Blog Sabin https://blog.sabin.com.br/ Conhecimento aliado ao bem-estar Tue, 10 Feb 2026 18:28:46 +0000 pt-BR hourly 1 https://blog.sabin.com.br/wp-content/uploads/2025/10/cropped-03_simbolo-vermelho-1-32x32.png Blog Sabin https://blog.sabin.com.br/ 32 32 Biologix®: exame para diagnosticar apneia do sono em casa https://blog.sabin.com.br/saude/novo-exame-para-diagnostico-da-apneia-do-sono/ https://blog.sabin.com.br/saude/novo-exame-para-diagnostico-da-apneia-do-sono/#respond Tue, 10 Feb 2026 18:28:41 +0000 https://blog.sabin.com.br/?p=4962 A apneia do sono é um problema mais comum do que se imagina. Muitas pessoas convivem com sintomas como ronco alto, cansaço ao acordar, sonolência ao longo do dia e dores de cabeça matinais, sem saber que podem estar enfrentando uma condição respiratória durante o sono. Para facilitar a investigação dessa condição, o Sabin Diagnóstico […]

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A apneia do sono é um problema mais comum do que se imagina. Muitas pessoas convivem com sintomas como ronco alto, cansaço ao acordar, sonolência ao longo do dia e dores de cabeça matinais, sem saber que podem estar enfrentando uma condição respiratória durante o sono. Para facilitar a investigação dessa condição, o Sabin Diagnóstico e Saúde oferece o exame Biologix®, uma solução moderna, confortável e prática, que permite o diagnóstico da apneia do sono sem sair de casa.

A tecnologia Biologix® é validada cientificamente e utilizada em diversos países, fornecendo resultados confiáveis. A grande inovação é que ela dispensa fios, clínicas ou a necessidade de passar a noite em ambientes médicos. O sensor é usado no dedo do paciente, que dorme normalmente em sua casa enquanto os dados são coletados por meio de um aplicativo no celular.

Exclusivo do Sabin e inicialmente disponível para residentes de Brasília/DF, o Biologix® pode ser feito mesmo sem pedido médico. A seguir, entenda como funciona, para quem é indicado, quais dados o exame coleta e por que diagnosticar a apneia do sono pode transformar a sua qualidade de vida.

O que é apneia do sono e por que se preocupar?

A apneia do sono é caracterizada por pausas na respiração durante o sono. Essas interrupções podem durar de alguns segundos até mais de um minuto, repetindo-se várias vezes no decorrer da noite. Mesmo que a pessoa não perceba esses episódios, o organismo sente os efeitos: sono fragmentado, queda na oxigenação do sangue e sobrecarga no sistema cardiovascular.

Entre os principais sintomas da apneia, estão:

  • ronco frequente e alto;
  • sensação de sufocamento ao dormir;
  • sono não reparador;
  • cansaço ao acordar;
  • sonolência durante o dia;
  • irritabilidade e dificuldade de concentração.

A apneia está associada ao aumento do risco de hipertensão, infarto, Acidente Vascular Cerebral (AVC), diabetes tipo 2 e até depressão. Muitas vezes, o diagnóstico é adiado justamente por falta de exames acessíveis e práticos. Nesse cenário, o Biologix® surge como uma solução facilitadora, que ajuda a identificar o problema com agilidade e conforto.

Como funciona o exame do sono Biologix®

O Biologix® é um exame simplificado e totalmente digital, indicado para investigar a apneia do sono. O paciente não precisa ir a uma clínica: um profissional do Sabin entrega o dispositivo em casa, explica como utilizá-lo e agenda a retirada para o dia seguinte.

O funcionamento é simples:

  • Um sensor é colocado no dedo do paciente antes de dormir.
  • O sensor se conecta, via Bluetooth, ao aplicativo Biologix, previamente instalado (é necessário manter o celular conectado à internet durante a noite e utilizar o sensor por pelo menos quatro horas).
  • Os dados são enviados automaticamente ao sistema para análise.
  • No dia seguinte, a equipe do Sabin retira o dispositivo, sem complicações.

Além disso, no momento da entrega, o paciente recebe um guia prático com o passo a passo e assina um termo de responsabilidade pelo uso do equipamento. O exame é rápido, confortável e pensado para respeitar o ritmo de cada pessoa.

O que o exame consegue identificar?

O Biologix® possibilita informações robustas para diagnóstico clínico. O sistema coleta uma série de dados relevantes para a identificação da apneia obstrutiva do sono e para o acompanhamento de pacientes em tratamento.

Veja, abaixo, os principais parâmetros avaliados.

  • Oximetria (SpO2): mede o nível de oxigênio no sangue.
  • Frequência cardíaca: permite observar alterações durante o sono.
  • Índice de dessaturação de oxigênio (IDO): indica a frequência de quedas nos níveis de oxigênio.
  • Carga hipóxica: mensura o impacto total da baixa oxigenação.
  • Movimentação corporal: avalia a qualidade do repouso.
  • Análise do ronco e sono estimado: contribuem para entender padrões respiratórios e repouso.

Com esses dados, a equipe médica consegue interpretar o grau de apneia e direcionar o tratamento mais adequado, se necessário.

Para quem o Biologix®é indicado?

O exame do sono Biologix® é indicado para todas as pessoas que apresentam sintomas de apneia do sono, como ronco, cansaço ao acordar, sono agitado e dificuldade para se concentrar. Também é útil para quem já tem diagnóstico de apneia e precisa monitorar a resposta ao tratamento.

Não é necessário pedido médico para realizar o exame, o que facilita o acesso ao diagnóstico. Essa característica torna o Biologix® uma excelente opção para quem deseja iniciar uma investigação por conta própria, sem burocracia e com o suporte técnico do Sabin.

Além disso, todos os dados gerados pelo exame são protegidos em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais(LGPD), garantindo privacidade e segurança ao paciente.

Quais são as vantagens do exame em casa?

O Biologix® oferece diversos benefícios para quem deseja cuidar da saúde do sono com mais praticidade.

  • Conforto: o exame é feito no ambiente familiar, com liberdade e sem interrupções.
  • Praticidade: dispensa deslocamentos e permite ao paciente dormir em seu próprio quarto.
  • Autonomia: o paciente realiza todo o processo com orientações simples e suporte do aplicativo.
  • Comodidade: a equipe do Sabin entrega e recolhe o equipamento em casa, no horário agendado.
  • Tecnologia sem fios: o sensor é discreto e não atrapalha o sono.

Tais facilidades aumentam a adesão ao exame, tornando o diagnóstico da apneia do sono mais acessível a quem precisa.

Por que diagnosticar apneia do sono é tão importante?

Sem diagnóstico, a apneia do sono pode evoluir silenciosamente, agravando outras doenças e reduzindo a qualidade de vida. Com o tratamento adequado, os resultados são positivos:

  • redução do cansaço e melhora da energia diária;
  • sono mais reparador e contínuo;
  • redução do risco de infarto, hipertensão e diabetes;
  • melhora da memória, da concentração e do humor.

Identificar e tratar a apneia é um passo essencial para quem busca mais saúde, produtividade e bem-estar. 

Como adquirir o exame no Sabin

Você pode adquirir o exame do sono Biologix® diretamente na Loja Virtual do Sabin. Consulte a disponibilidade em sua região.

Dê atenção aos sinais do seu corpo. Se você ronca, sente cansaço frequente ou acorda várias vezes à noite, não ignore os sintomas. Cuidar do sono é cuidar da vida. Saiba como melhorar a sua rotina de descanso acessando o conteúdo: Dicas do Sabin: saiba como melhorar a qualidade do sono.

Sabin avisa:

Este conteúdo é meramente informativo e não pretende substituir consultas médicas, avaliações por profissionais de saúde ou fornecer qualquer tipo de diagnóstico ou recomendação de exames.

Importante ressaltar que diagnósticos e tratamentos devem ser sempre indicados por uma avaliação médica individual. Em caso de dúvidas, converse com seu médico. Somente o profissional pode esclarecer todas as suas perguntas. 

Lembre-se: qualquer decisão relacionada à sua saúde sem orientação profissional pode ser prejudicial.

Referências:

Park DY, Kim JS, Park B, Kim HJ. Risk factors and clinical prediction formula for the evaluation of obstructive sleep apnea in Asian adults. PLoS One. 2021 Feb 2;16(2):e0246399. doi: 10.1371/journal.pone.0246399. PMID: 33529265; PMCID: PMC7853448.

Hua-Huy T, Rouhani S, Nguyen XY, Luchon L, Meurice JC, Dinh-Xuan AT. Cardiovascular comorbidities in obstructive sleep apnoea according to age: a sleep clinic population study. Aging Clin Exp Res. 2015 Oct;27(5):611-9. doi: 10.1007/s40520-015-0318-3. Epub 2015 Jan 25. PMID: 25618197

Veasey SC, Rosen IM. Obstructive sleep apnea in adults. N Engl J Med. 2019;380(15):1442‑9. doi:10.1056/NEJMcp1816152.

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O BI-RADS® (Breast Imaging Reporting and Data System) versão 2025, oficialmente lançado durante o RSNA (Radiological Society of North America) no mesmo ano, representa um marco relevante na evolução da radiologia mamária. Após mais de uma década desde a publicação da 5ª edição, a nova versão era amplamente aguardada pela comunidade médica, especialmente por radiologistas, patologistas, cirurgiões, mastologistas e oncologistas envolvidos no diagnóstico e acompanhamento do câncer de mama. O lançamento consolida avanços técnicos, revisões conceituais e uma reorganização estrutural que reflete a prática clínica contemporânea.

Ao longo dos anos, o BI-RADS® se consolidou como a principal ferramenta de padronização da linguagem radiológica mamária, permitindo comunicação clara, objetiva e universal entre diferentes especialidades. A versão v.2025 amplia esse papel ao harmonizar léxicos entre modalidades, incorporar novas tecnologias, como a mamografia contrastada, e atualizar recomendações de manejo alinhadas aos avanços terapêuticos. A seguir, discutiremos as principais mudanças da nova versão e suas implicações diretas na prática clínica.

A importância do BI-RADS® na prática clínica

O BI-RADS® foi desenvolvido pelo American College of Radiology (ACR) na década de 1990, com o objetivo de uniformizar a interpretação e a comunicação dos achados em exames de imagem das mamas. Antes de sua implementação, descrições heterogêneas dificultavam a correlação clínica-radiológica e a definição de condutas, mesmo dentro de um mesmo serviço.

Ao longo de suas edições, o BI-RADS® evoluiu de um simples atlas descritivo para um sistema robusto de classificação, incorporando evidências científicas, auditorias de desempenho e recomendações de manejo. Atualmente, é utilizado globalmente e tornou-se obrigatório em diversos estados norte-americanos. No Brasil, embora não haja exigência legal, o sistemaé fortemente recomendado pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem(CBR), sendo amplamente adotado na prática diária.

O impacto do BI-RADS® extrapolou a radiologia mamária, servindo de base conceitual para sistemas semelhantes em outras áreas, como PI-RADS (próstata), TI-RADS (tireoide) e O-RADS (ovários), reforçando sua relevância como modelo de padronização diagnóstica.

O que mudou na nova versão do BI-RADS®?

Uma das primeiras mudanças estruturais da nova edição é a transição do termo “atlas” para “manual”, o que demonstra a ampliação do escopo do documento. Além disso, o sistema de versionamento passa a ser definido pelo ano de publicação, alinhando-se ao programa mais amplo dos RADS do ACR, resultando na denominação BI-RADS® v.2025.

Outro avanço relevante é a inclusão definitiva da mamografia contrastada (CEM) como seção própria, deixando de ser um suplemento. Essa mudança reconhece a crescente relevância clínica da técnica, sobretudo em contextos de avaliação complementar e extensão da doença.

A nova edição também promove uma reorganização completa dos léxicos para mamografia, ultrassonografia, ressonância magnética e CEM, buscando consistência terminológica entre modalidades. Os relatórios passam a seguir uma estrutura ainda mais padronizada, com harmonização das seções de indicação, técnica, achados, avaliação e recomendação de manejo. O manual também incorpora seções de FAQs (Frequently Asked Questions) gerais e específicas por modalidade, além de uma versão digital interativa, facilitando a consulta rápida no dia a dia.

Entenda melhor a atualização da categoria BI-RADS® 6

Na nova edição do BI-RADS®, a categoria 6 recebeu atenção especial não por mudanças em sua definição conceitual, mas pela atualização das orientações relacionadas ao manejo clínico e ao papel da imagem no acompanhamento oncológico. As modificações refletem a evolução das estratégias terapêuticas no câncer de mama e reforçam a necessidade de alinhamento entre a radiologia e as demais especialidades envolvidas no cuidado da paciente.

Definição permanece, mas gestão clínica evolui

A definição da categoria BI-RADS® 6 permanece inalterada na 6ª edição, sendo reservada exclusivamente para lesões com diagnóstico histopatológico confirmado de malignidade. No entanto, a principal atualização está relacionada às orientações de manejo descritas no manual.

Na versão v.2025, a recomendação passa a ser explicitada como “acompanhamento clínico com cirurgião e/ou oncologista e terapia definitiva local, quando clinicamente apropriada”, substituindo a indicação anterior centrada na excisão cirúrgica. Essa mudança reflete o reconhecimento formal de abordagens terapêuticas contemporâneas, incluindo terapias neoadjuvantes e técnicas ablativas não cirúrgicas, que vêm ganhando espaço em cenários selecionados. É importante ressaltar que não há indicação de nova biópsia da lesão index classificada como BI-RADS® 6, uma vez que o diagnóstico histológico já foi estabelecido.

Implicações práticas para a conduta clínica

Na prática clínica, a categoria BI-RADS® 6 mantém seu papel como ferramenta de documentação e acompanhamento radiológico. A imagem passa a ser fundamental para avaliação da extensão da doença, monitoramento de resposta terapêutica e detecção de possíveis recidivas.

O laudo deve, sempre que possível, mencionar o tipo histológico e o método de confirmação diagnóstica, reforçando a integração entre imagem e patologia. Diferentes modalidades, como ressonância magnética, ultrassonografia, tomossíntese e mamografia contrastada, assumem papéis complementares no acompanhamento oncológico, particularmente em pacientes submetidas a terapias sistêmicas.

Comparativo entre a 5ª e a BI-RADS® v.2025

A nova versão introduz diversas revisões conceituais relevantes. Entre elas, destaca-se a exclusão do termo “microlobulado” como descritor de margem, que passa a ser incorporado à categoria “indistinta”, reduzindo ambiguidades terminológicas.

Os descritores de calcificações também foram revisados, com eliminação de termos considerados pouco objetivos e atualização de tabelas de valor preditivo positivo com base em literatura mais recente. Na ressonância mamária, achados previamente classificados como BI-RADS® 3, como determinados focos de realce, passaram a ser reconhecidos como benignos em contextos específicos.

Outro ponto significativo é a recategorização de achados antes descritos como “associados”, que agora passam a ser tratados como achados secundários, incluindo linfonodos e distorção arquitetural, promovendo maior clareza na hierarquização dos achados.

Como preparar sua equipe para adoção da nova versão

A implementação adequada do BI-RADS® v.2025 exige planejamento e atualização contínua das equipes. A criação de grupos de estudo internos em clínicas e hospitais é uma estratégia eficaz para discutir as mudanças e alinhar interpretações.

Cursos, workshops e webinars são recursos valiosos para a capacitação, assim como o uso da versão digital interativa do manual como material de consulta rápida. Nesse contexto, o médico radiologista assume papel central como líder na disseminação do conhecimento, promovendo integração entre a equipe multidisciplinar e garantindo a aplicação consistente das novas diretrizes.

BI-RADS® v.2025 como marco contínuo no diagnóstico mamário

A nova versão do BI-RADS® reforça o compromisso do ACR com a atualização constante da radiologia mamária, acompanhando os progressos tecnológicos e terapêuticos. A manutenção conceitual da categoria BI-RADS® 6, associada à evolução de seu manejo clínico, exemplifica a adaptação do sistema às demandas da prática moderna.

Ao incorporar novas modalidades, revisar léxicos e padronizar ainda mais os relatórios, o BI-RADS® v.2025 se consolida como um marco diferencial para a prática clínica de excelência, fortalecendo a comunicação, a segurança diagnóstica e o cuidado oncológico centrado no paciente. Para continuar a leitura e aprofundar-se na avaliação mamária, acesse o conteúdo sobre mama densa e exames complementares.

Referências:

Cohen EO, Tso HH, Shin K, Martaindale SR, Bragg AC, Phalak KA, Perry RE, Sun J, Leung JWT. Feasibility of Auditing Preoperative Breast MRI for Extent-of-Disease Evaluation Using the BI-RADS® v2025 Manual. Radiology. 2025 Oct;317(1):e243803. doi: 10.1148/radiol.243803. Erratum in: Radiology. 2025 Oct;317(1):e259018. doi: 10.1148/radiol.259018. PMID: 41085394; PMCID: PMC12583117.

Dilhuydy MH. Breast imaging reporting and data system (BI-RADS®) or French “classification ACR” What tool for what use? A point of view. Eur J Radiol. 2007 Feb;61(2):187-91. doi: 10.1016/j.ejrad.2006.08.032. Epub 2006 Dec 20. PMID: 17184950.

Mercado CL. BI-RADS® update. Radiol Clin North Am. 2014 May;52(3):481-7. doi: 10.1016/j.rcl.2014.02.008. PMID: 24792650.

Yao MM, Joe BN, Sickles EA, Lee CS. BI-RADS® Category 5 Assessments at Diagnostic Breast Imaging:Outcomes Analysis Based on Lesion Descriptors. Acad Radiol. 2019 Aug;26(8):1048-1052. doi: 10.1016/j.acra.2018.07.018. Epub 2018 Sep 5. PMID: 30195413.

Rao AA, Feneis J, Lalonde C, Ojeda-Fournier H. A Pictorial Review of Changes in the BI-RADS® Fifth Edition. Radiographics. 2016 May-Jun;36(3):623-39. doi: 10.1148/rg.2016150178. Epub 2016 Apr 15. PMID: 27082663.

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BI-RADS®: o que significa essa classificação nos exames de mama? https://blog.sabin.com.br/saude/o-que-e-o-bi-rads/ https://blog.sabin.com.br/saude/o-que-e-o-bi-rads/#respond Tue, 03 Feb 2026 18:51:48 +0000 https://blog.sabin.com.br/?p=4948 O BI-RADS® é um sistema de classificação criado para facilitar a compreensão e o acompanhamento dos resultados dos exames de imagem das mamas, como a mamografia, a ultrassonografia e a ressonância magnética. O principal objetivo é padronizar os laudos, facilitar a comunicação entre os profissionais de saúde e orientar a conduta médica, com base no […]

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O BI-RADS® é um sistema de classificação criado para facilitar a compreensão e o acompanhamento dos resultados dos exames de imagem das mamas, como a mamografia, a ultrassonografia e a ressonância magnética. O principal objetivo é padronizar os laudos, facilitar a comunicação entre os profissionais de saúde e orientar a conduta médica, com base no risco de câncer de mama.

Embora seja um termo técnico, o BI-RADS® faz parte da rotina de exames de muitas mulheres, e entender o que ele significa pode ajudar a reduzir a ansiedade ao receber um laudo. Neste conteúdo, explicaremos o que representa cada categoria, o que muda com a atualização mais recente e como lidar com resultados, como BI-RADS® 3 ou 4, com mais tranquilidade. Siga a leitura para entender mais informações sobre essa classificação.

Como funciona o BI-RADS® e por que ele é importante?

O BI-RADS® (Breast Imaging Reporting and Data System) foi desenvolvido pelo American College of Radiology como uma ferramenta de padronização para descrever achados em exames de imagem das mamas. Desde a sua adoção, tornou-se referência internacional e é utilizado para garantir que os laudos radiológicos sejam claros, uniformes e úteis para o médico assistente.

A principal função é traduzir o que foi visto nos exames em categorias numéricas, que indicam o grau de risco e orientam qual deve ser o próximo passo: apenas acompanhar, repetir o exame ou realizar uma biópsia.

Além de melhorar a comunicação entre médicos e pacientes, o sistema ajuda a evitar erros de interpretação, otimiza a conduta clínica e contribui para a detecção precoce do câncer de mama, com impacto direto no sucesso do tratamento.

Quais exames utilizam o BI-RADS®?

O BI-RADS® é aplicado em três exames principais de imagem das mamas, a mamografia, a ultrassonografia e a ressonância magnética. Cada um desses métodos possui características próprias, mas todos utilizam a mesma escala numérica para classificar os achados.

Isso permite que os resultados sejam comparáveis entre si e interpretados em conjunto, proporcionando uma análise mais precisa. Mesmo quando há divergências entre os exames, como uma mamografia com BI-RADS® 3 e uma ultrassonografia com BI-RADS® 2, os profissionais conseguem avaliar o contexto completo para definir a melhor conduta.

A atualização mais recente do BI-RADS®, lançada em 2025, trouxe ajustes relevantes principalmente para os laudos de ultrassonografia e ressonância, refletindo avanços no conhecimento sobre as imagens benignas e suspeitas.

O que significam as categorias do BI-RADS®?

A escala do BI-RADS® vai de 0 a 6, sendo que cada número representa um nível de probabilidade de câncer e uma recomendação clínica correspondente:

  • BI-RADS® 0: exame inconclusivo; deve-se realizar exames adicionais ou comparar com exames anteriores.
  • BI-RADS® 1: exame normal, sem alterações; indica seguimento de rotina.
  • BI-RADS® 2: achado benigno, como cistos simples; também requer apenas acompanhamento regular.
  • BI-RADS® 3: achado provavelmente benigno, cuja chance de câncer é menor que 2%; indica acompanhamento em seis meses.
  • BI-RADS® 4: achado suspeito, indicando necessidade de biópsia; pode ser subdividido em 4A, 4B e 4C, a depender do grau de suspeita.
  • BI-RADS® 5: achado altamente sugestivo de malignidade; a biópsia é obrigatória.
  • BI-RADS® 6: câncer já confirmado por biópsia; a categoria indica estágio de tratamento ou acompanhamento.

Cada número é uma indicação clínica que orienta a conduta médica. O mais importante é lembrar que categorias intermediárias, como BI-RADS® 3 e 4, não significam diagnóstico de câncer, mas sim a necessidade de observação ou investigação, respectivamente.

Por que exames diferentes podem indicar BI-RADS® diferentes?

Nem sempre os diferentes exames de imagem vão apontar exatamente o mesmo resultado, e isso é perfeitamente normal. Cada método tem suas próprias limitações e pontos fortes. Enquanto a mamografia é excelente para visualizar calcificações, a ultrassonografia é mais útil para diferenciar cistos de nódulos sólidos, e a ressonância tem alta sensibilidade para alterações em que há avidez pelo meio de contraste.

Essas diferenças fazem com que, às vezes, um mesmo achado seja interpretado de forma distinta entre os exames. O essencial é que o médico assistente considere o conjunto das informações para indicar o melhor caminho.

As mudanças com a nova edição do BI-RADS®

O BI-RADS® v.2025 trouxe mudanças significativas para tornar os laudos mais claros, objetivos e alinhados com as evidências clínicas. Algumas alterações fundamentais incluem:

  • Agrupamentos de microcistos, antes classificados como BI-RADS® 3, agora são considerados benignos e classificados como BI-RADS® 2.
  • Focos de realce bilateral em ressonância, que antes gerava dúvidas, passaram a ser considerados achados benignos. E outros focos de realce devem ser descritos com realces nodulares. O radiologista deverá avaliar cada caso à luz da história clínica da paciente.
  • O sistema foi simplificado para evitar condutas desnecessárias, como biópsias ou exames repetidos, quando o risco real é baixo.

Essas mudanças ajudam a reduzir a ansiedade das pacientes e favorecem uma abordagem mais precisa e individualizada.

O que fazer quando o exame indica BI-RADS® 3 ou 4?

Quando o laudo indica BI-RADS® 3, o achado é provavelmente benigno. A recomendação é repetir o exame em seis meses, mantendo vigilância por até dois anos. A chance de câncer é muito baixa, inferior a 2%, e a maioria dos casos segue sem alterações ao longo do tempo.

Já o BI-RADS® 4 indica que o achado merece investigação mais aprofundada. Nesses casos, a biópsia é recomendada, mas isso não significa que seja câncer. A maioria dos BI-RADS® 4 também resulta em diagnósticos benignos após a biópsia. Em ambas as situações, é crucial seguir a orientação médica e manter a calma. A padronização do BI-RADS® existe justamente para proteger a paciente e permitir o diagnóstico precoce, quando for o caso.

Quem costuma receber cada tipo de BI-RADS®?

Pacientes assintomáticas submetidas a exames de rastreamento, como mamografias de rotina, costumam receber classificações BI-RADS® 1 ou 2, que indicam normalidade ou achados benignos. Mulheres mais jovens, com nódulos pequenos e características tipicamente benignas, recebem frequentemente BI-RADS® 3.

BI-RADS® 4 é mais comum em mulheres com achados com risco entre 2% a 90% de câncer de mama, como nódulos irregulares ou calcificações atípicas. BI-RADS® 5 é atribuído a lesões com aparência altamente sugestiva de malignidade, como lesões espiculadas. Enquanto o BI-RADS® 6 é reservado para pacientes já diagnosticadas com câncer de mama, ainda sem tratamento cirúrgico, cuja imagem serve para planejar tratamento ou monitorar resposta à terapia.

Quando será necessário buscar uma segunda opinião médica?

Dúvidas após um exame de imagem são compreensíveis. Em casos de BI-RADS® 3 ou 4, ou quando a explicação médica não for clara, buscar uma segunda opinião é uma medida válida e recomendada. Um novo olhar pode confirmar a conduta ou propor o caminho mais adequado, sempre com foco na segurança da paciente.

Ademais, exames realizados em centros especializados tendem a apresentar menor taxa de inconclusivos e maior precisão nos laudos, o que reduz a necessidade de repetições ou investigações excessivas.

Como lidar com a ansiedade após o resultado do exame?

Receber um laudo com uma classificação desconhecida pode causar preocupação, mas entender o significado do BI-RADS® ajuda a reduzir o medo. A maioria dos exames não indica câncer, e o sistema foi criado para assegurar que nenhum detalhe passe despercebido.

Conversar com o médico, esclarecer dúvidas e evitar buscar interpretações na internet são atitudes que fazem diferença para a saúde emocional nesse momento.

Qual a importância de confiar em serviços de imagem especializados?

A qualidade do exame está diretamente ligada à experiência da equipe e à tecnologia utilizada. Centros de imagem especializados, como o Sabin, seguem protocolos internacionais, realizam atualizações constantes e contam com radiologistas altamente capacitados para diagnósticos mamários. Esse cuidado garante maior precisão nos resultados e contribui para decisões médicas mais seguras e menos invasivas.

Compreender o que é o BI-RADS® é um passo importante para o autocuidado e para decisões mais conscientes sobre a própria saúde. Em vez de gerar medo, a classificação deve ser vista como uma ferramenta de proteção, criada para melhorar o diagnóstico e promover a segurança da paciente. Saiba mais sobre exames de imagem, acessando o nosso conteúdo: Como funcionam os exames de imagem.

Sabin avisa:

Este conteúdo é meramente informativo e não pretende substituir consultas médicas, avaliações por profissionais de saúde ou fornecer qualquer tipo de diagnóstico ou recomendação de exames.

Importante ressaltar que diagnósticos e tratamentos devem ser sempre indicados por uma avaliação médica individual. Em caso de dúvidas, converse com seu médico. Somente o profissional pode esclarecer todas as suas perguntas. 

Lembre-se: qualquer decisão relacionada à sua saúde sem orientação profissional pode ser prejudicial.

Referências:

Berg WA, Berg JM. Cancer Yield and Patterns of Follow-up for BI-RADS® Category 3 after Screening Mammography Recall in the National Mammography Database. Radiology. 2020 Jul;296(1):32-41. doi: 10.1148/radiol.2020192641. Epub 2020 May 19. PMID: 32427557.

Rao AA, Feneis J, Lalonde C, Ojeda-Fournier H. A Pictorial Review of Changes in the BI-RADS® Fifth Edition. Radiographics. 2016 May-Jun;36(3):623-39. doi: 10.1148/rg.2016150178. Epub 2016 Apr 15. PMID: 27082663.

Boyle MK, Selfridge JM, Sargent RE, Warren YE, Chandler JM, Childers CP. Society of surgical oncology medical student & trainee primer for breast surgical oncology. Surg Oncol Insight. 2025;2(1):100129. doi:10.1016/j.soi.2025.100129.

Boyle MK, Selfridge JM, Sargent RE, Warren YE Jr, Chandler JM, Childers CP. Society of surgical oncology medical student & trainee primer for breast surgical oncology. Surg Oncol Insight. 2025;2(1):100129. doi:10.1016/j.soi.2025.100129.

Mercado CL. BI-RADS® update. Radiol Clin North Am. 2014 May;52(3):481-7. doi: 10.1016/j.rcl.2014.02.008. PMID: 24792650.

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Medo de ficar de fora: o que é FOMO e como isso afeta a saúde mental https://blog.sabin.com.br/saude/o-que-e-fomo/ https://blog.sabin.com.br/saude/o-que-e-fomo/#respond Tue, 27 Jan 2026 17:11:13 +0000 https://blog.sabin.com.br/?p=4934 Nas últimas décadas, o avanço das redes sociais transformou profundamente a forma como nos relacionamos com o mundo. No meio desse cenário, um termo ganhou destaque por traduzir um sentimento cada vez mais comum: FOMO, sigla para Fear of Missing Out, ou, em português, “medo de estar perdendo algo”. A sensação está ligada à percepção […]

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Nas últimas décadas, o avanço das redes sociais transformou profundamente a forma como nos relacionamos com o mundo. No meio desse cenário, um termo ganhou destaque por traduzir um sentimento cada vez mais comum: FOMO, sigla para Fear of Missing Out, ou, em português, “medo de estar perdendo algo”. A sensação está ligada à percepção constante de que outras pessoas estão vivendo experiências melhores ou mais interessantes do que nós.

Essa comparação contínua pode gerar desconforto, frustração e até angústia. O FOMO passou a ser visto como um fenômeno psicológico relevante, especialmente entre adolescentes e jovens adultos. Reconhecer esse comportamento é essencial para evitar que ele afete negativamente a autoestima, a qualidade do sono, o humor e os vínculos sociais.

Siga a leitura para entender o que é FOMO, como ele se manifesta, quais são seus impactos na saúde mental e o que pode ser feito para lidar com o fenômeno de forma equilibrada.

O que é FOMO?

FOMO é uma expressão que descreve o medo frequente de estar perdendo eventos, oportunidades ou interações sociais importantes. Esse sentimento costuma surgir quando alguém vê, por exemplo, amigos se divertindo em uma festa nas redes sociais enquanto está em casa sozinho. Mesmo que a pessoa tenha feito uma escolha consciente de não participar, ela pode sentir arrependimento, tristeza ou ansiedade ao se deparar com as imagens.

O uso incessante das redes sociais amplifica a sensação, pois expõe os usuários a uma vitrine de vidas aparentemente perfeitas e momentos felizes. O FOMO pode ser temporário, em situações pontuais, ou persistente, quando se torna uma característica do comportamento da pessoa.

A necessidade persistente de estar conectado e informado sobre tudo o que acontece ao redor pode acabar criando um ciclo vicioso de comparação e insatisfação.

Como o FOMO se manifesta na vida cotidiana?

O FOMO pode se manifestar de formas sutis no dia a dia, mas seus efeitos acumulados podem ser significativos. Muitas pessoas sentem a necessidade de verificar o celular o tempo todo, de atualizar seus feeds de notícias ou de responder a mensagens imediatamente, por medo de ficarem por fora de algo considerado relevante.

Comportamentos como sentir-se mal por não ser incluído em um evento social, desconfiar de que os outros estão se divertindo mais ou ter dificuldade de relaxar sem o celular por perto são indicativos do FOMO. Esses sinais podem impactar diretamente o bem-estar físico e emocional, prejudicando o sono, a produtividade e até mesmo a convivência familiar e afetiva.

Além disso, os algoritmos das redes sociais contribuem para acentuar o sentimento ao priorizarem conteúdos mais engajadores e idealizados, que reforçam a ideia de que “a vida dos outros é melhor”.

Por que o FOMO afeta tanto adolescentes e jovens adultos?

Adolescentes e jovens adultos estão entre os mais afetados pelo FOMO, em grande parte por estarem em fases da vida em que a aceitação social e a formação da identidade são particularmente importantes. A busca por pertencimento, o medo da rejeição e a valorização de validações externas, como curtidas e comentários, tornam esse público mais vulnerável.

Segundo pesquisa publicada na revista Frontiers in Psychology, a condição é mais comum em jovens, sobretudo os que passam várias horas por dia conectados às redes sociais, mais propensos a desenvolver sintomas relacionados ao FOMO. A solidão, o perfeccionismo e a necessidade de aprovação também são fatores que aumentam o risco.

Durante a adolescência, o cérebro ainda está em desenvolvimento, o que contribui para reações emocionais mais intensas diante da exclusão ou da comparação com os outros.

Quais são os principais impactos do FOMO na saúde mental?

O FOMO está associado a uma série de consequências negativas para a saúde mental. A mais comum é o aumento dos níveis de ansiedade. A constante sensação de estar perdendo algo importante pode gerar inquietação, insatisfação e irritabilidade.

Em paralelo, o FOMO pode afetar o sono, já que muitas pessoas continuam conectadas até tarde da noite ou acordam durante a madrugada para checar notificações. Isso compromete o descanso e aumenta a fadiga no dia seguinte.

Entre os impactos cognitivos, estão a dificuldade de concentração e a sensação de sobrecarga mental. O cérebro, se estimulado ininterruptamente por atualizações e notificações, tem menos tempo para descansar e processar informações de maneira adequada.

Em casos mais graves, o FOMO pode piorar quadros de depressão e contribuir para comportamentos compulsivos relacionados ao uso de redes sociais.

Como identificar se tenho FOMO?

Reconhecer que se está vivenciando o FOMO é o primeiro passo para lidar com o fenômeno. Algumas perguntas podem ajudar nesse processo: “Sinto angústia quando estou longe das redes sociais?”, “Eu me comparo frequentemente com a vida das pessoas que sigo?”, “Tenho dificuldade em me concentrar por causa do celular?”.

Se a resposta for sim para uma ou mais das questões acima, é recomendável avaliar como esses sentimentos estão influenciando sua qualidade de vida. O incômodo permanente, a comparação excessiva e a necessidade de estar sempre por dentro de tudo podem ser sinais de alerta.

Observar o próprio comportamento digital e entender os efeitos sobre suas emoções permite fazer ajustes saudáveis e recuperar o equilíbrio mental.

Como lidar com o FOMO e reduzir os impactos no dia a dia?

Lidar com o FOMO exige uma combinação de consciência sobre os próprios hábitos digitais e o desenvolvimento de estratégias práticas para promover o bem-estar emocional. 

Embora o medo de ficar de fora esteja ligado ao funcionamento das redes sociais e à comparação constante com os outros, é possível adotar medidas que ajudam a recuperar o equilíbrio. 

Neste tópico, abordaremos ações que podem ser incorporadas no cotidiano, tanto no nível individual quanto com apoio profissional para reduzir os impactos do FOMO e fortalecer a relação com a tecnologia de forma mais saudável e consciente.

Práticas de autocuidado e consciência digital

Adotar práticas de autocuidado digital é primordial para mitigar as consequências do FOMO. Estabelecer horários específicos para o uso do celular, desligar notificações ou até fazer pausas nas redes sociais são atitudes que ajudam a reconectar com o momento presente.

Atividades prazerosas fora do ambiente digital, como caminhar ao ar livre, cozinhar, ler um livro ou passar tempo com familiares e amigos, também são fundamentais para a redução da ansiedade. Resgatar esses hábitos contribui para reforçar vínculos reais e diminuir a dependência do mundo virtual.

Estratégias psicológicas

Algumas abordagens terapêuticas têm se mostrado eficazes no manejo do FOMO. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), por exemplo, ajuda a reorganizar pensamentos disfuncionais, como a crença de que estar fora de um evento torna alguém menos interessante.

Outras práticas incluem o mindfulness, técnica que treina a atenção plena no momento atual, e o desenvolvimento da autorregulação emocional. Aprender a identificar gatilhos que geram desconforto e substituí-los por atitudes mais saudáveis pode transformar substancialmente a forma como se lida com a tecnologia.

Existe tratamento para quem tem FOMO?

Embora o FOMO não seja classificado como uma doença, seus efeitos podem justificar a busca por tratamento psicológico, principalmente quando comprometem a funcionalidade no cotidiano.

A psicoterapia, tanto individual quanto em grupo, é indicada para pessoas que sentem dificuldade em se desconectar ou que vivenciam sofrimento relacionado ao uso digital. Pode envolver técnicas como a “inoculação psicológica”, que consiste na exposição controlada a situações de exclusão digital e no ensino de estratégias de enfrentamento. 

Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando fatores emocionais, sociais e familiares.

Convivendo melhor com a tecnologia: é possível?

Sim, é possível manter uma relação saudável com a tecnologia e as redes sociais. A chave está na consciência. Usar o digital com intenção e limites claros permite aproveitar seus benefícios sem abrir mão do bem-estar.

A educação digital, que inclui entender como funcionam os algoritmos e saber filtrar conteúdos nocivos, é um recurso importante para aumentar a resiliência emocional. Práticas como curadoria de perfis positivos, seleção de conteúdos inspiradores e valorização de experiências reais fazem parte desse processo.

Estabelecer um uso consciente é, acima de tudo, uma forma de cuidado com a própria saúde mental. Se você deseja entender melhor como as redes sociais influenciam a saúde emocional de adolescentes e jovens, leia também nosso artigo sobre redes sociais e os adolescentes.

Sabin avisa:

Este conteúdo é meramente informativo e não pretende substituir consultas médicas, avaliações por profissionais de saúde ou fornecer qualquer tipo de diagnóstico ou recomendação de exames.

Importante ressaltar que diagnósticos e tratamentos devem ser sempre indicados por uma avaliação médica individual. Em caso de dúvidas, converse com seu médico. Somente o profissional pode esclarecer todas as suas perguntas. 

Lembre-se: qualquer decisão relacionada à sua saúde sem orientação profissional pode ser prejudicial.

Referências:

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Rozgonjuk D, Sindermann C, Elhai JD, Montag C. Fear of Missing Out (FoMO) and social media’s impact on daily-life and productivity at work: Do WhatsApp, Facebook, Instagram, and Snapchat Use Disorders mediate that association? Addict Behav. 2020 Nov;110:106487. doi: 10.1016/j.addbeh.2020.106487. Epub 2020 May 27. PMID: 32674020.

Montag C, Markett S. Social media use and everyday cognitive failure: investigating the fear of missing out and social networks use disorder relationship. BMC Psychiatry. 2023 Nov 24;23(1):872. doi: 10.1186/s12888-023-05371-x. PMID: 38001436; PMCID: PMC10668512.

Wang L, Zhou X, Song X, et al. Fear of missing out (FOMO) associates with reduced cortical thickness in core regions of the posterior default mode network and higher levels of problematic smartphone and social media use. Addict Behav. 2023 Aug;143:107709. doi:10.1016/j.addbeh.2023.107709. PMID: 37004381.

Alutaybi A, Al-Thani D, McAlaney J, Ali R. Combating Fear of Missing Out (FoMO) on Social Media: The FoMO-R Method. Int J Environ Res Public Health. 2020 Aug 23;17(17):6128. doi: 10.3390/ijerph17176128. PMID: 32842553; PMCID: PMC7504117.

Giancola M, Mari E, Palmiero M, et al. Adolescence and online vulnerability: The role of fear of missing out (FoMO): A cross-sectional study during the third wave of the COVID-19 pandemic. PLoS One. 2025 Sep 15;18(9):e0332147. doi:10.1371/journal.pone.0332147.

Guan J, Ma W, Liu C. Fear of missing out and problematic smartphone use among Chinese college students: The roles of positive and negative metacognitions about smartphone use and optimism. PLoS One. 2023 Nov 28;18(11):e0294505. doi: 10.1371/journal.pone.0294505. PMID: 38015949; PMCID: PMC10684080.

Gupta M, Sharma A. Fear of missing out: A brief overview of origin, theoretical underpinnings and relationship with mental health. World J Clin Cases. 2021 Jul 6;9(19):4881-4889. doi: 10.12998/wjcc.v9.i19.4881. PMID: 34307542; PMCID: PMC8283615.

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Hipoglicemia: abordagem clínica e laboratorial para um diagnóstico preciso https://blog.sabin.com.br/medicos/abordagem-clinica-da-hipoglicemia/ https://blog.sabin.com.br/medicos/abordagem-clinica-da-hipoglicemia/#respond Fri, 23 Jan 2026 18:54:11 +0000 https://blog.sabin.com.br/?p=4926 A hipoglicemia, embora amplamente reconhecida na prática clínica, é uma condição rara fora de contextos específicos, como o uso de insulina ou sulfonilureias. A presença de sintomas vagos, como sudorese, tremores e confusão mental, frequentemente leva a investigações extensas, nem sempre justificadas. Por isso, uma abordagem estruturada, que integre a avaliação clínica à laboratorial, assegura […]

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A hipoglicemia, embora amplamente reconhecida na prática clínica, é uma condição rara fora de contextos específicos, como o uso de insulina ou sulfonilureias. A presença de sintomas vagos, como sudorese, tremores e confusão mental, frequentemente leva a investigações extensas, nem sempre justificadas. Por isso, uma abordagem estruturada, que integre a avaliação clínica à laboratorial, assegura que o diagnóstico de hipoglicemia seja estabelecido de forma criteriosa.

A Tríade de Whipple permanece como o principal ponto de partida para o raciocínio diagnóstico. Após sua confirmação, é possível definir estratégias específicas para investigar as causas, como o teste de jejum prolongado ou o teste de refeição mista, especialmente nos casos de hipoglicemias reativas. Em paralelo, o recurso de exames especializados e a padronização de protocolos clínico-laboratoriais têm papel importante nesse processo.

Continue a leitura para se atualizar sobre o tema.

Por que a hipoglicemia deve ser considerada um diagnóstico diferencial?

Em indivíduos não diabéticos e fora do uso de fármacos hipoglicemiantes, a hipoglicemia verdadeira é incomum. O organismo dispõe de mecanismos contrarregulatórios eficientes que mantêm a glicemia dentro de limites seguros. No entanto, muitos pacientes são investigados sob suspeita de hipoglicemia com base em sintomas inespecíficos, o que pode levar a erros diagnósticos e exames desnecessários.

Nesse contexto, os profissionais envolvidos precisam ter condições de diferenciar quadros funcionais ou ansiosos de uma hipoglicemia autêntica, e um dos processos é considerar o diagnóstico diferencial apenas quando há forte evidência clínica, evitando abordagens laboratoriais precoces e inconsistentes.

A importância da Tríade de Whipple na confirmação do diagnóstico

A Tríade de Whipple, descrita inicialmente em 1952, permanece atual e necessária para definir a presença de hipoglicemia verdadeira. Ela é composta por três critérios:

  • presença de sinais e/ou sintomas compatíveis com hipoglicemia;
  • comprovação laboratorial de baixa concentração de glicose plasmática no momento do evento;
  • alívio dos sintomas após correção da glicemia.

A presença simultânea desses três elementos deve ser obrigatoriamente documentada antes de iniciar uma investigação etiológica. Isso reduz a chance de diagnósticos falso-positivos e permite um direcionamento mais eficaz dos recursos diagnósticos.

Estratégias diagnósticas para hipoglicemia em jejum

A avaliação adequada da hipoglicemia em jejum requer uma abordagem sistemática e criteriosa, que permita diferenciar suas possíveis causas. O uso de estratégias diagnósticas específicas é essencial para direcionar a investigação e garantir a condução clínica apropriada.

Jejum prolongado: quando e como conduzir

A investigação de hipoglicemia no período pós-absortivo deve incluir o teste de jejum prolongado, considerado padrão-ouro para a detecção de hiperinsulinismo endógeno. Esse teste pode ser iniciado em regime ambulatorial, mas, por segurança, deve ser finalizado sob internação hospitalar, devido à possibilidade de hipoglicemia grave.

O protocolo pode durar até 72 horas. Dados indicam que 43% dos pacientes desenvolvem sintomas em 12 horas, 67% em 24 horas, 95% em 48 horas e 100% em 72 horas de jejum. Durante o episódio hipoglicêmico, são colhidas amostras para dosagem de glicose, insulina, peptídeo C, pró-insulina e agentes hipoglicemiantes orais. Esse painel permite diferenciar causas endógenas (como insulinoma) de causas exógenas (como uso de insulina exógena).

Interpretação laboratorial: o que dosar?

No decorrer da hipoglicemia documentada em jejum, é indispensável a coleta simultânea de amostras para análise de glicose plasmática, insulina, pró-insulina, peptídeo C e pesquisa de sulfonilureias. 

A dosagem de glicose plasmática confirma a presença do quadro hipoglicêmico, enquanto os níveis de insulina e pró-insulina ajudam a identificar causas de hiperinsulinismo endógeno, como o insulinoma ou a nesidioblastose. O peptídeo C, por sua vez, permite diferenciar a secreção endógena de insulina do uso exógeno, sendo um marcador importante para excluir manipulação medicamentosa. Já a pesquisa de sulfonilureias é indicada para afastar a possibilidade de uso inadvertido ou indevido desses agentes hipoglicemiantes. 

A interpretação integrada desses parâmetros fornece subsídios valiosos para distinguir as origens endógenas e exógenas da hipoglicemia e orientar o manejo clínico adequado.

Avaliação de hipoglicemia reativa ou pós-prandial

A hipoglicemia reativa é uma condição que demanda atenção clínica específica, em particular pelo impacto na qualidade de vida e pela associação a alterações metabólicas pós-refeição. A abordagem diagnóstica deve considerar os diferentes contextos em que essa manifestação ocorre, conforme descrevemos a seguir.

Hipoglicemia após cirurgia bariátrica: o que sabemos até agora

A hipoglicemia reativa, também chamada de pós-prandial, ocorre geralmente entre uma e três horas após as refeições. Essa forma de hipoglicemia tem sido cada vez mais observada em pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos, como bypass gástrico em Y de Roux e gastrectomia vertical.

Conhecida como NIPHS (síndrome hipoglicêmica pancreatogênica não insulinoma), essa condição tem prevalência estimada entre 9% e 29% entre os bariátricos. Os principais fatores de risco incluem pacientes jovens, do sexo feminino, ausência de diabetes prévio e perda ponderal significativa no pós-operatório.

Por que o teste de refeição mista é o mais indicado?

Apesar da possibilidade de monitorização contínua de glicose, o alto custo e a baixa adesão tornam essa estratégia limitada. Por outro lado, o Teste de Tolerância Oral à Glicose (TTOG) não é indicado, pois pode induzir hipoglicemias artificiais em até 10% de indivíduos saudáveis.

O teste de refeição mista desponta como método diagnóstico mais fisiológico e sensível. Ele simula uma refeição real, com estímulo nutricional mais próximo da rotina do paciente. O Sabin oferece esse exame com uma formulação padronizada: suplemento líquido com 64% de carboidratos, 20% de proteínas e 16% de lipídeos, totalizando 450 kcal.

As coletas são realizadas em jejum, a cada 30 minutos por até cinco horas, sendo interrompidas caso ocorra hipoglicemia. São dosados glicose, insulina, peptídeo C e pró-insulina, permitindo uma avaliação detalhada do eixo insulinêmico após estímulo alimentar.

Hipoglicemia factícia e outros diagnósticos diferenciais

A investigação de hipoglicemia deve considerar causas factícias, como o uso intencional ou inadvertido de insulina exógena, uso de sulfonilureias por terceiros, ou mesmo quadros psiquiátricos, como a síndrome de Münchhausen. 

Outras etiologias relevantes devem ser consideradas no diagnóstico diferencial de hipoglicemia. A doença hepática avançada, por exemplo, pode levar à hipoglicemia em virtude da redução da gliconeogênese e da diminuição das reservas hepáticas de glicogênio. A insuficiência adrenal, sobretudo nos casos da doença de Addison, contribui para o quadro hipoglicêmico por falência na produção de cortisol, um hormônio contrarregulador importante. 

Em situações de sepse grave, a hipoglicemia pode estar associada à disfunção hepática e ao aumento do consumo celular de glicose. Além disso, tumores, como os insulinomas ou neoplasias ectópicas produtoras de IGF-II, também devem ser lembrados como possíveis causas de hipoglicemia persistente ou inexplicada.

De modo geral, o raciocínio clínico estruturado possibilita excluir hipóteses menos prováveis e guiar a investigação de forma racional.

Como o laboratório pode apoiar o raciocínio clínico?

Além de oferecer exames específicos e protocolos bem definidos, o suporte do laboratório garante segurança e precisão diagnóstica. Entre os detalhes, está a coleta, que deve ser realizada no momento dos sintomas, preferencialmente sob supervisão médica, assegurando a validade dos resultados. O correto armazenamento das amostras, principalmente para analitos sensíveis, como insulina e peptídeo C, é igualmente importante para evitar interferências pré-analíticas. 

A presença de uma equipe especializada na interpretação de exames também contribui para a precisão diagnóstica e a condução clínica segura. Com esse respaldo, é possível esclarecer a etiologia da hipoglicemia e orientar o manejo do paciente, tanto em ambiente ambulatorial quanto hospitalar.

A investigação deve seguir critérios rigorosos desde o início. A confirmação da Tríade de Whipple é o ponto de partida determinante para diferenciar hipoglicemias verdadeiras de manifestações funcionais. Somente após essa etapa é que se justifica a realização de testes mais detalhados, como o jejum prolongado ou o teste de refeição mista.

O Sabin Diagnóstico e Saúde disponibiliza exames especializados e protocolos atualizados para apoiar o diagnóstico preciso, oferecendo à prática médica ferramentas seguras e eficazes.

Continue aprofundando seus conhecimentos com a leitura do conteúdo Diabetes: avaliação laboratorial diagnóstica e seguimento.

Referências:

Sabin Medicina Diagnóstica. Investigação de hipoglicemia: orientações clínicas e laboratoriais. Brasília: Sabin; 2022. lamina_investigacao_hipoglicemica

Kandaswamy L, Raghavan R, Pappachan JM. Spontaneous hypoglycemia: diagnostic evaluation and management. Endocrine. 2016;53(1):47-57. doi:10.1007/s12020-016-0902-0

Lee JJ, Khoury N, Shackleford AM, et al. Dissociation Between Hormonal Counterregulatory Responses and Cerebral Glucose Metabolism During Hypoglycemia. Diabetes. 2017;66(12):2964-2972. doi:10.2337/db17-0574

Bengtsen MB, Støy J, Rittig NF, et al. A Human Randomized Controlled Trial Comparing Metabolic Responses to Single and Repeated Hypoglycemia in Type 1 Diabetes. J Clin Endocrinol Metab. 2020;105(12):dgaa645. doi:10.1210/clinem/dgaa645

Yeh HF, Chao WC, Wu CL, Chan MC. Hypoglycemia and hospital mortality in critically ill patients. Sci Rep. 2025;15(1):2642. Published 2025 Jan 21. doi:10.1038/s41598-025-87163-9

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Vacina contra HPV ajuda a reduzir casos de câncer de colo de útero https://blog.sabin.com.br/vacinas/vacinacao-previne-cancer-de-colo-de-utero/ https://blog.sabin.com.br/vacinas/vacinacao-previne-cancer-de-colo-de-utero/#respond Tue, 13 Jan 2026 11:00:00 +0000 https://blog.sabin.com.br/?p=4915 Um recente estudo brasileiro demonstrou que a vacinação contra o HPV pode reduzir em até 58% os casos de câncer de colo de útero entre mulheres jovens. A pesquisa, considerada uma das maiores já realizadas no país sobre o tema, reforça a eficácia da vacina como ferramenta de prevenção primária contra esse tipo de câncer, […]

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Um recente estudo brasileiro demonstrou que a vacinação contra o HPV pode reduzir em até 58% os casos de câncer de colo de útero entre mulheres jovens. A pesquisa, considerada uma das maiores já realizadas no país sobre o tema, reforça a eficácia da vacina como ferramenta de prevenção primária contra esse tipo de câncer, que segue como um dos mais incidentes entre mulheres no Brasil.

O HPV (Papilomavírus Humano) é um vírus transmitido principalmente por via sexual e está diretamente relacionado ao surgimento de lesões precursoras e lesões malignas no colo uterino. A infecção é comum, mas a persistência de tipos oncogênicos do vírus pode levar ao desenvolvimento do câncer ao longo dos anos. Por isso, a vacinação precoce tem se mostrado fundamental para interromper essa cadeia e salvar vidas.

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente a vacina quadrivalente contra o HPV para meninas e meninos de nove a 14 anos. Já a versão nonavalente, com cobertura ampliada contra mais subtipos do vírus, está disponível na rede privada. 

A proteção é maior quando a imunização é feita dentro da faixa etária recomendada e antes do início da vida sexual, aproveitando a melhor resposta imunológica do organismo nessa fase. Continue a leitura para entender como a proteção se mantém ao longo dos anos e quem deve se vacinar. 

O que diz o estudo feito no Brasil?

Entre 2019 e 2023, dados de saúde pública de mais de 60 milhões de mulheres/ano (20 a 24 anos) foram analisados para verificar o impacto da vacinação contra o HPV na prevenção do câncer de colo de útero. O levantamento dividiu a população em dois grupos: mulheres que receberam a vacina na adolescência e aquelas que não foram imunizadas.

Os resultados foram expressivos: houve redução de até 58% na incidência de câncer de colo de útero e de até 67% nas lesões precursoras da doença entre as mulheres vacinadas. Isso demonstra a efetividade da vacina mesmo anos após a aplicação e reforça a importância da adesão ao calendário vacinal.

A pesquisa oferece dados robustos e confiáveis, revelando que a prevenção é eficaz e necessária, especialmente se realizada na idade-alvo determinada pelas autoridades de saúde.

Conheça a vacina ampliada contra o HPV

Oferecida pelo Sabin, a Gardasil 9® é a versão mais completa da vacina contra o HPV. Ela protege contra nove subtipos do vírus (6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58), incluindo os que mais frequentemente estão associados ao desenvolvimento do câncer de colo de útero, além de outros tipos de câncer, como os de vulva, vagina, ânus e pênis, e verrugas genitais. Essa proteção ampliada torna a Gardasil 9® uma aliada essencial na prevenção de doenças causadas pelo HPV.

A vacina é indicada para meninas e meninos, mulheres e homens de nove a 45 anos de idade — a vacinação em maiores de 45 anos pode ser recomendada pelo médico em decisão compartilhada com seu paciente. O esquema vacinal pode variar de acordo com a faixa etária e a condição de saúde da pessoa, sendo de duas ou três doses. Grupos como pessoas vivendo com HIV, vítimas de violência sexual e pacientes com papilomatose respiratória recorrente devem receber três doses para garantir uma resposta imune adequada.

A Gardasil 9® é aprovada por autoridades de saúde e apresenta um excelente perfil de segurança. Os efeitos adversos costumam ser leves e passageiros, como dor no local da aplicação, vermelhidão ou febre baixa. Investir na vacinação ampliada é uma forma eficaz e segura de se proteger contra o HPV e seus desdobramentos mais graves, como o câncer.

Por que a vacina deve ser tomada antes do início da vida sexual?

A vacinação contra o HPV é mais efetiva quando realizada antes da exposição ao vírus, que geralmente ocorre com o início da atividade sexual.

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) estabelece como faixa etária-alvo crianças e adolescentes entre nove e 14 anos, uma vez que, nesse período, a resposta imunológica é mais robusta, conferindo maior proteção contra os subtipos do vírus contemplados pela vacina. Recentemente, ações de resgate para jovens de 15 a 19 anos não vacinados também têm sido realizadas.

Cabe ressaltar que, mesmo com o exame preventivo Papanicolau sendo crucial para a detecção precoce, a vacina age na etapa anterior, impedindo a infecção viral e, consequentemente, o surgimento de lesões precursoras. Isso a torna uma ferramenta indispensável na prevenção primária do câncer.

Mitos e verdades sobre a vacina do HPV

Apesar de todos os avanços, a desinformação ainda é uma barreira para muitas famílias. Assim, precisamos desmistificar alguns pontos importantes:

  • “A vacina incentiva o início da vida sexual” – Mito.
    A vacinação tem como objetivo proteger a saúde. Não há qualquer evidência de que influencie o comportamento sexual dos jovens.
  • “A vacina causa infertilidade” – Mito.
    Não existem estudos que comprovem essa relação. Ao contrário, ao prevenir infecções persistentes e o câncer, a vacina pode proteger a saúde reprodutiva a longo prazo.
  • “Meninos também precisam ser vacinados” – Verdade.
    O HPV também está relacionado aos cânceres de pênis, garganta e ânus. A vacinação masculina ajuda a conter a circulação do vírus e protege toda a população.
  • “A vacina é segura” – Verdade.
    Mais de 100 países utilizam a vacina contra o HPV. Diversas pesquisas garantem sua segurança e eficácia.

Desigualdade no acesso à vacina ainda é um problema

Mesmo com a oferta gratuita da vacina pelo SUS, a cobertura vacinal ainda é desigual no Brasil. Isso significa que milhares de jovens estão desprotegidos contra o HPV. Campanhas educativas, ações em escolas e estratégias de busca ativa por parte das unidades de saúde são primordiais para reverter esse cenário e aumentar a cobertura.

Evite o preconceito e cuide da saúde!

O preconceito e as fake news ainda dificultam o acesso à informação e à prevenção. Algumas famílias deixam de vacinar seus filhos por medo ou desinformação, acreditando que a vacina está ligada a comportamentos sexuais. Essa crença é infundada e coloca vidas em risco.

O HPV é um vírus silencioso e perigoso. A melhor forma de combatê-lo é por meio de informação confiável e da vacinação em massa. Médicos, enfermeiros e profissionais de saúde são fontes seguras para o esclarecimento de dúvidas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu uma meta ambiciosa: eliminar o câncer de colo de útero como problema de saúde pública até 2030. Para alcançar esse objetivo, três pilares são determinantes:

  • Vacinar 90% das meninas até os 15 anos.
  • Realizar exame preventivo em 70% das mulheres.
  • Tratar 90% das lesões diagnosticadas precocemente.

O Brasil já tem os recursos disponíveis, falta aumentar a conscientização e garantir que a vacina chegue a todos que precisam.Para saber mais sobre o HPV, seus sintomas e o tratamento, acesse o conteúdo: O que você precisa saber sobre HPV: sintomas, tratamento e prevenção.

Sabin avisa:

Este conteúdo é meramente informativo e não pretende substituir consultas médicas, avaliações por profissionais de saúde ou fornecer qualquer tipo de diagnóstico ou recomendação de exames.

Importante ressaltar que diagnósticos e tratamentos devem ser sempre indicados por uma avaliação médica individual. Em caso de dúvidas, converse com seu médico. Somente o profissional pode esclarecer todas as suas perguntas. 

Lembre-se: qualquer decisão relacionada à sua saúde sem orientação profissional pode ser prejudicial.

Referências:

Cerqueira-Silva T, Oliveira V de A, Boaventura VS, Bertoldo Júnior J, Oliveira MAB, Júnior JBS, et al. Effect of Brazil’s national human papillomavirus vaccination programme on the incidence of cervical cancer and cervical intraepithelial neoplasia grade 3 in women aged 20–24 years: a population-based study. Lancet Glob Health. 2025;13(10):e1715–22.

Pan American Health Organization (PAHO).End cervical cancer [Internet]. Washington, D.C.: PAHO; c2023 . Available from:https://www.paho.org/en/end-cervical-cancer

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Painel genético para porfirias: uma ferramenta de precisão https://blog.sabin.com.br/medicos/diagnostico-genetico-das-porfirias/ https://blog.sabin.com.br/medicos/diagnostico-genetico-das-porfirias/#respond Fri, 09 Jan 2026 11:00:00 +0000 https://blog.sabin.com.br/?p=4908 As porfirias são um grupo de doenças metabólicas raras, causadas por defeitos enzimáticos no processo de biossíntese do heme, componente da hemoglobina. Essas condições se manifestam por crises clínicas variadas, desde sintomas neurológicos agudos a lesões cutâneas crônicas, o que pode dificultar o diagnóstico clínico. Nesse contexto, o uso de tecnologias genéticas, como o Sequenciamento […]

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As porfirias são um grupo de doenças metabólicas raras, causadas por defeitos enzimáticos no processo de biossíntese do heme, componente da hemoglobina. Essas condições se manifestam por crises clínicas variadas, desde sintomas neurológicos agudos a lesões cutâneas crônicas, o que pode dificultar o diagnóstico clínico. Nesse contexto, o uso de tecnologias genéticas, como o Sequenciamento de Nova Geração (NGS), surge como uma ferramenta importante para a investigação dessas enfermidades.

Embora o diagnóstico bioquímico ainda seja o padrão inicial, sobretudo durante crises agudas, a confirmação genética é fundamental para determinar o subtipo exato da doença, orientar o manejo clínico e oferecer aconselhamento genético adequado. 

A seguir, abordaremos como o exame genético contribui para a identificação das porfirias, os principais genes envolvidos, os modos de herança, os benefícios da análise genética e suas limitações clínicas. Continue a leitura para se atualizar!

O papel do painel genético

O painel genético para porfirias é uma análise baseada em NGS que investiga simultaneamente múltiplos genes responsáveis pela biossíntese do heme. Essa abordagem permite a identificação de variantes associadas às diversas formas de porfiria.

O exame deve ser considerado em três cenários principais: após a confirmação bioquímica da doença em pacientes com manifestações clínicas sugestivas, mas não conclusivas; e para a triagem de familiares de indivíduos diagnosticados. Em muitos casos, porém, os sintomas são intermitentes e inespecíficos, o que justifica a aplicação do exame mesmo na ausência de alterações bioquímicas detectáveis fora de crises.

Com o avanço da tecnologia NGS, tornou-se viável e acessível realizar essa análise de forma simultânea e padronizada, o que reduz o tempo até o diagnóstico definitivo e facilita a definição do subtipo exato da doença, etapa crítica para o manejo clínico adequado.

Genes associados às porfirias

As porfirias são classificadas em dois grandes grupos, conforme o local predominante de acúmulo dos precursores tóxicos: hepáticas ou eritropoiéticas. Cada subtipo está relacionado a mutações específicas. Abaixo, segmentamos essas classificações.

Porfirias hepáticas

  • Porfiria aguda intermitente (AIP): mutações no gene HMBS (hidroximetilbilano sintase).
  • Porfiria variegata (VP): mutações no gene PPOX (protoporfirinogênio oxidase).
  • Coproporfiria hereditária (HCP): mutações no gene CPOX (coproporfirinogênio oxidase).
  • Deficiência de ALAD: mutações no gene ALAD (ácido aminolevulínico desidratase).

Porfirias cutâneas

  • Porfiria cutânea tardia (PCT): alterações no gene UROD (uroporfirinogênio descarboxilase).
  • Protoporfiria eritropoiética (EPP): mutações no gene FECH (ferroquelatase).
  • Porfiria eritropoiética congênita (CEP): alterações no gene UROS (uroporfirinogênio III sintase).
  • Protoporfiria eritropoiética ligada ao X: alterações no gene ALAS2 (5-aminolevulinato sintase, eritroide-específico).

Modos de herança genética

É preciso compreender que a maioria das porfirias é herdada de forma autossômica dominante, como é o caso da AIP, VP, HCP e PCT. Nesses casos, um único alelo mutado é suficiente para predispor à doença, ainda que a penetrância seja baixa. Ou seja, muitos portadores não desenvolvem sintomas clínicos.

Outros subtipos, como a CEP e a deficiência de ALAD, seguem padrão de herança autossômica recessiva, exigindo que ambos os alelos sejam mutados para que a doença se manifeste clinicamente. De modo geral, a variabilidade fenotípica, mesmo dentro de uma mesma família, é comum nas porfirias. Isso se deve tanto à penetrância variável quanto à influência de fatores ambientais, como exposição a medicamentos, infecções, hormônios e estresse.

Um terceiro mecanismo de herança é a forma ligada ao X, decorrente de variantes no gene ALAS2, e que pode apresentar mais gravidade e penetrância em indivíduos do sexo masculino, que são hemizigotos (têm apenas uma cópia do gene). Como as mulheres costumam ser heterozigotas, podem não apresentar manifestações clínicas ou apresentar quadro relativamente atenuado.

Benefícios do painel genético na investigação das porfirias

A principal vantagem do painel genético é a alta precisão diagnóstica, especialmente em casos com manifestações clínicas atípicas. Tal precisão ocorre porque a técnica possibilita analisar toda a região codificante dos genes associados às porfirias em uma única análise, otimizando tempo e recursos.

Além da identificação de mutações específicas, o exame guia o manejo clínico, pois cada subtipo de porfiria exige condutas terapêuticas diferentes. Por exemplo, pacientes com AIP necessitam evitar determinados fármacos hepatotóxicos, enquanto aqueles com EPP exigem proteção rigorosa contra a luz solar.

Do ponto de vista da saúde familiar, o exame proporciona aconselhamento genético adequado. Assim, é possível estimar a probabilidade de transmissão hereditária e realizar o rastreamento de outros indivíduos da família que estão sob risco de serem afetados pela condição.

Limitações do painel genético

Apesar dos avanços, o painel genético apresenta limitações. A principal é que não substitui a triagem bioquímica, essencial para detectar precursores metabólicos em atividade durante as crises agudas. Outro ponto é que, em algumas situações, o teste pode identificar variantes de significado incerto (VUS), isto é, variantes genéticas cuja relação com a doença ainda não está estabelecida.

A interpretação dos resultados exige correlação clínica e bioquímica, pois a simples presença de uma variante genética, por mais que seja classificada como patogênica ou provavelmente patogênica, não implica necessariamente em doença manifesta, já que nem sempre a penetrância de uma variante é completa. Portanto, é importante que os resultados sejam discutidos em conjunto com a história clínica, exames laboratoriais e manifestações do paciente.

O papel complementar dos testes genéticos na detecção das porfirias

Deve-se considerar que alguns fatores externos, como infecções, uso de álcool, medicamentos e estresse, influenciam fortemente as manifestações clínicas das porfirias. Tais agentes podem interferir nos resultados bioquímicos, aumentando as chances de falso-negativos ou positivos nos períodos de remissão ou intercrises.

Nesse sentido, o teste genético oferece um recurso complementar para confirmar a suspeita clínica mesmo quando os exames bioquímicos estão normais, principalmente em indivíduos com histórico familiar ou em avaliação pré-sintomática. Cabe lembrar que a integração entre a análise bioquímica e genética continua sendo a abordagem mais segura e exata para o diagnóstico das porfirias. Por isso, a correlação entre os achados clínicos, laboratoriais e genéticos permite uma estratificação mais precisa do risco, facilitando tanto a conduta médica quanto o acompanhamento longitudinal dos pacientes.

Sua aplicação adequada oportuniza não apenas confirmar o diagnóstico, mas também orientar intervenções terapêuticas mais eficazes, apoiar o aconselhamento genético e monitorar familiares em risco. Com isso, os testes genéticos consolidam-se como uma ferramenta de precisão na medicina personalizada.

Para aprofundar seus conhecimentos sobre o uso de exames genéticos no diagnóstico clínico, confira também nosso conteúdo sobre a Utilidade diagnóstica dos exames genéticos.

Referências:

Aarsand, Aasne K et al. “Practical recommendations for biochemical and genetic diagnosis of the porphyrias.” Liver international : official journal of the International Association for the Study of the Liver vol. 45,3 (2025): e16012. doi:10.1111/liv.16012

Yasuda, Makiko, and Robert J Desnick. “Murine models of the human porphyrias: Contributions toward understanding disease pathogenesis and the development of new therapies.” Molecular genetics and metabolism vol. 128,3 (2019): 332-341. doi:10.1016/j.ymgme.2019.01.007

MACHADO, Roberto. A ordem do discurso. Revista Discurso, São Paulo, n. 1, p. 5-32, 1971. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revistadc/article/download/46282/49937/55422 

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Síndrome da fadiga crônica e seu impacto na saúde e no bem-estar https://blog.sabin.com.br/saude/impacto-da-sindrome-da-fadiga-cronica/ https://blog.sabin.com.br/saude/impacto-da-sindrome-da-fadiga-cronica/#respond Tue, 06 Jan 2026 11:00:00 +0000 https://blog.sabin.com.br/?p=4903 A síndrome da fadiga crônica (SFC) é uma condição de saúde complexa e debilitante, caracterizada por um estado persistente de fadiga intensa, que não melhora com o repouso e compromete a realização de atividades cotidianas. Em meio à crescente discussão pública sobre saúde mental e qualidade de vida, essa síndrome tem ganhado muito destaque. Embora […]

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A síndrome da fadiga crônica (SFC) é uma condição de saúde complexa e debilitante, caracterizada por um estado persistente de fadiga intensa, que não melhora com o repouso e compromete a realização de atividades cotidianas. Em meio à crescente discussão pública sobre saúde mental e qualidade de vida, essa síndrome tem ganhado muito destaque.

Embora a SFC ainda seja pouco reconhecida pela população e mesmo por parte dos profissionais da saúde, seu diagnóstico é consistente e necessário. Continue a leitura e entenda como identificar os sintomas, buscar ajuda médica e melhorar a qualidade de vida de quem convive com a SFC.

O que é a síndrome da fadiga crônica?

A síndrome da fadiga crônica é uma condição clínica crônica, devidamente reconhecida na literatura médica, cuja principal característica consiste em um quadro de fadiga intensa, prolongada e incapacitante, que dura por pelo menos seis meses. Essa fadiga não se justifica por esforço físico excessivo nem é aliviada com o descanso. Trata-se de um quadro que compromete tanto o corpo quanto a mente, com manifestações físicas, emocionais e cognitivas.

Entre os critérios diagnósticos mais aceitos, estão o mal-estar pós-esforço, uma piora significativa dos sintomas após atividades físicas ou mentais, o sono não reparador e a presença de sintomas neurológicos, como dificuldade de concentração e memória. Na literatura médica especializada, essa condição clínica tem sido também reportada com o nome de encefalomielite miálgica, um termo que busca refletir melhor os aspectos inflamatórios e neurológicos envolvidos.

Quais os principais sintomas da síndrome da fadiga crônica?

Os sintomas da síndrome da fadiga crônica são variados e atingem diferentes sistemas do organismo. Além da fadiga intensa e incapacitante, destaca-se o mal-estar após esforço, no qual atividades rotineiras — como caminhar ou ler — podem desencadear o agravamento dos sintomas, que podem durar dias.

Outro sintoma comum é o sono não reparador, quando, mesmo após uma noite inteira de descanso, o paciente acorda exausto. Alterações cognitivas — como dificuldade de concentração, sensação de “mente nebulosa” e lapsos de memória —também são frequentes. A intolerância ortostática, caracterizada por tontura, taquicardia ou sensação de desmaio ao ficar em pé, é outro achado descrito.

Também podem ocorrer dores musculares e articulares, dor de cabeça, sudorese noturna, hipersensibilidade a cheiros e sons, dor de garganta e linfonodos (ínguas) dolorosos em algumas regiões do corpo. A combinação e a intensidade desses sintomas variam entre os pacientes, o que contribui para o desafio diagnóstico.

Quem pode ser afetado pela síndrome da fadiga crônica?

A SFC acomete principalmente mulheres entre 30 e 40 anos, embora possa afetar indivíduos de qualquer faixa etária, incluindo crianças e adolescentes. Alguns estudos mostram que a condição é mais prevalente em pessoas de baixa renda, minorias étnicas e populações socialmente vulneráveis. Fatores psicossociais, tais como antecedentes de estresse, ansiedade, depressão e experiências traumáticas também estão associados à sua manifestação.

No Brasil, pesquisas indicam que a prevalência da SFC é semelhante à observada em países desenvolvidos, apesar de o número de casos diagnosticados ainda ser baixo. A falta de reconhecimento da síndrome no sistema de saúde contribui para o subdiagnóstico e para o sofrimento silencioso de muitos pacientes que não compreendem sua condição.

Fadiga de decisão e sobrecarga digital: como a mente também se cansa

Em adição aos aspectos clínicos acima descritos, é importante abordar também a “fadiga de decisão”, um tipo de esgotamento mental que ocorre quando somos submetidos constantemente à necessidade de tomar decisões. A vida moderna, marcada pelo excesso de estímulos digitais, pela conectividade incessante e pelo acúmulo de tarefas simultâneas, agrava esse tipo de fadiga.

O uso intenso de dispositivos eletrônicos, redes sociais e multitarefas digitais pode sobrecarregar o cérebro, aumentando o cansaço mental, prejudicando o foco e contribuindo para o estresse. Para quem já convive com a SFC, essa sobrecarga pode intensificar sintomas e influenciar negativamente a qualidade de vida. 

Diante disso, práticas como pausas regulares, redução do tempo de tela e organização de rotinas são práticas indispensáveis para preservar o bem-estar mental.

Como é feito o diagnóstico?

Não há exames laboratoriais específicos para diagnosticar a SFC. O diagnóstico é clínico e exige a exclusão de outras doenças com sintomas semelhantes

O médico considera: histórico detalhado do paciente; duração e intensidade da fadiga; presença de sintomas associados; e avaliação de exames complementares que ajudem a descartar outras condições clínicas, como fibromialgia, hipotireoidismo, anemias, hipoglicemia, apneia do sono e algumas infecções.

A ausência de marcadores objetivos e o desconhecimento generalizado da doença tornam o processo diagnóstico mais demorado e frustrante para muitos pacientes.

A síndrome da fadiga crônica tem cura?

Até o momento, não existe cura definitiva para a SFC. No entanto, é possível controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida com estratégias personalizadas. O tratamento inclui ajustes na rotina, melhora do sono, alimentação equilibrada, prática de atividade física, redução do estresse e intervenções terapêuticas específicas.

Terapias cognitivas e ocupacionais, acompanhamento psicológico e suporte social são cruciais para ajudar o paciente a lidar com as limitações impostas pela doença. O ideal é que o cuidado envolva uma equipe multidisciplinar, com acompanhamento médico, psicológico e, quando necessário, fisioterapêutico e nutricional.

Estratégias de autocuidado para quem sofre com fadiga crônica

O autocuidado é uma das chaves para conviver com a síndrome da fadiga crônica. Estabelecer limites, aprender a dizer “não” e respeitar os próprios ritmos são atitudes essenciais. Também é importante organizar as tarefas do dia, priorizando o que é mais relevante e evitando sobrecargas.

A prática de atividades físicas leves, como caminhadas suaves ou alongamentos, pode ser benéfica, desde que respeitados os limites individuais. Além disso, manter uma alimentação saudável, hidratação adequada e boa higiene do sono são práticas que favorecem o bem-estar.

O que fazer se você suspeita que tem SFC?

Se você apresenta fadiga intensa e contínua, juntamente com outros sintomas previamente descritos, o ideal é procurar um médico. Relatar os sintomas com clareza e registrar sua frequência e intensidade pode ajudar no diagnóstico. Evite a automedicação e o autodiagnóstico.

O tratamento geralmente é coordenado por um clínico geral ou reumatologista, podendo envolver uma equipe multidisciplinar. Cada paciente precisa de um plano de cuidados individualizado, de acordo com seus sintomas, limitações e estilo de vida.

A importância do acolhimento e da empatia

Pessoas com SFC frequentemente enfrentam falta de compreensão, tanto em ambientes profissionais quanto familiares. Como os sintomas não são visíveis, é comum que o sofrimento seja invalidado ou minimizado. Por isso, é fundamental falar abertamente sobre a condição, combater estigmas e incentivar uma escuta empática.

Informação é o primeiro passo para o cuidado

A síndrome da fadiga crônica é uma condição real, desafiadora e que merece visibilidade. Reconhecer seus sinais, buscar diagnóstico precoce e adotar práticas de autocuidado são atitudes imprescindíveis para lidar com a doença de forma mais efetiva. A informação atualizada, obtida por meio de fontes confiáveis, continua sendo uma das mais poderosas aliadas na jornada pela aquisição de bem-estar e qualidade de vida. 

Quer entender melhor como o uso excessivo de telas pode impactar a saúde física e emocional? Leia nosso conteúdo sobre o uso excessivo do celular e seus impactos à saúde.

Sabin avisa:

Este conteúdo é meramente informativo e não pretende substituir consultas médicas, avaliações por profissionais de saúde ou fornecer qualquer tipo de diagnóstico ou recomendação de exames.

Importante ressaltar que diagnósticos e tratamentos devem ser sempre indicados por uma avaliação médica individual. Em caso de dúvidas, converse com seu médico. Somente o profissional pode esclarecer todas as suas perguntas. 

Lembre-se: qualquer decisão relacionada à sua saúde sem orientação profissional pode ser prejudicial.

Referências:

Deumer US, Varesi A, Floris V. Myalgic Encephalomyelitis/Chronic Fatigue Syndrome (ME/CFS): An Overview. J Clin Med. 2021;10(20):4786. doi: 10.3390/jcm10204786.

Klimas NG, Broderick G, Fletcher MA. Biomarkers for chronic fatigue. Brain Behav Immun. 2012 Nov;26(8):1202-10. doi: 10.1016/j.bbi.2012.06.006. Epub 2012 Jun 23. PMID: 22732129; PMCID: PMC5373648.

Yoon JH, Park NH, Kang YE, Ahn YC, Lee EJ, Son CG. The demographic features of fatigue in the general population worldwide: a systematic review and meta-analysis. Front Public Health. 2023 Jul 28;11:1192121. doi: 10.3389/fpubh.2023.1192121. PMID: 37575103; PMCID: PMC10416797.

Cho HJ, Menezes PR, Hotopf M, Bhugra D, Wessely S. Comparative epidemiology of chronic fatigue syndrome in Brazilian and British primary care: prevalence and recognition. Br J Psychiatry. 2009 Feb;194(2):117-22. doi: 10.1192/bjp.bp.108.051813. PMID: 19182171.

Cho HJ, Menezes PR, Bhugra D, Wessely S. The awareness of chronic fatigue syndrome: a comparative study in Brazil and the United Kingdom. J Psychosom Res. 2008 Apr;64(4):351-5. doi: 10.1016/j.jpsychores.2007.12.006. PMID: 18374733.

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Resistência bacteriana: impactos clínicos e conduta médica https://blog.sabin.com.br/medicos/impactos-clinicos-da-resistencia-bacteriana/ https://blog.sabin.com.br/medicos/impactos-clinicos-da-resistencia-bacteriana/#respond Fri, 02 Jan 2026 11:00:00 +0000 https://blog.sabin.com.br/?p=4899 A resistência bacteriana é reconhecida, hoje, como uma das maiores ameaças à saúde global. Segundo estimativas publicadas na revista The Lancet em 2024, o número de mortes atribuídas a infecções por bactérias resistentes pode ultrapassar 39 milhões ao ano até 2050. Esse dado alarmante mostra a urgência de ações coordenadas, com protagonismo da classe médica, […]

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A resistência bacteriana é reconhecida, hoje, como uma das maiores ameaças à saúde global. Segundo estimativas publicadas na revista The Lancet em 2024, o número de mortes atribuídas a infecções por bactérias resistentes pode ultrapassar 39 milhões ao ano até 2050. Esse dado alarmante mostra a urgência de ações coordenadas, com protagonismo da classe médica, tanto na prescrição racional de antimicrobianos quanto na adoção de medidas de prevenção da disseminação de patógenos resistentes.

Na prática clínica, a resistência bacteriana manifesta-se de forma concreta em cenários como aumento da morbimortalidade, prolongamento de internações hospitalares, falhas terapêuticas, necessidade de uso de antibióticos mais tóxicos ou menos eficazes e, inevitavelmente, aumento dos custos em saúde

O profissional médico que atua na atenção primária, especializada ou hospitalar, deve ser capaz de reconhecer precocemente os sinais de resistência, ajustar condutas terapêuticas com base em dados microbiológicos e liderar estratégias de contenção. 

Aprofunde-se no tema e atualize sua conduta frente a esse cenário clínico em constante evolução.

Cenário epidemiológico global e nacional da resistência bacteriana

Números globais apontam que, em 2019, aproximadamente 1,3 milhão de mortes foram diretamente associadas à resistência antimicrobiana. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 2,8 milhões de infecções e 35 mil óbitos anuais foram relacionados à presença de patógenos resistentes entre 2012 e 2017. Essa carga é maior que a de doenças como HIV/aids e malária, representando uma ameaça transversal a praticamente todas as especialidades médicas.

No Brasil, ainda que os sistemas de vigilância estejam em desenvolvimento, já é observado um crescimento acentuado de infecções por enterobactérias produtoras de β-lactamases de espectro estendido (ESBL), além de uma alta prevalência de Pseudomonas aeruginosa multirresistente, Acinetobacter baumannii resistente a carbapenêmicos e Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA).

Estudos conduzidos entre 2012 e 2017 nos Estados Unidos demonstraram um aumento de 53% na prevalência de ESBL-E, com destaque para as CTX-M-15. Parte significativa dessas infecções tem origem comunitária, o que evidencia que o problema deixou de ser exclusivamente hospitalar. 

Mecanismos moleculares de resistência bacteriana

A resistência bacteriana resulta de diversos mecanismos moleculares que tornam os antimicrobianos ineficazes. A produção de β-lactamases, por exemplo, está entre os mecanismos mais frequentes, sendo as carbapenemases, como KPC, NDM e OXA, responsáveis por grande parte da resistência a antibióticos de última linha.

Além disso, alterações na permeabilidade da membrana externa das bactérias impedem a entrada de fármacos, enquanto a superexpressão de bombas de efluxo contribui para a expulsão do antibiótico antes que ele atinja seu alvo. A modificação do sítio de ação também é relevante, como observado nas resistências às quinolonas e macrolídeos, que envolvem alterações em enzimas-alvo ou metilação do RNA ribossomal.

A formação de biofilmes representa outro desafio terapêutico, especialmente em pacientes com dispositivos invasivos. Esses biofilmes funcionam como barreiras físicas e químicas que reduzem a ação dos antimicrobianos. A resistência é potencializada, ainda, pela transferência horizontal de genes entre bactérias, facilitada por plasmídeos e integrons, o que acelera a disseminação de resistência entre diferentes espécies, inclusive fora do ambiente hospitalar.

Perfil clínico e grupos de risco mais afetados

Embora a resistência bacteriana afete um espectro amplo de pacientes, existem grupos particularmente vulneráveis a infecções por patógenos multirresistentes. Pacientes hospitalizados, sobretudo aqueles internados em unidades de terapia intensiva, estão entre os mais acometidos, dada a frequência de procedimentos invasivos e a maior exposição a antimicrobianos de largo espectro.

Indivíduos imunossuprimidos, como portadores de neoplasias hematológicas, transplantados e pacientes com doenças autoimunes, também apresentam risco elevado. A imunossupressão favorece infecções oportunistas e prolonga o uso de antimicrobianos, o que contribui para a seleção de cepas resistentes.

Pacientes idosos, principalmente aqueles acima de 70 anos, somam-se a esse grupo de risco por apresentarem maior incidência de infecções urinárias e respiratórias, que, muitas vezes, são tratadas de forma empírica. Também estão vulneráveis os residentes de instituições de longa permanência, cuja convivência em ambientes fechados facilita a disseminação de patógenos resistentes.

Em ambientes ambulatoriais, observa-se o crescimento de infecções comunitárias por Escherichia coli produtoras de ESBL, notadamente em mulheres com infecções urinárias recorrentes. Por fim, pacientes com múltiplas comorbidades, histórico de hospitalizações constantes e uso recente de antibióticos igualmente apresentam risco aumentado.

O uso ambulatorial de antibióticos e seu impacto na resistência

Apesar de grande parte das discussões sobre resistência antimicrobiana concentrar-se no ambiente hospitalar, é no contexto ambulatorial que ocorre a maior parte das prescrições de antibióticos. É estimado que até 80% dos antimicrobianos sejam prescritos fora do ambiente hospitalar, frequentemente de forma inadequada.

Infecções respiratórias de etiologia viral, por exemplo, continuam sendo tratadas com antibióticos sem necessidade clínica. Adicionalmente, são comuns erros relacionados à dose, duração do tratamento e escolha do fármaco, sem respaldo em cultura ou antibiograma na maioria das vezes. O uso de antibióticos de amplo espectro, como quinolonas e cefalosporinas de terceira geração, tem sido um dos principais fatores de seleção de bactérias resistentes na comunidade.

A falta de diretrizes objetivas, a pressão por atendimento rápido e a expectativa do paciente contribuem para o excesso de prescrição. Por isso, capacitação médica contínua, protocolos de apoio à decisão clínica e reforço na educação em saúde para a população são maneiras de reduzir o uso indiscriminado de antibióticos.

Avanços terapêuticos: novas opções frente à resistência bacteriana

O desenvolvimento de novas combinações de antimicrobianos representa um dos caminhos promissores no enfrentamento da resistência bacteriana. Combinações como ceftazidima-avibactam e meropenem-vaborbactam demonstram eficácia contra cepas produtoras de KPC e algumas ESBLs, oferecendo alternativas seguras e com perfil farmacocinético adequado para infecções graves.

No entanto, ainda existem lacunas, especialmente frente a organismos produtores de metalo-β-lactamases (MBL) e oxacilinases (OXA), como ocorre com Acinetobacter baumannii. Nessas situações, o tratamento pode depender de fármacos como colistina e tigeciclina, cujos efeitos adversos limitam o uso prolongado.

Pensando em futuro, inovações em fase de pesquisa incluem o uso de bacteriófagos, peptídeos antimicrobianos sintéticos, terapias baseadas em CRISPR-Cas9 e desenvolvimento de antibióticos com vetores nanotecnológicos. Embora promissoras, essas abordagens ainda enfrentam barreiras regulatórias e necessitam de validação clínica em larga escala.

Estratégias de prevenção e stewardship antimicrobiano

A resposta mais eficaz à resistência bacteriana depende de um modelo proativo de prevenção e controle, por meio da implementação de programas de stewardship antimicrobiano. Tais programas têm como objetivo garantir a prescrição adequada, monitorar o uso racional dos fármacos e reduzir os impactos adversos associados à seleção de cepas resistentes.

Na prática clínica, isso implica realizar culturas antes do início do tratamento empírico sempre que possível, ajustar a terapia conforme o antibiograma, reduzir quando houver melhora clínica e adotar durações mais curtas de tratamento, baseadas em evidências.

Ademais, a vigilância epidemiológica local é direcionada para orientar o uso racional dos antimicrobianos, destacando-se hospitais de médio e grande porte. Protocolos de higiene, isolamento e desinfecção também são importantíssimos para interromper cadeias de transmissão de patógenos resistentes.

Perspectivas futuras e o conceito One Health

O conceito de One Health, que integra a saúde humana, animal e ambiental, é fundamental para a compreensão e o enfrentamento da resistência antimicrobiana em escala global. Isso deve-se ao fato de que muitos antibióticos utilizados na prática clínica também são amplamente empregados na agropecuária, contribuindo substancialmente para a pressão seletiva sobre bactérias com potencial zoonótico. Além disso, resíduos de antimicrobianos descartados no solo, na água e nos alimentos reforçam um ciclo de disseminação silencioso que favorece a emergência de cepas resistentes fora do ambiente hospitalar.

Diante disso, o engajamento dos profissionais de saúde exerce papel essencial ao apoiar políticas públicas que regulamentam o uso de antimicrobianos na produção animal, promovem a vigilância ambiental e estimulam a educação em saúde coletiva.

Para ampliar seus conhecimentos sobre infecções e estratégias diagnósticas de precisão, acesse nosso conteúdo sobre Diagnóstico molecular da vaginose bacteriana

Referências:

GBD 2021 Antimicrobial Resistance Collaborators. Global burden of bacterial antimicrobial resistance 1990-2021: a systematic analysis with forecasts to 2050. Lancet. 2024;404(10459):1199-1226. doi:10.1016/S0140-6736(24)01867-1
Wolford H, McCarthy NL, Baggs J, et al. Antimicrobial-Resistant Infections in Hospitalized Patients. JAMA Netw Open. 2025;8(3):e2462059. doi:10.1001/jamanetworkopen.2024.62059

Darby, E. M., Trampari, E., Siasat, P., Gaya, M. S., Alav, I., Webber, M. A., & Blair, J. M. A. (2023). Molecular mechanisms of antibiotic resistance revisited. Nature reviews. Microbiology, 21(5), 280–295. https://doi.org/10.1038/s41579-022-00820-y

Koenig, C., & Kuti, J. L. (2024). Evolving resistance landscape in gram-negative pathogens: An update on β-lactam and β-lactam-inhibitor treatment combinations for carbapenem-resistant organisms. Pharmacotherapy, 44(8), 658–674. https://doi.org/10.1002/phar.2950

Tamma, P. D., Aitken, S. L., Bonomo, R. A., Mathers, A. J., van Duin, D., & Clancy, C. J. (2023). Infectious Diseases Society of America 2023 Guidance on the Treatment of Antimicrobial Resistant Gram-Negative Infections. Clinical infectious diseases : an official publication of the Infectious Diseases Society of America, ciad428. Advance online publication. https://doi.org/10.1093/cid/ciad428

CDC’s Antibiotic Resistance Threats in the United States, 2019 (2019 AR Threats Report) includes national death and infection estimates for 18 antimicrobial-resistant bacteria and fungi.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Plano de ação nacional de prevenção e controle da resistência aos antimicrobianos no âmbito da saúde única 2018-2022 (PAN-BR). Brasília: Ministério da Saúde; 2019. 24 p. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/plano_prevencao_resistencia_antimicrobianos.pdf

World Health Organization, Food and Agriculture Organization of the United Nations, United Nations Environment Programme & World Organisation for Animal Health. (‎2023)‎. Implementing the global action plan on antimicrobial resistance: first quadripartite biennial report. World Health Organization. https://iris.who.int/handle/10665/375008  Licença: CC BY-NC-SA 3.0 IGO.

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Os benefícios da corrida de rua para viver com mais saúde https://blog.sabin.com.br/autocuidado/beneficios-da-corrida-de-rua/ https://blog.sabin.com.br/autocuidado/beneficios-da-corrida-de-rua/#respond Tue, 23 Dec 2025 11:00:00 +0000 https://blog.sabin.com.br/?p=4872 A corrida de rua é uma das práticas esportivas mais acessíveis, democráticas e completas da atualidade. De baixo custo e com alta adaptabilidade, ela se consolidou como um exercício popular por promover bem-estar físico, mental e social. Mais do que uma forma de se exercitar, a corrida é uma estratégia de autocuidado que impacta positivamente […]

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A corrida de rua é uma das práticas esportivas mais acessíveis, democráticas e completas da atualidade. De baixo custo e com alta adaptabilidade, ela se consolidou como um exercício popular por promover bem-estar físico, mental e social. Mais do que uma forma de se exercitar, a corrida é uma estratégia de autocuidado que impacta positivamente a qualidade de vida, a produtividade e até a longevidade.

Estudos científicos mostram que corredores regulares apresentam menor risco de doenças crônicas, vivem mais e têm melhor desempenho cognitivo e emocional. No entanto, para aproveitar todos esses benefícios de forma segura, é fundamental seguir cuidados específicos antes e durante os treinos.

Confira a seguir os principais efeitos da corrida de rua na saúde e saiba como iniciar essa jornada com segurança.

Quais os principais benefícios da corrida de rua para o corpo?

Dados comprovam que corredores habituais apresentam uma redução de 25% a 40% no risco de mortalidade prematura, evidenciando a ligação direta da corrida de rua na promoção da longevidade. 

A prática também está associada à melhora significativa do condicionamento cardiovascular e da capacidade pulmonar, dois pilares da saúde física. Outro benefício é o fortalecimento de ossos e articulações. Contribui, ainda, para o aumento da força muscular, do equilíbrio e da resistência física, mesmo entre iniciantes, proporcionando maior funcionalidade no dia a dia.

Entre os ganhos metabólicos, destacam-se a prevenção de doenças como hipertensão arterial e diabetes tipo 2, além de auxiliar no controle do peso corporal e do perfil lipídico. Tanto a corrida em trilha quanto no asfalto oferecem estímulos neuromusculares relevantes, com determinadas diferenças que ampliam as melhorias físicas para o corpo como um todo. 

Como a corrida de rua melhora a saúde mental?

O impacto da corrida na saúde mental é cada vez mais reconhecido por especialistas. Logo após uma sessão de treino, já é possível notar mudanças no humor e na clareza mental, resultado da liberação de neurotransmissores como endorfina e serotonina. 

A corrida também tem se mostrado eficaz na redução de sintomas de depressão, estresse e ansiedade, mesmo em pessoas com condições crônicas como dor lombar. Quem pratica regularmente tende a ter um sono de melhor qualidade, pois o exercício regula o ritmo biológico e promove relaxamento mental.

Esses efeitos tornam a corrida uma aliada não apenas da saúde física, mas também do equilíbrio emocional, da concentração e da estabilidade psicológica.

A corrida de rua é para todas as idades?

A corrida de rua pode ser adaptada para todas as idades, embora os benefícios variem conforme a fase da vida. Adultos entre 25 e 50 anos costumam atingir o pico de desempenho e obter os melhores resultados físicos e metabólicos. Nessa faixa etária, a economia de corrida é mais eficiente e os ganhos cardiovasculares são especialmente pronunciados.

Para adultos mais velhos, a prática regular ajuda a preservar a capacidade funcional, manter a independência nas atividades do cotidiano e retardar os efeitos naturais do envelhecimento. Mesmo com a redução progressiva do desempenho, os resultados sobre a saúde global e a longevidade são expressivos.

Em crianças e adolescentes, a corrida deve ser introduzida com cuidado. A maturidade física e emocional precisa ser avaliada, principalmente para a participação em provas mais longas. Quando bem orientada, a prática pode contribuir para o desenvolvimento físico, autoestima e disciplina.

A corrida como cultura corporativa 

Cada vez mais, empresas têm adotado a corrida como parte de suas estratégias de promoção da saúde no ambiente corporativo. Iniciativas que incentivam a prática regular entre colaboradores demonstram efeitos positivos na saúde física, emocional e também no desempenho profissional.

Segundo Luís Carlos da Silva Pereira, coordenador de esporte do Sabin, “Quando o colaborador incorpora a corrida à rotina, não cuida apenas do corpo, ele aprimora concentração, resiliência emocional e capacidade de tomada de decisão. O treino aeróbico, como a corrida, fortalece o desempenho cardiovascular e eleva a produtividade no dia a dia. No Sabin, onde o incentivo ao esporte faz parte da cultura corporativa, vemos na prática como essa rotina fortalece times mais engajados, criativos e saudáveis”.

Esse exemplo mostra como a corrida ultrapassa os limites do bem-estar individual e se transforma em uma ferramenta de fortalecimento coletivo e cultura organizacional.

Quais cuidados são importantes para quem quer começar a correr?

Antes de iniciar a prática, é essencial passar por uma avaliação médica completa, sobretudo para pessoas com fatores de risco cardiovascular, histórico de lesões ou doenças crônicas. O check-up deve incluir exames laboratoriais, avaliação ortopédica e, se necessário, teste ergométrico.

O treino deve começar de forma leve, com progressão gradual de intensidade e distância. Aumentar o volume semanal em no máximo 10% é uma medida segura para evitar lesões e sobrecarga. O aquecimento antes e o desaquecimento após os treinos ajudam a prevenir danos musculares e cardiovasculares.

A escolha do calçado deve respeitar o tipo de pisada e as características do terreno. Superfícies mais regulares e menos rígidas são preferíveis para iniciantes. Exercícios de fortalecimento muscular, como de core, tornozelos e quadríceps, são indispensáveis para prevenir lesões.

Também é importante respeitar os períodos de descanso entre treinos, permitindo a recuperação adequada do corpo. Ignorar sinais como dor persistente, fadiga excessiva ou falta de motivação pode resultar em lesões por sobrecarga e esgotamento.

Quem tem mais risco de se lesionar na corrida de rua?

Alguns perfis de corredores exigem atenção especial. Iniciantes com menos de dois anos de experiência estão entre os mais propensos a sofrer lesões, principalmente por falta de adaptação biomecânica. Pessoas com histórico prévio de lesões, particularmente nos membros inferiores, também apresentam maior vulnerabilidade.

Indivíduos com sobrepeso, baixa frequência de treinos ou que participam de provas longas sem preparo adequado estão entre os grupos de risco mais recorrentes. Curiosamente, corredores muito experientes, também apresentam maior incidência de lesões, possivelmente pelo acúmulo de microtraumas.

Em algumas modalidades, estudos indicam maior prevalência de lesões entre mulheres, apesar de esses dados variarem conforme o tipo de prova e características individuais. O que importa é individualizar o plano de treino e sempre contar com orientação profissional.

A influência do ambiente na corrida de rua

O local onde se pratica a corrida influencia diretamente os benefícios percebidos. Ambientes com áreas verdes, como parques e trilhas arborizadas, são associados à maior sensação de bem-estar, prazer e segurança. Além disso, reduzem a percepção de esforço, o que aumenta a motivação e favorece a adesão ao hábito.

Mesmo em cidades grandes, é possível encontrar rotas urbanas que proporcionam boas experiências, desde que ofereçam estrutura adequada, segurança e iluminação, especialmente para treinos noturnos. Em todos os casos, o ambiente deve ser escolhido com base no conforto, segurança e preferências pessoais do praticante.

Benefícios sociais da corrida de rua

A corrida também é uma ferramenta de inclusão social e promoção da saúde coletiva. Grupos comunitários e iniciativas locais ampliam o acesso à atividade física, muitas vezes voltadas a pessoas sedentárias e de regiões vulneráveis. Isso fortalece os vínculos sociais, aumenta a autoestima e promove um sentimento de pertencimento.

A prática em grupo estimula a continuidade da atividade, pois envolve apoio mútuo, metas compartilhadas e incentivo coletivo.Assim, a corrida deixa de ser apenas um exercício e passa a integrar uma rede de cuidados e conexões sociais.

A importância do check-up esportivo

Correr com saúde começa com o autoconhecimento. Um check-up esportivo adequado identifica condições preexistentes, orienta sobre limitações e possibilita traçar um plano de treinos mais seguro e eficiente. Testes laboratoriais, ergometria, avaliação postural e de composição corporal são exemplos de exames que podem ser solicitados.

Com esse preparo, é possível correr com mais segurança, prevenir complicações e manter a motivação elevada por muito mais tempo. Quer saber se está pronto para começar? Veja os exames indicados para o seu check-up

Sabin avisa:

Este conteúdo é meramente informativo e não pretende substituir consultas médicas, avaliações por profissionais de saúde ou fornecer qualquer tipo de diagnóstico ou recomendação de exames.

Importante ressaltar que diagnósticos e tratamentos devem ser sempre indicados por uma avaliação médica individual. Em caso de dúvidas, converse com seu médico. Somente o profissional pode esclarecer todas as suas perguntas. 

Lembre-se: qualquer decisão relacionada à sua saúde sem orientação profissional pode ser prejudicial.

Referências:

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Brenner JS, Watson A; COUNCIL ON SPORTS MEDICINE AND FITNESS. Overuse Injuries, Overtraining, and Burnout in Young Athletes. Pediatrics. 2024 Jan 1;153(2):e2023065129. doi: 10.1542/peds.2023-065129. PMID: 38247370.

Franklin BA, Thompson PD, Al-Zaiti SS, et al. Exercise-related acute cardiovascular events and potential deleterious adaptations following long-term exercise training: placing the risks into perspective—an update: a scientific statement from the American Heart Association. Circulation. 2020;141(13):e705–e736. doi:10.1161/CIR.0000000000000749.

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Vincent HK, Vincent KR. Considerations for initiating and progressing running programs in obese individuals. PM R. 2013 Jun;5(6):513-9. doi: 10.1016/j.pmrj.2013.03.008. PMID: 23790819.

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