, obesos, com baixa escolaridade e baixos níveis de atividade física.

Apesar de qualquer indivíduo ter o risco de desenvolver a condição, certos grupos apresentam maior vulnerabilidade. Pessoas com obesidade, sobrepeso, diabetes tipo 2 e a chamada síndrome metabólica são os principais afetados.

A síndrome metabólica é definida com base em um conjunto de fatores, que incluem: pressão alta, dislipidemia, glicemia de jejum alterada e aumento da circunferência abdominal. 

Estudos apontam que variantes genéticas estão relacionadas a um maior risco de acúmulo de gordura hepática, o que explica por que algumas pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) normal também podem ter gordura no fígado. Ademais, o risco aumenta com a idade, particularmente em homens adultos e idosos. 

Outro grupo de atenção são os pacientes com doenças cardíacas, hipertensão, dislipidemia e aqueles com hepatite C (especificamente o genótipo 3). Infelizmente, devido ao aumento da obesidade infantil, crianças e adolescentes estão igualmente vulneráveis, apresentando uma prevalência crescente dessa condição.

Por que prevenir a esteatose é importante?

A prevenção é a ferramenta mais poderosa, porque a evolução da esteatose para doenças mais graves pode ter um grande impacto na qualidade de vida dos indivíduos. Dados revelam que entre 15% e 40% das pessoas que têm apenas gordura isolada podem acabar desenvolvendo esteatohepatite, que é quando a gordura começa a inflamar e, conforme a evolução, destruir as células do fígado.

A partir desse estágio de inflamação, até 20% a 30% dos casos podem evoluir para fibrose avançada em um período de oito a 10 anos. Precisamos diferenciar a fibrose da cirrose: na fibrose, o fígado apresenta tecido cicatricial, mas ainda tem áreas saudáveis, e a estrutura do órgão está preservada. A cirrose representa uma fase final do processo fibrótico, com franca desorganização da arquitetura do fígado, presença de nódulos de regeneração e acentuada perda funcional hepática.

Em estágio de cirrose, o risco de descompensação hepática e carcinoma hepatocelular (câncer de fígado) aumenta drasticamente, elevando a mortalidade. Além disso, a esteatohepatite está ligada a um maior risco de infartos, derrames e comprometimento renal.

Quais hábitos ajudam a prevenir a esteatose?

Para prevenir ou até reverter a esteatose nas suas fases iniciais, as evidências atuais recomendam estratégias cujo foco é a adoção de estilo de vida saudável. Dessa forma, uma vez feito o diagnóstico de doença gordurosa do fígado não alcoólica, modificações no estilo de vida e tratamento das condições metabólicas de base são indicadas para todos os pacientes. 

Os pilares para o tratamento preventivo da esteatose hepática se baseiam na alimentação saudável, prática regular de exercícios físicos, controle do peso corporal e moderação no consumo de bebidas alcoólicas, que serão detalhados a seguir. 

Alimentação saudável e equilibrada

O que colocamos no prato dita a saúde do fígado. Dietas pobres em gorduras saturadas e açúcares refinados, porém ricas em fibras, vegetais e proteínas magras, favorecem o órgão. Um destaque especial deve ser dado à dieta mediterrânea, que prioriza azeite de oliva, peixes, castanhas e vegetais, sendo muito eficaz na redução da inflamação hepática e na melhora da sensibilidade à insulina. O passo mais importante aqui é reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, refrigerantes e qualquer bebida açucarada.

Prática regular de exercícios físicos

O movimento ajuda o corpo a consumir o estoque de gordura do fígado. A meta ideal é realizar pelo menos 150 minutos semanais de exercícios físicos moderados. É interessante notar que tanto os exercícios aeróbicos (como caminhar e correr) quanto os de resistência (como musculação) são promissores, inclusive para pessoas que ainda não conseguiram uma perda de peso substancial.

Controle de peso e composição corporal

Não se trata apenas de estética, mas de saúde celular. A perda de 5% a 10% do peso corporal já é capaz de reverter a esteatose e reduzir a inflamação do fígado de maneira substancial. Para quem tem sobrepeso ou obesidade, o ideal é buscar um acompanhamento multidisciplinar com nutricionistas e médicos para garantir que a perda de peso seja saudável e sustentável.

Moderação no consumo de álcool

O álcool é altamente tóxico para o fígado. Mesmo em pacientes cuja gordura tem origem metabólica (como no diabetes), o consumo excessivo de álcool atua como um fator de risco agravante. Para quem já possui fatores de risco, a recomendação médica mais segura é evitar o álcool completamente para não sobrecarregar ainda mais as células hepáticas.

Como é feito o diagnóstico precoce?

Como vimos até aqui, a doença gordurosa não alcoólica do fígado pode variar desde uma simples esteatose hepática até a esteatohepatite, com ou sem fibrose e cirrose. A maioria dos casos de gordura no fígado pode ser detectada em exames de rotina, o que reforça a necessidade do check-up periódico.

Métodos de imagem

Métodos de imagem compreendem os melhores meios para se identificar a esteatose hepática. A ultrassonografia abdominal é um método prático, acessível e indolor para a identificação da presença de gordura no fígado, principalmente quando essa gordura excede 30% do órgão.  

Contudo, ela tem limitações em casos muito leves (presença de gordura entre 5% e 30%). Para esses casos, a ressonância magnética, em especial com a técnica de Fração de Gordura por Densidade de Prótons (MRI-PDFF), é mais eficiente e precisa, embora de custo mais elevado. A elastografia é um outro exame de imagem não invasivo, que permite avaliar a rigidez ou o grau de dureza do fígado. Ela é potencialmente relevante para detectar e quantificar cicatrizes (fibrose) e cirrose.

Exames laboratoriais e índices

No sangue, o médico avalia enzimas como TGO, TGP e GGT; se estiverem alteradas, podem indicar lesão nas células do fígado. Existe também uma ferramenta chamada Fatty Liver Index (FLI), que usa dados como o IMC, a medida da cintura e exames de triglicerídeos para calcular o risco de gordura no fígado. Vale lembrar: diabéticos tipo 2 devem fazer esse rastreamento de forma periódica, mesmo que não sintam nada.

O que fazer se você tem fatores de risco?

Se você tem histórico na família, convive com a obesidade ou o diabetes, a orientação é prática: não ignore o risco. O monitoramento constante é a única forma de assegurar que o fígado permaneça saudável.

Recomendamos que você agende consultas com um clínico geral, hepatologista ou endocrinologista. Esses profissionais solicitarão exames de imagem e laboratoriais regulares para acompanhar a situação. Ressaltamos que as mudanças precoces no estilo de vida são extremamente eficazes e podem evitar que a doença progrida para fases irreversíveis.

A importância do cuidado contínuo

Cuidar do fígado é uma jornada contínua que depende de escolhas conscientes todos os dias. A prevenção da esteatose exige alimentação saudável, movimento e, claro, assistência médica de qualidade.

Um estilo de vida equilibrado protege o seu fígado, mas também blinda o seu coração e melhora a sua qualidade de vida como um todo. Manter hábitos saudáveis é o melhor investimento que você pode fazer para garantir um futuro com mais disposição e saúde. 

Deseja saber mais sobre como monitorar a saúde do seu fígado?Confira nosso conteúdo sobre os principais exames para avaliar a saúde do fígado.

Sabin avisa:

Este conteúdo é meramente informativo e não pretende substituir consultas médicas, avaliações por profissionais de saúde ou fornecer qualquer tipo de diagnóstico ou recomendação de exames.

Importante ressaltar que diagnósticos e tratamentos devem ser sempre indicados por uma avaliação médica individual. Em caso de dúvidas, converse com seu médico. Somente o profissional pode esclarecer todas as suas perguntas. 

Lembre-se: qualquer decisão relacionada à sua saúde sem orientação profissional pode ser prejudicial.

Referências:

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Paternostro R, Trauner M. Current treatment of non-alcoholic fatty liver disease. J Intern Med. 2022 Aug;292(2):190-204. doi: 10.1111/joim.13531. Epub 2022 Jul 7. PMID: 35796150; PMCID: PMC9546342.

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Hiperaldosteronismo primário: nova diretriz recomenda maior triagem para hipertensos https://blog.sabin.com.br/medicos/nova-diretriz-para-o-hiperaldosteronismo-primario/ https://blog.sabin.com.br/medicos/nova-diretriz-para-o-hiperaldosteronismo-primario/#respond Fri, 13 Mar 2026 11:00:00 +0000 https://blog.sabin.com.br/?p=5032 O hiperaldosteronismo primário (HAP) é reconhecido como a causa mais prevalente de hipertensão secundária. Atinge entre 5% e 14% dos pacientes na atenção primária, e até 30% nos centros de referência, mantendo-se, no entanto, amplamente subdiagnosticado. Mesmo em pacientes com níveis pressóricos semelhantes aos da hipertensão essencial, o HAP está associado ao maior risco de […]

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O hiperaldosteronismo primário (HAP) é reconhecido como a causa mais prevalente de hipertensão secundária. Atinge entre 5% e 14% dos pacientes na atenção primária, e até 30% nos centros de referência, mantendo-se, no entanto, amplamente subdiagnosticado. Mesmo em pacientes com níveis pressóricos semelhantes aos da hipertensão essencial, o HAP está associado ao maior risco de eventos cardiovasculares, incluindo acidente vascular cerebral, fibrilação atrial, doença arterial coronariana e disfunção renal.

A nova diretriz da Endocrine Society (2025) propõe mudanças significativas no rastreio da condição, recomendando triagem ampliada para todos os hipertensos, sempre que viável, com o intuito de permitir intervenções precoces e específicas. O documento, desenvolvido com base na metodologia GRADE, foca em aplicabilidade clínica, decisões compartilhadas e custo-efetividade.

Continue a leitura para se atualizar sobre a diretriz e as novidades relacionadas.

Importância da triagem ampliada

Historicamente associada à presença de hipocalemia, a triagem para o hiperaldosteronismo primário atual deve ultrapassar esse critério. Segundo a diretriz, a maioria dos pacientes com HAP é normocalêmica, o que reforça a necessidade de triagem mesmo na ausência de alterações do potássio sérico. A recomendação é que todos os indivíduos com hipertensão sejam considerados para triagem, conforme a disponibilidade de recursos e a capacidade assistencial. 

Estudos demonstram que indivíduos com HAP têm risco 2,5 vezes maior de AVC, 3,5 vezes maior de fibrilação atrial e o dobro de risco de doença renal, em comparação aos hipertensos essenciais. Assim, ao permitir o início de terapias direcionadas, sejam farmacológicas ou cirúrgicas, o diagnóstico precoce proporciona melhor controle pressórico, menor carga medicamentosa e redução da morbimortalidade.

Caminho diagnóstico do hiperaldosteronismo primário

De modo geral, o diagnóstico do hiperaldosteronismo primário inicia-se com a dosagem de aldosterona plasmática e atividade de renina, seguida pelo cálculo da razão aldosterona/renina (RAR). A coleta deve ser realizada pela manhã, com o paciente em posição sentada, sem restrição de sódio. 

Um resultado sugestivo inclui aldosterona ≥10 ng/dL com renina suprimida (PRA ≤1 ng/mL/h), e RAR superior a 20 por imunoensaio ou 15 por LC-MS/MS. Nos casos em que a suspeita clínica é intermediária, os testes confirmatórios são recomendados. 

Entre os mais utilizados, estão o teste de supressão com solução salina intravenosa e os testes com furosemida, tanto por via oral quanto intravenosa. Já o teste com captopril, tradicionalmente usado, vem sendo progressivamente abandonado, dada sua menor sensibilidade. É importante notar que a confirmação pode ser dispensada quando há RAR francamente elevada associada à hipocalemia.

Uma vez confirmada a produção autônoma de aldosterona, procede-se à avaliação de imagem, sendo a tomografia das adrenais o exame inicial. Para definir se o quadro é unilateral (potencialmente curável por cirurgia) ou bilateral (tratável com medicação), a amostragem venosa adrenal (AVA) permanece como o padrão-ouro. A exceção fica para pacientes jovens com adenoma típico unilateral e hipocalemia. Em portadores de adenoma adrenal, a realização do teste de supressão com dexametasona 1 mg overnight é indicada para excluir secreção autônoma de cortisol, que pode coexistir com o HAP e influenciar a conduta terapêutica.

Estratégias terapêuticas no HAP confirmado

A conduta terapêutica no HAP deve ser individualizada de acordo com a lateralização da produção de aldosterona e a elegibilidade do paciente para cirurgia.

Nos casos bilaterais ou naqueles em que a cirurgia não é uma opção, a terapia de primeira linha consiste na administração de antagonistas de receptor mineralocorticoide (ARM)

A espironolactona, por exemplo, é amplamente utilizada pela sua eficácia e custo reduzido, embora possa causar efeitos adversos hormonais. Quando há intolerância, pode-se optar por eplerenona ou finerenona, que apresentam maior seletividade pelos receptores mineralocorticoides e menor ação nos receptores de androgênio e progesterona. Durante o tratamento, a elevação da renina plasmática é um marcador útil de eficácia, refletindo bloqueio adequado da ação da aldosterona.

Para pacientes com HAP unilateral confirmado, a adrenalectomia laparoscópica é a abordagem de escolha. No pós-operatório, recomenda-se o monitoramento de cortisol para detecção precoce de insuficiência adrenal transitória.

Abordagens no HAP resistente

Quando a hipertensão persiste mesmo com ARM em doses usuais, o paciente deve ser avaliado quanto à adesão ao tratamento, ingestão de sódio e resposta laboratorial. A diretriz recomenda titulação agressiva dos ARM, respeitando limites de segurança em relação à função renal e ao potássio.

A restrição de sódio (<5 g/dia) deve ser reforçada como parte do manejo, ainda que frequentemente negligenciada. A amilorida, por exemplo, pode ser considerada em situações de contraindicação ao uso de ARM, embora não substitua seu efeito de forma equivalente.

Se, mesmo após essas intervenções, a pressão arterial permanecer elevada, deve-se reavaliar a hipótese de doença adrenal unilateral não previamente detectada e considerar repetição da AVA como parte do estudo diagnóstico.

Monitoramento e seguimento

O seguimento do paciente com hiperaldosteronismo primário é uma etapa fundamental para garantir controle clínico e segurança terapêutica. Orienta-se monitorar pressão arterial, eletrólitos, função renal e renina plasmática após dois a três meses do início ou ajuste da dose de ARM e, então, anualmente.

Durante o tratamento, pode haver uma queda transitória da taxa de filtração glomerular, especialmente em pacientes com hiperfiltração preexistente. Esse achado deve ser interpretado como sinal de bloqueio eficaz da aldosterona, e não como lesão renal aguda.

Após a adrenalectomia, o acompanhamento deve se estender por pelo menos 12 meses, com foco na avaliação da resposta pressórica, eletrólitos, cortisol e sinais de possível recidiva.

Lacunas e perspectivas futuras

Apesar do avanço conceitual e clínico das novas recomendações, algumas lacunas permanecem. Ainda faltam ensaios clínicos randomizados que sustentem com robustez o impacto da triagem universal em desfechos clínicos. Ademais, a falta de padronização da RAR entre diferentes métodos laboratoriais é um desafio técnico que compromete a reprodutibilidade dos resultados.

Há também incertezas quanto aos pontos de corte ideais da RAR em populações especiais, como idosos, pacientes com doença renal crônica ou sob uso de medicamentos que interferem no eixo renina-aldosterona. E, mesmo promissores, os inibidores da aldosterona sintase não estão amplamente disponíveis, carecendo de estudos de longo prazo.

Por fim, a diretriz enfatiza a importância de uma abordagem multidisciplinar, baseada em decisões compartilhadas, e incentiva a pesquisa translacional sobre os mecanismos da secreção autônoma de aldosterona e novas estratégias terapêuticas.

Continue se atualizando! Entenda também sobre o diagnóstico do infarto agudo do miocárdio.

Referências:

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Vigilância genômica: impacto clínico, laboratorial e epidemiológico https://blog.sabin.com.br/medicos/vigilancia-genomica-na-pratica-clinica/ https://blog.sabin.com.br/medicos/vigilancia-genomica-na-pratica-clinica/#respond Fri, 06 Mar 2026 19:26:26 +0000 https://blog.sabin.com.br/?p=5017 A vigilância genômica consolidou-se como uma ferramenta estratégica na medicina contemporânea, com impacto direto na prática clínica, no diagnóstico laboratorial e na vigilância epidemiológica. O avanço das tecnologias de sequenciamento e da bioinformática permitiu que a análise do material genético de patógenos deixasse de ser restrita à pesquisa acadêmica e passasse a integrar, de forma […]

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A vigilância genômica consolidou-se como uma ferramenta estratégica na medicina contemporânea, com impacto direto na prática clínica, no diagnóstico laboratorial e na vigilância epidemiológica. O avanço das tecnologias de sequenciamento e da bioinformática permitiu que a análise do material genético de patógenos deixasse de ser restrita à pesquisa acadêmica e passasse a integrar, de forma progressiva, a rotina dos sistemas de saúde.

Nesse cenário, a vigilância genômica se destaca pela capacidade de detectar precocemente variantes de preocupação, monitorar padrões de transmissão, identificar mecanismos de resistência e subsidiar decisões clínicas e sanitárias. A integração entre dados genômicos, informações epidemiológicas e achados clínicos amplia a precisão das estratégias de contenção, racionaliza o uso de terapias e fortalece a resposta a surtos e epidemias. A seguir, exploramos como essa abordagem é estruturada e aplicada na prática clínica.

O que caracteriza a vigilância genômica em saúde?

A vigilância genômica em saúde é caracterizada pela análise sistemática e contínua do material genético de vírus, bactérias e outros microrganismos de interesse clínico e epidemiológico. Diferentemente da testagem diagnóstica convencional, essa abordagem permite acompanhar a evolução genética dos patógenos ao longo do tempo e em diferentes contextos geográficos.

A aplicação transcende a simples detecção de agentes infecciosos, possibilitando o rastreamento de mutações, a reconstrução de cadeias de transmissão e a avaliação do impacto dessas alterações sobre transmissibilidade, virulência, escape imunológico e resposta a tratamentos. Dessa forma, a vigilância genômica se consolida como instrumento indispensável para análise de risco, notificação qualificada e formulação de políticas públicas baseadas em evidências moleculares.

Quais são as etapas técnicas da vigilância genômica?

A implementação da vigilância genômica requer um fluxo técnico estruturado, que integra etapas laboratoriais e analíticas com alto grau de complexidade e padronização.

Fluxo laboratorial

O fluxo analítico inicia-se com a triagem e a seleção de amostras clínicas, geralmente provenientes da rotina diagnóstica, priorizando critérios como carga viral, qualidade da amostra e relevância epidemiológica. Em seguida, realiza-se a extração de RNA ou DNA, conforme o agente investigado, e o preparo de bibliotecas genômicas para sequenciamento.

O sequenciamento pode ser realizado por tecnologias de nova geração (NGS) ou de terceira geração, permitindo a obtenção de genomas completos ou quase completos. A etapa subsequente inclui a análise bioinformática, na qual parâmetros como cobertura genômica, profundidade de leitura e limiar de detecção de variantes impactam diretamente a acurácia dos resultados. A classificação de linhagens e variantes utiliza pipelines padronizados, como Pangolin e Nextclade, e os dados são integrados a plataformas internacionais, como o GISAID.

Requisitos laboratoriais e operacionais

A vigilância genômica demanda infraestrutura laboratorial compatível, usualmente em ambientes de biossegurança nível 2 ou 3, além de equipes especializadas em biologia molecular e bioinformática. A rastreabilidade dos dados, o controle de qualidade interno e a conformidade com diretrizes de organismos internacionais, como OMS e CDC, são requisitos para a confiabilidade das análises.

Adicionalmente, projetos de vigilância genômica requerem governança de dados, interoperabilidade com sistemas de vigilância epidemiológica e capacidade de resposta rápida. Quando aplicável, especialmente em contextos de pesquisa ou vigilância ampliada, é necessária a aprovação por comitês de ética em pesquisa, garantindo conformidade regulatória e segurança jurídica.

Como os dados genômicos apoiam a prática médica?

Os dados gerados pela vigilância genômica oferecem suporte direto à prática médica ao permitir a correlação entre características genéticas dos patógenos e manifestações clínicas observadas. Informações sobre variantes específicas podem ser associadas a alterações na transmissibilidade, no período de incubação e na gravidade dos quadros clínicos.

O conhecimento prévio da variante viral ou do perfil de resistência bacteriana influencia condutas clínicas, como a escolha de antivirais, antibióticos ou terapias com anticorpos monoclonais. Além disso, a vigilância genômica subsidia decisões relacionadas a isolamento hospitalar, manejo de contatos e controle de surtos institucionais, contribuindo para a segurança de pacientes e profissionais de saúde.

Em quais cenários a vigilância genômica é indispensável?

A vigilância genômica torna-se indispensável em contextos nos quais a dinâmica de transmissão e a evolução dos patógenos exigem respostas rápidas e baseadas em evidências moleculares.

Pandemias, epidemias e surtos hospitalares

Durante a pandemia de covid-19, a vigilância genômica viabilizou a detecção em tempo real de variantes como delta e ômicron, orientando ajustes vacinais, políticas de contenção e avaliação de escape imunológico. Esse modelo passou a ser referência para o enfrentamento de futuras emergências sanitárias.

Em ambientes hospitalares, a vigilância genômica desempenha papel central na investigação de surtos nosocomiais, sobretudo aqueles causados por microrganismos multirresistentes. O rastreamento clonal permite identificar fontes de infecção, rotas de disseminação e implementar medidas de contenção mais eficazes.

Doenças endêmicas e emergentes

A aplicação da genômica também é fundamental no monitoramento de doenças endêmicas e emergentes, como arboviroses (dengue, zika e chikungunya), influenza, monkeypox, tuberculose e HIV. A identificação de linhagens virais e bacterianas com maior potencial patogênico ou escape terapêutico contribui para o aprimoramento das estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento.

Qual o papel da vigilância genômica na contenção da resistência antimicrobiana?

A vigilância genômica é uma aliada estratégica no enfrentamento da resistência antimicrobiana, ao facilitar a identificação de genes e elementos móveis associados à resistência, como β-lactamases, carbapenemases e o gene MCR-1. Esses dados fornecem subsídios para a escolha racional de antimicrobianos e para a elaboração de protocolos hospitalares mais eficazes.

O monitoramento molecular contínuo ajuda a prevenir a disseminação de clones epidêmicos multirresistentes, reduzindo impactos clínicos e custos assistenciais, além de apoiar políticas públicas de uso racional de antimicrobianos.

Quem realiza a vigilância genômica no Brasil?

No Brasil, a vigilância genômica é conduzida por uma rede integrada que inclui a Rede Genômica Fiocruz, os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACENs), o Instituto Adolfo Lutz e universidades. Paralelamente, laboratórios privados têm assumido uma importância cada vez maior nesse ecossistema.

O Sabin Diagnóstico e Saúde, por exemplo, desenvolveu iniciativas de vigilância genômica integradas a dados públicos e privados, com foco em vírus respiratórios e multirresistência. A atuação conjunta com o Instituto Todos Pela Saúde (ITpS) fortalece a centralização, a interoperabilidade e o uso estratégico dos dados genômicos no país.

Quais desafios e perspectivas para o Brasil?

Entre os principais desafios, estão o subfinanciamento, a baixa cobertura de sequenciamento em algumas regiões, a regionalização insuficiente das capacidades laboratoriais e a escassez de profissionais especializados em bioinformática. Superar esses gargalos envolve investimento contínuo e políticas estruturantes.

As perspectivas são promissoras, com a ampliação de redes integradas, o avanço das tecnologias de sequenciamento em tempo real e a consolidação da vigilância genômica como política permanente — não apenas como resposta a períodos pandêmicos.

Por que investir em vigilância genômica?

Investir em vigilância genômica significa impulsionar a soberania sanitária, promover vigilância proativa e avançar na medicina baseada em evidências moleculares. Sua consolidação como rotina assistencial e de saúde pública implica uma integração entre clínica, laboratório, epidemiologia e ciência de dados. Para aprofundar o tema e compreender melhor as aplicações das tecnologias de sequenciamento, acesse nosso conteúdo sobre os exames genéticos por NGS.

Referências:

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Bludau A, Jack A, Fischer N, Dreesman J, Drosten C, Egelkamp R, Ehlkes L, Feil F, Grundhoff A, Grundmann H, Kreuzer P, Monazahian M, Overesch I, Schmitt D, Tröger M, von Reiswitz A, Weber J, Dilthey A, Hornberg C, Reuter S, Scheithauer S. Use of integrated genomic surveillance by local public health authorities: Recommendations based on a mixed-methods study of current adoption, applications and success factors, Germany, 2023. Euro Surveill. 2025 Apr;30(13):2400508. doi: 10.2807/1560-7917.ES.2025.30.13.2400508. PMID: 40183123; PMCID: PMC11969963.

Armstrong GL, MacCannell DR, Taylor J, Carleton HA, Neuhaus EB, Bradbury RS, et al. Pathogen genomics in public health. N Engl J Med. 2019;381(26):2569–2580. doi:10.1056/NEJMra1816168.

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Tosta S, Moreno K, Schuab G, Fonseca V, Segovia FMC, Kashima S, Elias MC, Sampaio SC, Ciccozzi M, Alcantara LCJ, Slavov SN, Lourenço J, Cella E, Giovanetti M. Global SARS-CoV-2 genomic surveillance: What we have learned (so far). Infect Genet Evol. 2023 Mar;108:105405. doi: 10.1016/j.meegid.2023.105405. Epub 2023 Jan 18. PMID: 36681102; PMCID: PMC9847326.

Robishaw JD, Alter SM, Solano JJ, Shih RD, DeMets DL, Maki DG, Hennekens CH. Genomic surveillance to combat COVID-19: challenges and opportunities. Lancet Microbe. 2021 Sep;2(9):e481-e484. doi: 10.1016/S2666-5247(21)00121-X. Epub 2021 Jul 27. PMID: 34337584; PMCID: PMC8315763.

Akande OW, Carter LL, Abubakar A, Achilla R, Barakat A, Gumede N, et al. Strengthening pathogen genomic surveillance for health emergencies: insights from the World Health Organization’s regional initiatives. Front Public Health. 2023;11:1146730. doi:10.3389/fpubh.2023.1146730. PMID:37361158.

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A importância da vigilância genômica para a saúde pública https://blog.sabin.com.br/genetica/importancia-da-vigilancia-genomica/ https://blog.sabin.com.br/genetica/importancia-da-vigilancia-genomica/#respond Tue, 03 Mar 2026 11:00:00 +0000 https://blog.sabin.com.br/?p=5005 A vigilância genômica tem se consolidado como uma das principais estratégias de proteção da saúde pública no cenário atual, marcado pela circulação constante de vírus e bactérias capazes de causar surtos, epidemias e pandemias. Ao longo das últimas décadas, o mundo passou a lidar com doenças emergentes e reemergentes, que exigem respostas cada vez mais […]

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A vigilância genômica tem se consolidado como uma das principais estratégias de proteção da saúde pública no cenário atual, marcado pela circulação constante de vírus e bactérias capazes de causar surtos, epidemias e pandemias. Ao longo das últimas décadas, o mundo passou a lidar com doenças emergentes e reemergentes, que exigem respostas cada vez mais rápidas e precisas dos sistemas de saúde.

Nesse contexto, a vigilância genômica atua de forma preventiva, permitindo identificar mudanças genéticas nos microrganismos antes que elas resultem em um aumento expressivo de casos graves ou hospitalizações. Essa abordagem científica fornece informações para orientar decisões em saúde pública, como campanhas de vacinação, estratégias de contenção e aprimoramento de exames diagnósticos, protegendo a população de forma mais eficaz.

O que é vigilância genômica?

A vigilância genômica é o monitoramento contínuo do material genético de vírus e bactérias que circulam na população. O acompanhamento é realizado por meio do sequenciamento genético, tecnologia que permite “ler” o código genético dos microrganismos e detectar pequenas alterações conhecidas como mutações.

Essas mutações podem dar origem a variantes que apresentam comportamentos diferentes das versões anteriores do vírus ou da bactéria. Algumas variantes podem se espalhar com mais facilidade, causar quadros mais graves ou até reduzir a eficácia de vacinas e tratamentos. Ao identificar essas mudanças precocemente, a vigilância genômica ajuda a compreender como os microrganismos evoluem e se disseminam, oferecendo informações valiosas para a proteção coletiva.

Como a vigilância genômica funciona?

Para que a vigilância genômica cumpra seu papel na proteção da saúde pública, é necessário um conjunto de etapas bem estruturadas, que conectam exames laboratoriais, tecnologia e análise de dados. Esse processo permite transformar amostras clínicas em informações estratégicas, capazes de indicar como vírus e bactérias estão se comportando, se espalhando e evoluindo ao longo do tempo.

Etapas do processo genômico

A vigilância genômica envolve várias etapas integradas. Inicialmente, são coletadas amostras clínicas de pacientes, geralmente a partir de exames já realizados para diagnóstico. Em seguida, o material genético presente nessas amostras é extraído e submetido ao sequenciamento, processo que consegue determinar a sequência completa do genoma do microrganismo.

Após o sequenciamento, os dados passam por análises bioinformáticas que comparam os genomas obtidos com outros já conhecidos. Esse cruzamento de informações possibilita identificar novas variantes, acompanhar sua disseminação e avaliar possíveis impactos na saúde pública. Os dados gerados são armazenados em bancos públicos internacionais, como o GISAID, o que favorece a colaboração científica global.

Quem realiza a vigilância genômica?

A vigilância genômica é realizada por uma rede de instituições públicas e privadas. No Brasil, laboratórios de referência, universidades, institutos de pesquisa e laboratórios particulares atuam de forma complementar no processo. A colaboração entre os setores amplia a capacidade de monitoramento e acelera a identificação de variantes relevantes.

Iniciativas como as conduzidas pelo Sabin Diagnóstico e Saúde e pelo Instituto Todos Pela Saúde mostram como a integração de dados laboratoriais privados fortalece a vigilância nacional, contribuindo para decisões mais rápidas e embasadas em evidências científicas.

Por que a vigilância genômica é essencial para a saúde pública?

A vigilância genômica é essencial porque permite detectar variantes perigosas antes que elas se espalhem amplamente. Durante a pandemia de covid-19, por exemplo, essa estratégia possibilitou a identificação rápida de variantes, como alpha, delta e ômicron, orientando medidas de contenção e ajustes nas políticas de saúde.

Além disso, o sequenciamento genômico ajuda a prever surtos, ao indicar quando determinado microrganismo começa a circular com maior intensidade ou apresenta alterações preocupantes. Essa antecipação permite ações mais eficazes, como reforço na testagem, campanhas de vacinação e orientação à população.

Outro aspecto importante é a manutenção da eficácia das vacinas. Como os vírus sofrem mutações ao longo do tempo, a vigilância genômica fornece dados essenciais para atualizar vacinas, especialmente no caso da influenza. Ela também contribui para o desenvolvimento e a validação de exames diagnósticos, evitando falhas causadas por mutações que poderiam comprometer os testes.

Em quais situações a vigilância genômica faz diferença?

A vigilância genômica se torna determinante em cenários nos quais doenças infecciosas representam maior risco para a população e exigem respostas rápidas dos sistemas de saúde. Ao monitorar a evolução genética de vírus e bactérias, essa estratégia permite identificar mudanças significativas no comportamento dos microrganismos e antecipar ações de prevenção e controle em diferentes contextos.

Pandemias e epidemias

Em situações de pandemias e epidemias, a vigilância genômica é uma ferramenta indispensável. Durante a pandemia de covid-19, ela permitiu acompanhar a evolução do vírus em tempo real, auxiliando governos e instituições de saúde na tomada de decisões estratégicas.

Essa abordagem também é fundamental para o monitoramento de outras doenças infecciosas, como dengue, chikungunya, zika, monkeypox e influenza. No caso da gripe, por exemplo, os dados genômicos orientam a escolha das linhagens que compõem as vacinas anuais, aumentando sua eficácia. No final de 2025, a vigilância genômica foi decisiva para identificar novas variantes de influenza — a chamada gripe K —, reforçando a importância do monitoramento contínuo.

Hospitais e ambientes de alta densidade

A vigilância genômica também faz diferença em ambientes hospitalares e locais de alta densidade populacional, como instituições de longa permanência, presídios e escolas. Nessas localidades, ela auxilia na identificação de surtos e na prevenção de infecções hospitalares, sobretudo aquelas causadas por bactérias resistentes a antibióticos.

Ao rastrear a origem e a disseminação desses microrganismos, é possível adotar medidas mais eficazes de controle, protegendo pacientes, profissionais de saúde e a comunidade.

Quais os grupos mais beneficiados pela vigilância genômica?

Grupos mais vulneráveis se beneficiam diretamente da vigilância genômica. Idosos, crianças, gestantes, pessoas com doenças crônicas ou com o sistema imunológico comprometido apresentam maior risco de desenvolver formas graves de infecções.

Populações com acesso limitado a serviços de saúde, como comunidades rurais e indígenas, também se beneficiam dessa estratégia. A vigilância genômica permite identificar surtos precocemente nessas regiões, possibilitando intervenções rápidas e direcionadas, o que contribui para reduzir desigualdades em saúde.

Qual a importância da atuação dos laboratórios privados?

Os laboratórios privados desempenham um papel crucial na vigilância genômica, pois concentram grande volume de exames diagnósticos. Sua capilaridade oportuniza a ampliação da representatividade das amostras analisadas e a aceleração da detecção de novas variantes.

Projetos desenvolvidos em parceria com instituições públicas, como o realizado pelo Sabin com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), demonstram esse impacto. No projeto, foram sequenciados mais de 450 genomas de SARS-CoV-2 e mais de 80 genomas de influenza, com compartilhamento dos dados com a comunidade científica e autoridades de saúde, contribuindo para decisões nacionais e internacionais.

Como o Brasil pode avançar nessa área?

Para avançar na vigilância genômica, o Brasil precisa investir continuamente em infraestrutura, equipamentos e formação de profissionais qualificados. A padronização de processos, a disponibilização de dados e o incentivo à pesquisa aplicada são imprescindíveis para aumentar o alcance dessa estratégia.

Iniciativas colaborativas entre setores público e privado, como as promovidas pelo Instituto Todos Pela Saúde e pelo Sabin, mostram que parcerias intersetoriais são caminhos efetivos para fortalecer a vigilância genômica no país.

O que cada pessoa pode fazer para apoiar essa estratégia?

Cada cidadão também pode contribuir para o fortalecimento da vigilância genômica. Manter a vacinação em dia é uma das formas mais importantes de reduzir a circulação de vírus e proteger a população. Buscar testagem ao apresentar sintomas e confiar em instituições científicas e de saúde também são atitudes elementares.

Adicionalmente, valorizar informações confiáveis e a ciência como aliada ajuda a potencializar as políticas públicas baseadas em evidências e a proteger a saúde coletiva.

Por que falar de vigilância genômica agora?

Os aprendizados deixados pela pandemia de covid-19 evidenciaram a urgência de preparar o país para futuras emergências sanitárias. A vigilância genômica se destaca como uma ferramenta estratégica que conecta ciência, tecnologia e saúde pública, permitindo respostas mais rápidas e eficientes.

Investir nessa abordagem é investir na proteção da população, na prevenção de crises sanitárias e no fortalecimento do sistema de saúde. Para saber mais sobre a importância da vacinação nesse contexto, acesse nosso conteúdo sobre a vacina anual da gripe.

Sabin avisa:

Este conteúdo é meramente informativo e não pretende substituir consultas médicas, avaliações por profissionais de saúde ou fornecer qualquer tipo de diagnóstico ou recomendação de exames.

Importante ressaltar que diagnósticos e tratamentos devem ser sempre indicados por uma avaliação médica individual. Em caso de dúvidas, converse com seu médico. Somente o profissional pode esclarecer todas as suas perguntas. 

Lembre-se: qualquer decisão relacionada à sua saúde sem orientação profissional pode ser prejudicial.

Referências:

Akande OW, Carter LL. Strengthening pathogen genomic surveillance for health emergencies: insights from the World Health Organization’s regional initiatives. Front Public Health. 2023 Jun 9;11:1146730. doi:10.3389/fpubh.2023.1146730. PMID: 37361158.

Robishaw JD, Alter SM, Solano JJ, Shih RD, DeMets DL, Maki DG, Hennekens CH. Genomic surveillance to combat COVID-19: challenges and opportunities. Lancet Microbe. 2021 Sep;2(9):e481-e484. doi: 10.1016/S2666-5247(21)00121-X. Epub 2021 Jul 27. PMID: 34337584; PMCID: PMC8315763.

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Hill V, Githinji G, Vogels CBF, Bento AI, Chaguza C, Carrington CVF, Grubaugh ND. Toward a global virus genomic surveillance network. Cell Host Microbe. 2023 Jun 14;31(6):861-873. doi: 10.1016/j.chom.2023.03.003. Epub 2023 Mar 6. PMID: 36921604; PMCID: PMC9986120.

Baker KS, Jauneikaite E, Hopkins KL, Lo SW, Sánchez-Busó L, Getino M, Howden BP, Holt KE, Musila LA, Hendriksen RS, Amoako DG, Aanensen DM, Okeke IN, Egyir B, Nunn JG, Midega JT, Feasey NA, Peacock SJ; SEDRIC Genomics Surveillance Working Group. Genomics for public health and international surveillance of antimicrobial resistance. Lancet Microbe. 2023 Dec;4(12):e1047-e1055. doi: 10.1016/S2666-5247(23)00283-5. Epub 2023 Nov 14. PMID: 37977162.

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Vacinação contra HPV reduz casos de câncer de colo de útero no Brasil https://blog.sabin.com.br/medicos/hpv-vacinacao-reduz-cancer-de-colo-de-utero/ https://blog.sabin.com.br/medicos/hpv-vacinacao-reduz-cancer-de-colo-de-utero/#respond Fri, 27 Feb 2026 11:00:00 +0000 https://blog.sabin.com.br/?p=4994 Um estudo brasileiro publicado na revista científica The Lancet Global Health reforça a eficácia da vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) como estratégia de prevenção primária ao câncer de colo de útero.  A análise demonstrou redução de até 58% na incidência da doença em mulheres vacinadas na adolescência, além de queda de 67% nas lesões […]

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Um estudo brasileiro publicado na revista científica The Lancet Global Health reforça a eficácia da vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) como estratégia de prevenção primária ao câncer de colo de útero. 

A análise demonstrou redução de até 58% na incidência da doença em mulheres vacinadas na adolescência, além de queda de 67% nas lesões intraepiteliais cervicais de alto grau (NIC3). O estudo analisou registros referentes a dados de mais de 60 milhões de mulheres ao ano, trazendo, pela primeira vez, evidências de um país em desenvolvimento, que ratificam o impacto positivo da vacinação já evidenciado em países de alta renda.

A faixa etária avaliada no estudo (20 a 24 anos) não corresponde ao público-alvo habitual dos programas de rastreamento. No entanto, os efeitos protetores observados nessa população corroboram a relevância da imunização em faixas etárias mais precoces, especialmente entre nove e 14 anos, quando o organismo apresenta resposta imunológica mais robusta e duradoura. Essa evidência coloca a vacinação como ferramenta indispensável na prevenção do câncer cervical, sobretudo se iniciada precocemente, com resposta imune mais eficiente no início da adolescência. 

A eficácia na redução das lesões cervicais de alto grau, após a implantação do programa de vacinação no Brasil evidenciada pelo estudo, foi semelhante à obtida na Suécia para mulheres vacinadas em idade semelhante. Contudo, o impacto foi menos pronunciado do que a redução observada no programa da Inglaterra, onde maiores coberturas vacinais foram alcançadas. Nesse contexto, ressalta-se o papel estratégico das equipes de saúde na recomendação ativa da vacina, na abordagem das barreiras socioculturais e na promoção de práticas preventivas com base em evidências.

Estudo brasileiro mostra impacto direto da vacinação na incidência do câncer cervical

A pesquisa analisou dados nacionais do Sistema Único de Saúde (SUS), coletados entre 2019 e 2023, a partir de diversas fontes, como registros de internação hospitalar, ambulatoriais e de tratamento oncológico (APAC/Oncologia). Foram comparadas duas coortes de mulheres: nascidas entre 1994 e 1998 (pré-vacinação); e entre 2001 e 2003 (pós-vacinação).

O estudo identificou uma redução de 58% nos casos de câncer cervical invasivo e de 67% nas lesões precursoras de alto grau (NIC3) entre as mulheres vacinadas. A metodologia incluiu análises de sensibilidade para confirmar a consistência dos achados, que se mostraram robustos mesmo quando ajustados para diferentes fontes de informação e desfechos clínicos. Trata-se do primeiro estudo nacional em larga escala que demonstra, com base em dados reais, a efetividade da vacinação contra o HPV na população.

Gardasil® utilizada no PNI brasileiro

A vacina contra o HPV utilizada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) desde 2014 é a Gardasil® quadrivalente, que protege contra os subtipos 6, 11, 16 e 18. Os tipos 16 e 18, de alto risco oncogênico, são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo uterino. 

O esquema recomendado atualmente é de dose única para jovens de nove a 14 anos, conforme recomendação feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2022, adotada também em diversos países. Para grupos específicos, como pessoas vivendo com HIV, vítimas de violência sexual e pacientes com papilomatose respiratória recorrente, o esquema permanece em três doses.

Diversos estudos nacionais e internacionais confirmam a eficácia da Gardasil®, de modo geral, a vacina apresenta um perfil de segurança bem estabelecido, com eventos adversos geralmente leves, como dor local e febre transitória. A farmacovigilância brasileira segue monitorando rigorosamente os dados de segurança e eventos relacionados à aplicação.

Gardasil® disponível no Sabin

O Sabin Diagnóstico e Saúde oferece uma versão ampliada da vacina, a Gardasil 9®, que abrange nove subtipos do vírus (6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58), incluindo os que mais frequentemente estão associados ao desenvolvimento do câncer de colo de útero, além de outros tipos de câncer, como os de vulva, vagina, ânus e pênis, e verrugas genitais. 

É indicada para mulheres e homens de nove a 45 anos, e o número de doses e intervalos é recomendado de acordo com a idade do paciente e histórico de imunização.

Vacinação precoce: prevenção primária antes da triagem

A vacinação contra o HPV tem sua máxima efetividade quando realizada antes da exposição ao vírus, o que justifica a indicação para adolescentes de nove a 14 anos. Nesse grupo etário, observa-se melhor padrão de resposta imunológica.

O estudo brasileiro citado anteriormente demonstrou impacto significativo da vacinação mesmo antes da faixa etária convencional de triagem, enfatizando a importância da prevenção primária. A imunização no início da adolescência representa uma estratégia promissora para diminuir a incidência e a mortalidade por câncer cervical.

Desigualdades regionais e desafios da cobertura vacinal

A grande extensão territorial do país, as diferentes taxas de urbanização, as desigualdades socioeconômicas, a dificuldade de acesso aos serviços de saúde, entre outros fatores sociais, contribuem para cenários distintos entre as regiões brasileiras. Essa heterogeneidade reflete diretamente na adesão da vacinação contra o HPV.

Por essa razão, estratégias de busca ativa, campanhas locais, parcerias com escolas e ações comunitárias são essenciais para ampliar o alcance da vacinação, principalmente em áreas de maior vulnerabilidade.

Vale destacar que políticas públicas consideram essas disparidades ao definir metas e distribuir recursos, visando não apenas à cobertura nacional, mas à equidade sanitária.

Resistência à vacina contra o HPV é uma barreira que precisa ser superada

Desde a introdução da vacina contra o HPV no Brasil, em 2014, a hesitação vacinal tem sido um obstáculo à cobertura ideal. Isso está relacionado a fatores culturais, percepções sobre a sexualidade na adolescência, crenças religiosas e à circulação de informações imprecisas, que ainda influenciam a decisão de muitos pais.

A literatura evidencia que profissionais de saúde continuam sendo as principais fontes confiáveis para famílias e adolescentes, com impacto direto na adesão ao calendário vacinal. Sendo assim, a abordagem empática, baseada em evidências, é uma estratégia importante para superar barreiras e esclarecer dúvidas de maneira ética e responsável.

Algumas campanhas do Ministério da Saúde (MS) têm buscado mitigar a desinformação, sendo os profissionais de saúde protagonistas no enfrentamento da resistência à vacina, particularmente nos cenários de maior proximidade com a comunidade — como o ambiente escolar e as unidades básicas de saúde.

O protagonismo dos profissionais da saúde na eliminação do câncer cervical

A OMS estabeleceu uma meta ambiciosa para a eliminação do câncer de colo de útero como problema de saúde pública até 2030, baseada em três pilares:

  • 90% das meninas vacinadas até os 15 anos;
  • 70% das mulheres triadas com um teste de alta performance até os 35 anos e novamente até os 45 anos;
  • 90% das precursoras e das lesões invasivas tratadas oportunamente.

Mas para que esse objetivo seja alcançado, faz-se necessário uma atuação coordenada e intersetorial entre médicos de diferentes especialidades. Além disso, a articulação entre autoridades e profissionais de saúde e a sociedade é crucial para consolidar a vacinação como uma ferramenta acessível, eficaz e segura na proteção das próximas gerações, garantindo, assim, o cumprimento das metas estabelecidas pela OMS.

Continue aprofundando seu conhecimento sobre rastreamento e genética aplicada ao câncer: leia sobre a utilidade dos testes genéticos para o câncer.

Referências:

Pan American Health Organization (PAHO). End cervical cancer [Internet]. Washington, D.C.: PAHO; c2023 [cited 2025 Nov 14]. Available from: https://www.paho.org/en/end-cervical-cancer

Cerqueira-Silva T, Barral-Netto M, Boaventura VS, et al. Effect of Brazil’s national human papillomavirus vaccination programme on the incidence of cervical cancer and cervical intraepithelial neoplasia grade 3 in women aged 20–24 years: a population-based study. Lancet Glob Health. 2025;11(10):e1715–22.

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Violência contra mulheres atinge 1 em cada 3 na América Latina https://blog.sabin.com.br/saude/violencia-contra-mulheres-na-america-latina/ https://blog.sabin.com.br/saude/violencia-contra-mulheres-na-america-latina/#respond Tue, 24 Feb 2026 11:00:00 +0000 https://blog.sabin.com.br/?p=4989 Dados epidemiológicos consolidados pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) revelam uma realidade alarmante: aproximadamente uma em cada três mulheres na América Latina e no Caribe já foi submetida a algum tipo de violência física ou sexual ao longo de sua vida. Esse cenário não deve ser interpretado como um fenômeno isolado, mas sim como uma […]

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Dados epidemiológicos consolidados pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) revelam uma realidade alarmante: aproximadamente uma em cada três mulheres na América Latina e no Caribe já foi submetida a algum tipo de violência física ou sexual ao longo de sua vida. Esse cenário não deve ser interpretado como um fenômeno isolado, mas sim como uma grave violação dos direitos humanos e uma questão crítica de saúde pública. 

Os números levantados evidenciam que a violência de gênero ultrapassa fronteiras sociais e econômicas, atingindo mulheres de todas as faixas etárias e níveis de escolaridade com uma frequência inaceitável. O impacto dessa realidade gera consequências profundas na integridade física e mental, além de sobrecarregar o sistema de saúde. 

O enfrentamento eficaz demanda um esforço conjunto entre segurança pública, justiça e assistência social. Reconhecer a gravidade desse panorama é o primeiro passo para a implementação de mudanças sistêmicas. Convidamos você a continuar esta leitura para compreender as raízes do problema e as frentes de proteção indispensáveis.

O que é violência contra a mulher?

A violência contra a mulher manifesta-se por meio de uma tipologia complexa que abrange danos físicos, agressões sexuais, coerção psicológica e restrições patrimoniais. Trata-se de um fenômeno enraizado em estruturas de poder desiguais, em que a força é utilizada como mecanismo de controle e subjugação.

Dentro desse espectro, o feminicídio ocupa o lugar de maior gravidade. O termo refere-se ao assassinato de mulheres motivado estritamente pela questão de gênero, configurando-se como a expressão máxima e mais trágica da opressão. De acordo com os indicadores de vigilância, o feminicídio raramente é um evento súbito. Na maioria das vezes, o óbito representa o desfecho de um ciclo contínuo de abusos que não foram interrompidos pelas redes de proteção. 

A letalidade está intrinsecamente ligada ao ambiente doméstico, sendo a maioria das vítimas assassinada por parceiros ou ex-parceiros íntimos. Estudos apontam que o crime letal é o ápice de uma pirâmide que inicia com comportamentos de controle e isolamento social. A identificação técnica da progressão dessas agressões é crucial para que os serviços de saúde possam intervir antes que a violência alcance o estágio de fatalidade física.

Quais fatores contribuem para o aumento da violência?

Existem determinantes sociais e comportamentais que potencializam a ocorrência e o agravamento dos episódios violentos. Pesquisas indicam que a conjunção de fatores individuais e sociais cria um ambiente de alta periculosidade para a mulher. Entre os gatilhos identificados, destaca-se o uso nocivo de álcool e substâncias psicoativas pelo agressor. Além disso, a manutenção de normas sociais que toleram a agressividade masculina e naturalizam a desigualdade de poder entre os gêneros sustenta a continuidade desses abusos ao longo de gerações.

As desigualdades de gênero manifestam-se de forma heterogênea quando observadas sob a ótica de raça e classe social. É necessário reconhecer que mulheres negras e indígenas na América Latina enfrentam camadas adicionais de vulnerabilidade, decorrentes de uma marginalização histórica. Essa interseccionalidade revela que o racismo estrutural limita o acesso a postos de trabalho qualificados e à autonomia financeira. A dependência econômica atua como uma barreira que dificulta o rompimento de vínculos abusivos, prolongando o tempo de exposição ao agressor.

Estratégias para prevenir e enfrentar a violência

A implementação de estratégias baseadas em evidências é o caminho para interromper a agressão e promover a autonomia feminina. O fortalecimento de políticas públicas multissetoriais é o único método capaz de reduzir de forma sustentável a incidência de casos na região.

Intervenções eficazes de saúde pública

O setor de saúde ocupa uma posição estratégica, por ser, muitas vezes, o primeiro ponto de contato da mulher com o sistema público. O treinamento rigoroso de profissionais para o rastreio precoce e o acolhimento humanizado é essencial para que a vítima se sinta segura em relatar o abuso.

A eficácia da resposta depende da disponibilidade imediata de serviços de proteção. Centros de referência e casas de abrigo são instrumentos que oferecem a segurança necessária para retirar a mulher de uma situação de risco iminente, garantindo a interrupção do ciclo no momento de maior fragilidade.

Estratégia de suporte psicológico e redes de apoio

Protocolos de suporte psicológico estruturados são importantes para o manejo do trauma e a reconstrução da identidade. O acompanhamento terapêutico contínuo permite que a mulher processe a experiência abusiva e desenvolva ferramentas emocionais para retomar sua vida com segurança. 

Além do suporte individual, a participação em grupos terapêuticos também demonstra resultados positivos. Nesses espaços, a troca de vivências entre mulheres que atravessaram situações semelhantes promove a validação de sentimentos e o fortalecimento mútuo contra o isolamento imposto pelo agressor. Tais iniciativas ajudam a desconstruir a dependência emocional e fornecem uma base sólida para a reconstrução social e o resgate da dignidade da vítima.

Papel da educação e empoderamento

A promoção da igualdade de gênero nas instituições de ensino pode modificar padrões culturais nocivos a longo prazo. Alterar normas que aceitam a violência exige uma mudança de mentalidade que deve ser fomentada desde a base da formação escolar. 

Programas de empoderamento que associam capacitação técnica e autonomia financeira contribuem para a diminuição da dependência que prende muitas mulheres a relacionamentos abusivos. A inclusão de homens nessas iniciativas também é indispensável para desconstruir padrões de masculinidade tóxica.

O que fazer se você ou alguém que conhece sofre violência?

O reconhecimento de sinais, como controle excessivo, intimidação verbal e restrição de contatos sociais, é o primeiro passo para a proteção. É imperativo conhecer os canais de denúncia, como o Disque 180, que fornece orientação sobre direitos e locais de atendimento.

A denúncia pode ser realizada anonimamente, e o acesso a centros de acolhimento é um direito garantido. Criar uma rede de proteção e buscar auxílio imediato em unidades de saúde são passos decisivos para a interrupção definitiva da violência.

A urgência de um compromisso coletivo

A redução dos índices de violência na América Latina só será alcançada com compromisso político sólido e investimentos contínuos em proteção feminina. O enfrentamento é uma responsabilidade compartilhada, que exige a recusa social em aceitar a agressão como algo normalizado.

Romper o silêncio é a ferramenta mais eficaz para deslegitimar o abuso. A proteção da mulher deve ser encarada como uma prioridade absoluta de saúde e justiça, em todos os níveis da sociedade. Para entender mais sobre o cuidado integral e o bem-estar feminino, convidamos você a ler nosso conteúdo sobre a saúde da mulher.

Referências:

Kwaramba T, Ye JJ, Elahi C, Lunyera J, Oliveira AC, Sanches Calvo PR, de Andrade L, Vissoci JRN, Staton CA. Lifetime prevalence of intimate partner violence against women in an urban Brazilian city: A cross-sectional survey. PLoS One. 2019 Nov 14;14(11):e0224204. doi: 10.1371/journal.pone.0224204. PMID: 31725729; PMCID: PMC6855440.

García-Moreno C, Zimmerman C, Morris-Gehring A, Heise L, Amin A, Abrahams N, Montoya O, Bhate-Deosthali P, Kilonzo N, Watts C. Addressing violence against women: a call to action. Lancet. 2015 Apr 25;385(9978):1685-95. doi: 10.1016/S0140-6736(14)61830-4. Epub 2014 Nov 21. Erratum in: Lancet. 2015 Apr 25;385(9978):1622. doi: 10.1016/S0140-6736(14)62451-X. PMID: 25467579.

Edeby A, San Sebastián M. Prevalence and sociogeographical inequalities of violence against women in Ecuador: a cross-sectional study. Int J Equity Health. 2021 Jun 2;20(1):130. doi: 10.1186/s12939-021-01456-9. PMID: 34078361; PMCID: PMC8170937.

Camargo Freile IE, Flórez Lozano KC, Sarmiento Crespo CA, Vecchio Camargo CM, Rodríguez Acosta SM, Florez-Garcia V, Navarro Lechuga E. Risk of violence from a current or former partner: Associated factors and classification in a nationwide study in Colombia. PLoS One. 2022 Dec 22;17(12):e0279444. doi: 10.1371/journal.pone.0279444. PMID: 36548311; PMCID: PMC9779034.

Organização Pan-Americana da Saúde. Violência contra mulheres é generalizada nas Américas, segundo novas estimativas da OPAS e da OMS [Internet]. Washington, D.C.: OPAS; 2025 [citado 2024 maio 22]. Disponível em: https://www.paho.org/pt/noticias/19-11-2025-violencia-contra-mulheres-e-generalizada-nas-americas-segundo-novas-estimativas

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Diagnóstico domiciliar da apneia do sono com Biologix® https://blog.sabin.com.br/medicos/diagnostico-da-apneia-do-sono-com-biologix/ https://blog.sabin.com.br/medicos/diagnostico-da-apneia-do-sono-com-biologix/#respond Fri, 13 Feb 2026 11:00:00 +0000 https://blog.sabin.com.br/?p=4971 A apneia do sono é um distúrbio respiratório comum e amplamente subdiagnosticado, com estimativas que apontam prevalência de até 17% entre adultos de meia-idade. Os episódios recorrentes de obstrução parcial ou completa das vias aéreas superiores durante o sono comprometem a oxigenação e afetam profundamente a qualidade do sono e a saúde geral. Apesar da […]

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A apneia do sono é um distúrbio respiratório comum e amplamente subdiagnosticado, com estimativas que apontam prevalência de até 17% entre adultos de meia-idade. Os episódios recorrentes de obstrução parcial ou completa das vias aéreas superiores durante o sono comprometem a oxigenação e afetam profundamente a qualidade do sono e a saúde geral.

Apesar da alta prevalência, o diagnóstico da apneia do sono ainda enfrenta diversas barreiras logísticas e clínicas. A polissonografia convencional, método padrão-ouro para diagnóstico, é limitada por alta demanda, custos e necessidade de realização em ambiente laboratorial. Esse cenário favorece a subnotificação, o atraso no início do tratamento e a piora das comorbidades associadas.

O Biologix® representa uma inovação tecnológica voltada ao diagnóstico domiciliar da apneia do sono, por meio de um sensor vestível, totalmente sem fio, conectado a um aplicativo móvel. Um dos diferenciais do Sabin é disponibilizar o exame pela venda via e-commerce, com um modelo logístico que inclui entrega e retirada do dispositivo diretamente na residência do paciente. A solução, inicialmente disponível para moradores de Brasília/DF, oferece maior comodidade, praticidade e adesão ao rastreamento da apneia, sem necessidade de pedido médico.

Para conhecer mais sobre como essa tecnologia pode otimizar o rastreamento da apneia do sono em sua prática clínica, siga a leitura e aprofunde-se nos critérios de indicação, dados fornecidos pelo exame e aplicabilidades do Biologix®.

A apneia do sono e seu impacto clínico

A apneia do sono é definida pela cessação ou redução do fluxo aéreo durante o sono, geralmente associada à queda da saturação de oxigênio e microdespertares. A seguir, sua classificação.

  • Apneia obstrutiva do sono (AOS): causada por colapso das vias aéreas superiores.
  • Apneia central: falha na ativação neuromuscular da respiração.
  • Apneia mista: combinação de fatores obstrutivos e centrais.

A fisiopatologia envolve aumento da resistência das vias aéreas, redução do tônus muscular faríngeo e hipersensibilidade dos quimiorreceptores. Essas alterações promovem hipoxemia intermitente, fragmentação do sono e ativação simpática.

Entre os principais fatores de risco para a AOS, estão obesidade — presente em até 90% dos casos —, idade acima de 40 anos, sexo masculino, além de alterações anatômicas, como retrognatia e hipertrofia de amígdalas ou adenoides. Também se destacam o histórico familiar e síndromes genéticas, como síndrome de Down e acromegalia. O subdiagnóstico é preocupante, já que muitos pacientes não relatam sintomas clássicos ou não os associam ao sono. 

Os sintomas mais comuns incluem sonolência diurna excessiva, fadiga crônica, déficit cognitivo, cefaleia matinal e ronco intenso. Por isso, a identificação precoce desses sinais é importante para reduzir o risco de complicações cardiovasculares, metabólicas e neuropsiquiátricas, que frequentemente acompanham a evolução da doença.

Comorbidades associadas à apneia do sono: do risco metabólico ao impacto cardiovascular

A apneia do sono está fortemente associada a diversas comorbidades que afetam múltiplos sistemas do organismo. As mais relevantes são as doenças metabólicas — como obesidade, diabetes tipo 2, dislipidemias e síndrome metabólica — e as doenças cardiovasculares, incluindo hipertensão arterial sistêmica, insuficiência cardíaca congestiva, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e arritmias. A intermitência hipóxica, típica dos episódios de apneia, associada à ativação autonômica crônica, induz alterações hemodinâmicas, inflamatórias e metabólicas, que favorecem o surgimento e a progressão desses quadros clínicos.

Em idosos, por exemplo, a apneia do sono está usualmente relacionada à presença de arritmias cardíacas e insuficiência cardíaca. Já em adultos jovens, a condição contribui para o desenvolvimento precoce de hipertensão arterial e disfunções metabólicas. 

Existe, ainda, uma associação consolidada com transtornos psiquiátricos, especialmente depressão, ansiedade e dificuldades de atenção e concentração, o que agrava ainda mais o impacto funcional da doença. No público pediátrico, observa-se a presença de distúrbios do neurodesenvolvimento, hipertrofia adenotonsilar, déficit de crescimento e, em casos mais severos, hipertensão pulmonar. Esse amplo espectro de comorbidades reforça a importância da identificação e do manejo precoce da apneia do sono como medida estratégica de prevenção de desfechos clínicos graves e redução da carga assistencial.

Biologix®: tecnologia e parâmetros avaliados

O Biologix® é um exame inovador, baseado em tecnologia vestível, que realiza uma polissonografia simplificada de forma totalmente domiciliar e sem fios. O paciente recebe em casa um sensor digital a ser utilizado no dedo durante o sono, por no mínimo 4 horas, em conexão com um smartphone com internet via aplicativo exclusivo.

A análise contempla diversos parâmetros essenciais para diagnóstico e acompanhamento, os quais incluem:

  • Oximetria de pulso (SpO2).
  • Índice de dessaturação de oxigênio (IDO).
  • Carga hipóxica.
  • Análise do ronco.
  • Sono estimado.
  • Frequência cardíaca.
  • Gráfico de movimentação.
  • Índice de hipoxemia.

A robustez dos dados permite não apenas o diagnóstico preciso da apneia obstrutiva do sono, mas também o monitoramento longitudinal da resposta ao tratamento, sendo ideal para seguimento de pacientes em uso de CPAP, sob intervenção cirúrgica ou em processo de emagrecimento.

Benefícios clínicos do Biologix® para médico e paciente

A adoção do Biologix® na prática médica traz vantagens valiosas em termos de logística assistencial e adesão ao diagnóstico. Trata-se de um exame 100% domiciliar, em que o paciente agenda a realização, recebe o sensor em sua residência e é orientado presencialmente por um profissional do Sabin sobre o uso correto do dispositivo. 

Todo o processo é conduzido com o apoio do aplicativo Biologix®, que fornece orientações detalhadas, possibilita o preenchimento dos dados clínicos e o acompanhamento do exame em tempo real, conferindo mais autonomia ao paciente. Outro diferencial é que, após o uso, o sensor não precisa ser devolvido fisicamente, pois a própria equipe do Sabin realiza a retirada do dispositivo no dia seguinte, de forma prática e segura.

Esses elementos contribuem para a eliminação de barreiras logísticas típicas da polissonografia convencional, como a necessidade de deslocamento até clínicas especializadas e as restrições para agendamento. Isso se traduz em maior agilidade diagnóstica, permitindo que o tratamento seja iniciado mais precocemente, com impacto direto no controle da apneia e na melhora do prognóstico clínico. Além disso, a escalabilidade do modelo viabiliza a aplicação do Biologix® em estratégias de rastreio populacional, contribuindo para a medicina personalizada e para a prevenção de desfechos clínicos adversos ligados à apneia do sono.

Quando indicar o exame Biologix® na prática clínica?

O exame Biologix® pode ser indicado em diversas situações clínicas. É particularmente útil diante da suspeita de apneia do sono em pacientes que apresentam sintomas como ronco habitual, sonolência diurna excessiva, fadiga persistente e cefaleia matinal. Também pode ser empregado na avaliação da resposta terapêutica após intervenções como uso de CPAP, cirurgias ou mudanças significativas de peso corporal

Outra indicação é o rastreamento em pacientes com hipertensão arterial resistente ao tratamento, obesidade ou presença de síndrome metabólica, considerando a forte associação entre esses quadros clínicos e a apneia obstrutiva do sono.

Um aspecto que amplia seu alcance é o fato de o exame poder ser realizado mesmo sem solicitação médica formal, o que favorece a triagem precoce de casos moderados e graves, que, de outro modo, poderiam permanecer sem diagnóstico. No entanto, é preciso ressaltar que o Biologix® não substitui a polissonografia completa em contextos clínicos mais complexos, como em suspeitas de apneia central, presença de doenças neuromusculares ou de patologias pulmonares crônicas. Nesses casos, a avaliação especializada por médico do sono é imprescindível. 

Considerações éticas, segurança e termo de responsabilidade

A realização do Biologix® envolve assinatura de termo de responsabilidade, no qual o paciente se compromete com o uso adequado e a devolução do equipamento em bom estado.

Na entrega do sensor, a equipe Sabin fornece instruções presenciais detalhadas, além de disponibilizar suporte remoto.

Todos os dados clínicos são tratados com sigilo, proteção e adequação à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), garantindo segurança e confidencialidade.

O futuro com a tecnologia no diagnóstico de distúrbios do sono

A medicina moderna caminha para modelos assistenciais mais digitais, acessíveis e personalizados. Assim, o diagnóstico domiciliar de distúrbios do sono, como o proporcionado pelo Biologix®, representa um avanço substancial.

A combinação entre tecnologia vestível, conectividade e algoritmos robustos de análise promove maior acesso ao diagnóstico precoce, reduz fila de espera e favorece uma abordagem centrada no paciente, sobretudo em doenças crônicas e de alta prevalência.

Plataformas como o Biologix® reforçam o papel da inovação tecnológica no cuidado em saúde e estabelecem novos paradigmas para a prática clínica baseada em dados. Quer se atualizar sobre outras soluções digitais para a sua prática médica? Acesse: Conheça a nova plataforma tecnológica do Sabin.

Referências:

Park DY, Kim JS, Park B, Kim HJ. Risk factors and clinical prediction formula for the evaluation of obstructive sleep apnea in Asian adults. PLoS One. 2021 Feb 2;16(2):e0246399. doi: 10.1371/journal.pone.0246399. PMID: 33529265; PMCID: PMC7853448.

Hua-Huy T, Rouhani S, Nguyen XY, Luchon L, Meurice JC, Dinh-Xuan AT. Cardiovascular comorbidities in obstructive sleep apnoea according to age: a sleep clinic population study. Aging Clin Exp Res. 2015 Oct;27(5):611-9. doi: 10.1007/s40520-015-0318-3. Epub 2015 Jan 25. PMID: 25618197.

Veasey SC, Rosen IM. Obstructive sleep apnea in adults. N Engl J Med. 2019 Apr 10;380(15):1442-1449. doi:10.1056/NEJMcp1816152.

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